Me Mate, Me Ame
37 Otávio
Ester, essa mulher me deixava com os sentimentos confusos depois de fechar aquela porta eu estava chateado e agradecido, irritado e ansioso, preocupado e pensativo minhas mãos ainda estavam molhadas de suor e as palavras dela ecoavam em meus ouvidos fazendo um dueto com as palavras de Anthony no fim das contas os dois estavam certos eu era o culpado de tudo, não sabia bem o que faria a partir de agora mais alguma coisa tinha que mudar.
Eu tinha ido ao encontro de Enzo na recepção e agora estávamos esperando a Drª Brandon para irmos ao quarto da tal Jully e talvez só talvez essa seja uma nova chance para nós porém eu não iria criar esperanças afinal não é justo obrigar alguém a enfrentar o TDI comigo e claro eu ainda nem sabia se ela era a mesma de anos atrás.
— E então o que ficou resolvido sobre o tratamento?— A voz de Enzo me tirou dos meus pensamentos.
— Não há tratamento pelo menos não com a Drª Shalton. Aliais ela disse que nunca assinou um contrato é verdade?
— É, eu disse que ela não quis saber de valores. Por que?
— Eu a dispensei. — Falo esfregando meu pescoço.
— Você é... olha você quem sabe ok!? eu tentei fiz o que achava certo. — En falou com uma voz chateada.
— Eu sei e te agradeço por isso, só não coloque outras pessoas em risco. Ah! Antes de ver a garota eu queria falar com o chefe da psiquiatria.
— Para? — Perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Assunto meu. Digo suspirando.
— Está bem...verei se ele pode te receber agora. — Enzo falou com a secretaria e logo eu estava sendo encaminhado para sala do Drº Esdras Daniels. Eu estava decidido a começar a enfrentar os meus problemas e para isso eu iria precisar de mais uma opinião médica.
Alguns minutos depois eu estava frente a frente com o Dr. Eliezer que é um homem de idade com os cabelos grisalhos e feições calmas porém eu tinha a leve impressão de que ele estava com medo de mim.
— Olá senhor Carson em que posso te ajudar?— Perguntou ao me estender sua mão.
— O senhor está ciente da minha condição não é!? — Pergunto enquanto aceito seu cumprimento e ele acena em afirmação.— Então eu gostaria que o senhor aceitasse o meu caso.— Falo sentando—me na cadeira de frente a sua mesa.
— Certo, eu entendo o seu ponto de vista senhor Carson eu imagino que o senhor crê que por eu ser mais velho e experiente eu seja a sua melhor opção, mais infelizmente eu já não sou mais aquele jovem fugaz e cheio de energia para aceitar desafios como esse.Com todo respeito sr. Carson mais o seu caso é um desafio e tanto o que o senhor precisa é de alguém que o estimule a ultrapassar seus limites alguém que te dê suporte e autonomia para te guiar nos momentos de confusão...
— E essa pessoa é a Drª Shalton?— Pergunto o encarando.
— Era, não é mais eu a desencorajei a continuar com seu caso.— Ele diz sério.
— Por que?
— Por que ela colocou—se em risco. Por mais que ela diga que faria o que fez por qualquer outro ser humano eu não posso deixar que o que ela ama fazer a machuque.— Disse como um pai que protege sua filha.
— Eu entendo, o senhor tem algum outro médico para me encaminhar?
—Bem no momento não, sua avó é bem rigorosa na questão do staff de médicos aqui desse hospital só entra quem ela aprova.
— Sei e quanto a prescrever medicações? Isso o senhor pode não é?
— Poder, poder não posso mais abrirei essa exceção para o senhor, passarei os remédios de praxe ok!?Ansiolíticos e ante depressivos mais tome apenas a quantidade indicada na receita.
— Certo.
—E senhor Carson o senhor sabe que a chave para cura do TDI é a coragem não é!?
— É...eu sei.
— Então eu espero que o senhor tenha sucesso em se libertar do seu passado.— Ele falou e eu tremi pois por mais que eu não lembrasse de nada eu sabia que não eram coisas boas.
— Muito obrigado doutor e por favor me avise se surgi outro especialista em TDI.
— Avisarei sim senhor Carson pode ficar tranquilo e se o senhor precisar conversar pode me procurar, aqui fique com meu cartão.— Ele falou— O senhor precisa de mais alguma coisa?
— No momento não muito obrigado e até mais.
— Até.
Saí da sala do Drº Esdras pensando no que ele disse e fui ao encontro de Enzo novamente.
— E então você conseguiu o que queria?— En perguntou assim que cheguei.
— Consegui as receitas dos remédios porém não consegui convencê-lo a ser meu médico.— Falo o encarando.
— Você foi pedir isso a ele?!Eu não já tinha dito que assim que ele viu o seu dossiê ele recusou de imediato.
— Eu tinha que tentar Enzo e também pedi para ele me avisar se aparecer outro médico especializado em TDI.
— Você irá mesmo recusar a Ester?!Cara, eu nem sei mais o que te dizer.— Ele diz chateado.
—Então não diga nada continue ao meu lado e isso será o suficiente.
— Sei...A tal da Jully já está a sua espera.
—Certo vamos lá..
Nós seguimos para o elevador e logo chegamos no andar do quarto onde a mulher que um dia conheci estava. Eu não conseguia me sentir ansioso ou curioso a única coisa que eu sentia era apreensão. Otávio bateu na porta do quarto e logo ouvimos o entre dito por uma doce voz. Abrimos a porta e entramos mais eu logo fui surpreendido por dois braços finos ao redor do meu pescoço.
— Me diz que agora é o meu Otávio!?— A garota disse no meu ouvido. — Delicadamente a afastei e a olhei bem. Ela tinha o rosto da Jully os olhos dela, porém seu cabelo estava bem maior do que a última vez que a vi.
— Sou o Otávio July. — Falo aliviado por vê-la viva e bem. Logo Enzo saiu e nos deixou a sós.
Nós conversamos por horas ela me contou que tinha sido sequestrada e tudo que ela passou no cativeiro e disse que saiu de lá com a ajuda de um homem que também era refém, porém ela não conseguiu convence-lo a sair com ela. Nossas histórias batiam até o ponto do acidente onde tudo ficou confuso e nenhum de nós tínhamos lembranças exatas desse momento.
— Aí Oto eu fiquei tão feliz quando vi suas fotos na revista nunca fiquei tão agradecida por existir paparazzi.— Ela falou sorrindo
— E qual foi a foto que viu?
— Foi a da sua chegada, você estava no aeroporto. Imediatamente arrumei minhas coisas e vim te encontrar com alguns dias aqui na cidade sofri um acidente e agora estou aqui o que foi uma grande sorte pois a médica que cuidou de mim é a mesma que cuida de você.
— Você conhece a Dr. Shalton?
— Sim foi ela que me operou. E...ela também me explicou o seu problema.
— Você sabe sobre o TDI!?
— Sim e conheci duas personalidades suas.
— Você...
— Conheci o Anthony e o Marcos a doutora Brandon me contou tudo sobre eles, eu só não entendo por que você escondeu isso quando nos conhecemos. Eu estive por um tempo com uma personalidade além de você não foi?!— Ela perguntou e eu concordei.— Eu pensei que você só fosse depressivo naquela época.
— É foi o Caio que você conheceu e realmente ele é depressivo, eu quero te pedir desculpas pelo que o Anthony e o Marcos possam ter feito.— Falo envergonhado
— Que é isso está tudo bem a Drª Shalton controlou muito bem a situação.
— Sei, mais me conte o que você lembra das pessoas que te sequestram?
— Nada, pois eu só os via de capuz e eles não falavam nem comigo nem com o outro homem que estava lá.
— Esse homem já estava lá quando você chegou ou ele chegou depois?
— Ele já estava lá, acho que a bastante tempo até. E ele também não podia falar pois se as pessoas que nos levaram ouvissem nossas vozes nós apanhávamos.
— E o nome dele?
— Ele não lembrava de nada sobre ele. Otávio? Eu tenho algo para te pedir...
— O que?
— Vamos buscar esse homem?
— Você lembra onde você estava?
— Não. Mas eu posso tentar me lembrar.
— Certo veremos isso depois e com calma. Agora, você já recebeu alta?
— Não a Drª.Brandon, disse que amanhã ela me libera aí voltarei para o hotel.
— Hotel!?Nem pensar você pode ficar lá em casa.
— Sério?! Eu não quero incomodar.
— Não será incomodo algum. Passarei aqui amanhã para te pegar agora eu tenho que ir ainda irei a empresa, você já tem o número do telefone do Enzo?
—Sim
—Então qualquer coisa que você precisar entre em contato. Ah! Em qual hotel você estava hospedada?
—No Bird Park.
— Certo, ligue para lá e autorize a retirada de suas coisas eu irei leva-las para minha casa.
— Você tem certeza?
— Sim.
— Ok.É...Oto? Nosso relacionamento ainda existe?— Ela perguntou hesitante.
— No momento eu acho que não, é complicado então vamos com calma certo!?
— Eu te entendo pode ficar tranquilo.— Ela disse sorrindo.
Depois de conversar com a July chamei Enzo para irmos embora e no caminho passamos pelo hotel e pegamos as coisas da Jully.
— Você tem certeza que levará ela para sua casa Oto?— Enzo perguntou depois que pegamos apenas uma mochila que havia no quarto.
— Tenho sim, ela não tem família a única pessoa que ela conhece aqui sou eu e minha casa é grande o suficiente para nós dois.— Falei enquanto acertávamos a conta do quarto.
—Lembrando que não é só você que mora lá.— Enzo falou arqueando uma sobrancelha.
— Ninguém irá aparecer manterei tudo sobre controle.— Falei tentando acreditar em minhas próprias palavras.— Disse enquanto caminhávamos para o carro.
— Será que as medicações serão suficientes dessa vez?
— Talvez.
— É realmente pode funcionar afinal agora você está um pouco mais feliz, não é? Você reencontrou um amor do passado, ela está viva e bem então é uma culpa a menos para você, não é?
Ouvi atentamente as palavras de Enzo e eu não pude deixar de procurar a tal alegria, eu estava aliviado, feliz? Não. Eu realmente me culpava pela suposta morte de Julia afinal eu estava dirigindo quando o acidente aconteceu. E sobre amor será que um dia eu já senti isso? Eu tenho certeza que não.
— Chegamos Oto .— Enzo falou me despertando e quando vi estávamos em minha casa.
— Por que viemos pra cá?
— Você tem que descansar hoje afinal você foi sequestrado.
—Mas eu estou bem.— Falo contrariado.
— Não tem nada pra você fazer na empresa então apenas descanse hoje e amanhã esteja preparado pois logo cedo o detetive vai ir ao escritório.
— Detetive? Por que?
— Aff....Eu vou contratar Ester para me tratar eu juro que estou ficando louco!— Enzo reclamava bagunçando seus cabelos.— Tá calma, respira cara...Ufa...Então é o seguinte Anthony sequestrou seu tio o Josh, depois ele descobriu o plano sobre a Ester, aí ele fez um escândalo no hospital quando viu a Julia e depois o Marcos apareceu e explodiu um carro aliais o Marcos ficou por aqui dois dias e ele também não foi com a cara da loira, depois o Caio apareceu e falou com o detetive e ele quase te ferra pois por causa dele o detetive queria conseguir uma prisão preventiva contra você. Aí depois aconteceu o sequestro e agora você está aqui. — Ele falou em um só folego enquanto afrouxava sua gravata.
— Nossa!
— É nossa, agora cara por favor entra, descansa, dorme e por tudo que é mais sagrado não suma!
— Certo eu vou tentar. E... Obrigado cara, sem você eu estaria perdido. — Falo constrangido por dar tanto trabalho.
— Amigos são para essas coisas, agora vaza!
Ele falou rindo e logo eu saí do carro.
Entrei em casa e tudo estava silencioso sem risos e conversas ao entrar mais na sala vi que a luz do quarto que era de Ester estava acesa, dona Rosa estava lá dentro arrumando uma quantidade enorme de ursos de pelúcia em uma caixa.
— Rosa!?
—Menino Otávio! Gracias a Dios!!!Tu estás bien?
— Sim estou bem sim. O que a senhora está fazendo?— Pergunto olhando as coisas embaladas.
— Então é que a menina Ester ligou e disse para que eu guardasse as coisas dela que alguém vem buscar mais tarde. E o Anthony mandou entregar todos esses presentes para ela e também o senhor Enzo pediu para que eu arrumasse um quarto para um hospede novo, então irei desocupar esse quarto para a nova visita.— Enquanto Rosa falava eu observava o quarto, em apenas uma semana Ester deixou marcas suas, seus livros e cadernos estavam na escrivaninha seu moletom rosa no encosto da cadeira e em cima da cama tinha um pequeno urso.
— Ninguém irá usar este quarto Rosa e nada sairá daqui se a dona quiser ela terá que buscar pessoalmente.— Falo sentindo uma repentina onda de adrenalina no corpo.
— Mas menino!? Ela questiona sem entender.
— Sem mais Rosa.— Falei e a deixei sozinha. Já no meu quarto decido tomar um banho e depois deitar um pouco mesmo correndo o risco de dormir. Enquanto estava no banho lembrei das palavras de Ester e Anthony, se afastar a todos não me ajudou em nada agora faria o contrário e eu quero ver o tão não convencional a Drª Shalton é.
Já deitado em minha cama fiquei pensando em tudo que Enzo me contou e quando menos esperei dormi.
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