Notas iniciais
Tecnicamente, já é dia dos pais, então eu resolvi postar essa fic que já tá no forno há um tempinho (e vocês vão ver o que isso tem a ver com o dia dos pais no capítulo 2).
Lembrando que é baseada em fics anteriores, então dá uma passada lá se é novo por aqui!

Eu tinha acabado de acordar, mas minhas forças, ainda escassas, não me deram coragem para abrir os olhos. Mesmo quando ouvi a porta se abrir e se fechar rapidamente, como se alguém tivesse pressa. O barulho foi um tanto estrondoso, mas seguido de silêncio. A julgar pela dorzinha da agulha na minha mão, pela máscara de oxigênio no meu rosto, pelos outros fios grudados em mim, pelos bips do monitoramento e por aquele inconfundível odor medicinal, eu estava em hospital. Não me lembrava de grandes coisas sobre antes disso.

Voltando ao estranho em meu quarto. Poderia muito bem ser um médico, mas um médico seria mais cuidadoso ao entrar. Eu senti sua presença, sua aproximação cautelosa. Finalmente, ouvi sua voz baixa e hesitante.

— Mas… Você estava morto… — Era ele. Era o Namjoon. Eu me permiti relaxar pela ausência de perigo. Ele riu um pouco, com aquele ar inacreditável. Eu estava morto? — Aigo! Você está vivo, hyung! — Eu senti sua hesitação. Algo estava errado? Senti seus dedos pelos fios do meu cabelo.. — Senti sua falta, hyung. Todos nós sentimos. Os meninos… — Namjoon abaixou a cabeça. — Não estão mais aqui.

Como assim os meninos não estão mais aqui? Por que eu deveria estar morto?

De repente, a porta se abriu de novo. Dessa vez, ouvi a voz do meu tio. Ops, sinal de perigo. Não que meu tio fosse perigoso, mas ele não gosta dos meninos.

— Você não pode entrar aqui — disse.

— Você! — gritou Namjoon, retendo seu tom de voz. — Você disse que Jin Hyung estava morto!

— Sim, eu disse.

— Meus amigos morreram achando que Jin Hyung não tinha sobrevivido. O Jimin… O Jimin morreu por causa dele. Morreu porque não podia suportar. Você tem noção do que fez?

Minha vontade era chorar… Os meninos estão mortos? Por minha causa? Como isso é possível?

— Tenho sim, Namjoon.

— O Hoseok morreu nesse hospital, de overdose, porque queria cuidar do Jimin…

— Eu sei disso tudo, Namjoon, pare de ser tão repetitivo.

— Você… Você não sente nem um pouquinho de culpa?

— A resposta está do seu lado. Olhe o que aconteceu com Seokjin. Você sabe, não sabe?

— Eu sei que o carro dele…

— Ele tentou se suicidar. Não foi um acidente. Sabemos disso por causa da perícia. Sabe por que ele tentou se suicidar?

— Não — confessou Namjoon.

Nem eu. Só agora começo a me lembrar… Ah, é… Verdade. Eu tentei me matar. Por minha causa, os meninos se foram.

Queria que aquela discussão acabasse. Eu senti quando Namjoon obedeceu meu tio e olhou para mim, então decidi abrir os olhos. Encontrei Namjoon olhando para mim, e algo se avivou nele. Meu tio, no entanto, pareceu não perceber que acordei.

— Encontramos resquícios de substâncias no corpo dele. Substâncias usadas contra a depressão — continua ele, mas Namjoon não quer saber de mais nada.

— Oi — disse ele, com tom completamente amável. Eu queria muito abraçá-lo, queria muito que ele me dissesse que estava brincando. Que os meninos estavam vivos. Que meu tio não tinha feito aquilo tudo de propósito e não sentia a menor culpa.

— Ele acordou? — perguntou meu tio. Depois, mudou um pouco e tentou parecer receptivo ao se aproximar. Namjoon o ignorou. — Oi, mocinho. O que o senhor aprontou, hein?

A energia estava voltando. Eu tentei falar, mas a máscara me impedia.

— Quer dizer alguma coisa? Acha que consegue ficar sem a máscara?

Fiz que sim. Já estava conseguindo respirar bem. Meu tio tirou a máscara com cuidado enquanto se dirigia ao Namjoon.

— Você não deveria estar aqui. Nenhum tipo de visita deveria participar desse processo.

Eu sabia que ele estava certo. Por mais que odiasse Namjoon, e eu sabia que odiava, aquele era um argumento nada falacioso. No entanto, eu não estava nem aí para as regras da medicina.

— Pode me deixar sozinho com ele um pouco? — pedi ao meu tio, fazendo a minha melhor cara de coitado. Ele me mimava muito, não devia ser difícil convencê-lo… Principalmente porque eu estava realmente abalado.

— Com ele? Você sabe que não é permitido, Jin…

— Por favor — deixei uma lágrima cair. Eu estava realmente querendo chorar, porque a situação era terrível… Só que, no fundo, minha esperança era que ele achasse que eu estava chateado com Namjoon e que iria mandar ele sumir. Ou que ele ia me fazer bem de algum modo, o que era a verdade. Não sei o que ele achou, mas acabou cedendo.

— Está bem — disse ele, dirigindo um olhar repulsivo para Namjoon. — Só cinco minutos.

Namjoon permanecia quieto sem tirar os olhos de mim. Ficou assim até meu tio fechar a porta.

Então ele olhou para minha mão. A mão esquerda, que não recebia soro. Ele segurou a ponta do meu dedo mindinho e foi tomando coragem para segurar minha mão.

— Não acredito que está realmente aqui.

Eu queria desabar… Queria dizer para ele que eu queria os meninos… Mas de repente me pareceu muita sorte ainda tê-lo. Entrelacei meus dedos nos dele.

— Que bom que você veio.

— Eu não devia. Eu também sou um paciente. Eu só queria fugir desse lugar mas, agora que eu encontrei você, me parece o melhor lugar do mundo.

Eu consigo sorrir um pouco. É um sorriso doloroso. É difícil esquecer tudo que há ao redor, mas ele ainda está aqui. Eu ainda posso segurá-lo, e talvez ele faça o mesmo.

— O que houve com os meninos? — arrisco. A expressão dele muda. Talvez porque não queira jogar a culpa por cima de mim.

— Foi uma bola de neve, hyung. Eles foram seguindo seus caminhos para o outro lado…

— Eles foram atrás de mim — digo, cerrando os dentes. — Só que eu estou aqui.

— Isso não importa — de repente, ele parece firme. Segura minha mão com um pouco mais de força. — Eu quase fui pelo mesmo caminho, mas não quero ir a nenhum outro lugar. Você é a única coisa que me resta.

— Somos a única coisa que resta um pro outro, Nam. Nós temos que ficar.

— Eu vou tentar. Mas não depende só de mim. O Chung Ho… Ele não me quer aqui.

— Ele mentiu pra vocês, não foi? Disse que eu estava morto… Influenciou os meninos… E ele não sente nem um pingo de culpa.

Ele abriu a porta de novo. Dessa vez, estava com outro médico.

— Vai ter que voltar pro seu quarto, Namjoon — disse o médico, com uma voz doce, parecia até querer pedir desculpas.

— Eu sei. Desculpa estar te dando trabalho.

Franzi o cenho. O cara parecia mais novo que eu, e parecia muito gente boa. Namjoon o conhecia, dava pra ver. Será que era um bom sinal? Eu conhecia meu tio e acabava de descobrir que era uma peste infiltrada na minha família. Será que o jovem médico era digno de confiança?

— Só uma coisa — eu disse, com a segurança que a minha saúde permitiu. Os três olharam para mim, e eu queria que todos ouvissem, mas principalmente meu tio. Foquei meu olhar nele, e disse com calma e serenidade. — Preste bastante atenção, samchon. Pode achar que está fazendo muito bem para mim com suas últimas ações, mas se queria me ver feliz, falhou miseravelmente.

— Sua felicidade virá com o tempo.

— Não, não virá — dessa vez, soei firme. Estava cansado de ser bonzinho. — Porque se você deixar que algo de ruim aconteça ao Namjoon eu não sei o que sou capaz de fazer. E se eu estou aqui é porque não tenho medo. Então sugiro que tome cuidado com suas escolhas quando elas puderem causar algum efeito pra mim, porque não há chance de eu estar blefando. Me separe do Namjoon, e eu me mato. Leve-o para junto dos meninos, e eu vou atrás. É só um aviso.

Notas finais
Bem diferente do Jin que a gente conhece de outros carnavais, né nom?