— Aí Ester devagar!!!—Aline reclamava enquanto eu a arrastava pelos corredores.— Ester nós vamos ser demitidas e eu ainda nem faço parte do staff, quem estamos procurando mesmo hein?— Aline continuava reclamando.

—Quieta Aline! Você não quer saber o que é toda essa loucura, pois então vamos!—Eu digo avistando a senhora Zilda saindo em direção ao estacionamento. —E quanto ao emprego fica tranquila pois o Daniels não vai continuar mandando por aqui.— Falo e a puxo para corremos até alcançar a senhorinha e foi com espanto que vi uma moto em alta velocidade vindo na direção dela, larguei a mão de Aline e corri em direção a senhora a puxando para trás no momento em que a moto passou onde ela estava e ali eu acreditei na capacidade dos Daniels Vasques e os olhos frios do motoqueiro que me encararam quando ele deu a volta me gelaram a alma pois era o cara do sapato verde que estava na sala do Daniels ontem...

—A senhora está bem? — Pergunto a ajudando a sentar.

—Oh Deus Drª Shalton muito obrigada! Esse desgraçado está esquecendo com quem está lidando, ele quer jogar, mas esquece que dois podem jogar o mesmo jogo. — Ela resmunga se levantando.

—Dona Zilda a senhora está bem? —Aline pergunta chegando até nós.

—Estou sim querida obrigada! — Ela agradece e se vira olhando para cima para as janelas do prédio.

—Dona Zilda o que a senhora quis dizer com esse negócio de jogo? — Pergunto a encarando.

—Oh nada menina, coisa de gente velha e gagá não dê importância. — Ela diz e vai se afastando de nós, eu não podia deixar essa oportunidade passar.

—Dona Zilda e se eu disser que sei do que a senhora está falando? — Pergunto ainda parada no mesmo lugar.

—Eu digo que você está brincando com fogo. — Ela diz e continua a andar para longe de nós.

—Mas tem muito mais coisas que eu sei que a senhora sabe e assim como a senhora não tenho medo de me queimar.

— Bom cada um sabe de sua loucura, não é?!— Ela diz parando de novo. – Não se envolva nesse jogo criança você pode não sobreviver para contar a história. — Ela diz e volta a andar então eu corro até ela. — Garota você é burra ou o que?

—Sou burra e de coração mole, são os meus defeitos.

—Você não deveria se aproximar de mim principalmente hoje.— Ela diz séria.

— Se eu lhe disser que sei quem os Daniels mataram a senhora confiará em mim?— Pergunto e ganho sua completa atenção e um belo beliscão no braço.

—Aí, aí...

—Cala a boca. Inferno, eu achando que tinha feito merda a minha vida toda aí vem você com esse bocão e mostra que existe alguém mais burra que eu.— Ela diz enquanto me arrasta para seu carro, Aline nos acompanhava apenas rindo também recebeu um baita carão.— Entra aí.— Ela manda e nós obedecemos.— Olha eu não sei como você sabe dessa coisa que você falou, então fale agora deixa eu ver se vale a pena eu te mostrar minhas cartas.— Ela fala séria enquanto dirige para fora do hospital.

—Bom, meu irmão foi adotado e ele veio de uma família muito rica, os Hilton que morreram em uma explosão, a pouco tempo meu irmão reencontrou a irmã dele que tinha sido dada como morta e então ele começou a investigar a morte dos pais e por causa de uma lembrança ele chegou aos irmãos Daniels Vasques.— Falo a olhando de perfil e vi que ela tinha um pequeno sorriso nos lábios.

—É pouco, não vale a pena eu falar. — Ela diz séria.

— Eles desviam verba do hospital a anos. – Tento de novo e ela só balança a cabeça negando. — Eu ouvi que eles mataram o senhor Carson.

— Eles mataram os dois o pai e o filho. – Ela diz

— Bom...

—Ester!— Aline interrompe dando um chute no banco.— Você não acha que está falando demais?

—É Ester como você ingênua, como você pode confiar assim em mim? — A senhora me pergunta sarcasticamente.

— Eu ultimamente confio em qualquer um que vá contra os Daniels.— Digo séria cruzando os braços.

— Olha eu vou contar um pouco da minha história só para deixar sua amiga mais confortável, que tal um chá na minha casa? — Ela pergunta e assentimos. Dona Zilda dirigiu por um bom tempo entrando em várias ruas diferentes, passando por dentro de estacionamentos e vez ou outra parando um pouco.

— A senhora está com medo de ser seguida? — Aline pergunta curiosa.

—Eu faço esse trajeto a seis meses e a cada seis mudo de bairro, eu tenho que me proteger e proteger a alguém também.

—Seu marido? — Pergunto

— Não meu marido morreu a alguns anos protegendo um amigo. – Ela diz séria e então observo que estamos em um bairro bem afastado da cidade é um bairro com casa de muros altos e portões completamente fechados.

—Nossa não economizaram em segurança nesse bairro hein?!— Aline diz olhando ao redor.

— É ele é básico. — Ela diz e pega um celular em baixo do banco. – Eu cheguei e estou acompanhada. — Ela diz desliga e então o grande portão cinza se abre.

—Nossa aqui é bem legal. — Aline diz assim que saímos do carro, ficando surpresa ao olhar o lugar que consistia em uma casa toda feita em pedra e um jardim enorme.

— Fiquem à vontade, vou fazer um chá para nós. — Ela diz passando por uma grande porta de madeira.

— Uma enfermeira ganha bem assim?! — Aline pergunta olhando ao redor— Ou não! — Ela diz assim que entramos e encontramos a sala completamente vazia, não tinha nada que indicasse que a casa era habitada.

— Que...estranho. — Eu digo olhando tudo, a casa tinha três quartos na sala e todos estavam vazios.

— Acho que ela não ganha tão bem assim.— Aline diz fazendo graça.

— Aline! — Reclamo para ela que ria alto.

—Meninas aqui no fundo! — Dona Zilda nos chama, nós caminhamos por um longo corredor a casa era enorme e completamente vazia menos a cozinha que tinha uma pequena mesa, uma geladeira e um fogão.

— Dona Zilda por que a senhora mora em uma casa tão grande? —Aline pergunta

—Aline! – A repreendo enquanto cruzo meus braços.

—Desculpa só estou curiosa. — Aline se desculpa sem graça.

—Tudo bem, como eu disse eu nunca fico muito tempo no mesmo lugar agora mesmo já terei que mudar de novo. Sentem—se e vamos conversar. — Ela diz e assim fazemos. — Então quer dizer que seu irmão adotivo está querendo mexer com os Daniels!?Interessante isso, ele já sabe o que fazer?

— Ele foi para NY atrás de pistas, ele é detetive está estudando esse caso a anos.

—Entendo, mas pistas apenas não serão o suficiente o melhor é se ele conseguir achar o desertor. — Ela diz bebendo um pouco do seu chá.

—Desertor? — Perguntamos sem entender.

—É o irmão do meio desistiu da vida do crime e sumiu no mundo.

—Oscar não está mais compactuando com eles? — Pergunto espantada.

— Não, Oscar teve uma missão muito difícil pra ele depois disso ele sumiu.

—Como assim? — Pergunto sem entender nada.

—Eu vou contar uma história para vocês agora e se forem espertas ficarão caladinhas até eu terminar.— Ela diz e nós concordamos imediatamente.— A quarenta e três anos atrás eu decidi cursar enfermagem era meu sonho sabe?!Porém eu era muito pobre e não tinha como pagar a escola de enfermagem, então decidi procurar um trabalho, eu sempre fui muito esforçada e inteligente. Então um dia enquanto procurava emprego passei em frente ao memorial, estava chovendo muito naquela tarde e ainda não tinha aquela cobertura que temos hoje lá na frente do prédio, então eu corri um pouco para não me molhar tanto já que eu estava com todos os meus currículos e documentos em um envelope, mas quando fui passar em frente a porta do hospital acabei esbarrando em um casal que saia dali eu ainda não sabia, mas eles iriam mudar minha vida para sempre. Os meus documentos todos caíram na água, foi perda total pois o envelope caiu e ainda foi chutado pelo grande homem que acompanhava a pequena mulher. Eu fiquei desesperada não tinha dinheiro para conseguir tudo de novo então comecei a chorar enquanto o casal me pedia milhões de desculpas. Eu chateada nem dei muita importância para eles, a mulher que me ajudou a catar os papeis viu que eram currículos, perguntou se eu precisava de um emprego e chorando eu respondi que sim pois minha mãe estava doente e meu pai tinha morrido a pouco tempo, ela sorrindo disse para que no outro dia eu fosse lá de novo com os documentos secos, eu não entendi na hora, mas no outro dia eu fui bem cedo e fiquei na recepção por horas, não sabia a quem procurar pois no dia anterior antes da mulher falar seu nome um taxi chegou e eles se foram, então eu não tinha alternativa a não ser esperar, fiquei com fome pois não tinha dinheiro para comprar alguma coisa pra comer, não usei o banheiro pois tinha medo de perdê—los caso eu não os visse passar, então fiquei ali plantada e exausta até que as três da tarde a bonita e elegante mulher apareceu olhando por toda a recepção até que seus olhos pararam em mim. Ela se apresentou como dona daquele lugar e me mostrou tudo, me treinou e confiou em mim. Um mês depois eu era secretária da presidência dos Carsons a mulher era Elizabeth Norma Carson e seu marido Anthony Henrique Carson, foram anos muito bons ali dentro e enquanto trabalhava fazia meu curso. Anos passaram e logo me formei como enfermeira, mas os Carsons não queriam abrir mão dos meus serviços então continuei por lá, vi o pequeno Anthony nascer e crescer, ele sempre foi um doce de menino e mais tarde um homem muito bom, tão bom que infelizmente abriu espaço e seu coração para cobras que mais tarde destruiriam sua vida. Anthony tinha cinco amigos inseparáveis os Daniels Vasques, o Martney e o Hilton aparentemente eram uma amizade muito bonita.

O mais novo dos Daniels se apaixonou pela irmã mais nova da senhora Elizabeth, Sophia Carson e logo casaram, o pequeno Anthony conheceu a doce e amorosa Elisa Mason e também logo se casaram, cada um dos amigos seguiram bem suas vidas cresceram profissionalmente e amadureceram muito a amizade do Hilton com o pequeno Anthony era muito forte e eles tinham grandes planos, mas eles foram adiados pela morte misteriosa do senhor Henri Carson e da doce Elisa Mason ela morreu deixando o pequenino Otávio apenas com seu pai e sua vó até então doce Elisabeth que depois da morte do marido se tornou um pouco menos carinhosa e educada, ela por causa do luto deixou a direção do hospital nas mão do cunhado Esdras Daniels que não tinha muito poder pois o herdeiro de tudo estava sempre por lá. Eu continuei no cargo de secretária a pedido da senhora e peguei muitos documentos superfaturados, mas nunca falei nada apenas copiava e guardava para mim. E então um dia o senhor Hilton sumiu ele iria assumir o hospital e Anthony iria controlar suas empresas petrolíferas, mas isso nunca aconteceu, pois, um ano depois da morte do menino Théo a explosão da mansão aconteceu e o menino Anthony se foi. Aí começou o sofrimento do pequeno Carson, Otávio foi diversas vezes para o hospital sempre muito machucado, abatido, e triste nessa época eu já estava atuando como enfermeira a senhora Carson tinha finalmente me deixado sair de perto daquela cobra. Então eu sempre ficava com o menino Otávio até que um dia ele chegou desacordado e com a cabeça sangrando muito, aí eu não consegui mais aguentar as ameaças dos seguranças da senhora Carson, eu fui até ela... huumm, ela mandou que eu ficasse com o lixo que largaram na casa dela. Eu disse um monte e quase perdi meu emprego, mas não sei o que a fez voltar atrás, uns dias depois ela me ligou e me deu o número do avô materno de Otávio então eu liguei e o homem veio e ficou com o menino durante um ano e meio, ele era uma boa pessoa, me apresentou seu melhor amigo que se tornou meu marido em poucos meses e sempre estávamos em contato, ele trazia Otávio para me ver e o menino se mostrava bem melhor que antes comunicativo e alegre, mas então o senhor Mason começou a receber ameaças, ele tinha uma casa aqui e outra no interior que foi incendiada como aviso, acho, e um tempo depois cartas e ligações o atormentavam eu e meu marido tentávamos ajudar, mas não tínhamos sucesso. Então um dia o pior aconteceu não sei o motivo, mas a senhora Carson mandou buscar o menino na casa do senhor Mason e ele não queria deixar o neto ir de jeito nenhum, os seguranças não insistiram muito e logo foram embora porém a noite naquele dia eu e meu marido íamos chegando a casa do Mason para comemorar o aniversário do menino quando presenciamos uma briga em frente à casa e não, não eram os seguranças da Carson eram outros homens, meu marido correu para ajudar o amigo, houve uma luta corpo a corpo muito feia e um dos três homens pegou o menino dentro de casa e correu para fora bem na hora que o Senhor Mason era esfaqueado e caia no chão diante dos olhos do seu neto o garoto gritou desesperado e eu corri para tentar pegá—lo de volta mais o homem me empurrou e jogou a criança dentro do carro, quando eu voltei meus olhos para os homens que estavam lutando um corria para longe e o outro estava no chão junto com meu marido e o senhor Mason, meu marido estava quase morto e me disse para ajudar o seu amigo a se vingar e recuperar o garoto. Eu imediatamente acatei seu último pedido afinal ele tinha dado sua vida por aquele amigo e eu o tinha como um irmão, então engolindo minhas lágrimas e sem ver praticamente nada na minha frente arrastei o Mason para meu carro e fugi dali deixando o corpo do meu marido para trás e para enganar quem queria a morte do Mason troquei a documentação dos dois e fui embora. A polícia nunca teve conhecimento desse caso por que mais tarde eu fiquei sabendo por uma vizinha que os homens estranhos voltaram e levaram os corpos. Aqueles monstros, eu nem pude enterrar meu Arthur, mas voltando a história eu levei o Mason para minha casa e cuidei do seu ferimento, faltei no trabalho por dois dias, disse estar doente, mas eu realmente não tinha estômago para ver o assassino do meu marido, mais tarde eu fiquei sabendo que Otávio estava em uma clínica que o pai do seu amiguinho tinha colocado ele. Então um pouco menos preocupada com o menino comecei a planejar uma vingança contra os Daniels até então achava que tinha sido Esdras nunca pensei que tinha sido Oscar que matou meu marido eles eram amigos sabe, apesar de ser mais novo que Arthur e Mason eles sempre iam pescar juntos. Mas então o Mason contou que um dos homens encapuzados era Oscar e ele contou ao Mason antes de tentar mata—lo que tinha sido obrigado a fazer aquilo, mas Arthur não deixou entrou na frente e recebeu a facada na jugular no lugar do Mason. Depois disso Oscar sumiu e eu e o Mason vivemos nos escondendo como ratos...

—Já falei que não somo ratos Zilda somos leões à espreita. — Ela foi interrompida pela voz rouca e suave de um senhor que entrou na cozinha, se eu já estava boquiaberta com a história, vendo o clone de Otávio mais velho ali eu estava quase desmaiando. — Olá moças bonitas!!!



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