Ela me ama? Como pode isso? Ela é louca, ela não pode me amar, eu tenho que dar um fim nisso. Saio correndo do hospital e entro no meu carro, quando acordei ao lado daquela mulher hoje pela manhã quase infarto, que droga Anthony estava pensando? Pilotei o barco de volta para a marina totalmente convencido a dar um basta nessa loucura achando que tinha sido apenas uma noite de bebedeira e sexo sem compromisso como em todas as outras vezes que acordei ao lado de várias mulheres mais não a história é bem mais antiga e profunda do que eu poderia imaginar, como foi que eu fui esquecer tudo sobre ela? Teria sido bom me recordar do que vivi com ela, mas não Anthony não deixa que eu tenha minhas memórias de volta.

Você as quer agora? — Ouvi a voz de Anthony sussurrar em meu ouvido.

— Seu idiota porque você dormiu com a doutora? — Pergunto em voz alta.

Por que a amo e não quero viver o resto dessa vida miserável sozinho. — Ele responde prontamente.

—Você não ama ninguém, você é um monstro sanguinário Anthony é incapaz de amar alguém. — Digo sério.

Tem certeza que eu sou o monstro? Você quer suas memórias agora? É corajoso o suficiente para lembrar o que você fez ao seu pai?

— Eu não fiz nada. Pare de mentir! Você não vai me controlar e não vai destruir a vida daquela médica eu não vou permitir! — Digo enfurecido socando o volante

EU A AMO OTÁVIO!!!!NÃO OUSE ME AFASTAR DE ESTER! — Anthony grita enfurecido me fazendo perder o controle do carro e frear bruscamente parando no encostamento da estrada.

—Se eu te afastar de Ester você vai fazer o que? Vai me matar? — Pergunto debochado. — Se alguém pode matar alguém aqui esse alguém sou eu. E quem morrerá será você e todos os outros monstros. — Digo sério.

É isso que você quer? Quer ser covarde até o extremo? Tudo bem, então arque com as suas memórias e todas as consequências vamos ver se você realmente é corajoso, vamos ver quem é o verdadeiro monstro. — Anthony fala de forma fria e calculista e imediatamente minha cabeça começa a doer e minha visão fica completamente turva.

Eu me via claramente eu tinha seis anos e estava na mansão, um homem tinha uma arma apontada para meu pai e depois para mim, meu pai se joga na minha frente e leva um tiro no braço mesmo assim entra em luta com o homem loiro, a arma cai no chão perto de mim e eu choro assustado no canto do escritório, meu pai grita para mim correr mais eu estou congelado meu pai recebe uma facada na barriga e cai no chão gritando o homem caminha em minha direção então assustado eu pego a arma pesada e fria e tremendo aperto o gatilho igual eu fazia com minhas armas de brinquedo quando brincava com o En e o Jed, o homem que antes vinha em minha direção com uma faca na mão agora estava caído ao meus pés com o rosto virado para o chão. Eu matei o homem... eu me vejo gritar desesperado e soltar a arma de qualquer jeito, corro para meu pai que me pega no colo me acalmando e então nos assustamos com a primeira explosão, meu pai tenta se levantar mais sua barriga dói mesmo assim ele me carrega, saímos do escritório passamos por um dos corredores e então encontramos fogo voltamos pelo mesmo caminho e outra explosão acontece, nós caímos e meu pai fica por cima de mim para me proteger das chamas, assustado o empurro e ele me abraça me pegando no colo novamente, se levanta e passa entre as chamas correndo escada acima o fogo alto me assusta meu pai se desiquilibra e me coloca no chão, eu tento correr para o corredor dos quartos onde não tem fogo , mas alguém puxa meu braço eu estou no último degrau da escada lá de cima eu via as chamas altas do fogo na sala, eu tento andar de novo mais a mão ainda segura firme em meu braço então eu ouço barulho de vidros quebrando e pessoas gritando no jardim, por mim passa um bombeiro que corre em direção ao meu eu criança que tenta se soltar do homem que o segura, espantado eu vejo a criança se virar e chutar as genitálias do seu capturador fazendo assim o mesmo o soltar, eu ainda vejo o pequeno garoto empurrar o homem que o segurava com toda a sua força e eu vi o exato momento em que meu pai cai rolando escada a baixo e seu corpo se perde entre as chamas.

Desnorteado puxo o ar desesperadamente para meus pulmões pois sinto que estou sufocando curvo—me sobre o volante tentando me controlar curvo—me em direção a janela e coloco tudo que comi para fora, respiro fundo e abro meus olhos novamente encarando a avenida.

Já está pedindo menos Carson?— Ouço a voz de Anthony— Que tal agora as lembranças do internato?— Ele diz e eu volto a me sentir tonto.

Uma forte pontada atinge minha cabeça e eu vou de bom grado para o mundo da escuridão. Eu sabia que não estava dormindo, mas também não me sentia acordado, eu estava de pé no corredor seis da ala norte do internato Sant Augustin, de frente para mim estava a porta do quarto número oito e de dentro dele eu ouvia um choro abafado, com meu corpo trêmulo dou um passo à frente e estendo minha mão segurando a fria maçaneta. Respiro fundo e abro um pouco a porta vendo o meu eu criança com as mãos amarradas a cabeceira da cama, meu corpo deitado de barriga para baixo em cima de dois travesseiros e meu short abaixado deixando minhas nádegas a mostra e atrás de mim forçando um membro grotesco e nojento Josh Daniels Vasques que ria deliciado do meu desespero e da minha dor. Meu corpo estava sendo invadido, destruído, minha inocência corrompida...com asco da cena fecho meus olhos e tento sair de onde estou mais meus pés estão colados ao chão meu choro abafado é o único som ouvido dentro do quarto junto com o som das malditas estocadas do meu agressor. Os olhos verdes e desesperados do garoto fitam—me implorando por socorro... eu nada consigo fazer além de chorar e então sou tragado para dentro deles e isso me faz sentir toda aquela dor e sofrimento novamente, eu sentia as mãos e a boca do homem asqueroso passeando por minha pele e a ânsia de vomito sufocava—me ao ponto de me deixar tonto... eu sentia que eu iria morrer a qualquer momento e eu pedia isso com todas as minhas forças as mãos do monstro apertavam o meu pescoço querendo levar a minha vida e então eu deixei, apenas deixei tudo escurecer e eu me senti em paz.

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