Me Mate, Me Ame
19 Otávio
Em frente a grande porta da sala da presidência respiro fundo e tomo coragem de encarar dona Elizabeth Norman Carson minha vó que não via a mais de 7 anos. Decidido a terminar logo com isso coloco minha mão na fechadura e imediatamente sinto uma forte pontada em minha cabeça.
— Não vá Otávio! — Ouvi a voz fraca e rouca de Sam.
Balançando a cabeça me concentro e respiro novamente com bastante calma. Inspiro e espiro 1,2,3 vezes e entro.
O escritório dela como sempre está impecável e com algumas flores espalhadas em alguns lugares. Assim como o meu é bastante espaçoso e claro os móveis com de madeira envernizada é a única coisa que diferencia um do outro. Olho ao redor e a encontro mexendo em seu computador, a última vez que a vi ela estava bem diferente de agora os sete anos não fizeram um bom trabalho com ela. Elizabeth que sempre andou bem vestida não decepcionou em nada com seus trajes elegantes na cor preta, o que ela sempre usou desde que me lembro. Seu cabelo agora mais claro, quase branco estavam fixados em um penteado bem elaborado e seu rosto com traços fortes e marcantes agora estavam com muito mais rugas do que antes.
— Você vai continuar parado aí? Me encarando como se eu fosse um quadro de Da Vinci? — Perguntou austera como sempre.
— Olá vovó! Bom dia! — Falei ainda do mesmo lugar.
— Oi. Você participou da reunião agora a pouco o que pode me dizer o que acha do que foi discutido?
— Bom, eu... acho que tudo bem. Os novos projetos são o melhor para empresa.
— O MELHOR PARA EMPRESA? Você só pode estar louco! Esses anos todos longe só vagabundando e é isso que você me diz? Foi isso que aprendeu na faculdade? Que é melhor entregar todo seu patrimônio todo sangue de sua família na mão de sócios idiotas?— Falou friamente colocando—se de pé.
— Vó eu não queria dizer isso, quer dizer eu...
— Olha você só me trouxe decepção desde que... não me venha com desculpas agora. Troque essas calças que com certeza estão mijadas e vá aprender a cuidar do meu legado ou você aprende por bem ou será por mal. Saia da minha sala agora!— Ela diz sem gritar porém com sua voz firme e glacial que sempre me assustou.
Eu não esperei um segundo convite, mas quando já estava saindo ela continuou.
— E Otávio eu te dou só até a festa para estar pronto se não, depois será do meu jeito e você sabe o que quero dizer não é?
Nervoso demais para responder qualquer coisa saí de lá o mais rápido possível, mas infelizmente não fui muito longe pois esbarrei em quem não queria encontrar nunca mais em minha existência.
— Ora, o que os bons ventos me trouxeram, o meu pirolitinho.— Falou me prendendo a parede e lambendo minha orelha.— Parece que conseguiu ficar mais gostoso ainda...
— Solte—me.— Falei num sussurro.
— Querido você não se lembra como era bom? — Falou e a dor na minha cabeça aumentou. — Eu adorava nossos finais de semana, nos divertimos muito não foi?— Lambeu meu pescoço. Droga cadê a minha força? Meu corpo apenas treme, minha cabeça dói tenho vontade de vomitar e nada consigo fazer.
— Está tudo bem por aqui? — Falou uma mulher que passava.
— Olá querida! Tudo bem, apenas meu sobrinho que está de volta não é querido! Bom te ver viu aparece lá em casa! — Então beijou meu rosto e saiu.
—Ei senhor, você está bem? — Apenas assenti e saí correndo em direção ao banheiro. Na primeira cabine que vi vomitei todo meu café da manhã. Minha cabeça girou e deu mais uma pontada fortíssima.
— Por favor não, aqui não, agora não.
Me levantei e fui em direção a pia lavei meu rosto e boca, encarei meu reflexo no espelho e lá estava ele.
— Você não muda mesmo não é idiota!? – Perguntou fervendo em ódio.
— Não Anthony hoje não, por favor! — Implorei não querendo que ele arrumasse confusão na empresa e nem chegasse perto da Mary.
— Você não tem o poder de decisão, você sabe. Eu venho porque você é fraco se deixa ser pisado sempre. — Bradou cheio de si.
— Anthony por favor! — Implorei já chorando.
— Acabou o seu tempo Otávio!!— E a última coisa que eu vi foram seus olhos frios e seu sorriso de escárnio.
Anthony
Esse idiota frouxo... Argh! Como ele ousa deixar—se ser pisado dessa forma. Que ódio... Eu pegarei um por um e não sairei enquanto não terminar.
Sigo pelo corredor e vou em direção a sala da presidência.
Não bato na porta eu simplesmente bato os dois lados da porta nas paredes, adoro entradas dramáticas.
A velha idiota está parada com as mãos no coração, por mim ela poderia enfartar agora seria um alívio para o mundo.
— Olá vovozinha! Olha eu aqui de novo. – Falo com ar debochado.
— O qu...— Balbuciou sem conseguir falar devido ao susto.
— O quê!? Nada. Cala a boca e me escuta. — Falei bem pertinho do rosto dela.— Você não tem mais poder sobre mim sabe porquê? Eu cresci e cresci cheio de ódio por que você e seu amante mataram meu avô e ainda a minha mãe junto e eu odeio você por isso.
— E VOCÊ MATOU SEU PAI, VOCÊ MATOU MEU FILHO! — Esperneou desesperada. Peguei seu pescoço apertando com vontade.
— Eu não matei ninguém eu já te disse e você não acreditou preferiu me espancar dia a pós dia no seu luto fingido. Mas sabe de uma coisa, o meu pai morto está muito melhor agora, longe de você! — Falo me deliciando com a cor vermelha em seu rosto.
— A..ss..ssim co-mo aquela s-sua namoradinha infeliz.— Apertei mais o pescoço dela.
— Não ouse falar dela. Sua cretina desgraçada! Eu vou te matar, mas não vai ser hoje, mais muito em breve. Muito em breve. — Falei jogando—a de qualquer jeito em sua cadeira pois eu tinha pressa tinha outro recado a dar. Peguei o elevador e fui para a área da administração.
Passei reto como uma flecha pela secretaria do monstro. Entrei em sua sala já quebrando o que via pela frente.
— Olá titio Josh! Agora sou eu que vim matar as saudades. Levante—se agora e venha comigo ou irei fazer pior com você do que fiz com seus móveis. — Falei calmo e frio como um iceberg.
— Otávio o que? — Perguntou com seus olhos arregalados e o rosto branco feito cera.
— Eu falei agora! E se não quiser um escândalo nos jornais é só vir atrás de mim. — Exclamei já saindo de sua sala.
Ele sabiamente me seguiu sobre o olhar atento de seus subordinados. Já no elevador o prendi pelo pescoço e bati sua cabeça contra a parede do mesmo.
— Sem gracinhas está me ouvindo? A seis anos quero te recompensar tudo o que você me fez, acho que chegou a hora. — Falei enquanto o apertava.
— Eu te livrei de sua vó! — Falou ofegando.
— É, e me colocou em um inferno pior onde muitas vezes você mesmo foi o carrasco. Mas como eu disse chegou a hora da recompensa. Me entregue seu celular e as chaves do carro. – Ele tremendo levou sua mão ao seu bolso e me entregou tudo. —Ótimo, bom garoto. – Falei e logo as portas do elevador se abriram.
No estacionamento entramos em seu carro e eu dirigi para fora da empresa, parei em uma estrada deserta e o fiz descer.
— Vamos Josh entre no porta malas agora. — Abri a porta para ele que mais uma vez tomou a decisão correta e entrou sem dar um pio. De volta ao volante segui caminho para a casa de Erick ele ficará feliz com meu presente e eu obviamente me sentirei vingado por tudo que passei na mão desse infeliz.
Estacionei em frente à casa antiga de aparência imponente, sua fachada toda de pedra lhe dava um ar sombrio. Decido que realmente está na hora de mudar e vencer muitas coisas e se o Otávio não tem coragem eu tenho. Saindo do carro vou em direção a entrada e ao chegar toco a campainha.
— Olá bom dia! Em que posso ajudar? — Perguntou uma garota.
— Estou procurando o Erick ele tá aí?
— O QUE VOCÊ QUER AQUI SEU FILHO DA PUTA? — Perguntou o cara gordo e alto vindo como um búfalo em minha direção.
— Pode ficar tranquilo que vim em paz e não vou atrapalhar seus negócios de novo. Só vim te deixar um presente, uma recompensa pelo prejuízo que te dei em Madrid. — Falei ainda mais frio que antes. Esse era outro fila da puta, desgraçado.
— E o que é? — Perguntou desconfiado.
— Um brinquedo, está lá no carro. Vamos buscar? — Falei caminhando com ele seguindo-me. — Você pode brincar bastante com ele fique à vontade. Só não mate e dentro de dois dias pode solta-lo em qualquer lugar. — falei abrindo o porta malas.
— Otávio o que é isso? O que você vai fazer comigo? — Falou Josh se borrando de medo.
— Ora titio o senhor não gosta de brincar com criancinhas? Então hoje você virará o brinquedo desse meu amigo aqui! E eu acho bom você se comportar ou ele irá ficar muito bravo.
— O—O—QUE? NÃO! OTÁVIO! VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! OTAVIO! ME PERDOE, POR FAVOR, NÃO FAÇA ISSO COMIGO! — Falou chorando.
— Você me ouviu quando eu te falei essas mesmas coisas? Não! Você parou quando eu chorei? Não. Faça bom proveito Erick! — Falei colocando uma boa quantidade de dinheiro em suas mãos e me afastei dando espaço para ele tirar Josh de dentro do carro. Erick sorrio pra mim feliz por seu novo brinquedo.
Entro no carro e volto para empresa preciso apagar meus rastros. No caminho não pude deixar de lado as lembranças de quando encontrei Erick pela primeira vez. Foi em uma das minhas viagens onde eu tinha em mente um fim de semana de luxo em um iate, mas eu não sei o que ou quem aconteceu pois quando voltei estava pendurado de cabeça para baixo e uma mulher me olhando. Fiz um acordo com ela lhe paguei um valor exorbitante, mas tudo deu errado no momento que ela quis me matar e ao fugir de lá no meio do caos esbarrei em Erick que tentava aliciar um novo brinquedo daí em diante a confusão triplicou o Marcos apareceu explodiu tudo e o Erick ficou um bom tempo no meu pé. Mas hoje a dívida foi paga e que ele faça um bom proveito.
Já na empresa andei disfarçadamente até a sala de monitoramento e por sorte não tinha ninguém rapidamente puxei as imagens do DVR e apaguei todas minhas com Josh. Depois de tudo certo fui para entrada da empresa e pedi o carro do mané.
—Idiota como ele pode andar em um carro feio desse?
Dirigi para casa e no caminho aproveitei para jogar o celular de Josh no mato. Em casa estaciono o volvo na garagem e entro pela cozinha a velha Rosa está lá e quando me vê sorri para mim, eca. Logo em seguida o reconhecimento passa por seus olhos e o sorriso se desmancha dando lugar a uma cara assustada.
— Assim é bem melhor. — Digo lhe olhando debochado. E perdendo a compostura ao ouvir a seguinte frase.
— Otávio que bom que chegou! — Então era por isso que o idiota estava implorando.
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