Me Mate, Me Ame
2 Otávio Carson
Não lembro exatamente o que sonhei durante a noite, mas neste momento em que estou aqui deitado em minha cama macia e meu edredom quentinho tenho a ligeira impressão de estar esquecendo de algo, espreguiço—me e bocejo tentando encontrar coragem para levantar e começar o meu dia. Tomando uma respiração profunda resolvo levantar de uma vez e então vou em direção ao meu banheiro lembrando infelizmente que essa era a última vez que estaria o usando aqui em NY não que eu não fosse retornar a essa cidade maravilhosa por que sim claro que voltarei mas algo em meu intimo diz que essa viajem de volta pra Chicago me reserva alguma coisa e eu é claro espero mais que tudo que essa alguma coisa seja para o meu bem e dos me cercam. Olhando o grande espelho em minha frente resolvo de uma vez por todas começar meu ritual diário, escovo meus dentes, lavo meu rosto, penteio meus cabelos e então vou para a cozinha tomar meu café, uma simples vitamina de frutas, mas torradas e aí começo a tomar meus remédios. A lista é um pouco extensa vai de antidepressivos como Sertralina, antipsicóticos, como Tiaprida ou ansiolíticos, como Diazepam. Porém tenho percebido que as eficácias dessas medicações já não atuam como antes. Respirando fundo olho mais uma vez ao redor a sala, cozinha o hall e desisto de tentar retardar o momento da partida, lavo tudo que sujei e então sigo em direção ao meu closet onde apenas poucas roupas estão pois ontem mesmo após falar com Enzo aproveitei o meu tempo e mandei minha bagagem. De frente ao grande espelho que tenho em meu quarto reparo meu corpo nu e vejo o que tantas mulheres veem e apreciam e a risco a dizer desejam eu não sou um homem feio muito pelo contrário tenho intensos olhos verdes, maxilar quadrado, cabelo meio loiro ou vermelho algumas pessoas dizem que é da cor cobre mais não tenho certeza disso. Minha pele branca e pálida ressalta os poucos músculos que adquiri depois que comecei a lutar boxe e judô, sim exigência das outras personalidades que me metem sempre em confusão, mas se eu for sincero eu acabei tomando gosto pelos esportes, antes eu mesmo só praticava natação. Descido por fim na avaliação dessa casca vazia que sou e em fim visto as roupas que consistem em uma calça social preta junto com uma camisa social branca e um suéter cinza por cima, calço um sapatênis preto e pronto. Pego meus óculos minha bagagem de mão e minha bolsa com meu notebook e saio em seguida trancando tudo. Desço as escadas sem olhar para trás e paro um táxi na rua logo estou a caminho do aeroporto.
Já no avião acomodado na primeira classe pego meu fone de ouvido decidido a ouvir um pouco de música antes da decolagem, alguns minutos depois sinto uma pessoa tocando meu braço e então abro meus olhos e vejo sentado ao meu lado um rapaz loiro de olhos cor mel, ele deveria ter mais ou menos minha idade o observo e tiro meu fone decidindo ser educado e ver como posso ajudá—lo.
—Sim?!— Pergunto tentando soar interessado.
—Oi! É desculpe incomodar, mas eu acho que você está sentado na minha poltrona. — Ele falou mostrando sua passagem eu olho rapidamente e confirmo que sim estou na poltrona errada.
— Nossa desculpa cara. Eu nem percebi, estava distraído. — Falei já recolhendo minhas coisas e indo para minha poltrona que era perto da janela.
—Tranquilo. Eu também fico meio perdido nessa parada sabe, até por que tenho um pouco de medo de voar. — Ele falou se acomodando e eu apenas balancei a cabeça assentido. – E a propósito sou Jered! – Falou estendendo a mão em minha direção. – Eu relutante a aceitei e me apresentei.
— Otávio. — E assim cortei a conversa colocando novamente o meu fone, pois infelizmente no meu mundo não há lugar para amizades. Podem até me chamar de antipático e arrogante, mas infelizmente é assim que vivo para proteger as pessoas e a mim. Logo o avião levantou voou e novamente senti alguém me cutucando, olhando soslaio vi Jered novamente sorrindo para mim, o que esse cara quer?
—Ei Otávio?! Vou tomar um vinho você me acompanha? —Perguntou solícito. Não querendo responder que não bebia por causa das medicações apenas maneei a cabeça sinalizando um não. E assim voltei tranquilamente a ouvir minhas músicas.
P.V Narrador
Duas horas depois o Aeroporto Internacional O'Hare estava um caos, seguranças corriam em direção ao banheiro masculino com toda a velocidade possível passageiros sem entender nada olhavam a cena em total espanto assim como a Doutora Ester Shalton que aguardava seu irmão no saguão do aeroporto, ela estava distraída mexendo em seu celular onde tinha a mensagem de seu irmão avisando que tinham acabado pousar mais estava havendo um contra tempo no portão de desembarque, sem paciência para esperar mais a Dr.ª levantou—se do banco em que estava e foi em direção a cafeteria para tomar um café, porém quando seus passos arrastados iam em direção ao Berghoff Caféteve sua passagem impedida por uma parede de músculos, olhando para frente a única coisa que ela podia ver era um tecido macio de cor cinza e ao levantar os olhos deu de cara com o homem mais bonito em que ela já tinha posto seus olhos, porém aqueles belos olhos verdes de uma cor tão intensa estavam repletos de ódio e frios como um iceberg, tomando ciência da proximidade com o estranho e com o frio que percorria a sua espinha devido aquele olhar glacial que estava preso a ela a fez dar um bom passo atrás e logo quando preparava—se a dar outro uma mão fria agarrou seu punho fechando—se ao seu redor e impedido que ela desse outro passo.
—Lembre—se! — Ela ouviu aquela voz rouca séria e fria falar.
—De quê? — Ela perguntou assustada e antes que qualquer outra palavra pudesse ser dita Jered aproximou—se da irmã que estava em situação suspeita a seu ver.
— Ester, tudo bem? —Ele perguntou ainda alguns passos distante dos dois que se encaravam sem desviar o olhar. E antes que ela pudesse responder o chamado de seu irmão o homem estranho novamente manifestou—se.
—Eu irei te encontrar de novo. E lembre—se o homem que tem esse rosto mais não este olhar não sou eu. Os olhos, lembre—se, do meu olhar. E tendo dito isso o homem seguiu por entre os transeuntes que por ali passavam deixando uma Ester com a respiração ofegante, as mãos trêmulas e sem entender completamente nada.
—Ester? Tudo bem? O que aquele cara queria? —Chegou afobado até a irmã.
—Jed eu não sei. Você sabe quem ele é? – Perguntou ainda tentando assimilar o que tinha acontecido.
—Hum maninha se eu te contar você vai não acreditar. Agora vamos que eu estou morto de cansaço e no caminho te conto.
E assim os irmãos deixaram o aeroporto sem saber que estavam sendo seguidos de perto.
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