Me Mate, Me Ame
51 Otávio
Enzo dirigiu durante algumas horas e quando eu vi estávamos na cachoeira que íamos quando éramos pequenos.
— Nossa faz tanto tempo que não venho aqui.— Digo olhando tudo ao redor.
— É eu também. A última vez que estivemos aqui foi com...
— Nossos pais e o tio Théo.— Completo sua frase.
— Caramba você lembrou mesmo?!
— É eu lembrei de algumas coisas mas sinto que ainda existem lembranças trancadas.
— Anthony está jogando!?
— É o que parece. Ele está me testando e desafiando. Mas eu não irei deixar ele sair.
— Boa mano, mas diz aí como foi que você descobriu sobre os Hilton?
— Ah! Foi meio que por acidente, Jully estava lá no escritório comigo aí um tempo depois de você ter saído a minha secretária entrou e reconheceu a herdeira Hilton, Jully surtou um pouco então exigi que ela me contasse tudo que ela me escondeu desde que nos conhecemos em NY.
— E ela contou?— Ele perguntou enquanto caminhava em direção a uma árvore que tinha ali e sentava-se.
— Ela falou um monte de coisas de forma atrapalhada, ela disse que foi abandonada que comeu lixo, se drogou e um mais um monte de coisas. O que eu entendi foi apenas que por ela ter sido abandonada ela sofreu muito. — Eu conto me sentando também.
— Sei, mas pelo que a Ester e o irmão me contaram a July nunca foi abandonada não cara.
— Como assim? E por que diabos Ester e o irmão sabem sobre os Hilton?
— Então o irmão da Ester é o irmão da sua Jully, Jered Hilton sacou? — Ele fala e eu fico surpreso pois nunca imaginei que o mundo fosse tão pequeno.
— Ele não é Shalton?
— Não, nem ele nem a Ester, eles são adotados. Cada um veio de uma família diferente e pôr coincidência os dois estavam no mesmo internato sob a guarda provisória da justiça até que os Shaltons apareceram e foram aprovados pelo sistema.
—Sei. Mas o Jered é mesmo o filho do tio Théo?
—É sim e ele se lembra de tudo o que aconteceu a família dele, porém ele precisa de provas e precisa de nós também. Eles têm um plano pelo que eu entendi.
—O que é que ele lembra? — Pergunto ao sentir meu estômago roncar.
— Ele lembra que os pais dele foram assassinados.
— Puta merda!!sério isso?— Pergunto abismado.
— Sério. Ei Oto eu estou morrendo de fome, vamos voltar?!
— Agora? Você não vai terminar de contar?
— Bem que eu queria, mas a história não é minha para ser contada e outra coisa, eles não me contaram tudo. Eles apenas me pediram para cuidarmos da July, e isso não estamos fazendo parados aqui.— Ele diz se levantando e indo em direção ao carro.
—Hahaha, engraçadinho você viu!— Digo o seguindo e entrando no carro também.
— Otávio.— Ele diz sério de repente
—Hum?
— Sobre a Ester, você não deve afastá—la ok!?Não digo por você mais sim pela Jully pois só por alto já percebemos que ela irá precisar de ajuda e de amigos.
—E só existe Ester de médica agora é?— Pergunto emburrado
— Não, mas no momento é a única em que podemos confiar.— Ele diz ligando o carro.
— Sim senhor.— Digo sarcasticamente.
Depois do almoço voltamos ao escritório e colocamos todos os seguranças em busca de Jully. Ao cair da tarde sem notícias e irritado peguei um carro e saí em busca da herdeira dos Hilton, não sei exatamente por quantas horas dirigi mas quando estava passando em frente ao maldito hospital da minha família uma cena inusitada me chamou atenção, Ester que não parecia muito consciente era arrastada para um carro que estava no estacionamento, ela me parecia sem condições até para protestar sobre o que estava acontecendo .Será que Ester bebia? Antes que conseguisse pensar em minhas ações eu já tinha saído do carro, atravessado o estacionamento e tinha tirado Ester das mãos do homem nojento.
— Ei qual é cara? Eu vi a gatinha primeiro!
— Ela não parece afim de ir com você! — Digo colocando Ester atrás de mim.
— Qual é? Essa boneca quase quebrou seu rostinho de porcelana no chão eu que a salvei de cair, mereço um pagamento.
— Quanto você quer? — Pergunto pegando minha carteira.
— Um milhão, brincadeirinha, eu só quero uma noite com a gostosinha. Qual é cara facilita aí, quem sabe ela não possa divertir a nós dois juntos?— Ele falou sorrindo e se aproximando para pegar em Esther, para protegê—la acabei a empurrando para trás mas não pude pensar muito nela pois o cara insistiu em seguir para cima dela, então não pensei duas vezes antes de acertá—lo com um chute no joelho, quando o tinha no chão dei uma joelhada em seu rosto e ainda não satisfeito chutei suas costelas, a imagem das mãos dele tocando o corpo de uma Ester de lingerie poluíam minha mente e tudo o que eu pensava era em matá—lo. Eu estava sentado por cima do corpo já desacordado do homem apenas o socando quando ouvi a voz fraca de Ester chamando por...
— Anthony!!!— Ela chama me fazendo tremer, por que ela está chamando aquele monstro? — Anthony, chega por favor, você irá matar ele!— Ela diz e quando a olho e ela vem engatinhando em minha direção. Eu não sou assassino, não sou Anthony, olhando minhas mãos entendendo sua confusão, minhas mãos ensanguentadas provavam que Anthony não é o único perigoso.
— Vamos Anthony, acabou, chega vamos embora. — Ester diz aflita puxando meu braço para me levantar.
— Eu sou Otávio Ester.— Eu digo rouco e imediatamente seus esforços param
— Otávio? Mas...— Ela diz desorientada e um pouco pálida demais, rápido me levanto para segurá—la
— Shiiii, tudo bem, tudo bem...— Digo tentando acalmá—la
— Eu...eu obrigada Otávio, eu já vou não quero te atrapalhar.— Ela diz enquanto se solta dos meus braços e tenta se manter de pé sozinha — Só consiga um taxi para mim por favor ! — Ela pede evitando me olhar
— Eu vou te levar em casa! — Digo a pegando pelo braço e puxando em direção ao meu carro.
— Não precisa! —Ela diz
— Claro que precisa, você está bêbada demais para andar por aí sozinha.
— Eu não estou bêbada!— Ela diz chateada.
— Não?— Pergunto achando graça do seu protesto emburrado.
— Não, eu só estou fraca e com fome a última vez que comi foram as nove da manhã na casa dos meus pais, minha pressão e açúcar devem ter caído.— Ela resmunga irritada enquanto eu continuo a puxá—la.
— Certo então senhorita a levarei para comer e depois a deixarei em casa.
— Não eu não posso ir com você. —Ela diz quando chegamos ao carro.
— Por que não? — Pergunto parando e abrindo a porta.
— Não devo ficar perto de você. — Ela diz dando um passo atrás.
— Por que? Você está com medo de mim? — Pergunto ao vê—la encarar minha mão suja de sangue. Irritado bato com força a porta do carro e me aproximo dela lentamente. — Olha eu sei que você está assustada, mas eu não sou o Anthony ok? Eu não vou te machucar!— Digo firme.
— Anthony nunca me machucou!— Ela responde na defensiva enquanto cruzava os braços.— E eu não tenho medo de nenhum de vocês!
— Então por que você não quer vir comigo?— Pergunto indignado
—Eu só...aí está bom que se dane, já estamos na merda mesmo, o que é um peido?— Ela resmunga irritada e passa por mim entrando no carro rapidamente. Sem entender o que ela quis dizer segui seu exemplo e entrei no carro também.
— E então doutora o que você quer comer?— Pergunto a olhando rapidamente e a vejo suspirar pesadamente.
— Qualquer coisa, só não me chame de doutora ok?— Ela diz
— Por que?
— Eu não gosto só isso.— Ela diz rapidamente encostando sua cabeça no vidro da janela e mantem sua atenção focada na rua.
Dirigi por alguns minutos e logo estávamos em uma pizzaria 24 horas. Entramos e pegamos uma mesa o lugar estava quase vazio, enquanto a pizza não chegava deixei Ester na mesa e saí para ligar para Enzo.
— Fala Oto!?— Ele atendeu no segundo toque.
— Alguma novidade? — Pergunto enquanto observo Ester mexer frenéticamente em seu celular.
—Nada ainda, estou saindo da casa de Aleff agora e a irmã me deu uma lista dos lugares que ele gosta de frequentar, o celular dele está desligado e nenhum amigo o viu. E você tem alguma novidade?
— Não no momento não, me passe o nome de alguns desses lugares que vou procurar também.— Digo ainda com os olhos fixos em Ester que mordia a ponta de um canudo enquanto olhava fixamente para seu celular.
— Certo vou te mandar, qualquer novidade me ligue e por favor não se meta em confusões já que você conseguiu despistar o carro dos seguranças.
— Foi mals cara.— Falo coçando minha cabeça.
— Está bem valeu, fui.
Depois de falar com Enzo ainda fiquei um pouco do lado de fora observando Ester e pensando em como agir daqui pra frente. Ela parecia nervosa, ansiosa e muito tensa a curiosidade de saber o que se passava por aquela cabecinha me corroía por dentro, quando a pizza chegou a vi respirar aliviada, ela agradeceu ao garçom e o dispensou observei que suas mãos tremiam enquanto ela se servia, chateado com seu descuido com ela mesma entro de novo e vou até a mesa que ela estava decidido a obter algumas respostas.
— E aí a pizza está boa?— Pergunto assim que me sento e a vejo engolir com dificuldade antes de responder.
— Maravilhosa!— Ela diz e toma um grande gole de Coca—Cola.— Você não vai comer?
— Não sou muito fã de pizza.— Respondo com sinceridade.
— Hum, que pena.— Ela diz e continua a devorar sua pizza enquanto mexe em seu celular com a mão livre.
— Por que você ficou tanto tempo sem comer?
—Hã... eu estive muito ocupada para isso. —Ela diz sem me encarar e eu sinto que era mentira, mas resolvo não continuar com o assunto.
—Você está falando com o seu namorado? — Pergunto para continuar uma conversa.
— Não.
— Sei, então está fofocando com alguma amiga?
— Não.
— Por que você tirou suas coisas lá de casa? — Pergunto e vejo ela olhar pra mim rapidamente.
— Por que não sou mais sua médica, logo não tinha necessidade das minhas coisas estarem na sua casa. — Respondeu séria e continuou a comer e mexer em seu celular me ignorando.
— Eu sabia que você era igual a todos os outros. — Resmungo irritado.
— Oi? Eu o que?
— Você ê apenas mais uma que desistiu fácil demais.
—Epa! Nem vem, quem dispensou os meus serviços foi você! Era pra o tratamento está indo em frente, mas você é o medroso aqui. — Ela diz largando seu terceiro pedaço de pizza na mesa.
— O que você queria que eu fizesse? Você tomou um tiro por minha causa! — Digo mais baixo e ainda chateado com a atitude dela.
— Por que você voltou a esse assunto agora? Você já me dispensou, eu não sou mais sua médica, não temos nenhum tipo de ligação, o que é que você quer afinal? É desculpas por eu ter salvo a sua vida? Você queria ter morrido? — Ela dispara irritada e eu engulo em seco por não conseguir falar o que realmente queria.
— Não é isso é só que...Foi perigoso e imprudente.
–Eu já entendi essa parte Otávio. Fala de uma vez o que você quer falar. — Ela diz suspirando e tomando sua coca.
— Eu tenho um monte de coisas para falar, mas não sei se você quer ouvir....
— Otávio...
—Tudo bem. Qual era o real plano de vocês? Eu preciso entender isso.— Falo de uma vez e a vejo suspirar.
— Certo, o plano era me tornar amiga das personas, e fazer com que elas te aproximassem de mim, não era pra você ter descoberto que eu era médica o objetivo era que você passasse pelo tratamento sem ter noção que era um tratamento, mas Nina é muito sagaz e logo descobriu tudo ela ligou os pontos e decidiu ajudar também, pois disse que estava cansada de não ter vida própria. Depois o Anthony, Marcos e o Caio também ficaram sabendo. E Anthony foi o único que ficou com um pé atrás, acho que é por que ele retém as memórias e não quer ser descartado. Como se isso pudesse acontecer...— Ela diz mais baixo e suspirando.
— É claro que ele vai ser descartado ele é um monstro.— Digo com raiva.
— Não Otávio, Anthony não é um monstro ele é uma parte de você, ele é você, ele é a sua parte protetora, ele de todos vocês é o que mais sofre pois ele guarda toda sua dor.
— Ele é manipulador isso sim.— Resmungo chateado
— É...ele é sim, por isso ele tem que ser trabalhado mais que todos.
— Ele me deu algumas lembranças, ele está tentando me amedrontar para conseguir o meu tempo. Eu só não sei por que? — Desabafo chateado com a situação.
— Você está tomando as medicações?— Ela pergunta me encarando.
— Sim.
— Bom ele soltar as memórias não é ruim, agora você tem que ser forte para aguentar o que ele aguentou por todos esses anos. Você acha que consegue? — Ela pergunta me observando de perto.
— Eu não tenho certeza a única coisa que eu quero é ter o controle da minha própria vida. Eu estou fazendo o possível para manter a minha mente sã e o controle de mim mesmo. Depois de hoje eu acho que consigo.
— Você está indo bem, continue assim por que realmente o importante nessa história é realmente você ter o controle da sua mente. E quanto a dor que Anthony carrega você não precisa carregar tudo sozinho afinal você tem o Enzo, a dona Rosa e a Julia não é!?— Ela diz enquanto amarra seu cabelo.
— E você?— Pergunto sem conseguir me segurar.— Você não é minha amiga?
— Você quer a minha amizade?— Ela rebate e então eu me aproximo e digo olhando dentro dos seus olhos.
— Esses olhos, esse olhar, esse rosto sou eu Otávio Carson e eu quero a sua amizade eu quero você em minha vida.
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