Me Mate, Me Ame
3 Ester
Olhando a paisagem através da janela do carro de Jered não consigo evitar de minhas memórias vagarem para o momento de mais cedo e também das palavras que ouvi da boca do meu irmão. Eu como médica formada, nunca tinha presenciado ao vivo tal acontecimento ou nunca tinha conhecido alguém que sofre desse problema, um homem tão bonito como aquele passando por isso deve estar deixando a família maluca...
—Na minha casa tem um pintinho, na minha casa tem um pintinho, e o pintinho piu, e o pintinho piu...— Fui tirada das minhas divagações pelo som irritante do meu irmão cantando essa música ridícula enquanto enfiava o dedo com cuspe em meu ouvido.
—Eca Jed! Para! Que nojo!!!— Exclamei irritada batendo em seu baraço.
—Aí,ai Ester! Quanta violência credo! —Falou fazendo um bico enorme em seus lábios. – Eu só queria sua atenção um pouquinho afinal já tem um tempão que estou te chamando e você está aí viajando. O que é que está rolando nessa cabecinha aí hum?— Perguntou com uma mão no volante e a outra afagando meu cabelo.
—Bom... Então eu queria que você repetisse o que você me contou de novo?! Só que com riqueza de detalhes por favor, por favor, por favor? — Falei implorando mais uma vez.
—De novo Ester? Já é a terceira vez que vou repetir. Eu acho que você ficou muito impressionada com essa história. – Ele falou bufando no final.
—Jediii por favor maninho! Você sabe como sou louca por essa área em si. É a minha especialização. Eu não posso fechar os olhos para algo assim. Pooor favooor!!!Só mais essa vez e eu prometo não tocar mais no assunto depois que chegarmos em casa. – Falei extremamente manhosa sabendo que ele não resistiria aos meus olhos de cachorro pidão.
—Ok! Você venceu mais essa vai ser a última vez e não se fala mais nisso! Ok?
—Ok, ok! Eu prometo, promessa de dedo mindinho. — Falei estendendo o dedo em sua direção. E ele sorrindo aceitou o acordo.
—Tá então recapitulando...
Memória Jered On
Cheguei ao aeroporto totalmente atrasado e passei como um furacão pelo portão de embarque fui direto para meu assento porém quando olhei o número da minha poltrona em minha passagem percebi que a mesma já estava ocupada o rapaz que estava muito bem estabelecido no meu lugar ouvia música e estava bem relaxado de olhos fechados .Eu infelizmente tive que tirá-lo de sua tranquilidade para assim eu poder sentar em meu lugar, ele muito educado atendeu minha solicitação e trocou de lugar comigo depois desse momento chato eu fiquei constrangido e me apresentei e ele por educação disse que se chamava Otávio .O cara era bem apessoado, não que eu fosse gay, não também não tenho nada contra quem é...Mais voltando ao cara ele era ruivo com os olhos mais verdes que eu já vi. Eu fiquei analisando ele por um tempo... mais veja, você sabe que faz parte do meu trabalho ler as pessoas, decidi por fim tomar um vinho e o convidei para se juntar a mim, mas ele declinou a oferta que fiz. Eu levei na boa afinal tem pessoas que não bebem mesmo. Decidido a relaxar peguei meu livro de mistério que estava lendo a um tempo já e fui curtir meu vinho. Mas veja você, eu estava distraído lendo meu livro a mais ou menos uns quinze minutos e a última vez que tinha direcionado meu olhar para Otávio ele parecia dormir pois estava todo troncho na poltrona agora imagine você o susto que levei ao ver minha garrafa de vinho ser agarrada por um Otávio bem risonho e fazendo graça!?
—Ah! Mais veja que hermosa! Essa gracita aqui é incrível, onde você conseguiu? HulHul que delicinha! Essa é para o papi! —Ele começou a falar em tom de voz engraçado como se já estivesse bêbado antes mesmo de beber e o sotaque do cara era extremamente latino. Após todos os elogios a garrafa de vinho ele resolveu voltar sua atenção para mim. —Oh!!E você menino não é muito novo para beber não? Quantos anos você tem loirinho?
—Eu tenho vinte e sete. —Falei achando graça do modo que ele agia.
—E tú nombre muchacho? ¡Yo soy Marcos! M—A—R—C—O—S compreende? – Ele falou e logo após tomou um grande gole do vinho que tinha em mãos.
— Bom como já te falei sou Jered, Jered Shalton. E você pelo que entendi é Otávio Carson!
— Otávio? Dios libra—me de ser este patife. ¡¡Non yo soy uno, yo soy o Marcos!!— Ele falou todo pomposo eu não quis discutir até por que com bêbado não se brinca. Após as apresentações ficamos conversando e bebendo e vou confessar o Marcos ou Otávio não sei, é uma figura. Após alguns minutos de conversa ele disse que estava cansado e retornou ao seu lugar acho que dormiu de novo e então quando pousamos eu o chamei já que ele não demostrou ação. E aí eu fiquei confuso pois o Otávio arrogante do início da viagem estava bem ali mi olhando com seus olhos verdes desconfiados e com ar de arrogante. Ele apenas agradeceu e passou por mim para a saída do avião. Já no portão de desembarque teve um tumultuo um empurra, empurra e dizem que rolou até socos dentro do banheiro que tinha ali próximo, segundo um senhor que saía do banheiro às pressas na hora em que a segurança se aproximava ele falou que um sujeito ruivo não gostou dos comentários de uns fortões que estavam no banheiro e que o cara que estava de suéter cinza tinha derrubado os dois valentões. E enquanto o senhor contava sua versão dos fatos eu vi Otávio ou o Marcos nem sei mais só sei que ele saía do banheiro onde a confusão tinha acontecido. Eu até tentei acompanha-lo para perguntar se tinha sido ele o cara da confusão mais tinha muito tumulto, foi quando te mandei a mensagem. Depois disso você sabe eu te encontrei conversando com ele. Eu o reconheci de costas e percebi o quão tenso ele estava e a sua cara de pânico também me deixou em alerta eu te chamei ele saiu e agora aqui estamos.
—Fim! —Ele falou fazendo graça. E tudo o que ele relatou pela terceira vez fervilhava em minha cabeça só dando—me a certeza de que o homem do aeroporto está doente muito doente.
—Ok Jed obrigada de novo. — Falei quando percebi que já estávamos entrando no estacionamento do hospital.
—Ester? Olha eu sei que é a sua área e sua especialidade, mas eu como seu irmão te peço para deixar isso para lá, não queime os seus preciosos miolos pensando nesse cara, no assunto eu nem discuto pois eu sei que você respira T.D.I mais qual a probabilidade de você encontra-lo de novo? – Meu irmão pergunta me encarando.
—Praticamente nula Jed, eu sei, mas eu como médica não posso fechar meus olhos diante de uma pessoa doente e eu sei estou sendo boba está na cara que ele deve ter vários médicos o acompanhando. Eu só fiquei intrigada com a mudança repentina assim em público, só isso. Bom eu vou trabalhar maninho! Beijo —Falei estralado um demorado beijo em sua bochecha e saio do carro em seguida.
Caminhei com passos firmes e decididos em direção a entrada do Hospital Universitário Josephe Rollt que tem sido meu lar a muitos anos, eu amo isso aqui, de interna passei a ser residente e depois passei para o staff hoje eu tenho os meus residentes e eles os internos deles, eu sou formada em neurocirurgia e psiquiatria a minha paixão e o meu foco ultimamente. Sendo assim para mim encontrarem em uma sala de cirurgia só em último caso mesmo. Assim que pus meus pés no corredor principal do hospital meu esquadrão de residentes viera em minha direção para atualizarem—me do que perdi enquanto estive fora. Aí você se pergunta por que eu não estou em uma clínica especialmente para a minha área de atuação e eu te digo que os melhores loucos a serem tratados são aqueles que não se dizem loucos. As pessoas hoje em dia surtam por tantas coisas, alguns realmente tem motivos outros nem tanto, traumas, agressões, pressões psicológicas tantos fatores fazem com que pessoas sãs cheguem aqui terrivelmente perturbados e aí quando a psicologia não pode ajudar eu e o meu esquadrão entramos em ação. Eu sempre gostei da área de psiquiatria sempre me fascinou como o cérebro humano é capaz de criar defesas e armadilhas para seus donos, e eu aprendi que a melhor forma de você cuidar de alguém nesses quadros delicados onde a lucidez não se faz mais presente é se pôr no lugar da pessoa e tentar ver com os mesmos olhos que ela porém nunca fora da ética profissional que nos respalda e nos limita a não criar laços com esses pacientes e enfim guiá-los para as melhores resoluções de seus conflitos ou como costumo falar temos que auxiliar o nosso paciente a encontrar a chave e depois ajuda-lo a destrancar ou trancar aquilo que lhe aflige.
Saí dos meus devaneios quando uma pequena saltitante parou em minha frente. Aline Brandon 29 anos minha residente a dois e agora também minha melhor amiga e cá entre nós futura cunhada pois sei que é apaixonada por meu irmão, mas o cabeça dura não dá o braço a torcer.
—Oiê! Estou aqui especialmente para te lembrar que dentro de quinze minutos você tem uma reunião com os acionistas e a junta médica aqui do hospital. Agora tenho que ir pois a senhora Cruz está querendo ir para uma boate hoje, veja se posso com isso? PATETAS VAMOS!!—Falou já começando a se afastar de onde eu estava e eu só pude rir ao ouvi—la gritando Mike e Rold seus internos hoje.
Conferi as horas em meu relógio e fui atrás de um café pensando que eu ainda teria muitas horas aqui dentro. Com meu café em mãos peguei o elevador e fui para parte administrativa do hospital exatamente para a sala de reuniões, quando cheguei lá apenas Marta uma pediatra e outros dois médicos estavam por lá. Sentei—me junto da bonita loira e ficamos conversando até o restante do pessoal chegar. Após todos estarem em seus devidos lugares a reunião que já era de praxe deu—se início e as coisas chatas foram faladas, explicadas e relembradas eu como odeio o tédio comecei a passar meus olhos pelas pessoas que estavam ali, médicos, médicos, acionistas, administradores, homem alto e muito forte de olhos azuis...Ei homem forte de olhos azuis quem será ele? E por que agora que eu vim perceber que ele está com os olhos fixos em mim como se estudasse minhas ações? Como não levo desaforo para casa o encarei de volta e então ele sorriu para mim, fofo é como poderia descrevê-lo. O vice-presidente do conselho do hospital falou suas últimas palavras e encerrou a reunião todos nós nos levantamos e fomos para a saída, porém eu fui barrada pela voz do meu superior Esdras Daniels chefe da ala de psiquiatria.
—Doutora Esther espere por favor! – Dei meia volta e caminhei em direção aos homens que estavam na sala.
—Sim Doutor!
—Sente-se por favor, temos um assunto muito delicado para tratar com a senhorita. – Preciso dizer que minha espinha gelou? Bom, sentei bonitinha como manda o figurino. Depois que a porta foi fechada e trancada pelo homem alto de mais cedo, o Dr. Esdras fez as apresentações. —Dr. Ester Shalton este é o senhor Enzo Martney assessor pessoal do herdeiro desse hospital e da faculdade e de todos os outros órgãos filiados aos Carsons, é eu sei e respondendo essa pergunta a dona Elizabeth Carson soube fazer render os bilhões que seu marido deixou. – Ele respondeu a pergunte que estava na ponta da minha língua. Porém antes que eu pudesse me manifestar ele falou. —Ok. Agora vamos ao que interessa, o herdeiro neto da Srª Carson voltou para a cidade depois de concluir sua formação em administração hospitalar e quer assumir o que é seu por direito, e agora é que a senhorita entra no assunto. Enzo é com você. Ah! E Ester não me faça passar vergonha afinal eu lhe recomendei como sendo a mais capacitada desse hospital. —Dito isso ele saiu fechando a porta e deixando eu e o assessor do herdeiro sozinhos na sala em um silêncio constrangedor que foi rompido pela estrondosa gargalhada do homem que estava na minha frente.
—Nossa cara desculpe! —Falou secando seus olhos depois da sua crise de riso. —Isso é que eu chamo de saber pressionar com elegância.
— Pois é! —Falei sem graça sentindo minhas bochechas corarem e tentando desviar o foco de mim resolvi adiantar o assunto que nos mantinha ali. — Bom então Sr. Assessor em que posso ser útil?
— Bom. Muito bom, direta, não leva desaforo para casa, astuta, brava, energética, autentica, determinada, leal, discreta e uma profissional excelente que nunca quebrou a ética médica com nenhum paciente nem mesmo se o paciente foi uma criança. Foi exatamente isso que eu ouvi quando vim aqui em busca de socorro para meu amigo e o Dr. Esdras declinou minha oferta falando que não era apto para o caso mais sim você. —Ele falou jogando uma pasta em minhas mãos e eu curiosa como sou a abri só para ver o nome e ter certeza que meu irmão nunca esteve mais que enganado afinal as probabilidades são enormes. Dentro da pasta estava nada mais nada menos que a ficha médica de Otávio Anthony Mason Carson e em baixo sua foto olhando—me com seus incríveis olhos verdes.
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