Me Mate, Me Ame
39 Ester
Saímos apressados do meu apartamento nenhum de nós estava em condição de dirigir então pegamos um taxi e seguimos para casa dos meus pais já passava das dez da noite e a cidade estava a todo vapor. O restaurante do meu pai estava cheio e logo fomos notados quando chegamos infelizmente alguns conhecidos que por ali estavam nos chamaram para conversar, fui educada ao extremo e logo estava indo para a cozinha da minha mãe no caminho passei por Mike que estava no caixa.
—Ei Mike! Boa noite!
—Oi Ester boa noite. Como foi a viajem? Deu tudo certo? — Pergunta sorrindo para mim, Mike é aquele tipo de cara que toda mãe sonha em ter como genro menos a minha pois ela o achava certinho demais ele era sem tempero como ela costuma dizer e que apesar de ser lindo a boa aparência não diz que a comida está boa.
—Foi tudo ok. Minha mãe está por aí? — Pergunto encostada no grande balcão de madeira, todo o restaurante tinha moveis de madeira rustica o ambiente era aconchegante e acolhedor ideal para casais.
—Sua mãe está com o seu pai e o amigo do Jered, o cara estava meio alterado falando alto em espanhol então para evitar confusão eles o levaram para casa de vocês.
—Hum...Entendi, bom eu irei ver eles agora até depois.
—Até.
Caminhei apressada até a casa onde cresci, encontrei a porta da cozinha entre aberta e por ela pude ver meus pais sentados à mesa entretidos em uma conversa que parecia bastante engraçada com o Marcos, esse hoje estava vestido com um terno branco com uma camisa preta florida e em sua cabeça tinha um chapéu branco também. Ele falava com a voz arrastada e o sotaque espanhol estava bem acentuado.
—... Así que dije, he visto ese barco primero y el otro hombre dijo no quién vio fue él él me desafió dijo que quien cogiera el mayor pescado quedaría con el barco, ahora vea bien yo de esa edad siendo desafiado por un niño, pero no sé qué es lo que más me gusta de mi. .— Marcos discursava empolgado, minha mãe o encarava com um sorriso no rosto e com os olhos brilhantes e meu pai bem esse tinha a seu bigode sendo alisado com frequência, mania essa que era muito conhecida e nos dizia que ele não estava acreditando na história.
— E aí você não vai entrar?— Me assustei com a voz de Jered atrás de mim.
— Idiotia que susto! E... eu não sei se é uma coisa boa mostrar aos nossos pais que eu conheço o Otávio.— Falo coçando minha cabeça.
— É realmente vai ser a maior confusão se souberem que ele é um paciente seu, agora esse Marcos é uma das personalidades não é?!É o do avião.— Jed fala espiando também.
—Sim, de todos ele parece ser o mais sensato, porém também é estranho, ele se diz ser um homem de quarenta e cinco anos, porém age como um playboy de vinte. É maduro em alguns aspectos e bobo em outros. — Explico rapidamente.
—Eu hein, e o que você quer que eu faça?
—Faz o seguinte tira ele daqui, tente convencê—lo a ir a algum lugar com você e então o levaremos para casa dele. – Falo formando o plano em minha cabeça.
—E se ele não quiser sair? — Pergunta coçando a cabeça.— Precisamos de um plano B.
—Certo, seu celular está aí? — Ele assente com a cabeça— Ótimo se ele relutar em sair eu irei te ligar aí você passa o telefone pra ele.
—Ok.
—Vai agora vá lá vai...— Falo o empurrando para dentro.
O vejo entrar sem jeito surpreendendo os que estavam lá dentro e não posso deixar de rir um pouco da situação.
——Hora veja só quem se juntou a nós! Vê esqueceu do seu amigo, onde já se viu?!Vem filho senta vem ouvir o que ele está falando. — Minha mãe disse animada se levantando e abraçando meu irmão.
—Ah...mãe sabe o que é... é que eu esqueci que o Marcos viria para daqui irmos a um lugar juntos...— Jered falar enrolado.
—E marcamos alguma coisa brother?— Marcos pergunta.
—Você não se lembra? Marcamos no avião...— Jered tenta soar convincente.
—Veja bem eu não lembro de nada, mas também eu estava bebendo lá e estou bebendo aqui, sendo assim a palavra de um bêbedo veterano tem que ser levada a sério, não é? Se eu marquei com você eu marquei e então está marcado. Vamos? — Marcos falou já se levantando com dificuldade, ele se apoiou na mesa e Jed correu para ajudá—lo.
—Caramba ele está mais bêbado que um gambá. Que horas ele começou a beber? — Jered perguntou ao meu pai que correu para ajudá-lo a segurar o Marcos que quase caia.
—Ele chegou aqui era umas oito e então começou a provar a nossa cerveja, ele tomou de todos os sabores e depois pediu tequila e por último tomou uma garrafa de vinho sozinho. — Minha mãe falou.
—Caramba ele não tem fundo?!Vamos Marcos me ajuda aí! —Jered reclamou já que Marcos não parecia querer fazer nenhum pingo de força para sair do lugar.
—A—J—U—D—A, ajudam, ajuda eu conheci alguém que disse que irá ajudar todo mundo...— Marcos falava arrastado.
— Filho não é melhor deixar ele aqui? Ele está muito bêbado e pela cor do seu rosto você também andou bebendo. — Meu pai falou segurando em um dos braços do Marcos.
—Não, está tudo bem pai. Ele está acostumado a andar de taxi assim e eu estou bem. Pode ficar tranquilo, só chame um taxi por favor irei com ele até a casa dele e depois volto no mesmo carro.
—Jed ouça o seu pai, já está tarde filho.— Minha mãe intervêm.
—É Jedssssssssss oído tu madre! E yo quiero vê a sua hermanita!— Marcos soltou
—Ele conhece a Ester? — Meu pai pergunta soltando o Marcos que cai sentado na cadeira de novo e acaba derrubando o Jed.
—Aí!!Poxa pai o senhor tinha que soltá—lo?!—Jed reclama se levantando enquanto Marcos ri descontrolado me fazendo rir da situação também. — Ele conheceu a Ester no aeroporto no dia em que cheguei de viajem.
—Sei. — Meu pai diz alisando o seu bigode. — E como foi que ele chegou até aqui?
—Ah, eu dei um cartão do restaurante a ele. Vamos Marcos vem vou te levar pra casa.— Jered fala o pegando pelo braço de novo.
—Não. Faz assim chama a Ester aqui eu quero tomar vinho e comer pizza com ela e a Aline!— Marcos fala e eu fico gelada, Jered está mortalmente pálido e meus pais olham a situação com ar desconfiado. Não querendo prolongar a confusão pego meu celular e ligo para o número de Jed.
—Oi? — Ele diz nervoso.
—Passa pra ele.
—Demorou hein!!! — Jered reclama e entrega o celular a Marcos.
—O que? Quem é? Eu não quero falar com ninguém! — Marcos fala afastando o telefone.
—É alguém que você quer ver cara. — Jered fala o persuadindo a pegar o telefone.
—Doctora?! Cadê você? — Essa é a primeira frase que ouço de Marcos assim que ele pega o telefone. E eu gemo internamente
—Sou eu Marcos ouça com atenção e não diga nada apenas concorde, você pode fazer isso?
—Sí!
—Ótimo, ouça eu estou no taxi...— Falo já correndo para frente do restaurante e aceno para o primeiro taxi que passava. — Aqui na frente do restaurante dos meus pais, venha sem fazer alarde por favor acompanhe Jered.
— Certo estou indo. — Ele fala e eu ainda posso escutar as vozes dos meus pais pedindo para ele ter cuidado. Alguns minutos depois vejo os dois aparecendo na frente do restaurante, abri a porta do carro e saí chamando os dois. Eles vieram em minha direção e logo entraram no taxi e saímos dali.
—Buena noite doctora! Para onde iremos agora?— Marcos pergunta se inclinando para perto de mim, mais Jered o puxa de volta.— Aff por que esse moleque vai junto?— Reclama cruzando os braços.
—Porque eu não vou te deixar só com a minha irmã.
— Aff maricon.— Marcos e Jered seguiram por boa parte do caminho se provocando. Eu já estava irritada e envergonhada pois o motorista do taxi estava bem atento as baboseiras ditas.
— Meninos por favor chega! Calem a boca um pouco. — Pedi massageando minhas têmporas.
— Eu não sou um menino doctora, sou um homem mais velho que você tenho quase a idade do seu pai, então me respeite você sua pirralha.— Marcos falou com indignação mais sua voz continuava arrastada por causa de seu estado alcoolizado. E isso arrancou risos do motorista e de Jered.
— Senhor por favor não dê importância os dois estão bêbados.— Falo com o motorista em tom de desculpa.— Ele apenas dá de ombros e continua a dirigir.
— Ei eu não estou bêbado nada Ester!— Reclama Jed.
— Sei, sei. Ei Marcos o que você foi fazer no restaurante do meu pai?— Pergunto.
— Fui comer e beber com meu amigo Jeredizinho, mas ele não estava lá, aí experimentei as cervejas do seu pai e me apresentei como amigo do filho dele daí ele me contou mais dos filhos e tcharam.. Me mostrou uma foto de vocês dois.— Falou de forma engraçada e enfiou os dedos indicadores no meu rosto e no de Jered.
— Como você descobriu o endereço?—Perguntei ao Marcos e ele apenas deu de ombros e apontou pro meu irmão .
— Que???Eu apenas dei um cartão a ele no avião e isso foi quando eu o achava legal.— Jered falou se defendendo.
—Ei eu sou legal!— Reclamou o Marcos
—Certo discutir que é legal ou não, não fará diferença apenas fiquem quietinhos, olha só já estamos chegando! —Falo aliviada ao ver que já estávamos na rua de Otávio.
—Iiii doctora se eu ficar quieto você não vai saber de uma coisa muito legal...—Marcos fala pegando uma mecha do meu cabelo e colocando presa entre seu nariz e boca como se fosse um bigode.
—Em casa você me fala que tal? — Digo tirando meu cabelo de sua mão.
—Casa, casa...Isso aí parece mais é um mausoléu sem calor e vida. —Reclama chateado.
—Bem é o que temos pra hoje. Obrigada moço e desculpas as besteiras que o senhor ouviu, pode ficar com o troco.— Falo om o motorista assim que ele para em frente à casa de Otávio.
—Vamos cara se mexe! —Jered reclama puxando o Marcos de dentro do carro.
—Eu não querooo entraaarrr!!!!!!—Choramingou o Marcos
—Por que?
—Eu vou ficar sozinho aí! — Ele fala finalmente saindo do carro.
—Não vai não, ficaremos com você por hoje. —Jed diz antes de mim.— Que? Eu sei que você iria inventar isso, porém eu não vou te deixar aqui sozinha com ele. —Jered falou quando o encarei sem entender suas palavras.
—Valeu Jed!
—É ééé...valeu Jedssssssssss!!!!— Marcos repetiu minhas palavras. Nós seguimos para entrada e logo um segurança apareceu.
— Senhor Carson, doutora!?O que aconteceu? — Pergunta assumindo o meu lugar ao lado do Marcos
—Aconteceu que vocês sempre o deixam sair só e ele sempre se mete em confusão. Eu irei falar com Enzo esse tipo de segurança que vocês são e nada é a mesma coisa.— Falo chateada.
—Desculpe senhorita isso não irá se repetir.— Se desculpa sem graça.
— Assim espero. Levem ele para tomar um banho, eu vou fazer um café forte pra ele. — Falo já indo para cozinha. Enquanto preparava o café não pude deixar de pensar nas palavras de Marcos, ele descobriu a minha família e me encontrou por coincidência afinal eu não tinha dito qual era o restaurante do meu pai. Como diz Aline parece coisa de filme credo. Agora ele já sabe onde minha família vive, droga isso não vai prestar sinto que confusões virão por aí.
—Prontinho seu beberrão já está de banho tomado, ele está se vestindo agora. — Jed diz se apoiando no balcão da cozinha.— Casa legal essa. — Ele comenta olhando ao redor.
—É sim você quer café também?
— Não eu quero um banho pode ser?
—Claro, aquele quarto ali na frente era o que eu usava, lá tem banheiro tome um banho que conseguirei algo pra você vestir.
— Algo do maluco? E se ele não gostar?
—Ele não é maluco Jed. — Digo suspirando.— E o quarto das personas tem tanta roupa que eu duvido que Otávio se incomode.
—Bom se é assim tudo bem. — Jered seguiu para o quarto que era meu e eu subi para pegar um moletom de alguém para ele e aproveitei para levar o café do Marcos.
Ao chegar no corredor notei a porta do quarto de Otávio aberta espiei e encontrei o Marcos vestido apenas de calça de moletom, ele estava sem camisa e se encarava fixamente no espelho. Ele parecia estar conversando com alguém pois balançava sua cabeça negando alguma coisa. Bato na porta para ser notada e o homem a minha frente vira—se assustado e antes de falar qualquer coisa olha novamente para o espelho como se fosse para confirmar que quem estava lá tivesse sumido.
—Oi você está bem? — Pergunto notando seu comportamento estranho.
—O—i—i eu estou bem sim doctora! Nada como um bom banho, não é?!—Fala pegando a xicara que eu oferecia.
—É verdade, e então você irá me contar o que de tão legal aconteceu?— Pergunto cruzando meu braços.
— Curiosa? —Ele pergunta cm um sorriso brincando em seus lábios e eu não posso mais uma vez negar o quão bonito esse homem é.
—Muito. Mas antes tenho algo a te pedir. — Digo me sentindo aquecer com o timbre de sua voz.
—Diga. — Ele diz enquanto toma um gole do café.
—Preciso que você empreste uma roupa sua para meu irmão. — Peço sem graça.
—Claro, por que não emprestaria? Pode pegar o que você quiser. — Ele diz e se vira de volta para o espelho.
—Certo eu vou pegar, levar e volto para conversarmos ok?! — Falo já saindo do quarto e ele apenas balança a cabeça em concordância.
Rapidamente entro no closet das personas e pego um moletom qualquer e levo a Jered que ainda está no banheiro. Quase correndo subo as escadas novamente e o vejo de frente para o espelho ainda.
—Não eu não irei pedir pra ela colocar ninguém pra dormir. Não é assim que resolveremos as coisas Anthony. Você é quem tem as memórias então se fosse pra alguém dormir esse alguém deveria ser você que no momento que abrir a boca acabará com todos nós! Você quer isso? Bom, foi o que pensei seu moleque mimado! — Ele gesticulava para o espelho.
Ele estava falando com Anthony então, eu não sabia que as personas se comunicavam. Eu tinha a noção de que as vozes eram ouvidas pelo paciente com TDI mais nunca tinha visto a interação entre duas personas. Resolvo me fazer notada então pigarreio e ele tem novamente aquela reação de olhar para frente e para trás para conferir se tem alguém no espelho.
—Então eu voltei, está tudo bem com você? —Pergunto para sondar o terreno.
—É digamos que sim.
—Que bom então, você irá me contar agora a coisa legal? — Pergunto andando pelo quarto e paro ao seu lado de frente para o grande espelho que tinha na parede, o espelho ia do teto ao chão e tomava quase toda uma parede. Marcos virou-se novamente pro espelho e encarou meu reflexo, ele estava um pouco tenso percebia-se por sua postura, porém seu rosto continuava mascarado com relaxamento assim como se ele fosse alguém realmente com muita experiência de vida e tudo o que ele estava passando nesse momento fosse apenas uma fase.
—Então sobre isso...Você é realmente médica, não é? — Ele pergunta coçando sua barba por fazer.
—Você sabe que sim. — Digo encarando seu reflexo também.
— Você já curou algum caso de TDI?
—Sozinha não, mais já trabalhei em uns casos com a equipe do hospital. — Digo sem entender onde ele queria chegar. – E também nenhum dos casos a pessoa tinha tantas personalidades assim como vocês. — Acrescento a verdade.
—E por que você decidiu aceitar o caso Carson?
—Por que é meu fascínio ajudar as pessoas com doenças mentais e o caso é um desafio e tanto para qualquer médico. E também por que eu me sensibilizei com a situação de vocês. — Digo e pela primeira vez vejo um sorriso diferente no rosto do Marcos.
—Fascínio, desafio, sensibilidade você realmente nos vê doutora? — Pergunta com sarcasmo.
—É claro que eu vejo, por que isso agora Marcos? Aconteceu alguma coisa eu fiz algo de errado para algum de vocês?
—Não, é só que por sua causa algo que nunca tinha acontecido aconteceu.
—O que? — Pergunto apreensiva
—No lugar em que ficamos geralmente é escuro, sabemos que tem cadeiras por que nos sentamos ou pelo menos é essa a sensação que temos. Nos conhecemos pelas poucas lembranças de Otávio isso quando ele não perde completamente a memória. Só que dessa vez depois do Caio sair todos nós ficamos reunidos em uma sala clara, vimos claramente um ao outro, falamos e ouvimos e Otávio e Anthony até se afrontaram mano a mano.— Enquanto Marcos falava minha boca se abria em choque.— E pela sua expressão você nunca ouviu que isso poderia acontecer com as personas não é?
—N-ã-ã-o eu já tinha estudado sobre isso, mas é muito raro de acontecer, e quando acontece significa que as memórias estão sendo compartilhadas por todos. — Digo o encarando ainda Marcos tinha seus olhos fixos nos meus.
—Você.
—O que? Eu o que? — Pergunto sem entender.
—Você é a memória que todos tem em comum agora, na realidade você é o nosso ponto de ligação. O nosso comum além do próprio Otávio e das malditas memórias que Anthony esconde. — Ele diz e eu aceno em compreensão, já sabendo que isso era esperado afinal o plano desde o início era esse, queríamos que as personas quisessem interagir comigo, porém o plano saiu melhor do esperávamos afinal as personas se encontraram.
— E o que aconteceu lá?
—Aconteceu Otávio sendo idiota como sempre e Anthony, bom esse só falou a verdade como sempre. O idiota disse que irá te proteger de nós. Você precisa ser protegida doctora? Você tem medo de mim? — Ele diz baixo e rouco ainda encarando meus olhos.
—Não. — Respondo sem pestanejar.
—Então você não irá se afastar, não é?
—Eu farei o possível para estar por perto Marcos, mas o Otávio já me dispensou.
—Argh!! aquele filho de uma mãe! Por isso Anthony quer tanto colocá-lo pra dormir. — Marcos resmungou socando o ar.
—Mas eu não vou desistir de vocês. E também não irei colocar ninguém pra dormir.
— E o que você fará?
— Levarei as coisas no ritmo de vocês, porém tudo será do meu jeito. — Digo e vejo os olhos verdes faiscarem em minha direção.
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