Me Rendo a Coroa
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sim, comecei meu dia bem sabe. Apesar de que, nossa não sei o que falar. Eu estava prestes a viajar amanhã, mas minha vontade estava lá embaixo. Rupert estava preparando minhas malas, mas acho que eu que deveria fazer isso.
Afinal, quem sou eu para ter alguém fazendo minhas malas?
Sou a princesa de Jordine, e não você não conhece. Sabe, odeio isso. Não que eu odeie viajar, eu odeio as ordens. As regras. Às vezes penso que meu lugar seria junto com os pebleus, ali mesmo junto dos porcos. Já me meti em tanta confusão nesse palácio que só não me expulsam daqui porque sou a Princesa...
-... Sanye, seu motorista está a sua espera.
Rainha Ellen. Ou como queiram minha mãe. Sabe, não tenho uma boa relação com ela, acho que me entendo melhor com meu pai. Ela é dura, rígida. Parece guardar tudo pra si mesma. Sempre que eu tento falar ela vira as costas dizendo está ocupada, na maioria das vezes, só tenho a atenção dela quando há festas aqui, ou quando a meu futuro esposo está presente.
- Claro mamãe. – faço a reverência – Eu já vou descer.
- Sanye, antes de tudo, espero que a senhorita se comporte bem, não faça nada além das regras, não quero você se metendo em mais confusões. – ela falava pondo no lugar a gola do meu vestido.
- Mamãe, isso seria realmente necessário?
- O que?
- Tudo isso, eu ter um compromisso com alguém que eu nem conheço... Eu queria ter minhas próprias escolhas.
- Escute-me bem, isto é para o bem de Jordine, não para o seu bem, se você for uma boa princesa, as pessoas lhe aceitarão como uma boa rainha.
Calei-me, realmente ela não ligava para o meu bem. Não fazia ideia de como meu pai havia se casado com ela. Ela se virou antes que eu falasse algo e saiu.
Andava pelo quarto, sem parar, me olhei umas duas vezes do espelho para constar que estava perfeita. Meu vestido azul, com as linhas de costura banhadas a ouro, a gola que levantava mais meu rosto me deixava superior, o coque feito pela Rachel se encaixou bem na minha tiara dourada.
Ouvi as três batidas na porta e já imaginei que havia sido o Rupert. Estava na hora.
Peguei minha bolsa e me arrumei mais uma vez, respirei fundo e desci as escadas. Ao sair pelo portão principal, não vi nada mais além de flashes das câmeras dos repórteres. Tive que manter a pose, não queria decepcionar minha mãe que estava ao meu lado, mas queria que ali estivesse meu pai... Ele fazia falta, estava viajando a negócios, não tinha data pra voltar.
Ao entrar no carro desfiz meu sorriso falso, ele me dava câimbras.
- A Senhorita deseja alguma coisa? Bebida ou... – O Rupert era tão educado que às vezes me dava agonia.
- Rupert, só um copo com água, por favor.
- Princesa Sanye, seu coque está meio desarrumado, a senhorita por acaso andou ansiosa de novo? – Rachel, ela reclamava comigo enquanto colocava os fios de cabelo no lugar, desde pequena eu não era alguém quieta, bagunçava todos os penteados que ela fazia em mim.
- Desculpe-me Rachel, é normal alguém está ansiosa para ver pela primeira vez seu noivo.
Ela sorriu e se pôs no lugar novamente.
- Sim senhorita.
Eu olhava pela janela da limusine. Jordine era tão diferente vista daqui. As pessoas fazendo compras, as crianças... Era tudo ali tão alegre que eu me perguntava como sobreviviam aos rebeldes. Sim, os rebeldes. Eles nos davam muita dor de cabeça.
- A senhorita deveria dar um cochilo... A viagem até o aeroporto será longa.
Rachel falou, e eu balancei a cabeça como um sim. Deitei-me no colo dela e cochilei, ainda a senti me acariciando, ela era como minha segunda mãe, sempre cuidou de mim, desde o berço.
- Acorde. Precisamos pegar o avião. – era a Rachel me balançando.
Sentei-me e vi pelo espelho ao meu lado que meu cabelo estava arrumado, claro, ela o arrumou. Durante toda a viagem de carro. Ao descer o vidro da limusine vários repórteres. Talvez mais do que tinha no palácio, meu sorriso falso foi estampado novamente em minha cara.
- Princesa Sanye. Aqui. – uma repórter vinha em minha direção – Posso lhe fazer umas perguntas alteza?
- Claro que sim! – sorri para a moça, ela era jovem, tinha uma alegria imensa nos olhos, estava louca para saber o que ela me perguntaria.
- O que a senhorita pode nos dizer sobre o seu noivo? Como é a sua relação com ele?
Essa pergunta me chocou, tive vontade de não respondê-la, mas achei falta de educação da minha parte. As pessoas não sabiam que nós não nos conhecíamos, era uma regra... Teria que mentir para me safar dessa.
- Bom, meu noivo é uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci na minha vida – tentei pensar em mais coisas – Somos unidos, apesar de que eu só tenho dezessete anos, bem, isso não importa não acha?
- Está ansiosa para o programa hoje?
- Claro, a ansiedade faz parte. – forcei mais um sorriso. Não consegui acreditar que ela caiu nessa conversa, amanhã os jornais estariam estampados com fotos minhas... E tudo o que eu falei.
Antes de ela fazer mais uma de suas perguntas os seguranças passaram na frente e me deram espaço para passar, as pessoas se aglomeraram na porta do aeroporto. Flashes me segavam ao longo do meu percurso. Parei ainda para dar alguns autógrafos, assim que cheguei a porta para ir até o jatinho uma menininha me parou e puxou a barra do meu vestido. Me abaixei até ela quando os seguranças tentaram me impedir.
- Olá garotinha! – ela era pequena e parecia estar sozinha, tinha olhos verdes como água e cachinhos loiros até os ombros, ela estava vermelha, talvez envergonhada, usava um vestidinho surrado, mas o rosto dela era o mais impressionante.
- Oi... – ela tinha uma voz doce.
- O que você faz aqui? Onde estão seus pais?
- Posso te abraçar princesa? – ela falou de um jeito tão fofo que eu não tive como dizer não. A abracei e a peguei no braço, fui até uma das atendentes pedi a ela um microfone.
- Atenção, aqui, por favor, esta menininha está perdida, seus pais estão ai? – olhei para a menina e sussurrei perguntando seu nome, ela me respondeu Kate. – Por favor, a menina se chama Kate... Seus pais?
Murmúrios correram pelo aeroporto até um casal aparecer desesperado, a menina pulou do meu braço e correu até a mulher.
- Oh, minha pequena Kate... – a mulher a beijava a menina. O pai dela veio até mim e fez uma reverência.
- Princesa Sanye, obrigado. Desculpe-nos a menina, ela gosta muito de vossa Alteza, nos fala que quando crescer quer ser que nem a senhorita.
Achei aquilo um elogio e olhei para a menina que falou para o pai.
- Eu a abracei papai...
- Sua filha é um amor senhor. Diga a ela que mandarei buscá-la e passar um dia comigo no palácio, garanto que vai amar. – pisquei para a Kate.
Os pais dela se reverenciaram a mim e algum dos seguranças disse que já estava na hora, mais flashes. Eles só cessaram quando eu atravessei e entrei no jato.
- Apertem os cintos, vamos decolar em três minutos.
O piloto falava enquanto eu me endireitava na poltrona em frente ao Rupert. Rachel estava bem ao meu lado, ela estava tremendo, nunca havia estado em um avião, ou um jato, como queira.
- Rachel? Você está bem? – perguntei.
- Claro senhorita, estou.
- Tem certeza não é? Não quero que você vomite em cima de mim. – sorri, mas ela não me retribuiu.
- Dez, nove, oito... – o piloto começou a falar e Rachel fechava os olhos.
- Rupert, a ajude. – apontei para ela.
- Sete, seis, cinco...
Rupert se levantou o mais rápido possível e foi para o lado de Rachel, segurou na mão dela forte e eu na outra.
- Rupert seus cintos.
- Quatro, três, dois...
Ele os atacou rapidamente.
- Um.
O jato decolou e Rachel fez cara enjoada, tive medo que ela vomitasse, seria em cima de mim...
- Ei, moça. Já estamos no ar... – sorri para ela e apontei para a janela, ela espiou e logo voltou para o lugar de olhos fechados.
Sim, era isso. Ela tinha claustrofobia.
A viagem foi tranquila. Pelo menos para mim e para o Rupert. A Rachel só ficou mais calma quando descemos do jato. Ela endireitou o vestido e foi a primeira a descer.
- Para onde vamos agora? – perguntei meio deslocada, aquele país era diferente, se chamava Scárvia, era o reino no meu futuro noivo, falando nele estava ansiosa.
Scárvia não era como Jordine, era mais rica. Não tinha o problema com os rebeldes, talvez me aliar com aquele país ajudasse o meu.
- Seguiremos para o palácio do seu noivo. Não, a senhorita não poderá vê-lo lá, apenas na entrevista entendeu? – Rupert foi me dando os detalhes enquanto caminhávamos para a saída dos fundos.
A rua era vazia, e um carro escuro nos esperava ali. Entramos e percebi que era o mesmo motorista da limusine.
Quando passamos pela frente do aeroporto tinha mais repórteres.
- Eles não se cansam de correr atrás de mim? – pensei alto e a Rachel riu.
- A querida, são sensacionalistas. Querem novidades. A senhorita tem que agradá-los.
- Não gosto disso.
- Um princesa não se porta desse jeito senhorita. – Rupert me lançou um olhar desafiador e eu me endireitei.
- Certo.
Passei o percurso calada apenas apreciando a vista rica de Scárvia. As casas eram altas, pedras que pareciam pratas nos muros. Era tudo calçado, sem nenhum buraco ou coisa do tipo que atrapalhasse na rua. As pessoas tinham uma aparência de nobres. As crianças não corriam ou brincavam, apenas acompanhavam os pais.
“Que estranho.” Pensava sozinha.
[...]
O Palácio era cercado. Muros de mais de quinze metros de altura, uma cerca em cima deles, arame farpado. Guardas estavam no portão. Dois em cada lado.
Quando o carro parou o motorista falou algo para um dos guardas e ele nos deixou entrar.
Na entrada um jardim belíssimo. Canteiros com qual quer flor que você imaginar.
[...]
Ao entrar fomos recebidos por uma das empregadas, no seu uniforme havia o nome Mary.
- Queiram me acompanhar. Princesa Sanye – ela fez a reverência.
Mary nos mostrou alguns dos principais lugares do palácio. Menos a cozinha. Era de se esperar. Era onde ficavam os empregados.
- Aqui vocês se separam. Como o senhor Rupert e a senhora Rachel são empregados da princesa ficaram nos quartos de baixo, são luxuosos pois são de visitas. Aqui em cima os quartos reais. Princesa seu quarto é o primeiro do corredor a direita. – ela falava rápido, mas entendi.
Fiquei magoada por não estar perto da Rachel. E do Rupert claro.
Meu quarto – se eu posso chamar de quarto, porque parecia uma mini-casa – era lindo. A cama ficava no meio, era coberta por um lençol fino, parecia seda. Era vermelho e a cabeceira dourada. Em ambos os lados haviam dois criados-mudo, o guarda-roupa era gigante, e como eu imaginei, ao abri-lo estava lotado de vestido, logo olhei para minhas malas e me arrependi de ter as trazido.
Havia duas janelas. Uma ao lado da cama e a outra do lado do guarda-roupa, as duas davam vista aos fundos do palácio. Um jardim ainda mais imenso e mais bonito que o da frente. Ao lado da porta tinha um mini-refrigerador, bebidas, bebidas e bebidas, acho que eles pensam que uma adolescente pode beber tanto assim.
Durante o resto do dia algumas empregadas entraram em meu quarto pra deixar tudo perfeito. E duas horas antes da entrevista mais dez entraram correndo até mim para me preparar, um delas era a Mary.
- Isso é realmente necessário? – sussurrei para ela enquanto uma das mulheres apertava uma cinta em mim, eu já era magra, queriam me deixar mais.
- Sim senhorita. Por favor, não fale conosco, não podemos.
- Mas...
Ela não me olhou novamente.
Depois de uma hora eu estava pronta. O vestido rosa batia embaixo do joelho ele era um tomara-que-caia. Meu cabelo loiro estava solto e a tiara bem endireitada, usava umas sapatilhas brancas cheias de brilho. Um colar pesado cheio que bijuterias e os brincos leves.
Desci as escadas e ainda não havia visto Rachel e Rupert.
Mary me levou até o Studio de gravação, ele era uma parte do palácio. Havia uma platéia. A apresentadora... Me lembrei dela assim que vi aqueles cabelos. Era a mesma que havia me feito a pergunta quando cheguei no aeroporto.
Dei meia volta para dar mais uma checada em mim no espelho e esbarrei em alguém.
- Ai. – falei passando a mão na testa.
- Ah meu Deus, desculpe-me. – um homem estava parado bem na minha frente, ele usava um terno escuro e tinha um sorriso no rosto. O cabelo preto estava bem arrumado e as bochechas rosas. Ele devia ser o outro apresentador .
- Não tem problemas.
Ele me reconheceu e fez uma reverência.
- Alteza. Perdão.
Ele fez isso e saiu rapidamente.
- DOIS MINUTOS TODOS NOS SEUS LUGARES.
Um dos produtores falou. Eu fiquei ali do lado esperando ser chamada. Olhei para a platéia e vi a Rachel do outro lado o Rupert.
- CINCO SEGUNDOS.
Fiquei nervosa.
- COMECEM.
- Boa noite povo de Scárvia. Ansiosos para conhecer o novo casal real? Aposto que sim, essa manhã eu pude fazer uma entrevista com a Princesa Sanye, roda.
A fita da entrevista comigo começou a ser passada no telão atrás da apresentadora, fiquei corada. Mas não tinha motivos pra isso.
Depois que acabou eu não prestei mais atenção em nada até que ouvi meu nome ser chamado e alguém me puxou pelo braço, era agora. Eu ia conhecer meu noivo.
Mantive minha postura sorrindo para o público, minha mãe devia estar vendo isso, não quero decepcioná-la. Sentei-me junto com quem havia me puxado até ali e percebi ao olhá-lo que era o mesmo homem com quem eu esbarrei no corredor.
- Ah, Princesa Senye e Príncipe Ethan, quanto honra tê-los em meu programa. – ela se curvou e eu pensei “esbarrei em meu noivo e não percebi nada.”
- A honra é nossa Cíntia. – o Príncipe falou.
- Então. Príncipes Ethan, querem saber sua opinião sobre a princesa, já que já perguntei a ela sobre você. O que vossa alteza acha dela?
- Ah, magnífica. Ela me entende bem, é quase como se eu estivesse prestes a me casar com minha melhor amiga. – ele sabia mentir muito bem.
- E a senhorita? Acha que darão um belo par?
- Ah, com ele ao meu lado? Claro.
A entrevista consistiu nisso. Sobre o que achávamos um do outro. Até que no final...
- Agora eu tenho certeza de que como eu quanto toda a Scárvia quer ver o primeiro beijo de vocês dois aqui ao vivo!
Corei. Provavelmente havia ficado de todas as cores possíveis. Olhei para Ethan sorrindo e ele fez o mesmo. Até que ele tomou a iniciativa e me puxou para perto. Demos ali no primeiro beijo. Que foi meio esquisito se você que nunca viu seu noivo o beija em rede nacional pela primeira vez.
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