Notas iniciais
"Não há necessidade de soprar e apagar a vela porque você não está acabada. Você é jovem demais e o melhor ainda está por vir." - Lullaby, Nickelback.

– PAPAI!

Eu corri até ele.

Aqueles cabelos grisalhos, a barba rala. Os olhos cansados, mas o mesmo sorriso encantador no rosto. Esse era meu pai. O rei Guillermo. E eu não cansava de dizer meu pai.

Assim que cheguei perto pulei em seus braços.

Senti-me como uma criança de colo perto da mãe, eu chorava loucamente, fazia uma semana que eu não via eu pai não um mês, mas a sensação que ele me dava era de que tudo não bastava de um problema de matemática que eu não sabia resolver.

– Oh Sanye. Filha... San...

Ele também estava chorando.

– Filha, eu tive tanto medo que pudesse perdê-la.

– E eu tive medo de que o senhor não voltasse mais pra casa, papai.

– Eu preciso lhe contar muita coisa.

– Não se preocupe você terá tempo Sanye.

Soltei um suspiro preocupado.

– Com sua licença soldado Scott, pode ir agora. – percebi minutos antes que o Scott estava ali. Com uma reverência ele se foi. – Filha o que você tem?

– Pai... – tentei achar as palavras certas – É que o senhor sempre diz “você terá tempo”. E eu nunca tenho, nem você tem.

– O que quer dizer?

Estávamos andando pelo jardim.

– Pai, eu lhe amo muito. Mas eu nunca tenho tempo. Eu queria tempo pra poder me decidir, e... Por que eu tenho que casar? Por que o senhor nunca cuida dos negócios de Jordine? Por que pai? – eu havia feito muitas perguntas e o rei ficou incomodado.

– Venha cá Sanye, vamos entrar.

Ele segurou em meus braços e me guiou pra dentro. Ah, que saudades do meu palácio. Saudades de Jordine. Saudades das confusões aqui.

E olha que foram só três dias.

Sentamos-nos na sala de estar, ela era grande o bastante para mais de quarenta pessoas – eu achava aquilo desnecessário afinal, só usamos aquele lugar em festas – Um sofá que rodava a sala era azul escuro, uma mesa de vidro baixa com taças e pratos de porcelana, um lustre em cima de nossas cabeças parecia que ia cair a qualquer momento e eu ria daquilo.

– Sabe que em nenhum momento eu tive escolhas, certo? Já lhe contei essa história. – ele começou a falar e me tirou dos pensamentos.

Acenei com a cabeça.

– Pois bem filha, nós nunca iremos ter escolhas, os nossos pais se decidem. Assim como seus avós de decidiram por mim – ele fez uma pausa – Vou lhe contar uma história.

Eu adorava quando meu pai falava sobre antigamente, era tudo tão mais, interessante.

– Eu não era apaixonado por sua mãe.

Eu pulei do sofá.

– O que pai? Não... Entendi...

– Então. Bem antigamente, muito tempo atrás num país chamado Illéa, existia um sistema esquisito, chamado de castas. Que eram oito. Tais uma melhor que a outra, a oito era a pior delas, a mais pobre. E as pessoas da casta Um eram da realeza. Seus tataravós eram da casta Um.

– Pai vai direto ao ponto, por favor.

Ele riu.

– Calma. Além disso existia outra coisa. A Seleção. Querida, os príncipes quando completavam certa idade teriam que se casar com plebéias.

“Elas eram escolhidas de cada casta, mas sempre as que iam para o palácio eram da casta quatro pra cima, até que uma cinco foi escolhida. America Singer. Filha esta rainha revolucionou Illéa. E ainda ganhou o coração do rei Maxon, mas isso faz muito tempo então...”

– Pai, o que era a Seleção, explique mais.

– Assim, trinta e cinco garotas eram escolhidas de cada casta para se casar com o príncipe, e cada vez mais elas iam passando por provas e provas até o dia da escolha.

– Entendo. Mas como o senhor entra nessa história?

– Bem, a rainha America junto com o rei Maxon acabou com o sistema de castas de um jeito impressionante, de um jeito com que todos acabassem se beneficiando. E com isso Illéa se expandiu criando vários reinos, entre eles...

– Jordine.

– Sim, e eu era o próximo herdeiro e não queria realizar seleção nenhuma, porque eu estava apaixonado por uma mulher, e ela não era da realeza.

Eu sorri. – Pai como o senhor fez isso?

– Filha, caia entre nós – ele chegou perto de mim – Eu fugia do palácio umas vezes sabe.

Eu ri alto.

– Então, eu criei um vínculo impressionante com essa mulher. Nós estávamos tão apaixonados que eu ficava perdido nos deveres do reino, não sabia mais o que fazer, até que um dia como outros eu marquei de me encontrar com ela.

“Foi a melhor noite da minha vida, eu agradecia intensamente pelas castas terem sumido, eu não sabia do que seria de mim sem ela. Passamos a noite juntos e eu havia esquecido de me levantar cedo pra que pudéssemos fugir.”

– Pai, uma pergunta... Vocês... Sabe... Fizeram...

Ele sorriu alto o que me fez corar – que pergunta estúpida.

– Sim, mas isso não vem ao caso. Então, fomos descobertos.

Eu desfiz o sorriso ao ver o rosto do meu pai ficando escuro.

– Os guardas nos acharam em uma das passagens secretas daqui...

– PASSAGENS SECRETAS? – eu falei alto demais e ele tampou minha boca.

– Fiquei quieta e me deixe terminar.

“Os guardas nos levaram até o meu pai. E ele não quis dar pena de morte a ela porque eu me impus à frente, disse a ele que eu me mataria em seguida. Então ele a expulsou de Jordine por alguns anos... Nunca mais a vi, nem tive notícias. Daí fui obrigado a me casar com Ellen, ah filha, eu não queria. Fui rebelde por anos, pigarreava mais e mais até que eu a conheci. E me apaixonei. E o fruto desse amor nos deu você. Soube tempos depois que ela havia voltado, mas não fiz questão de procurá-la.”

Ele sorriu e apertou minhas bochechas.

– Que pena pai, então, é por sua culpa que eu não posso fazer minhas escolhas?

Ele me olhou torto.

– É... Bem...

– Ai pai! – bufei – Ah, mais uma pergunta.

– Diga.

– Por que a rainha Ellen me odeia?

Ele se endireitou no sofá e ficou ereto. E incomodado.

– É só amor depois, e proteção demais. Entendeu?

Fiquei duvidosa, mas assenti.

– Que horas são?

Eu ri o olhei o relógio de ouro no pulso dele.

– Exatamente oito e trinta e cinco.

– Oh meu Deus conversamos por todo esse tempo?

– É o que parece papai!

– Ah querida... – ele me abraçou.

– Papai, não sou sua querida.

Ele me olhou. – O que?

– Sou seu amor! – eu ri e me aconcheguei nele – Não quero que vá embora.

– Eu só volto amanhã, e depois de amanhã estarei de volta, em casa. E passarei bastante tempo com você.

– Que ótimo.

– Agora quero que vá para seu quarto, tenho que conversar com a Ellen, aliás... Já fez isso?

Olhei pro lado e disse que não.

– Deveria.

Ele se levantou e subiu as escadas.

– Boa noite papai.

– Boa noite Sanye.

Altas horas da noite e eu estava sem dormir. Havia conversado com uma das empregadas a respeito da Rachel, mas eu só poderia vê-la amanhã. E teria que conversar com minha mãe amanhã.

Resolvi sair pra pensar já que estava sem sono mesmo.

Pus um casaco branco que me cobria até a coxa, e um short solto. Aqui eu me sentia mais normal. Cabelo bagunçado descalça. Essa era eu.

Fechei a porta devagar, nenhum sinal de gente.

Desci as escadas na ponta dos pés sem fazer barulho, qualquer coisa ecoava pelos corredores daquele lugar. Já estava alcançando o portão quando uma voz rouca disse:

– Para onde pensa que vai alteza?

Congelei e me virei devagar, soltei um suspiro ao ver que era apenas o Scott.

– Ufa, achei que era meu pai! Boa noite soldado.

– Boa noite senhorita, a senhorita não deveria está acordada e sozinha a essa hora. – ele olhou minha mão no portão – E ainda mais fora do palácio.

– Ah, por favor, Scott. – bati os pés.

Ele hesitou por um momento.

– Não pode a não ser, sem estar escoltada.

Eu sorri aliviada e ele também. Abri o portão e corri para o jardim. Me sentei na grama fria. E vários pensamentos me vieram a mente. Assim como:

O que o Ethan estaria fazendo agora?

Notas finais
Então pessoinhas é isso *u* gostaram? Bem curtinho porque cara, era o momento da filha e do pai se encontrarem não acham? *-* E ele foi especialmente feito para a leitora Ana Luisa Castilho Valeu pela recomendação sua lindaaaaa :3 E para todos vocês que comentam me incentivando, beijinhos meus e até o próximo eim! *3*