Me Mate, Me Ame
38 Ester
Otávio nem olhou para mim ele apenas fechou a porta ao sair e eu desabei sobre o sofá, eu estava irritada comigo e com a minha boca grande, eu falei o que não devia e acabei o pressionando rápido demais e eu tinha certeza que ele nunca mais deixaria eu me aproximar e talvez isso seja bom pois me dará tempo para investigar a tal noiva misteriosa eu não iria conseguir viver em paz comigo mesma sabendo que algo de errado está acontecendo.
— Ester!?Ué o que foi? Que cara é essa? — Aline entrou no quarto falando.
— Nada, você não iria em casa? — Falo desanimada
— É eu estava saindo quando o detetive Aragão apareceu querendo falar com você.
— Sei, pode deixar que ele entre.— Falo me ajeitando melhor na ridícula bata do hospital.
— Tem certeza? – Ela pergunta hesitante
— Tenho sim e eu quero que você me espere para irmos juntas para casa.
— Mais...
— Sem mais Aline eu estou ótima, só quero a minha cama.
— Tudo bem, vou te esperar. — Ela disse e saiu. Logo depois o detetive entrou.
— Olá Drª Shalton! Fico aliviado em vê-la bem. — Falou me estendendo a mão.
—Olá senhor detetive. Em que posso te ajudar? — Pergunto aceitando seu cumprimento.
— Conte tudo o que a senhorita consegue se lembrar do sequestro por favor. Todos os pequenos detalhes são importantes.
— Certo. Om a perseguição começou assim que o... — E então eu falei contei tudo ao detetive os mínimos detalhes e tentei ser o mais precisa possível com a localização da cabana.
— Entendo senhorita quer dizer que vocês andaram em torno de duas ou três horas no sentido da pista i355?
— Isso.
— E o tiro foi dado por uma pessoa que estava em um carro em movimento?
— Sim
— E a explosão? Como foi que ocorreu?
— Eu não sei, depois do tiro eu desmaiei.
— Certo, no carro foi encontrado um corpo carbonizado só que o motorista e o segurança do senhor Carson dizem ter visto o vulto de duas pessoas, ou seja, provavelmente alguém fugiu, então eu peço que a senhorita tome cuidado a partir de agora.
— Certo, tomarei sim. E... detetive?!Sobre o sequestro do tio do senhor Carson, o que foi resolvido?
— Ah, ele está bem, disse que não foi sequestrado não ele apenas teve uma viagem de emergência, mas já está de volta.— Ele explicou apressado e eu não consegui acreditar em uma única virgula.
— Sei, e quando foi que ele voltou?
— Ontem. Mais alguma pergunta senhorita?
— Não. Muito obrigada por ter vindo e espero que as informações que lhe dei possam lhe ajudar em alguma coisa.
— Com certeza ajudará. Passar bem doutora, passar bem.
Eu não sei o que é mais estranho esse detetive, o tio de Otávio, o sequestro ou a tal noiva misteriosa. Eu definitivamente irei enlouquecer.
Mais de uma coisa eu tinha certeza eu iria desvendar esse mistério custe o que custar.
*************************************
Já em casa depois de um belo banho e uma sopa quentinha eu estava deitada confortavelmente em minha cama, mas a minha cabeça não me dava trégua, eu já tinha escrito todos os meus pensamentos sobre tudo que aconteceu e ainda não conseguia encaixar todas as peças.
— Ei Jed!— Falei assim que peguei o telefone e disquei o número dele.
— Olha só quem apareceu...Onde você estava Ester?— Falou com sarcasmo.
— Ei pode parar eu avisei a mãe que iria viajar a trabalho, viajei e já voltei.
— Pra onde você foi Ester?
— Eu...eu..fui..— Me enrolei ao tentar criar uma desculpa convincente, droga, eu odiava mentir pro meu irmão.
— É mentira. E conte a verdade agora! — Pediu exigente e autoritário como sempre.
— Tá...Vem aqui pra casa de noite, traz pizza e vinho que te contarei tudo.
— Sei, acho bom mesmo.
— É sério Jed e eu irei precisar da sua ajuda.
— Minha? Por que?
— É um mistério que temos que desvendar.
— É algo com você? —Perguntou preocupado.
— Não, pode ficar tranquilo.
—Certo. Pizza de frango com catupiry?
— Sempre, você é o melhor e eu amo você!
— Sei puxa saco. Até daqui a pouco.
— Até! — Ele disse e desligou.
Depois de falar com Jed decidi ligar para casa de Otávio.
— Alô!?— Ouvi a voz cantada da dona Rosa.
— Dona Rosa, sou eu a Ester.
— Menina Ester! Como você está tica?
— Eu estou bem dona Rosa graças aos céus tudo deu certo.
—i Gracias a dios! O menino Otávio está bem também não é?
— Sim ele está bem sim, ele não chegou aí ainda?— Pergunto curiosa
— Não ainda não.— Ela respondeu e eu não pude de imaginar onde Otávio estaria.
— Certo, ouça dona Rosa eu preciso que a senhora junte as minhas coisas que estão aí não as roupas que Anthony comprou eu quero apenas a mochila que eu levei meu caderno e livros que estão na escrivaninha.— Digo suspirando ao lembrar do bonito quarto que usava e também do ursinho que ganhei de Anthony.
— Mais por que menina você não voltará pra cá?
— Não dona Rosa, Otávio descobriu tudo ele até já me dispensou.
— Sério?! Oh, mas e agora? Tudo estava indo tão bem o menino Enzo estava tão empolgado achando que tudo daria certo agora. — Ela falou pesarosa.
— É dona Rosa mais infelizmente a pessoa mais importante disso tudo não compartilha dessa empolgação e nós não podemos força—lo a nada. — Digo chateada com a decisão de Otávio.
— Eu entendo menina, mas você ainda continuará por perto, não é? Você realmente vai levar a sério o que falou ao menino En?
— Do que a senhora está falando? — Pergunto sem entender o que ela falava.
— Sobre amizade niña.
— Com certeza dona Rosa. Eu acabei me afeiçoando a todos vocês.
— Que bom então, tenho certeza que te verei em breve. — Ela disse e eu percebi que ela sorria enquanto falava.
—Assim espero dona Rosa assim espero. — Digo suspirando.
Encerramos a ligação e eu decido tirar um pequeno cochilo para relaxar meu corpo tenso.
*************************************
Acordei umas três horas depois e dei uma pequena geral no meu apartamento nada muito exagerado para não magoar meu ombro e quando menos esperei a noite havia chegado trazendo com ela uma Aline agitada e totalmente curiosa sobre tudo que aconteceu e com um time perfeito meu irmão se juntou a nós. E então nos sentamos no chão da minha sala e comemos pizza e tomamos vinho enquanto eu narrava aos dois tudo o que aconteceu.
—Ester eu não acredito que você se meteu em uma situação dessa, mas eu sabia, no dia em que você foi me buscar no aeroporto e eu te vi frente a frente com aquele cara dos olhos frios eu tive a certeza que coisa boa dali não sairia.— Jered falou chateado.
—Nosso tipo parece até coisa de filme Ester, você o encontrou no aeroporto e logo depois na boate virou médica dele, nossa é muito incrível. — Aline falou empolgada.
— Incrivelmente perigoso você quer dizer né tampinha?!— Jered revidou provocando Aline.
—Só se for pra você que é frouxo! — Aline disse o estapeando.
—Gente, gente para! Ainda tem mais.
—Mais? — Jered perguntou indignado.
— Sim ouça, aquele dia no aeroporto Anthony disse...Lembre-se, lembre—se do meu olhar, esse homem que tem o mesmo rosto mais não esses olhos não sou eu. — Falei sendo acompanhada pela voz dos dois que fizeram coro comigo. —Vocês lembram!
—Você está brincando? Eu sonhei com essa frase...
—Cala boca Aline eca!!!— Jered disse chateado. — E sim eu também decorei. – Falou com a expressão fechada.
— Ótimo. Então você também deve se recordar do garoto que eu desenhava quando era pequena?
—O garoto do pirulito? Não era eu? — Pergunta franzindo o cenho
—Não, eu nunca disseque achava que era você, mas eu me lembrei quem era o menino. E vocês não vão acreditar em quem é ele...
—NÃO BRINCA!!!!! —Aline gritou ao ligar os pontos.
—Ele mesmo. — Digo e vejo a boca de Aline se abrir em espanto.
—O que? Quem é ?— Jed pergunta sem entender.
—É o Otávio Carson mano. — Digo
— Não, é sério? — Jed pergunta pálido de repente.
—Super sério.
—Mais ele... Se for realmente ele...— Jered balbucia sem acreditar— Eu preciso ver uma foto dele quando ele era criança. —Jered diz de repente.
—Por que Jed? O que você está pensando?
—Eu não tenho certeza Ester, mas se for o mesmo garoto que você via na cerca for o mesmo que chegou no mesmo dia que eu, existe uma coisa muito grave que terei que investigar pra ter certeza do que eu vi uma vez.
—O que Jed? — Pergunto sentindo um frio na espinha e um mal pressentimento.
— Por agora não posso falar, mas eu quero o nome completo dele e uma foto dele quando criança. Irei investigar isso de perto.
—Você irá nos ajudar?
—Sim pois o que eu vi foi algo muito sério e se isso tiver haver com a condição dele hoje eu te ajudarei. – Ele falou sério, sério até demais se tratando do meu irmão.
—Ok, isso é bom só que temos outras duas linhas de investigação para seguir. — Digo e eles me olham espantados.— Tem o tal tio que sumiu e do nada apareceu e tem a noiva estranha e misteriosa.
—Você foi dispensada do caso e ainda sim ficará futucando a história dele sem ele saber Ester? – Jed pergunta sério.
—Eu não irei conseguir seguir a diante sem ajudar o Enzo de alguma forma Jed, ele realmente sofre pelo amigo e também Otávio não tem uma vida, ele não tem paz, você gostaria de viver assim?
—Não.
—Ótimo, que bom então que você entende.
—É Ester... Eu posso te ajudar com relação a noiva, eu fiquei um tempo com ela e eu tenho uma suspeita de diagnóstico para ela. — Aline comenta
— Sério? Você acha que ela é doente também? — Pergunto assustada
— Certeza eu não tenho só que ela apresentou alguns traços de TPB.
—O que? Não, para Aline você quer é me enlouquecer de vez. — Digo passando as minhas mãos em meu rosto, eu começava a sentir meu corpo formigar de nervoso.
—O que é TPB?— Jed pergunta perdido no assunto.
— TPB é um transtorno também, é chamado de Transtorno de personalidade borderline. É quando uma pessoa fica perdida entre suas emoções, elas não tem controle sobre o que sente, quando está alegre está alegre demais, ódio é ódio demais e assim vai com eles é preto ou branco, oito ou oitenta.— Aline explica de forma clara.
—E uma pessoa assim é em muitos casos perigosa, pois é volátil e totalmente descontrolada e instável.
—Ou seja perigosa?!— Jered diz
—Sim mais ou menos isso. — Eu digo cansada – Você acha que consegue lidar com isso Aline?
—Eu ainda não tenho certeza se é realmente TPB Ester, até ter essa certeza ficarei bem, me aproximarei dela como amiga e verei até onde ir. Ela teve algumas oscilações de humor mais ainda não tenho certeza.
—Certo só tenha cuidado lembre—se do sentido de posse e abandono que os borderline tem muito forte.
— Certo ficarei atenta.
— Vocês são duas loucas com tanta profissão legal no mundo vocês escolhem mexer com doidos. — Jed resmunga pegando seu celular que estava tocando.
— Oi pai!?Eu estou no apartamento da Ester, hum, amigo meu? Ele está aí? Bêbado? Não quer ir embora? — Jered repetia aleatoriamente as palavras do nosso pai. E enquanto isso eu me deliciava com mais vinho e pensava na loucura que estávamos vivendo. — Qual o nome dele? Oi o nome que ele disse é Marcos? — Jered diz e o vinho que estava em minha boca foi totalmente cuspido e o pensamento que me fez gargalhar foi....
Foda—se Otávio, você não decide nada!
*************************************
Fale com o autor