Me Mate, Me Ame
1 Me Mate, Me Ame
15 de outubro de 1995
Todos os jornais noticiavam a morte do fundador das empresas Carsons Inc. e sua nora que estava com ele no momento do acidente, saíram especulações sobre uma traição e até conspirações sobre um atentado contra o magnata do petróleo.
Um ano depois...
Mais uma vez a riquíssima família Carson estampa as capas dos jornais e revistas de todo mundo, desta vez um grande incêndio ocorreu durante a festa de nomeação do filho mais velho do casal Carson que assumiria a presidência das empresas com a morte de seu pai. Durante a grande festa de posse a mansão foi incendiada causando o desespero dos convidados que ali estavam. Garças ao bom Deus que o herdeiro o pequeno Otávio Carson foi resgatado com vida desse triste episódio onde ele perdeu o seu pai.
Será que o pequenino conseguirá ser feliz diante de tamanha tragédia familiar?
20 Anos Depois
Universidade de Columbia
O jovem e bonito rapaz secava seus cabelos ruivos após sua aula de natação, todos os rapazes ao redor conversavam entre risos e piadas.
—Ei Carson! Você tem que me ajudar a dar uns pegas na Kiara cara! — Falou Tyler um dos colegas do rapaz.
—Sério Ty? A Kiara?
—Ah qual é Carson ela queria você mais como você nunca pega nem resfriado eu pensei que você era cristão, mórmon ou amish. Você só não liga para as vadias que se jogam aos seus pés. Mas você é bom em tudo não é normal ser assim. Você não cansa?
—Como assim? —Perguntou o ruivo achando graça do amigo.
—Ah cara você é sempre bom, ajuda todo mundo, é bom em todos os esportes, em todas as disciplinas, você é bom demais.
—Na cama também?
—Ei cara! Está me estranhando? —O Carson riu
—Não. Você que não estudou direito sobre mim, eu também sou bom na cama e vou falar com a Kiara para você!
—Valeu cara! Você é realmente bom está vendo!!!—Ty falou pulando em cima do amigo
—Eieieie só não se apaixone ok!!!
—Credo Carson! Você é tão sem graça e tão maneiro!!!
—Eu sei que você me ama.
Ao saírem do ginásio encontraram com Lauren uma das colegas de classe deles.
—Ei Carson! Boa tarde! Você viu a Jéssica hoje? É que eu tenho que entregar esses fichamentos para o trabalho que o senhor Molina passou.
—Não vi não, Lau, mais se você quiser passo na casa dela e deixo por lá.
—Você não se importa? – Perguntou a garota com as bochechas rubras diante da gentileza do rapaz e claro que sua beleza também.
—Não é caminho da minha. – Falou com um sorriso brincando nos lábios.
—Ok então. Obrigada! — A garota com as pernas bambas saiu dali saltitante.
—De nada. — O ruivo respondeu achando engraçada a garota.
Os dois rapazes observaram agarota se afastar.
—Ei Carson você não mora do outro lado da cidade? – Indagou Tyler diante da boa vontade do colega.
—Sim. —respondeu o ruivo e recomeçou a andar para a saída do campus.
—E por que você se ofereceu para entregar o trabalho na casa da nerd?
—Isso meu amigo chama—se boa vontade! Boa vontade!!!Fuiii
E então o rapaz ruivo desceu as escadas correndo em direção ao seu carro. Na verdade, ele não iria ficar tão não contramão assim pois a casa da Jess era próxima a uma delicatessen que ele amava os croissants.
Ao chegar na casa de sua colega o ruivo ouviu gritos e logo percebeu que algo errado estava acontecendo, então ele correu em direção a porta que estava aberta e entrou bem a tempo de ver sua colega rolar escada abaixo.
——Jess!!???Levante—se, levante— se !!— Chamou o ruivo desesperado, ele não teve muito tempo em tentar socorre—la pois logo os gritos do pai da garota tornaram—se mais altos.
—Sua vagabunda, vadia eu vou te matar sua filha da puta! Vem aqui que sou seu pai!!!—Gritava enfurecido o homem. Foi então que o ruivo viu o pai da menina descer as escadas e arranca—lo de cima de sua filha, desferindo no rosto do ruivo um soco que o fez cair em cima da mesa de centro da sala de estar, momentaneamente o ruivo ficou desorientado e então a triste lembrança um dos fantasmas de seu passado veio lhe assombrar, lá no canto daquele porão fétido e frio aquele pobre garotinho mais uma vez era empurrado ao chão e humilhado por aquela sombra.
Quando ele voltou a si a polícia já estava no local e o pai da garota lhe acusava de agressão.
—Diga Jess! Diga filha conte a polícia quem lhe agrediu. — Dizia o homem fingindo desespero. E a garota então com medo da reprimenda de seu pai apontou o ruivo como o culpado de tal absurdo.
O Carson foi levado à delegacia local onde prestou esclarecimentos e pagou sua fiança.
Porém o pior já tinha sido feito, o bom rapaz não estava mais ali.
Ás onze da noite o pai de Jéssica estava tranquilamente colocando seu lixo para fora quando foi abordado por um homem com olhar feroz e sombrio o senhor Stanley já havia visto aquele rosto mais poderia jurar que aqueles olhos pertenciam a outra pessoa.
—Olá velho babaca! Agora que tal conversar com alguém do seu tamanho?! – Falou o homem aproximando—se do senhor que já tremia dos pés à cabeça, pois aquela voz rouca e assustadoramente fria o levava a crer que a figura parada diante de si não tinha boas intenções ele não poderia estar mais certo.
O homem a sua frente lhe bateu descontando todas as agressões recebidas por sua filha e por ele também. Enfim quando o senhor já estava quase desfalecendo de tanto apanhar o cara misterioso sentou—se em cima do outro e disse.
—Olhe para mim, olhe bem nos meus olhos e não esqueça se você voltar a tocar nela eu volto aqui e te faço pedacinhos. — Disse com a vos áspera.
E o homem misterioso saiu da casa da garota e caminhou pela rua escura com seu sobretudo preto feito com pele de algum animal muito exótico, olhos verdes transbordando ódio e demarcados por lápis negros, o cabelo ruivo e liso que outrora estivera em sua testa estava em um caprichado topete sem um fio fora do lugar assim como seu andar selvagem e marcante que exalava medo por onde passasse.
Ao acordar na manhã seguinte Otávio sentiu seus dedos e mãos doerem fazendo assim seu sono dissipar rapidamente sentando—se na cama o rapaz conferiu sua mão e constatou que elas estavam vermelhas, inchadas e com pequenos arranhões nos nós de seus dedos. Ele gemeu de frustração ao notar que ele tinha vindo de novo.
Otávio Carson
Estava em meu apartamento próximo a faculdade preparando meu café enquanto pensava e tentava me recordar da noite de ontem mas nada vinha em minha cabeça, olhando minha parede de tijolos vermelhos assim como era em todo meu apartamento eu começava a sentir saudades daqui, infelizmente teria que voltar para Chicago para minha família, em três dias seria minha formatura e eu já estava sofrendo ao saber que teria que triplicar a vigilância sobre mim mesmo, pois ninguém da minha família poderia suspeitar da minha condição e foi pensando nisso que decidi aproveitar meus últimos minutos livres antes de sair para ligar para Enzo meu assessor pessoal ou como ele se refere meu babá. Peguei meu celular e antes do segundo toque ele atendeu.
—Fala cara! Quer dizer Sr. Carson! – Falou ele segurando o riso e fazendo—me rolar os olhos.
—En?! Aconteceu de novo. Por favor providencie a minha casa estarei de voltaamanhã. – Falei sem mais delongas pois estava apreensivo do que poderia ter acontecido na noite de ontem.
—Ei o que aconteceu? Você tem que me contar para que eu possa te ajudar. — Falou em tom de preocupação.
—E o que eu vou fazer se eu não me lembro? — Questionei retoricamente ao mesmo tempo que me lembro de todos os acontecimentos até alí.
Eu primeiro percebi isso então....
O fato é que há um monstro vivendo dentro de mim. O nome dele é Anthony ele tem a mesma idade que eu. Quando ele aparece tudo ao redor se transforma em um banho de sangue.
Em 2014 eu procurei ajuda com o doutor Stanton Dolley eu lhe disse que não precisava se preocupar ele olhou—me com espanto, mas esperou que eu terminasse meu relato. E eu lhe disse que o Anthony apenas usava a violência quando estava nervoso. Ele nunca seria violento com mulheres ou crianças. Ele simplesmente aparece de repente e toma meu corpo, meu tempo e minha mente. E infelizmente por isso eu de nada lembro quando ele vai embora. Eu já acordei nos lugares mais inusitados que você possa imaginar. Em uma boate com uma stripper nua em meu colo, na fila de um banco, no cemitério e até mesmo na mesa de um tatuador. Eu termino em lugares onde as pessoas me conhecem e eu não os conheço.
Como da vez em que eu cheguei em uma lanchonete e uma mulher disse—me...
—Você está gentil hoje? Eu gosto também quando você está sensual como ontem!
E simplesmente tudo o que respondi foi: O que? Eu conheço você? — E então todo o suco que estava no copo a minha frente foi parar bem no meu rosto.
Às vezes por alguma coisa que eu não fiz eu tenho que lidar com as consequências. Lembro—me do Doutor me perguntando se eu sabia do que se tratava, e é claro que eu sei a anos eu venho lutando contra isso, eu recebi o diagnóstico de outro médico a um tempo atrás eu tenho T.D.I (Transtorno Dissociativo de Múltiplas Identidades) ou personalidades como você preferir. E então agora você deve estar se perguntando: Quantas? Quantas pessoas existem dentro de você? E pelo o que eu posso me lembrar que já apareceram, o cruel Anthony, o suicida Caio que já tentou se matar várias vezes, o especialista em bombas Marcos, A vadia safada da Nina o pequeno Sam, e se tem alguém mais até agora não apareceu. E a respostas de todos os especialistas que passei foram as mesmas até aqueles que se vangloriaram de seus doutorados, phds e não sei mais o que, todos disseram: Desculpe, não posso tratar do seu caso, não, não se aproxime, estou com medo, saía imediatamente desse consultório...E aí por diante.
Eu não tenho certeza de quantas personalidades vivem dentro de mim ou quantas mais aparecerão no futuro.
Mas voltando ao agora, desligando do fardo que carrego me volto a ligação com Enzo.
—Não posso entrar em detalhes agora E, mas você sabe é aquele assunto novamente. Só providencie a casa e a passagem por favor, quero votar o quanto antes. – Falei tentando conter as lágrimas que insistiam em querer cair.
—Ok entendi. Foi o Anthony pelo que posso notar em sua voz, não é?! Olha cara fica tranquilo nós vamos dar um jeito ok. Eu estava pesquisando e encontrei uma médica que está se especializando nessa área, eu sei que você já está de saco cheio de especialistas mais... vamos tentar até conseguirmos ok! Eu estou com você a onze anos e não vai ser agora que vou te deixar na mão. E como eu sou o cara, a casa já está pronta e a passagem já está no seu e—mail. — Eu podia até imaginar o sorriso convencido em seu rosto, Enzo tem sido meu amigo por muito tempo o único em que eu realmente posso confiar.
—Ok cara! Até amanhã!
—Até brow!
—E En?
—Oi?
—Muito obrigado cara!
—Estamos nessa junto Sr.Carson! Até mais. — E assim ele encerrou a ligação dando espaço e tempo que eu não queria ter, pois é nesses momentos que lembro que sou prisioneiro de mim mesmo.
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