O plano está indo bem, conviver essas horas com Otávio Carson me mostrou um pouco da extensão de seus problemas, Nina a adolescente descrita como vadia vingativa queria aceitação, diversão e um amigo. Otávio pelo pouco que vi segue a mesma linha de necessidades adicionando também que ele demonstrou uma carência em certos momentos, mas no geral tudo estava nos conformes claro que ainda era cedo para eu estar tão otimista, mas é inevitável. Ontem depois de acordar completamente torta no sofá vi que Otávio continuava sentado no chão ele encontrava—se com os joelhos dobrados próximo ao seu queixo e com a cabeça apoiada sobre seus braços. Ele claramente foi vencido por seu sono.

— Ok, é maldade deixar ele assim.— Falei baixinho.

O chamei para deitar no sofá e em seguida fui para o quarto onde eu dormiria enquanto estivesse aqui. A casa de Otávio era grande e linda, tinha uma sala enorme com uma decoração clean e um sofá preto e de couro se destacava fora a fora em uma parede, tinha muitos objetos de arte moderna entre quadros e esculturas. A cozinha que era separada da sala por apenas um balcão americano feito de mármore preto, era incrível. Otávio mostrou—me a casa toda ontem de manhã e eu não pude deixar de me perguntar se a decoração tinha o dedo das outras personalidades também. Claro que o closet das roupas deles era imenso e tinha um pouco de cada um deles alí. Voltando para o agora fui desperta dos meus pensamentos pelo som do telefone da sala tocando de novo e eu me questionei se seria Otávio novamente, Rosa prontamente atendeu e dispensou quem era logo em seguida, não demorou dois minutos e o telefone tocou de novo Rosa veio em minha direção e disse que era para mim.

— Alô?

—Ester! Otávio já chegou por aí? — Enzo me perguntou e parecia preocupado.

— Não ainda não! Porque?

— É que eu acabei o perdendo de vista e não o encontrei aqui na empresa. — No momento que ele falava ouvi e vi Otávio entrando pela porta da garagem então virei as costas avisando que ele tinha chego e me despedi de Enzo rapidamente.

Coloquei o telefone na base e fui em direção a cozinha, saudei a chegada de Otávio e a resposta que tive foi um par de olhos arregalados e uma boca aberta. Em dois tempos a figura atravessou o espaço que havia entre nós e segurou meus dois braços.

O que você está fazendo aqui? — Ok não era Otávio era o Anthony

.— Diga? Otávio te trouxe para cá só para me desafiar não é!?— Perguntou Anthony com sua voz áspera e fria. Seus olhos estavam nublados de ódio e seu rosto carregado de uma expressão dura.

— Não! Não foi o Otávio quem me trouxe foi a Nina! — Falei sentindo um frio tremendo na espinha.

A Nina? Você conheceu a Nina e ainda assim ficou aqui? — Perguntou surpreso.

— Sim.

— E depois?— Perguntou ainda perto demais.

— Depois eu fiquei aqui e dormi.— Respondi com a voz miúda.

DORMIU?—Gritou com as narinas infladas e eu tremi na base, vendo que a coisa ia mal pro meu lado. — Rosa interferiu.

—Senhor!?A senhorita dormiu no quarto de hóspedes a menina Nina a acomodou muito bem. – Falou apressadamente.

Isso é verdade? — Perguntou Anthony.

— Sim. — Respondemos juntas.

Bom, se é assim tudo bem. Rosa estou com fome vou trocar essa roupa chinfrim e volto para almoçar. — Falou mudando completamente da água pro vinho.

— Sim senhor!

E você não saí daqui! — Falou me arrastando e colocando sentada na cadeira da mesa.

— Não sairei.

Respirei aliviada enquanto o via subir as escadas pulando os degraus.

— O que foi isso Rosa? — Perguntei bebendo um pouco da água que ela me servia.

— Isso é só um pouco da loucura que nos metemos menina. Eu cuido das coisas dele a três anos e ainda não me acostumei a essa maluquice. Mas eu morro de dó do menino Otávio ele é muito solitário e responsável sabe os outros só fazem bagunça quer dizer o trio parada dura, mas os outros dois são uns amores.

— O trio que você diz é o Anthony, a Nina e o Marcos né!?

—Sim. Mary tenha cuidado!

—Tomarei cuidado sim eu sei o que estou fazendo, mesmo assim obrigado pela preocupação.

— Eu sei que você sabe querida estou pedindo para você ter cuidado para não machucar o menino Otávio ele não aguentaria mais.— Ela falou e voltou para o fogão no exato momento em que Anthony descia as escadas vestido com um cardigã longo vermelho por cima de uma camisa branca e uma calça preta colada e em seus pés um sapato social preto e de bico fino. O estilo totalmente contrário ao de Otávio que ontem vestia uma calça jeans rasgada e um moletom preto. Ele veio desfilando em minha direção com um olhar matador e um sorrisinho de derrubar calcinhas, é impossível negar a beleza que ele tem. Anthony é muito sensual apesar de frio e perigoso ele sabe usar seus atributos em um charme quase irresistível.

— Voltei. Vamos almoçar. — Rosa nos serviu e logo sumiu de nossas vistas.— Então nos encontramos de novo, diga o seu nome por favor eu ainda não sei.

— Eu nunca te vi antes, não que eu me lembre.— menti. —Meu nome é Mary e é tudo que me lembro no momento.

Como assim? — Perguntou cruzando os braços.

— Eu não lembro muito eu só sei que acordei em uma casa estranha e fugi de lá na primeira oportunidade que achei e no meio dessa fuga esbarrei na Nina e aí ela me chamou pra ficar aqui até recuperar minha memória. E ontem conheci o Otávio. — Expliquei a mentira rapidamente.

E o que você achou dele? — Perguntou interessado.

— Ah...Sei lá ele é normal...— Fui abruptamente interrompida.

NORMAL? Eu sou normal.— Gritou comigo

— Eu disse que você não é?— Perguntei brava.

— Não.— Respondeu baixo.

— Então...Humm...Qual é o seu nome mesmo?

Você sabe...

— Não sei não, nunca te vi na vida.— Falei teimosa.

Pois bem você irá me conhecer. Sou Anthony Carson, gosto de lutar artes marciais, e gosto de tudo do bom e do melhor, amo minha Ferrari vermelha aliais minha cor favorita é vermelho, sou forte e decidido. Pronto agora você me conhece. Agora você gosta mais de mim ou dele? – Perguntou enquanto se levantava a minha frente colocando as mãos na cintura.

— Bom, eu não sei. — Falei coçando a cabeça.

Como não sabe? Você tem que gostar mais de mim, tem que se lembrar de mim! —Falou irritado, e eu boiei na questão lembrar dele, mas preferi ficar quieta. — Ah já sei! Vamos vista—se que vamos passear!

—Oi? Passear? Pra onde?

Surpresa! Vamos, vamos! —Falou olhando—me de cima a baixo. — Olha essa roupa está mais ou menos vamos. — Falou e saiu me puxando para garagem.

Ao passarmos pela cozinha Rosa fez o sinal da cruz e me deu tchau.

— Anthony onde iremos?— Perguntei ao entrarmos no carro.

Vamos passear e eu irei te mostrar o quanto posso ser bom e agradável.— Falou enquanto acelerava o carro para fora da garagem.

— AI MEU DEUS!DIMINUA A VELOCIDADE POR FAVOR!!!— Gritei como uma louca pois ele estava realmente muito rápido.

Você não gosta?— Perguntou tranquilo.

— NÃO!— Gritei em resposta. E como passe de mágica ele diminuiu a velocidade.— Não entendo qual é a necessidade que você tem de me provar alguma coisa.— Falei aborrecida cruzando os braços.

Eu quero que você me conheça e que goste de mim.— Falou sério e concentrado no trânsito.

— E porquê?— Perguntei querendo que ele falasse mais.

Por que você tem que se lembrar e tem que ser comigo apenas comigo.—Falou sério.

— Bom se você falar pode me ajudar a lembrar.

Chegamos.— Ele falou já no estacionamento do shopping.

— O que iremos fazer aqui?— Perguntei

Compras, preciso melhorar seu visual.

— Pois eu estou ótima e não vou.— Falei ainda dentro do carro e de braços cruzados.

— Ah! Mais você vai sim!— Ele falou e saiu do carro em seguida dando a volta e abrindo a porta do meu lado. Ele tirou o meu sinto de segurança de forma brusca e foi puxando meu corpo pra fora do carro, eu até tentei fazer força contraria, mais o homem é forte demais para mim.

Anthony acabou vencendo nossa pequena batalha e arrastou—me pelos corredores do shopping levando-me as lojas mais caras e grã-finas.

Entramos e saímos de tantas lojas que já estava ficando tonta, e Anthony era mil vezes pior que Aline no quesito compras, ele me fez vestir tantas roupas que perdi a conta e o mais engraçado e estranho de tudo isso era que ele mandava e desmandava nas vendedoras e em mim pois nada nunca estava do seu agrado, nem as roupas, sapatos, minha pele ou cabelo. Estava quase entrando em dúvida quanto à sexualidade dele, mas ela foi descartada no momento em que eu desfilava em sua frente e seus olhos brilhavam perigosamente em minha direção, contando ainda com sua língua que deslizava sensualmente em seus lábios quando ele aprovava algo. E a certeza veio no momento em que esbarraram em mim no corredor e mais do que rápido Anthony puxou—me para ele e quase me beijou, porém fui salva pelo destino no momento em que uma criança se agarrou as pernas de Anthony e gritou: Papi!!! Novamente voltamos a caminhar depois do olhar gélido que Anthony lançou ao menino que novamente saiu correndo e chorando fugindo do homem que segurava minha mão com força.

Então, você gostou das compras? — Ele me perguntou enquanto íamos para o estacionamento.

—Não. Eu falei a cada misero segundo que não precisava e que não queria, mas você me ouviu? Não. — Falei realmente irritada e cansada.

Você não gostou. Mas toda mulher gosta de compras. — Falou pensativo

—Eu não sou todas as mulheres. — Falei ainda emburrada.

—Então você ainda não gosta de mim? — Falou hesitante

—Anthony...— Falei em um suspiro.

Já sei.

— O que? — Perguntei assustada ao vê-lo manobrar o carro e sair rapidamente do estacionamento. – Para onde vamos Anthony?

Surpresa. — Falou misterioso enquanto digitava furiosamente em seu celular enquanto estávamos em um sinal fechado.

Antony dirigiu concentrado por um tempo e eu aproveitei esse momento para analisa-lo e olhando atentamente é gritante a diferença nas feições das três personas que já conheci até agora. Apesar de ser o mesmo homem a diferença é clara. Nina deixa o rosto suave quase não franze as sobrancelhas sorri espontaneamente e as bochechas estão sempre coradas isso ainda com a tremenda cara de sapeca sua marca registrada. Anthony tem o rosto marcado por severidade, ódio sua expressão é carregada, seu corpo emana tensão sempre pronto para uma briga, em seu olhar vemos bravura e seriedade, a mandíbula sempre travada e ele simplesmente não sorri um sorriso inteiro sempre são meios sorrisos ou apenas um riso debochado. E Otávio esse tem um rosto que mostra cansaço e esperança apesar do que Rosa falou do fato dele nunca sorrir eu o vi sorrindo e o sorriso dele é incrível sincero e verdadeiro. Seus olhos são misteriosos ele nunca lhe olha nos olhos sempre desvia e hesita, seu rosto volta e meia está franzido de preocupações a postura de alguém derrotado ombros caídos sempre.

Fui tirada dos meus pensamentos quando percebi que estávamos parando, Anthony trouxe—me para a marina.

— O que faremos aqui Anthony? — Perguntei ainda surpresa.

Vou te mostrar uma coisa. — Falou misterioso e saiu do carro. Curiosa e empolgada o segui. Andamos até o ancoradouro e passamos por diversos iates e outros tipos de barcos até ele parar em frente a um grande estaleiro que parecia ser de inox pois sua cor era prata e ele era incrivelmente lindo.

Gostou? — Pergunto sério

—É lindo Anthony. É seu? – Pergunto ainda encantada.

É sim, ela é minha.

—Ela? — Questiono estranhando.

— Sim, veja. — Falou me arrastando e mostrando a frente do barco onde estava escrito em grego Αστρική.

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—Está em grego eu não entendo. O que significa? – Ele apenas dá de ombros. – Como se pronuncia?

— Astriki. – Falou com um sotaque sexy e carregado.

—Astriki...—Repeti testando a palavra. — Não me parece ser feminino, o que significa?

Se eu te responder você vai gostar mais de mim? —Pergunta chutando uma pedrinha.

— Bom, eu não sei. —Respondi dando de ombros.

Então vamos ver por dentro primeiro. — Falou pegando minha mão e arrastando-me para dentro.

Com certeza o estaleiro era lindíssimo por dentro também, mas o que me encantou, assustou e deslumbrou foi o chão do mesmo estar repleto de flores, ursos de pelúcia e bexigas com formato de coração. E enquanto olhava admirada tudo aquilo ele sussurrou em meu ouvido.

Estelar em sua homenagem Ester! – E então me surpreendendo, virou-me e selou seus lábios com os meus. E mais que o beijo o que me chocou foi ele se lembrar do meu nome, eu sei nos conhecemos na boate, mas colocar meu nome em um barco?