Me Mate, Me Ame
40 Ester
Depois da conversa séria onde falamos sobre todas as outras personas sobre o tempo de cada uma e o desabafo do sofrimento que é o confinamento de cada uma Marcos e eu fizemos um acordo onde eu iria ajudar cada persona a realizar seus desejos reprimidos por Otávio e Marcos se dispôs a tentar convencer Anthony a abrir a boca e devolver as lembranças para Otávio e mesmo sabendo que se Anthony aceitasse a proposta eles correriam o risco de desaparecer Marcos concordou, pois ele se dizia parte de um todo e não uma pequena fração. E eu lhe garanti que realmente ele era uma parte solta de Otávio que ele realmente existe e mesmo quando tudo acabar ele continuaria existindo dentro de Otávio e dentro do meu coração – mais essa parte eu não disse em voz alta, afinal meu coração é frágil.— Logo Jed apareceu perguntando o que estávamos fazendo e então resolvemos mudar de assunto e aliviar o clima, nós descemos e eu resolvi tomar um banho para tentar aliviar a minha cabeça pois eu estava surpresa afinal eu nunca imaginei que uma persona iria decidir tomar a frente e realmente optar pelo tratamento que pode terminar em seu sumiço, realmente a mente humana é uma caixinha de surpresas tão profunda que definitivamente pode nos fazer perdidos em segundos. Eu sinceramente achei que quem tomaria a decisão de passar por quase uma consulta fosse Otávio, mas Marcos realmente se mostrou maduro como ele mesmo diz maduro suficiente para encontrar o erro e corrigi—lo. E eu iria ajudá—lo a tornasse um com os seu eus.
Liguei para Aline que tinha ficado no apartamento e contei toda a conversa que tive com o Marcos ela assim como eu ficou muito surpresa coma atitude do mesmo e chegou a mesma conclusão que eu, as personas sofrem tanto quanto a persona principal. Depois de pronta e de ter conversado bastante com Aline voltei a sala e encontrei Jered mexendo no celular e o Marcos desmontando uma panela elétrica.
—Ele não dorme? — Jed perguntou baixinho assim que sentei do seu lado no sofá.
—Geralmente quando uma das personas aparece eles evitam dormir para não perder o tempo sabe!?— Falo alisando o cabelo do meu irmão
—Nossa deve ser uma barra viver assim, fico imaginando o quão cansado Otávio deve se sentir quando volta a si. — Ele falou pensativo.
—É realmente é difícil e muito constrangedor, se imagine acordando uma pessoa diferente a cada dia? E se imagine apanhar por coisas que você nunca nem imaginou fazer?
— Nossa eu não consigo nem me imaginar vivendo isso. Eu preciso dormir um pouco Ester vocês ficaram bem? – Ele perguntou bocejando e se ajeitando melhor no sofá.
—Pode dormir ficaremos bem e eu dormi hoje à tarde graças a Deus!!!
——Certo então qualquer coisa você grita certo?
—Pode deixar que gritarei bem alto. —Falo e o deixo no sofá. Vou até a cozinha e sento—me ao lado do Marcos que desmontava uma panela elétrica com os olhos brilhando como uma criança que brinca com seu melhor brinquedo.
—Ei o que você está fazendo? — Pergunto baixinho
—Ah...estou montando uma bomba. — Ele diz simplesmente
—U—uma bomba? — Gaguejo surpresa
—É uma bomba.
—Pra que você quer uma bomba as três da madrugada? — Pergunto temerosa
—A pra nada é só que quando estou entediado monto bombas.
— Certo, e o que você quer fazer para sair desse tédio? — Digo pensando rápido em uma maneira de afastá—lo daquilo
—Eu não sei estou realmente entediado não consigo pensar em nada. — Diz coçando a cabeça.
—Vamos jogar baralho?
—Já joguei com seu irmão.
—Vamos dançar?
—Não estou no clima.
—Você está com fome?
—Não. — Ele falou enquanto começava a fechar a bomba com fita isolante e eu começava a suar frio. Bom eu não tinha medo dele sem uma bomba, mas uma bomba caseira na mão dele me deixou praticamente borrada de medo.
— Ok então vamos conversar.
—Nós não já conversamos?
—Já maiis... eu nunca te contei do meu período na faculdade. — Falo ganhando sua atenção
—E o que você fazia de tão interessante na faculdade?
—Ah... Eu jogava pôquer apostado. — Digo e ele me encara
—Apostava o que doces?
—Não, dinheiro, bebidas e as vezes sexo. — Falo ganhando completamente sua atenção. — Quer jogar strip poker?— Pergunto o vendo engolir em seco
—Você não tem coragem. — Diz arqueando uma sobrancelha
—Tenho sim. — O desafio e então o vejo soltar a bombar e sentar mais largado na cadeira enquanto seus olhos famintos passavam por meu corpo.
—Esse é o seu modo de trabalho com todos os pacientes? — Ele pergunta coçando o queixo.
—Não eu só brinco assim com quem eu realmente considero meu amigo. Vou pegar uma cerveja você quer? —Falo e me levanto pois eu realmente precisava de uma bebida para aliviar a tensão. Enquanto mexia nos armários atrás de um copo vi um pacote com medicações prescritas para Otávio e quem as receitou foi o Drº Daniels, calmantes e ansiolíticos. Pensando em um novo plano nada ético decido preparar um suco para nós. —Bom acho que cerveja agora não cairá bem, um suco pra você está bom?
—Você vai jogar strip poker comigo sem uma gota de álcool no organismo? — Pergunta surpreso
—Você acha que não tenho coragem senhor Marcos? — Digo continuando a brincadeira.
—Bom essa eu quero ver.— Ele diz em tom de desafio, bem ele não me conhece, pela minha segurança a do meu irmão e dele mesmo eu faço qualquer coisa inclusive tirar a roupa enquanto o calmante faz efeito.— Eu aceito o suco sim, irei levar essas coisa lá em cima e trarei o baralho de novo.— Ele diz se levantando e levando as coisas.
É incrível como o porre dele passou rapidinho, bem se vê que o que estava no relatório é verdade ele é um tremendo alcoólatra. Fiz um suco de morango bem rapidinho e esfarelei o calmante no copo dele, coloquei tudo na mesa junto com amendoins e batatas fritas e sentei o esperando voltar, logo o filho da mãe apareceu vestido com três blusas esse sacana, sem vergonha, trapaceiro. Com um sorriso no rosto apenas disse : Espertinho você viu!
—Cada um joga com as armas que tem doctora!— Ele diz com um sorriso de tirar o fôlego enquanto me encarava, eu usava apena um conjunto de moletom rosa sem nada por baixo a não ser minhas peças intimas.
Começamos o jogo e por incrível que pareça eu não estava enferrujada e eu iria agradecer a Aline por me arrastar para as noites de poker com o pessoal do hospital. Nas três primeiras rodadas eu venci e tirei aquelas malditas camisas que não estavam ali antes, mas infelizmente a seguinte o Marcos ganhou e graças aos céus ele parecia um pouco tonto, provavelmente o remédio começava a agir. Mais uma rodada e além da blusa perdi minha calça fiquei apenas de roupa intima na frente do Marcos e graças a Deus eu não era mais sua médica afinal estaria agora quebrando minha ética profissional e uma das regras do contrato. Quinze minutos depois o Marcos perdeu sua calça e nós perdemos a cabeça pois ele levantou—se e me puxou pelos braços me beijando com toda sua fome. Infelizmente ou felizmente a carne é fraca e eu acabei correspondendo, fomos nos beijando até meu antigo quarto e logo estávamos na cama. Marcos me beijava e sussurrava coisa em espanhol em meu ouvido e antes que tudo fugisse realmente do meu controle o ritmo dele foi diminuindo.
—O que você colocou no suco doctora?— Ele perguntou manso e sonolento enquanto chupava meu queixo.
—Apenas um calmante para você descansar querido. — Digo a verdade.
—Eu sou seu querido? — Perguntou com os olhos brilhando
—Sim, não poderia ser, mas você se tornou muito querido pra mim. — Digo e ele sorri já com os olhos quase fechados.
—Obrigado Ester! – Ele agradeceu sorrindo e então dormiu em meus braços e completamente em cima de mim.
Ainda entorpecida pelos beijos de Otávio fiquei um pouco mais por ali só que como sou humana minhas necessidades me chamaram e com um pouco de dificuldade me desvencilhei dele e fui ao banheiro. Depois de lavar o meu rosto me olhei no espelho encarei meus lábios vermelhos e olhos brilhantes. Caramba Ester ele é um homem com problemas sérios como é que você se deixa levar assim? Droga de carne fraca e coração teimoso tanto que eu pedi e você vai lá e se apaixona. Otávio tem uma noiva Ester uma noiva, digo pra mim no espelho e começo a rir de nervoso pois eu estava fazendo o mesmo que Otávio fazia mais cedo ao falar com seu reflexo com suas perso...Porra, as outras personalidades as memórias compartilhadas porra, porra, porra Ester sua louca! O que você fez? Falei comigo mesma e coloquei minhas mãos em minha cabeça. Merda agora não tinha mais jeito terei que esperar pra ver o tamanho do estrago que causei.
Saí do banheiro rapidamente e peguei meu celular o dia já tinha amanhecido eram exatamente seis e trinta da manhã me vesti e dei uma última olhada em Otávio que dormia tranquilamente, o cobri com o edredom e saí do quarto levando todas as minhas coisas inclusive o ursinho que Anthony me deu. Acordei Jed ele se vestiu também e logo estávamos saindo da casa de Otávio, porém ao fecharmos a porta da frente o carro de Enzo parou e dele saíram Enzo e a noiva de Otávio
—Ester?— Enzo falou
—Bom dia Enzo, bom dia Julia!— Digo totalmente sem graça.
—Oi— Julia me respondeu olhando—me com uma cara fechada de ódio. – E ali eu vi um pouquinho do que Aline falou.
—Érrr o Marcos apareceu no restaurante do meu pai e bebeu muito então eu e meu irmão o trouxemos ele está dormindo agora e está medicado. Tenha a certeza de que ele está tomando os remédios certinho ok En?!— Falo apressada e doida para sair da frente do olhar fulminante da loira estranha.
—Eu cuidarei dele doutora pois eu irei morar com ele agora sabe!?—Julia respondeu pomposa.
— Que bom então. — Digo sem graça e com uma dor incômoda no peito.
—Oh certo! Então ele foi atrás de você? — Enzo perguntou me distraindo.
—Ah não, ele foi atrás do meu irmão e por coincidência nos encontramos. — Edito um pouco a história na frente da loira com cara de dor.— Bom eu estou de saída agora irei para o hospital qualquer coisa você sabe onde me encontrar.— Falo e noto meu irmão parado ao meu lado mais pálido que uma folha de papel.— Vamos Jed!!! Tchau pessoal! — Digo e aceleramos o passo para sair daquela propriedade.
Já na rua chamamos um taxi e Jered continuava estranhamente quieto.
—O que foi Jed?— Pergunto ao vê—lo estranho
—Aquela mulher. Ela... qual é o nome dela?—Ele pergunta um pouco aéreo.
—Julia Hilton se não me engando.
— Ester?! Ela é, ela é a minha irmã perdida. — Ele fala pálido e assustado sentando—se na calçada
—O que? Não, como você sabe? Você acabou de conhece—la como pode afirmar isso? — Digo agachando a sua frente.
—A marca no lado do nariz a cicatriz que eu causei, quando ela tinha oito anos é ela eu tenho certeza e sem falar que ela é igual a minha mãe. — Ele diz sério.
—Jered!!??Aí meu Deus! Eu nem sei o que dizer! — Digo surpresa.
—Não diga nada só me leva para casa. — Ele disse se levantando.
—Certo vamos para casa e conversaremos com calma.
Falei e logo o taxi chegou nos levando ao nosso lar, e eu apenas tive a certeza de que tudo teria que ser resolvido da melhor forma possível e que meu coração iria ficar em último plano afinal existiam pessoas muito mais importantes do que eu mesma.
************************************************
Fale com o autor