Me Mate, Me Ame
53 Ester
Algumas horas de sono depois eu estava renovada e de banho tomado desfrutando de um delicioso café da manhã quando meu celular tocou.
— Fala Enzo, bom dia! — Digo e depois tomo um pouco de café.
— Bom dia, Ester! Já está feito ok?!não comente com ninguém sobre o que você viu. Vamos dar tempo para a recuperação do tio.
— Mas já? Pensei que você iria esperar a troca de plantão agora às 7:00 horas!?— Pergunto surpresa
— Não eu e meu pai conversamos ontem depois que saí daí e ele achou melhor agirmos no amanhecer.
— Entendi, mas e os gorilas? Como você fez?— Pergunto curiosa
— Foi fácil e foi tudo ideia do meu pai, eu não sei se você sabe mais ele é médico também então foi fácil ele entrar e sair do hospital ele usou a desculpa de que o paciente precisava fazer um exame e com essa desculpa tirou o tio do quarto e depois voltou com um enfermeiro com peruca e barba, amigo dele sabe ele ficou no lugar do tio Tony só para ganharmos tempo de tirar o tio do hospital sem levantar suspeitas.— Ele conta empolgado
— Entendi eu não quero nem imaginar o que vai acontecer quando o Daniels descobrir a troca.— Falo sentindo um calafrio.
— É por isso que te liguei, tem certeza que ninguém te viu ontem ou te reconheceu?
— Eu acho que não, eu me vesti de enfermeira e eu acabei dormindo em meu consultório durante toda a tarde eu creio que todos pensaram que eu encerrei meu turno mais cedo...mais Enzo? E o rapaz que ficou no lugar do seu tio não corre perigo? — Digo enquanto retiro a mesa do café rapidamente.
— Bom perigo ele corre, mas ele adora uma boa briga e é de confiança, ele saberá como se sair dessa, e quanto a você fique esperta, todo cuidado é pouco.
— Certo En ficarei atenta.— Digo pegando minhas coisas pra sair.
— Qualquer coisa me ligue.
— Certo e Enzo?
— Hum?
— Anthony é diabético.— Falo me lembrando do seu estado ontem.
— Certo, obrigado Ester irei avisar ao meu pai, se cuida. Tchau!
— Valeu. Tchau.
Me sentindo mais aliviada pelo pai de Otávio estar seguro respirei fundo para organizar meus pensamentos, agora poderia ajudar Jered a agir sem medo. Enquanto esperava o trânsito andar aproveitei e liguei para Ryler agradecendo por seu trabalho e pedindo descrição sobre o que ele descobriu e aproveitei também para enviar todas as informações que descobrir para meu e—mail.
Depois liguei para Jered apenas para ouvir que seu telefone estava desligado.
Alguns minutos depois cheguei ao hospital, estacionei meu carro e segui para meu consultório atendi alguns pacientes e então meu pager soou, apressadamente corri para o PS e fui atender a emergência que era nada mais nada menos que um suicida em potencial e ele estava totalmente fora de controle, foram necessários quatro enfermeiros para segurá—lo e ainda assim recebi um baita soco no rosto quando fui medicá—lo e além de mim ele chutou Aline e derrubou uma maca.
— Oh Deus que dia!!!Em pensar que só está começando dá até arrepios!!— Aline diz se jogando em uma cadeira na sala de curativos.
— Ô neum mê fálê!— Balbucio enquanto uma enfermeira cuida da minha boca que cortou por dentro.
— O que será que fez ficar tão descontrolado hein?— A enfermeira que cuidava de mim perguntou.
— Aí agora só saberemos quando ele acordar, puxa minha perna está ficando roxa e...— A fala de Aline foi interrompida quando ouvimos gritos no corredor.
— EU QUERO TODOS OS FUNCIONÁRIOS QUE PLANTONARAM ONTEM,ENFERMEIRAS,FAXINEIRAS,COPEIRAS TODAS AS MULHERES QUE TRABALHAM NESSE HOSPITAL EU QUERO NO AUDITÓRIO DAQUI A TRINTA MINUTOS,QUEM FOI EMBORA QUE VOLTE OU ENTÃO SERÁ DEMITIDO!—Assim que corremos até a porta vimos Esdras Daniels que gritava enfurecido passando no corredor.
— O que está acontecendo?— Aline pergunta a uma enfermeira que andava apressada pelo corredor.
— Um paciente importante foi sequestrado essa madrugada.— A enfermeira cochichou e eu senti um frio em minha espinha— Dizem que o paciente que foi levado é irmão do doutor mais ninguém nem viu o prontuário desse paciente.— Ela diz e saí resmungando.
— Como assim gente? Uma pessoa foi sequestrada, então temos que chamar a polícia.— Aline fala
— É bom mesmo, não é doutora?— A enfermeira me pergunta e eu apenas concordo.
— Mas como será que conseguiram levar um homem daqui sem ninguém ver?— Aline e a enfermeira especulavam enquanto eu torcia pra que ninguém não tivesse me visto e reconhecido na noite passada e foi pensando nisso que quase desmaiei ao lembrar das câmeras nos corredores.
— Ester!?Você está bem? Ficou pálida de repente.— Aline pergunta e sem alternativa lhe encaro implorando ajuda, entendendo meu olhar Aline disfarça rapidamente.— Você não comeu hoje Ester?!Vamos comer alguma coisa antes dessa reunião então!— Ela diz e sai me puxando andamos alguns corredores e então puxei Aline para dentro de um depósito qualquer.
—Cuspa Ester, o que você aprontou pra estar com essa cara de quem está com dor de barriga?— Ela pergunta cruzando seus braços rapidamente olho toda a sala e ao não ver ninguém tranco a porta.
— Ontem eu estive no quarto do homem que sumiu, eu fui lá vestida de enfermeira, mas pelo horário estou em dúvida se mais pessoas entraram e saíram do vestiário, por que se aparecer só uma pessoa na filmagem vai ficar claro que foi eu entendi!?Você ainda está transando com o Rick o carinha do cftv.?— Pergunto em um só folego.
— Respira Ester primeiro quem é o homem e o que você tem a ver com ele?
— O homem é Anthony Carson.— Sussurro.
— Otávio?— Ela pergunta sem entender.
— Não, o pai.
— Mas ele não morreu a quinze anos atrás?—Pergunta espantada
— Não, ele foi mantido em cativeiro pelo Daniels e os irmãos, olha depois eu te conto tudo agora eu realmente preciso da sua ajuda.— Falo sussurrando.
— Otávio já sabe?
— Não e nem ele nem ninguém pode saber. Você vai me ajudar ou não?— Pergunto aflita.
— Está bem tô indo, qual foi o horário mesmo?— Pergunta arqueando a sobrancelha.
— Olhe a partir das vinte e duas e trinta por favor.
— Certo, mas o que eu falo pro Rick?
— Diga que uma colega deu uns amassos no corredor e pediu para conferir se as câmeras pegaram. Vai lá rápido por favor!!!— Falo a empurrando em direção a porta.
— Certo você vai me esperar aqui?
— Não posso sumir, tenho que fingir estar tranquila então irei na lanchonete tomar um chá. – Digo me ajeitando.
— Ok volto já.
Esperei Aline sair primeiro e alguns minutos depois fiz o mesmo, conversei com algumas pessoas no caminho e o assunto do dia era o sumiço do homem, eu estava preocupada com meu pescoço e com o do pobre rapaz, então fazia questão de ouvir o rádio corredor, mas foi ao chegar na lanchonete que tive a resposta, os capangas que estavam no quarto tomavam café e discutiam e pelo que pude escutar o nosso refém impostor aproveitou—se de um pequeno cochilo deles e fugiu, bom menos mal, pelo menos ele se safou.
Quinze minutos depois Aline aparece afobada.
— Ester...O Rick disse que o diretor foi no ccftv bem cedo e pegou todas as imagens de ontem, mas tem uma boa notícia...a câmera de frente ao vestiário está falhando então fica meio difícil de entender quem entrou e quem saiu.
— É então terei que contar com a sorte mesmo.— Digo e descanso minha cabeça no balcão. Droga, se eles suspeitarem de mim estarei tão ferrada.
—Vamos Ester faça cara de paisagem e se você precisar de álibi eu digo que estávamos juntas, vai dar tudo certo. — Aline diz passando a mão em meu cabelo.
—Aí Line eu estou tão cansada, é muita informação muita coisa acontecendo e minha cabeça está prestes a explodir. – Reclamo.
— Vai dar tudo certo garota, você só tem que pensar isso ok? Vamos o pessoal já está indo para o auditório.
—Obrigada Aline!— Falo abraçando sua cintura.
—Que obrigada o que? Você ainda me deve quero saber tudo dessa história maluca. — Ela fala e se levanta ficando de pé ao meu lado e me estendendo sua mão.
Nós caminhamos devagar até o auditório pois eu não queria ficar na linha de frente quanto mais escondida eu ficasse dos gorilas do Daniels melhor para mim era. O Auditório encheu rapidamente e apesar dele, ter convocado as mulheres muitos homens curiosos estavam por ali.
— Que bom que todos vieram, eu vou fazer uma chamada dos que estiveram nesse hospital ontem por favor levantem suas mãos. Adriely Verman,Audrey Chost, Anne Kamul... —E assim ele foi chamando cada uma das pessoas que deram plantão ontem, ele chamou a todos e no final conferiu a lista mais umas duas vezes e cochichou algo com sua secretária que mexeu em seu computador e lhe disse alguma coisa que o deixou bem vermelho e irritado.
—COMO ASSIM AQUI NÃO TRABALHA NENHUMA HELENA? —Ele gritou completamente irritado.— EU FALEI COM UMA ENFERMEIRA CHAMADA HELENA ONTEM.QUEM É ESSA PESSOA? – Ele grita com todos que estão ali o olhando, espantados o burburinho começou a aumentar na sala e então o Doutor Daniels perdeu de vez sua compostura, ele tomou o notebook da mão de sua secretária e jogou com tudo no chão. – OUÇAM COM ATENÇÃO!!!MEU IRMÃOZINHO FOI SEQUESTRADO DESSE HOSPITAL, ALGUÈM O LEVOU E EU IREI DESCOBRIR QUEM FOI.ATÉ SEGUNDA ORDEM NINGUEM PODE SAIR DESSE HOSPITAL HOJE, E QUEM SE ATREVER A IR CONTRA AS MINHAS ORDENS RECEBERÁ JUSTA CAUSA.
Ele grita enfurecido e todo mundo começa a questionar.
—POIS EU NÃO IREI FICAR! CHAME A POLICIA PARA RESOLVER ISSO E NÂO ENVOLVA GENTE INOCENTE NISSO! —Gritou Zilda uma das enfermeiras mais antigas do hospital e todos concordaram com ela.
—Você quer ser demitida? — Ele pergunta friamente a encarando.
—O senhor quer ser processado por cárcere e trabalho forçado? Hoje é minha folga e de muitos outros aqui, se o seu hospital não tem segurança a culpa não é nossa. Fique à vontade para me demitir é uma vergonha mesmo o que esse hospital se tornou depois da morte do senhor Carson. – Ela diz e saí andando entre as pessoas deixando um Esdras com o rosto tão vermelho que parecia que ia explodir. E eu fiquei com uma pulga gigante atrás da orelha com o que ela falou, eu não sabia que ainda tinham funcionários da época do senhor Carson no hospital, pois o boato que rolava era que a nova direção tinha demitido todos que faziam parte da equipe contratada pelo grande magnata. Eu tinha que falar com ela. Então aproveitei que os rebeldes estavam deixando o auditório e os acompanhei puxando Aline junto comigo.
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