Me Mate, Me Ame
9 Otávio
Encarando-me de volta estava um homem com um olhar perdido, desnorteado e fragmentado, olhando pra ele eu via claramente um ser derrotado, fraco e louco. Qual a melhor solução para dar paz a ele? Será que ele tem concerto? Olhando para ele eu via toda a tristeza presa em seu ser em sua alma.
—Ah! Cala a boca pare de ser tão dramático, tão fraco você é deprimente! — Outro homem igual a mim falou bravo comigo, aquela postura derrotista de outrora completamente esquecida. Nos olhos desse que agora encarava-me nos olhos existia, fogo, ódio e vida. Seu sorriso sarcástico também estava presente subjugando-me a minha covardia. Eu sabia que tinha que destruí-lo, pois se ele ficasse vivo por mais tempo eu é quem iria morrer, mas a coragem para destruir a sua existência eu não tinha infelizmente eu ainda era escravo de suas ações. Minha vida, minhas horas, meus dias o meu tempo ele sempre vinha e me roubava. De repente uma fúria me atingiu no momento que levantei meus olhos e fitei minha testa cortada provavelmente por culpa de sua insolência e rebeldia mas aquele machucado deu-me a coragem que faltava para acabar com essa loucura que é minha vida. Com a mãos trêmulas mais decidido a continuar peguei meu frasco de calmantes tarja preta e fui em direção ao quarto caminhei direto ao meu frigobar e peguei uma garrafinha de whisky, sentei-me na beirada da cama e olhei ao redor tendo a real certeza de que tudo eu tinha mais nada possuía. Olhei para o espelho na porta do meu closet e lá estava ele olhando diretamente nos meus olhos encorajando-me, me chamando ao desafio.
—Isso Otávio faça, mas tem que ser agora. Acabe de uma vez com a sua existência miserável deixe a sua vida para mim. Você é fraco, sempre foi eu sempre que tive que arcar com as consequências da sua covardia. Deixe-me viver!
—Nunca! Você ouviu! NUNCAAA! — E assim depois de um grito libertador virei o vaso de remédios em minha boca e logo em seguida a bebida que desceu rasgando por minha garganta a fazendo doer mostrando que eu estava me machucando que eu estava me salvando, eu estava me matando o matando, matando a todos eles. E eu sorri feliz já sentindo a escuridão me alcançar e ao fundo o ouvindo gritar.
No andar de baixo totalmente alheia do que seu patrão fazia Rosa terminava sua limpeza. Com tudo pronto ela dirigiu—se ao andar superior achando que encontraria tudo vazio pois seu patrão não ficava muito tempo por alí. Em frente a grande porta de madeira escura com seu enorme e ostentoso puxador prata Rosa preparou seus utensílios para a faxina e em seguida abriu a pesada porta só para no instante seguinte encarar a figura desnuda e desacordada de seu patrão. No susto ela imediatamente cobriu seus olhos chamando por ele.
— Aí meu Deus!!! Senhor Carson!!! Acorde senhor! – Ela falou bem alto para ele pelo menos se assustar e se cobrir, mas ela não obteve nenhum movimento como resultado. Olhando novamente por entre seus dedos Rosa permitiu-se a olhar toda cena com mais atenção reparando logo em seguida no frasco de remédio na mão de seu patrão é a garrafinha de bebida ao seu lado em cima da cama. — Dios mio!!! Pero que se passa com este hombre? —Com as pernas bambas e mãos trêmulas pegou o celular e ligou a única pessoa que estava na agenda para casos de urgência.
No hospital.
Ester, Enzo e Aline continuavam na sala de reuniões discutindo o plano quando o celular de Enzo tocou insistentemente.
—Oi Rosa, bom dia! — O homem naquele instante não teve a oportunidade de responder uma única sílaba pois a mulher do outro lado da linha desandou a falar em espanhol sua língua nativa que apoderava-se de seu vocabulário quando a mesma estava nervosa coisa que naquela hora era inegável. — Rosa! Rosa! Por favor fale devagar não estou te entendo. Respire fundo e diga de novo. Respirando fundo a boa senhora tratou de relatar todo o ocorrido novamente fazendo assim que todo sangue sumisse do rosto do rapaz e a força de suas pernas se esvaíssem. Aline que estava próxima ao homem correu em seu auxílio já lhe entregando um copo com água.
—Em Enzo o que aconteceu? — Ester perguntou o olhando esperando alguma reação.
—O..o..Otávio ele tentou se matar a...a empregada o encontrou agora desmaiado em sua cama. — Ele falou gaguejando.
— Oh meu Deus!!!Vai Enzo rápido desça vá buscar ele agora, Aline liga para a emergência e manda preparar a ambulância para buscá-lo vá junto Enzo! — Ele levantou ainda meio aéreo foi em direção a porta e voltou para pega sua maleta— Não Enzo vá agora deixe tudo aqui e corra, traga—o pra cá estarei esperando vocês no PA.— Ester falou já de pé o empurrando porta a fora. —Vamos, vamos Aline vá com ele até a ambulância e na volta já chame nossa equipe menos a Jéssica traga todos pro meu consultório estarei esperando corre! Ester gritou também já correndo em direção ao elevador de emergência que liga a ala administrativa ao centro médico enquanto eu ia com Enzo em direção a saída do hospital onde a ambulância já o aguardava. Fomos rapidamente e na volta corri para ajeitar tudo antes da ambulância estacionar pois não queríamos a atenção da mídia.
— Nora, bom dia! Por favor bip para mim toda equipe da Shalton por favor mande todos para sala 5 é de extrema importância. — Falo esbaforida com a recepcionista da emergência. Logo após isso ela também foi trocar sua roupa e em seguida dirigir—se a sala de Ester, 5 minutos depois todos estavam à espera das ordens da implacável doutora Shalton.
—Aline! – Ester me em um canto mais afastado. – Eu não falei que a Jéssica estava dispensada!?— Falou a médica em voz baixa.
— Bom como tudo foi às pressas eu acabei pedindo para a Nora bipar todo mundo. Mais já sei o que fazer com a Jéssica. — Eu aviso a Ester falou conspiratória.
—Ok resolva isso. — Ela fala irritada.
— Jessica tenho algo de extrema importância pra você. Preciso que você vá com urgência no hospital memorial buscar o fígado do Sr. Edgar e se você fizer isso irá me auxiliar na cirurgia hoje às 15:00hs. Posso contar com você? — Pergunto a interna loirinha na minha frente essa que me encarava de olhos arregalados pois seu maior sonho era entrar em uma cirurgia. Então ela acenou frenética e saiu da sala às pressas para realizar seu objetivo. Os outros internos ficaram todos com cara de surpresa e uma certa inveja transparecendo em seus olhares. Mas Ester como estava no modo implacável mal os deixaram remoer essa sensação.
— Ok. Agora todos vocês Tyler, Micke, Dean, Laura, Ane, Helena por favor assinem esse termo de confidencialidade agora sem perguntas e rápido muito rápido. — Ela falou já entregando as folhas e canetas a todos. Os internos mais que depressa acataram a ordem.
— Então é o seguinte vou falar rápido e apenas uma vez, quem sair da linha ou abrir a boca estará automaticamente fora do programa e com uma mancha terrível no currículo. Estaremos agora cuidando do herdeiro de tudo isso aqui e se qualquer informação sobre ele vazar para imprensa ou até mesmo o nome dele for sussurrado nos corredores desse hospital é demissão na hora para todos. Agora todo mundo para emergência ele já está a caminho.
Fale com o autor