Às 10:30 da manhã eu e meus internos estávamos na porta da emergência vendo ambulância fazer seu trajeto até nós, assim que estacionou as portas se abriram e de lá surgiu um Enzo com os olhos bem vermelhos e uma expressão de medo em seu rosto e logo em seguida nos foi entregue a maca onde estava o seu amigo. Rapidamente o levamos para sala de triagem onde todos os procedimentos começaram a ser feitos imediatamente pedi exames de sangue, ECG, aferimos sua pressão, fizemos o nosso melhor e mesmo ali no corredor não pude deixar de observar quanto aquele homem era bonito. Deixando meus devaneios de lado voltei os procedimentos, como nos foi dito por Rosa provavelmente ele ingeriu muitas substâncias químicas então imediatamente começamos uma lavagem estomacal e hidratação em máxima velocidade em suas veias depois de tudo pronto o deixamos sendo monitorado e cada um foi cuidar os seus afazeres fiquei um pouco mais por ali observando e monitorando estava tão absorta em observar os batimentos e a respiração de Otávio que não notei aproximação de Enzo.

—Ele irá sair dessa, não é? — Pergunta tristonho, sentida com sua situação peguei seu braço que dei um leve aperto para confortá-lo e em seguida com sorriso brilhante eu disse com toda confiança que havia em mim.

— Vai sim Enzo ele sairá dessa tudo ficará bem pode ficar tranquilo ele está em boas mãos.

— Bom, você foi de indicada como a melhor não é!? — Falou fazendo pouco de graça.

— Não que esteja me gabando, mas nunca perdi um paciente e não ser agora que irei perder.

— Bom saber, doutora!

— Sabe Enzo, eu não costumo desistir de ninguém que eu quero ver bem e eu não desistirei de vocês. — Falei mais uma vez olhando o corpo de Otávio naquela cama e prometendo a mim e aí eles não desistir jamais. — Você vai ficar por aqui mesmo Enzo? — Falei encaminhando me para porta.

— Vou sim vou ficar um tempo aqui com ele. — Falou sorrindo um pouco e sentando se na cadeira ao lado da cama.

— Bom, então irei tomar um café e buscar os resultados dos exames. Pode ficar à vontade.

O deixei no quarto e segui o corredor do hospital que naquele momento encontrava-se silencioso com poucas pessoas transitando por ali cumprimentei umas e outras chegar na máquina de café. Já com meu café árabe em mãos segui para sala de exames onde me esperavam, quando cheguei a sala todos estavam cochichando cheguei mais perto vi que olhavam algo no computador e logo supus ser o resultado dos exames de Otávio assim que me viram começaram logo a explicar.

— Ei doutora eu já refiz esse exame umas três vezes. — eu só pude pensar que p**** é essa enquanto lia detalhadamente o exame, os internos conversavam entre si então Mick soltou uma de suas pérolas.

— Esse cara está totalmente fora da casinha! — respirei fundo e o encarei com um olhar fulminante.

— Mike você já se esqueceu das regras? Todos vocês estão brincando com fogo pois o que eu falei foi muito sério, nada de piadinhas, nada de comentário e quem ousar falar um pio sobre esse assunto terá demissão na hora. — enquanto falava baixaram suas cabeças.

— É isso aí pessoal o recado foi dado todos de volta ao trabalho. — Falou Ali levantando-se e colocando todo mundo para correr depois q e deu um suspiro forçado.

— Caramba que loucura é essa?

— Eu que diga.

— O que você vai fazer agora Ester?

— Bom agora vou voltar para o quarto e falarei com Enzo que não foi nada demais que aconteceu. — Falei sentando na cadeira ao seu lado.

— Essa foi por pouco não é Ester?

— Foi, foi sim amiga. Bom, tá bom a cadeira, o papo maravilhoso, mas eu tenho que cuidar dos meus outros pacientes e depois o Otávio.

— Eu também irei olhar os meus pacientes e deixar tudo encaminhado para amanhã.

Saio da sala deixando Aline para trás e faço o mesmo caminho de alguns minutos, vou direto para a ala psiquiátrica ver meus outros pacientes e dar alta aqueles que estão realmente bem algum tempo depois retorno ao quarto de Otávio, porém paro na porta surpresa ao ver um sapato vermelho vindo em minha direção acompanhado de um grito extremamente irritante e ali diante de mim estava o corpo de Otávio, mas definitivamente não era ele e sim ela.

— Saia daqui sua vaca!!!