Me Mate, Me Ame
52 Ester
Eu fiquei encarando Otávio por alguns minutos, ele dizia querer ser meu amigo, mas como eu irei conseguir ser apenas amiga dele, vê-lo bem e casado com Julia? Droga e essa bendita mulher ainda é irmã do meu irmão, se eu não quiser velos juntos terei que ir embora de Chicago então...Mas no momento eu não podia eu tinha que ajuda-los
— Tudo bem então Otávio, serei sua amiga e te ajudarei no que puder.— Digo olhando em seus olhos também, será que eu deveria falar que Anthony me disse quase as mesmas palavras que ele quando nos encontramos pela primeira vez? Acho melhor não.
— Ótimo você já está satisfeita?—Ele pergunta se levantando.
— Estou sim.
— Então vamos?
— Claro.
Já no carro eu não conseguia me controlar meus olhos sempre estavam atentos ao meu celular eu tinha enviado a foto do homem do hospital para Ryler um amigo meu ele era colega do Jed, mas nós já tínhamos namorado durante o ensino médio. Ryler ficou de fazer um retrocesso na imagem para tentar descobrir quem era o homem da foto e mesmo eu já tendo a certeza de quem era eu apenas precisava da confirmação.
— Você parece preocupada está acontecendo alguma coisa?— Otávio perguntou quando paramos em um semáforo.
— Não é nada, apenas meu irmão que foi para NY estou esperando notícias.— Digo e não é mentira pois também esperava por isso.
— Humm, falando no seu irmão ele é filho do Theodor Hilton, não é?
— Sim, ele é o seu cunhado. Enzo te contou então...
— Não... Enzo me contou e eu também me lembrei dele quando era pequeno, sabia que nós brincávamos juntos?
— Sério? Antes do internato?
— Sim, antes de matarem meu pai. — Ele falou enquanto estacionava o carro em uma praça.
— Por que você parou? — Pergunto vendo ele suspirar e recostar sua cabeça no volante.
— Droga, eu sou tão idiota. Nós temos tantas coisas para conversar, eu tenho que procurar Julia, mas eu realmente apenas quero ficar aqui e falar tudo o que está preso dentro de mim. Eu estou sendo egoísta, não é?
— Conhecendo seu histórico? Acho que pela primeira vez sim. Agora sobre Julia o que aconteceu?
— Aconteceu que ela surtou e fugiu com Aleff filho de Josh Vasques sobrinho de Esdras Daniels Vasques vulgos meus tios desgraçados que mataram meu pai.— Ele diz com nojo e ódio em sua voz. A diferença entre Anthony e Otávio eram grandes até nesses momentos Anthony é frio com gelo e Otávio é quente como fogo, Anthony mantem seu controle mesmo espumando de ódio já Otávio o deixa escapar por seus olhos.
— Eu sinto muito Otávio. Olha o que eu ouvi lá no consultório eu acredito, ok, eu sei que você não imaginou. E tem mais um monte de coisas que você tem que saber e sei que também quer falar, mas no momento o melhor que podemos fazer é encontrar Julia, então engole a raiva o choro e dirige.— Ordeno brincando eu tinha que conseguir salvar o pai dele nem que seja a última coisa que farei em vida.
— Sim senhora, mas enquanto dirijo me conte sobre os Hilton.— Ele pede e liga de novo o carro.
—Ok!
E então eu contei tudo desde o início quando estávamos no internato falei do garoto da cerca pra ver se ele teria alguma reação mais ele não demonstrou reconhecimento, então continuei falando, contei sobre os medos que Jed enfrentou quando foi socorrido do mar, falei do trauma que ainda resta, das lembranças da explosão do iate e dos suspeitos, e então chegamos a Julia...
—Ela provavelmente não se recorda da explosão ou ela desmaiou Otávio, por isso ficou achando que foi abandonada.— Tento explicar o entendimento de Julia.
— Caramba que história...E aqueles desgraçados envolvidos...eu vou matar um por um! — Otávio diz com raiva enquanto estacionava em frente a uma boate estranha
— Você não irá fazer nada, meu irmão é detetive e está com um plano armado então vamos apenas esperar a queda deles. E que lugar é esse hein? — Falo olhando a faixada do lugar.
— Não sei, foi um dos endereços que Enzo me mandou, vem vamos entrar.
Saímos do carro e entramos na boate rapidamente bastou o nome Carson ter soado e as portas se abriram. O lugar fedia a drogas, bebida e sexo, as paredes eram vermelhas e tinham vidros que mostravam outras salas e nessas salas haviam muitas pessoas transando.
— Puta merda... isso aqui é um clube de swing.— Falei com Otávio que estava parado e boquiaberto.
— Ok...homens sempre pensando com a cabeça de baixo.— Resmungo irritada.— Anda Otávio vamos procurar a sua noiva, que se realmente estiver aqui estará pulando a cerca antes do casório.— Digo o puxando.
— Ela não é minha noiva.— Ele diz sério e rouco. Apesar de ser uma boate de swing o som era ambiente e não tinham muitas pessoas circulando. Andamos por todo lado e nada de encontrarmos Julia, eu já estava me sentindo quente e úmida e acho que Otávio não estava multo diferente pois seu rosto mostrava que ele sentia dor e se eu fosse ser sincera eu bem que sabia o por que ele tinha dor e isso foi graças ao Marcos, aquela pegada....
— Ela não está aqui vamos embora. — Otávio diz me puxando pra fora do lugar, bom a loira poderia sim estar lá dentro enfiada no meio das pernas de alguém, mas eu não iria falar isso para noivo.
Já do lado de fora nos encostamos no carro e começamos a rir como dois idiotas virgens.
— Você viu aquilo? Cara quantas pessoas tinham engatadas ali?— Pergunto me referindo a última sala que vimos onde tinha um pessoal fazendo suruba.
— Eu nunca conseguiria fazer uma coisa dessas.— Ele diz rindo mais depois fica estranhamente sério.— Será que July gosta dessas coisas?— Pergunta enquanto vou para o lado do passageiro
— Aí você tem que perguntar a ela.
— Você gosta dessas coisas? — Pergunta quando entramos no carro.
— Eu? Não, não gosto de dividir o que é meu. — Falo até um pouco possessiva demais e vejo o começo de um sorriso em seu rosto
— Bom.
Depois disso seguimos em silencio e fomos em mais quatro clubes e não vimos nem sinal de Julia. Eu estava cansada e queria muito um banho, porém por ser a irmã do Jed eu sentia que devia ajudar nas buscas. Era exatamente duas da manhã quando passávamos em frente à sede do Chicago Bulls quando vi uma cabeleira loira foi rápido e não consegui ver direito.
— Ei Otávio!?
— Oi!— Ele me olha rapidamente
— Dê a volta e passe mais devagar ali em frente à sede do Bulls por favor!
— Você viu alguma coisa?— Ele pergunta dando a ré no carro.
— Coisa não, alguém, mas não tenho certeza, devagar...isso bem ali no canto está vendo? — Falo apontando para a garota loira que estava com uns caras embaixo de um poste.
— Será que é ela? — Ele pergunta observando.
— Não sei, eu vou ir lá. — Digo me ajeitando para sair do carro mais sendo impedida por sua mão no meu pulso.
— O que? Você está louca se acha que vou te deixar ir lá. Eu vou estacionar o carro ali na frente e vou lá, enquanto isso ligue para Enzo vir com os caras.
— Otávio, é perigoso mais pra você do que pra mim, se eu levar uma porrada na cabeça vou continuar sendo eu mesma e você dará lugar a Anthony?— Digo o vendo suspirar.
— Ok você venceu, vou ligar para Enzo e enquanto isso nós a vigiamos.
— Certo.
Ficamos parados alguns minutos até que um bugati vermelho parou perto do pessoal.
— Olha lá, é o Aleff.— Otávio diz mostrando o rapaz loiro que desceu do carro.
— Então é praticamente certeza que é a Julia ali mesmo.
— Infelizmente sim.— Ele diz e assistimos as pessoas ali beberem e se drogarem em meio a risos e palmas.
— Olha só a noivinha é uma menina má...— Brinco para tentar aliviar o clima pois Otávio estava muito quieto e com um olhar distante.
— Eu pensei que nunca mais a veria fazendo isso.— Ele diz encarando a loira.
— Ela usava em NY?
— Eu a vi umas dez vezes assim, cuidei dela em todas e ela sempre prometia que era a última, um dia ela me fez experimentar também e eu quase fiquei viciado nessa merda, tive uma overdose que quase me matou daí eu parei e ela não. No dia do acidente eu tinha ido buscar ela em um ponto de drogas sabe?! Ela estava muito drogada e começamos a discutir no caminho pra casa. Eu disse que não iria querer mais nada com ela, pois eu não queria pagar pelos vícios dela, naquela época eu tomava minhas medicações regularmente sabe eu não tinha dores de cabeça nem nada. Mas ela enfurecida e chapada atingiu meu rosto com um soco eu perdi a direção do carro e minha cabeça começou a doer muito e a última coisa que eu lembro desse dia é dos olhos amedrontados dela enquanto o carro girava na pista.— Ele contou com os olhos ainda nela.
— Você lembra.— Falo admirada.
— É eu lembro, acho que foi por conta da culpa que sempre senti pela morte dela.
— Morte que não aconteceu.
—É.
Ficamos em silêncio de novo e eu me recordei do dia em que ela chegou no hospital e também lembrei da minha conversa com ela. Ela disse que acordou no apartamento...
— Otávio?
—Humm?
— Com quantos dias depois do acidente você acordou no hospital? — Pergunto tentando encaixar todas as peças.
— Três dias, por que?
— Nada, e quem estava com você lá?
— Enzo e o tio Carlos.
— O pai do Enzo!? Ele chegou primeiro que o En não foi? Pois Enzo estava em Boston...
— Foi sim, Enzo te contou essa história? — Apenas aceno que sim e ficamos em silencio novamente. Ok...Então quer dizer que Otávio não viu o acidente acontecer, Julia também não lembra...
— Onde foi o acidente?
— Foi no subúrbio.
— Humm...
— O que você está maquinando aí hein?— Ele pergunta me olhando rapidamente.
— Eu...só estou juntando umas peças aqui e acho que sei o que aconteceu em NY.
— O que aconteceu?— Ele pergunta interessado porém ates que eu abrisse minha boca o carro de Enzo estacionou do nosso lado.
— Depois te conto.
— Eu acho que amanhã vou te sequestrar, você tem muita coisa para me contar sabe!?— Ele diz rindo um pouco enquanto observa Enzo e mais três homens vir em nossa direção
— Amanhã eu trabalho colega.— Digo
— Eu não quero você perto daquele homem Ester, ele é perigoso.— Ele diz sério.
—Quem é perigoso? — Enzo pergunta chegando na janela do carro. — Ora se não é a Drª Shalton...Vocês são amiguinhos agora?— Pergunta debochado e eu posso sentir a malicia em sua voz, a mesma malicia que ele usou em nossa conversa pela manhã. Eu tinha certeza que ele sabia alguma coisa.
— É pode— se dizer que sim. — Otávio responde. — Olha lá a Hilton, bebendo e se drogando. — Otávio fala e eu não vejo surpresa em Enzo, ele já sabia que ela se drogava.
— Certo os rapazes e eu iremos buscá—la.— Enzo diz
— Não seria melhor ir alguém conhecido?— Pergunto
— Você não vai Ester. – Os dois falam simultaneamente.
— Aff...viu vai lá vocês então. — Falo chateada cruzando meus braços.
Os rapazes riram e Otávio saiu do carro, eles foram em direção Julia e eu fiquei apenas assistindo, não sei o que foi dito, mas assim que pisquei meus olhos Julia estava sobre os ombros de Otávio como se fosse um saco de batatas e En e os seguranças distribuíam socos e ponta pés. Otávio chegou até o carro e eu sai para abrir a porta traseira.
— Eu não quero ir Oto!— Julia reclamava
— Cala a boca Julia!
— Eca Oto...Julia nãoo éee Jully você lembra? A sua July.— Ela diz o agarrando pelo pescoço e o puxando para dentro do carro. Para dar privacidade ao casal me afastei e fui até o carro de Enzo me encostando no mesmo.
— E aí ela está bem? — Enzo se aproximou perguntando
— Eu acho que sim.
— Tomara que ela fique bem uma moça tão bonita se acabando assim não é legal.— Ele diz com pesar.
— Você gosta dela...— Digo brincando
— E você dele.— Ele diz sério.
— Eu?
— Shalton...não minta pra mim, eu sei sobre o Marcos.— Ele diz debochado me encurralando entre seus braços e o carro.
— É?!E eu sei o que seu pai fez em NY a quatro anos atrás.— Digo e vejo seus olhos surpresos.
— Estou atrapalhando alguma coisa? — Otávio pergunta sério ao nosso lado
— É cara atrapalhou legal valeu hein!?— Enzo responde a Otávio depois de piscar para mim.
— Vamos embora, entra no carro Ester! — Otávio manda sério.
— Ela vai comigo Oto. — Enzo diz em tom de desafio. Não querendo queimar vela opto por ir com Enzo sem falar que eu tinha que falar com ele sobre minhas descobertas
—Ester?— Otávio diz
— Amanhã conversaremos.— Digo e ele assente entrando no carro e saindo dali rapidamente.
— E ... ele gosta de você.— Enzo diz quando ficamos a sós.
— Sim, sim morre de amores por mim agora me conta por que seu pai forjou a morte da garota?
— Como você descobriu?— Pergunta surpreso.
— Só juntei dois mais dois Enzo. Anda vamos indo me deixe no meu prédio e no caminho conte tudo, e eu tenho uma coisa para te mostrar e contar também. — Falo entrando no carro.
— Mandona você viu! Que fique bem claro que falarei por que quero. Foi o Anthony que teve a ideia e chamou meu pai para ajudar, mas o que eles não esperavam é que ela fosse sequestrada depois.
— Então quer dizer que. Anthony afastou Julia para proteger Otávio?!Interessante.
— É, e o que você tem pra falar?— Ele confirma.
— Então...depois que vocês saíram do hospital eu ouvi uma ligação do Daniels para o Vasque e eles confessaram tudo, a morte dos Carsons e dos Hiltons.
— Dos Carsons você quer dizer do avô e pai do Otávio não é?!— Ele pergunta sem entender.
— Não eu me a morte de Elise Mason Carson e o senhor Edgar Henrique Carson o senhor Anthony Henrique Carson está bem vivo, doente mais vivo. Eu estive com ele hoje e infelizmente ele é refém dos Daniels Vasques.
— Puta merda. O Otávio vai pirar cara! — Enzo diz socando o volante.
— É eu sei, mas você não falará nada. Primeiro temos que tirar ele de lá.
— Onde ele está agora?
— No hospital quarto duzentos, mas ele está bem debilitado não acho bom pegá—lo agora, sem falar que temos que nos preparar afinal ele está sem memória.— Digo e o vejo pegar o celular.
— JP preciso de uma equipe infiltrada no memorial agora, todos de olho no quarto duzentos, não é para agir, se saírem de lá siga—os.— Ele diz e desliga.
— Eu tenho o endereço do novo cativeiro podemos planejar algo melhor Enzo.
—Não vamos precisar, vamos pegar ele amanhã, vou levar ele para fazenda dos meus pais e meu velho ficará com ele. Só preciso saber o horário da troca de plantão amanhã?
— É as sete da manhã. Enzo cuidado com o que você fará. Todo cuidado é pouco, eles não podem nem sonhar que sabemos ou sobrará para Otávio.
— Pode ficar tranquila, e envie a foto ok?!— Ele pede ao parar o carro em frente ao prédio que moro. — Ei Ester!?
— Oi?
—Como você descobriu tudo isso?
— Essa uma história para outro capitulo Enzo, boa noite! — Falo e saio do carro pois tudo que precisava era um bom descanso
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