Me Mate, Me Ame
41 Ester
Chegamos a casa dos nossos pais e Jered seguiu direto para o seu quarto.
—Meus amores!!! Filho você demorou para voltar o rapaz ficou bem? — Minha mãe perguntou enquanto me abraçava e via Jed seguir direto sem falar com ela. — Ué o que ele tem?
— Sono, não se preocupe. E o rapaz ficou bem sim mãe nós demoramos por que ficamos conversando e nem vimos as horas passarem. — Respondo correspondendo ao seu abraço.
— Você estava com eles Bells? — Concordo com a cabeça. — Aquele moço, eu o conheço da tv, onde Jered o conheceu mesmo? — Ela pergunta enquanto vai para o fogão virar panquecas.
— Da tv como assim? — Pergunto
— Do canal da fofoca, ele é herdeiro das industrias CDs inc. Você nunca ouviu falar dele?
— A senhora sabe que eu não assisto tv. E o Jed o encontrou em uma viajem e nos apresentou na saída do aeroporto.— Explico por alto.
— E foi na saída do aeroporto que vocês começaram a ter um caso?— Meu pai falou me assustando ao chegar por trás e me abraçar.
— Caso? Que caso o que pai.— Respondo sem graça.
— Que caso pai??? O menino desde a hora que começou a beber só falava que estava com o coração estranho, acelerado, apertado e quente pois estava com saudade da doctora de olhos verdes. — Meu pai falava com um sorrisinho no rosto. — E imagina minha surpresa ao ver a cara de felicidade dele quando viu a foto da nossa família no meu escritório?!Ah! E claro, depois disso as bebidas seguintes foram em comemoração ao acaso inusitado. — Ele diz cheio de graça.
— E—e—u...
— Eu, eu o que Ester? Ele parece ser um rapaz legal. — Minha mãe diz.
— Gente não é nada disso, ele é só um amigo e além do mais ele está noivo. — Digo irritada.
— Puxa, coitada da noiva então! Agora se ele é só seu amigo por que obedeceu ao seu chamado? — Meu pai pergunta sentando— se ao meu lado.
— Eu? — Digo tentando disfarçar.
— Eu ouvi a sua voz Ester, cuspa a verdade! — Meu pai diz autoritário.
— Rob calma! — Minha mãe intervém
— Calma o que? O cara pode ser um safado e vigarista.— Ele diz sério.
— Ele não é nada disso.— Eu digo firme.
— Então conte a verdade Ester.— Minha mãe diz.
— Agora eu não posso depois eu conto tudo, o máximo que posso falar é que ele está passando por uma situação muito difícil e eu conto com a ajuda de vocês caso ele apareça por aqui de novo.— Falo levantando—me.
— Então ele é seu paciente!?— Meu pai afirma mais do que pergunta.
— Não, agora vou falar com o Jed. —Digo a verdade e vou correndo para o quarto de Jered, eu sabia que meus pais iriam desconfiar de alguma coisa. Droga, o pior é que nem com a descrição de Otávio eu poderia contar. Respirando fundo paro em frente ao quarto de Jered e procuro me recompor, esquecer os meus problemas e me focar apenas no meu irmão que precisava de mim, dou duas pequenas batidas na porta e entro quando ouço sua permissão.
Jered estava sentado em sua cama e em sua frente estava o seu pequeno baú de lembranças, esse é o nome que demos as poucas coisas que nos fora permitido levar para o internato.
— E aí maninho como você está?— Pergunto me jogando em sua cama.
— Confuso, ansioso, feliz, triste definitivamente confusão me define.— Ele diz fazendo bico e passando a mão em seu cabelo loiro e o olhando assim de frente realmente era visível as semelhanças entre ele e Julia, não sei como não tinha reparado antes o quanto eles eram parecidos, o nariz, o formato dos olhos, a boca e ainda fascinada com as semelhanças desvio meus olhos para o baú e vejo a foto da família dele, a foto era antiga mais estava muito bem conservada nela tinha um bonito e elegante homem loiro com olhos azuis e ao seu lado uma mulher extravagantemente linda e sim definitivamente Julia era filha daquela mulher a única diferença entre as duas é a cor dos olhos da mulher da foto, essa tinha olhos verdes iguais aos de Jered.
— Jed realmente é ela, vocês estão lindos aqui nessa foto e são parecidíssimos com os pais de vocês.— Digo ainda encantada com a foto.— Você pode me falar de novo o que aconteceu naquela noite?—Pergunto me referindo ao acidente que separou sua família.
— Eu...não lembro muito Ester, como eu já disse antes era o aniversário do papai e ele estava muito feliz pois tinha conseguido fechar um contrato milionário com uma grande companhia daqui então pra comemorar ele resolveu dar uma festa no iate da nossa família, a festa foi incrível e tinha muitos convidados. Os barcos menores alugados por papai trazia e levava os convidados para a marina já que o iate estava ancorado no meio do mar e assim seguiu a noite todos comeram e se divertiram minha mãe estava tão linda e a Jully estava chateada comigo por causa do seu nariz que estava com um curativo enorme por causa da queda que tomamos de bicicleta, o meu cotovelo a tinha acertado de jeito eu estava triste por ela e me sentia culpado afinal eu que queria ir sempre mais rápido. Então as horas foram passando as pessoas começaram a ir embora e eu e minha irmã ficamos com sono aí mamãe decidiu nos levar pra casa, papai pediu que esperássemos um pouco pois só tinha mais um amigo dele que estava no barco, o homem tinha ido ao banheiro e já iria partir então esperamos, logo o homem apareceu eu não gostei dele logo que o vi mais não falei nada com ninguém o homem pegou a lancha que o esperava e foi embora, meu pai desceu até o banheiro e quando ele voltou estava extremamente assustado, ele veio em nossa direção nos vestiu com coletes e me jogou no mar, depois vi minha irmã ser lançada e então tudo explodiu. Eu fui encontrado com vida, minha irmã foi dada como desaparecida e meus pais mortos na explosão junto com toda a tripulação. Isso é tudo que me lembro. — Ele terminou de falar deitando—se.
— O rosto do homem você consegue lembrar? — Pergunto imitando sua posição deitada de barriga para cima.
— Não o rosto dele está embaçado em minhas lembranças a única coisa que lembro é que ele usava um anel com uma esmeralda verde.
—E com o que seu pai trabalhava mesmo? — Pergunto encarando o teto.
— Ah eu não sei bem, tinha alguma coisa a ver com petróleo. Eu só tive acesso ao capital da família a pouco tempo e ainda não tive coragem de me aprofundar nos negócios.
— Eu sei como é isso, e sinto da mesma forma com relação as empresas da minha família. Agora diga—me o que você fará com relação a sua irmã?
— No momento? Nada, eu quero que Aline a acompanhe e descubra se ela está mesmo doente.
— Do ponto de vista clinico é bem provável que ela tenha sim algum transtorno afinal o que vocês passaram não foi fácil. E falando nisso você está tomando as medicações?
—Estou sim, já consigo entrar e sair de casa sem correr pela rua pra não ver o que tem do outro lado e já consigo olhar através da janela do avião. — Jed foi diagnosticado com transtorno de estresse pós traumático aos nove anos, isso o fez desenvolver talassafobia e hidrofobia ele chegou ao ponto crítico de não beber água por medo de morrer afogado, essas condições fizeram com que sua lista de opções de responsáveis ou pais adotivos praticamente nula, pois ninguém queria uma criança com pavor de tomar banho.
— Legal, você ainda está indo para a psicoterapia?— Pergunto olhando minha fonte de inspiração, foi por causa do Jed que me apaixonei pela mente humana foi no dia do aniversário de uma amiguinha nossa que ele venceu a hidrofobia e pulou na piscina da casa da menina para me salvar de um afogamento.
Todos ficaram espantados afinal o garoto tinha pavor de água e estava em um sério tratamento psicológico, mas ele foi e por mim enfrentou uma boa parte do seu trauma hoje ele consegue tomar água, tomar banho de piscina normalmente, mas infelizmente a talassafobia ainda persiste o medo do mar o assombra e o limita em muitas coisas, pois apenas olhar para frente da nossa casa é uma tarefa difícil para ele.
—Tenho ido sim Ester a médica me propôs a dessensibilização agora, porém ainda estou com receio. — Ele diz suspirando.
—Vá no seu tempo, não se aprece pois não tem motivos. — Digo e ficamos em silencio por um tempo.
—Ester...se a minha irmã tiver mesmo aquela doença que a Aline falou, tem cura? — Ele pergunta de repente.
—Bom, se realmente ela for diagnosticada com TPB ainda vai ser necessário descobrir em qual tipo e classificação ela se encaixa e aí sim pode—se encontrar o tratamento adequado. Vocês foram lançados em auto mar pelo próprio pai de vocês as suas memórias te esclarecem algumas coisas, porém não sabemos como sua irmã lembra de tudo isso afinal ela não pareceu te reconhecer, você foi encontrado algumas horas depois já sua irmã pode ter ficado boiando ninguém sabe por quanto tempo. Entenda Jed os fatores que podem levar uma pessoa a ter um transtorno geralmente são traumas relacionados a infância, violência, abusos, abandono, sequestros e muitas outras coisas que acabam mutilando a mente da criança. Sua irmã se encaixa em alguns desses fatores ela pode ter se sentido abandonada, rejeitada, ela disse pra mim que foi sequestrada a um tempo atrás, Enzo comentou que ela e Otávio se conheceram em uma clínica de repouso em NY ou seja existe uma carga emocional um pouco extensa pra ela você entende o que digo? O melhor agora é esperar e ver o que realmente é verdade ou não em toda essa história.
—É verdade, terei paciência afinal o que importa é que ela está aqui viva e bem. Agora o que eu acho mais incrível nessa história toda são as coincidências. Otávio apareceu em nossas vidas quando éramos crianças, depois encontrou minha irmã, me encontrou, depois te reencontrou e por causa dele minha irmã me encontrou de novo. Você alguma vez já imaginou passar por algo assim? — Perguntou virando—se de lado e colocando sua mão por baixo de sua cabeça.
—Não nunca imaginei uma loucura dessa. Eu definitivamente irei tirar férias e irei me tratar com um bom colega de trabalho. Gente onde? Nunca nem em sonhos eu imaginei que iria ter um caso TDI tão complicado quanto Otávio e ainda de quebra sua irmã caí de paraquedas no meio dessa loucura toda. — Digo rolando de um lado a outro na cama.
—É... trágico mesmo é você ter se apaixonado pelo seu paciente que é noivo da minha irmã que potencialmente é tão doidinha quanto o seu paciente. —Jered fala fazendo graça.
—Hahaha! Muito engraçado você! Apaixonada? Eu mesmo não. — Minto
—Ester...pra quê mentir? Eu vi vocês dois se beijando nessa madrugada. — Ele fala sério.
—Aí que vergonha! —Digo cobrindo meu rosto.
—Não precisa ter vergonha, eu só estou preocupado com você. Você realmente gosta dele?
—O pior é que gosto. —Digo triste.
—Mas ontem você beijou o Marcos.— Ele diz confuso.
—Eles todos são apenas um Jed, Otávio é a soma de todos eles. — Digo suspirando.
—É eu sei disso, mas você já pensou que Otávio sendo todos eles completamente, pode não ser o cara que você acha que ele é? — Ele diz e eu sinto minha cabeça doer.
—PORRA!!!Para Jed não dê um nó em meus neurônios essa hora da manhã. E não, não tem como Otávio curado ser pior que o Otávio doente. Vamos parar de falar disso até por que eu não terei nada com ele, nem hoje nem nunca afinal sua irmã está aí e muito bem viva como noiva dele.— Digo levantando e caminhando em direção a porta. — Vou dormir um pouco, qualquer decisão que você tomar conte comigo.
—Certo contarei.
—Você está bem mesmo, não é? — Digo já com o corpo fora do quarto e apenas a cabeça para dentro.
—Estou sim. E Ester...
—Hum?
—Até casamentos acabam!!! — Ele falou enquanto se levantava e corria em direção a porta já a fechando em meu rosto.
—Filho da mãe!!! — Digo brava do lado de fora. Mais em uma coisa eu tinha que concordar com ele...Até casamentos acabam.
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