Me Mate, Me Ame
65 Ester
—Doutora Shalton boa tarde! Desculpe vir assim de surpresa, mas eu tinha uns assuntos a esclarecer com a senhorita. — Ele diz sério.
—Certo você pode falar, quer sentar? Beber alguma coisa? — Pergunto um pouco afoita.
—Eu estou bem, serei breve então espero que a senhorita me escute com atenção. — Ele fala colocando suas mãos em seus bolsos e eu apenas assinto. – Eu não sei qual é o seu jogo, mas eu já aviso que não serei nenhum brinquedo em suas mãos, eu não sei direito o que aconteceu naquele barco, mas quero que a doutora saiba que foi um erro que não irá se repetir novamente.— Ele falava me encarado nos olhos e cada palavra era uma facada diretamente em meu pobre coração.— Eu não entendo como você se diz médica e tem certos tipos de atitudes que não são condizentes com a ética que vocês pregam. Então eu peço que você se mantenha longe de mim.
— Otávio... eu...olha a nossa história é complicada, mas eu posso te garantir que não fiz nada para o seu mal, eu não quis me aproveitar do seu estado para seduzir suas personas, não foi isso que aconteceu. – Eu falo me levantando e indo para perto dele que dá um passo para trás me fazendo recuar em seguida. —Olha nossa história começou a vinte anos atrás no internato Sant Augustin você se lembra? — Ele nega com a cabeça, então suspirando tomo coragem para narrar a história do nosso primeiro encontro, me encosto em minha mesa cruzando meus braços que doíam para abraça—lo, mas me controlo. – Certo... eu tinha sete anos quando meus pais sofreram um acidente de carro eu estava no veículo também mais meu pai conseguiu me salvar antes do carro explodir isso foi em 1995, a minha família é fundadora do banco internacional Dawers meu nome verdadeiro é Ester Marie Dawers, porém por não ter nenhum parente materno ou paterno vivo fui encaminhada ao internato particular Sant Augustin os advogados de confiança do meu pai começaram uma busca por guardiões legais para mim afinal eles estavam suspeitando que o acidente que matou meus pais foi algo criminoso então eu deveria ficar protegida em uma nova família com uma nova identidade. Bom... o tempo que fiquei no internato não foi tão ruim principalmente depois que conheci um pequeno garoto ruivinho com os olhos verdes mais tristes que já vi um dia, quando esse menino chegou eu já tinha dois anos que morava no internato então eu conhecia todas as passagens secretas do lugar e amava muito ficar no quintal da propriedade onde tinha uma cerca que dividia o lado feminino do lado masculino do internato e foi lá em um dia de neve que vi o garoto pela primeira vez, ele não falava só chorava silenciosamente então com pena do pobre garoto dei o único pirulito que eu tinha, mas ele não pegou na realidade ele nem se moveu e nem deu um piu ele só me encarava...bom estava frio e eu tinha que entrar pois o horário da sopa estava chegando então coloquei o pirulito na cerca e corri para dentro. Depois daquele dia todos os dias seguintes eu e o garoto nos encontramos no mesmo lugar, tinha dias que ele só chorava então eu lutava para o fazer rir em outros dias ele estava realmente irritado com suas bochechas vermelhas e olhos frios, em outros ele apenas estava lá vazio sem emoções, e tinha os dias que eu mais gostava que eram os dias que ele ria das minhas péssimas piadas. Foi assim por um ano e meio até que os Shalton apareceram e foram aprovados para me tutelarem nesse dia eu ouvi a voz do garoto pela primeira e última vez, ele disse o meu nome e prometeu nunca se esquecer de mim eu quebrei a minha promessa mais o garoto...Ahhh.. o garoto não, ele me reconheceu na primeira vez que me viu em um aeroporto lotado e implorou para que eu lembrasse dele vinte anos depois.
—O que isso tem a ver comigo Ester? — Otávio pergunta rouco e me encarando em expectativa.
—Eu já te contei como conheci Anthony? — Pergunto retoricamente — Não? Então... ele me segurou pelo braço em frente ao café berghoff no aeroporto de O’hare e disse. Lembre—se...você tem que se lembrar!!! Esse foi Anthony cobrando a minha promessa com o garotinho da cerca. — Falo encarando um Otávio totalmente pálido.
—Eu....
—Eu sei, é incrível, não é? Algumas pessoas chamam isso de destino outras de coincidência... eu ainda não decidi o que é, mas eu só tenho uma coisa para te falar...
—O que? — Ele pergunta rouco e com seus olhos vermelhos
—Eu quero o seu bem, sou sua aliada, não estou contra você e muito menos estou planejando um golpe ou nada do tipo. Eu conversei muito com o Anthony, com o Sam, o Marcos a Nina e o Caio eles não são maus, não são monstros. Eles são você, todos eles querem o seu bem, todos eles querem te proteger se proteger. Sua personalidade foi dividida apenas para te proteger, seu pior inimigo é o seu medo e você tem que vencê—lo.
—Eu...sou perigoso...o Anthony ele...
—Ele tem o sangue quente eu percebi, mas Otávio você pode contar comigo no que você precisar eu...amo você! Sei que é difícil para você entender e aceitar mais aconteceu e mesmo que não possamos ficar juntos eu apenas quero te ajudar ficarei feliz em saber que você está bem e feliz.
—Você...me ama? Como? Isso não pode acontecer! Não isso...
— Otávio! Eu...— Tento falar com meu choro preso a garganta.
—Não Ester, esqueça isso eu não quero isso... eu não posso, não quero esse amor...eu....eu... isso é errado. — Ele diz irritado e assustado
— Otávio...— Falo chorando e tentando me aproximar dele que ao ver minha mão estendida em sua direção se esquiva rapidamente e caminha até a porta.
—Apenas...não! Eu não posso! – Ele diz e saí batendo a porta, rapidamente pego meu celular com minhas mãos trêmulas e ligo para Enzo avisando que Otávio acabava de sair do hospital e eu rezava para tudo dar certo.
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