Me Mate, Me Ame
64 Ester
Estava distraída observando o mar então acabei me assustando quando senti um par de braços rodearem minha cintura.
—Sam?!— Falo surpresa.
—Sam esteve aqui? — Ouço a voz séria de Anthony em meu ouvido e suspiro aliviado.
—Anthony!!! Digo aliviada e me viro o abraçando apertado. Graças a Deus!!! Estava morrendo de medo de ficar à deriva com o Sam, ainda bem que você voltou.
—Quer dizer que você só está feliz por eu ter voltado por que eu sei pilotar o barco?! Ahh assim você fere o meu pobre coração. — Ele diz rindo um pouco e eu lhe dou um pequeno tapa no braço.
—Bobo! Agora por que você sumiu? – Pergunto encarando.
—Eu não sei, convivo a anos com Otávio e os outros e nunca descobri quais são os verdadeiros gatilhos para a troca.
—Bom o que eu já estudei diz que cada persona na maioria das vezes é controlada por um sentimento, raiva, alegria, tristeza, medo, magoa e por aí vai.
—É talvez seja isso, eu fiquei feliz e com muita saudade ontem me senti aliviado sabe. — Ele diz se encostando no parapeito do barco.
—Te entendo.
—Onde o meu avô está Ester? — Ele pergunta me encarando.
— Aqui em Chicago mesmo.
— Por todo esse tempo?
—Acho que sim, ele disse que estava observando vocês.
—Então ele sabe o que aconteceu no internato? — Ele pergunta sério fechando suas mãos em punho.
—Sabe e foi por isso que você conseguiu sair de lá e ir para um lugar mais seguro. — Falo o abraçando.
—Então foi ele que me salvou? Que me mandou para NY? — Falou me abraçando forte.
—Foi sim. Mais agora.... vamos esquecer esse assunto um pouco e vamos comer? – Falo tentando aliviar o clima.
—Você está com fome? — pergunta mexendo em meu cabelo.
—Muita! — Digo de forma maliciosa.
—Então vamos comer mulher!!!!— Ele diz e me pega no colo me levando para dentro do barco.
Depois que nossos estômagos estavam saciados ficamos deitados no sofá conversando e bebendo vinho, falamos sobre nosso passado, sobre o presente e sobre o futuro...ele me contou sobre suas aventuras e sua fama de sanguinário, me contou como conseguiu persuadir Enzo a liberar a compra do barco e do carro me fazendo rir muito, ele também quis saber sobre tudo da minha vida e eu contei desde o que eu me lembrava da minha família até hoje.
Foram boas horas de conversas e namoro porém outro tipo de fome falou mais alto e então nos amamos novamente por várias vezes e quando estávamos satisfeitos tomamos banho nos alimentamos e voltamos para cama para conversar um pouco mais, Anthony não queria dormir de jeito nenhum e para ser sincera eu também não queria que ele dormisse, mas infelizmente eu acabei pegando no sono e quando acordei o sol já estava alto, me espreguicei e olhei ao redor não encontrando Anthony em lugar algum então fiz minha higiene matinal me arrumeicomi um pouco de salada de frutas e fui em busca de Anthony, porém antes de chegar ao deque fui surpreendida pela visão da marina de Chicago, nós estávamos atracados na cidade dos ventos e eu não conseguia encontrar nenhum vestígio de Anthony no barco. Assustada voltei para o quarto peguei minhas coisas e saí correndo, ao descer do barco encontrei com mesmo homem que conheci quando chegamos.
—Célios! Graças a Deus o senhor viu Anthony por aí? — Pergunto ao chegar perto do homem.
—Olá senhorita vi sim, e ele estava bem estranho parecia assustado.
—Sério?! Para onde ele foi?
—Ele foi para o carro... e ele deixou esse bilhete para a senhorita. — Falou me estendendo um pedaço de papel.
—Certo obrigada Célios!— Respondo apressada pegando o papel de sua mão antes mesmo de ler eu corri em direção ao estacionamento e ao chegar ainda conseguir avistar Anthony entrando em seu carro. Porém o mesmo assim que me avistou ligou seu carro e passou por mim em alta velocidade sem nem olhar para trás.
—ANTHONY!!!—O chamei sem obter resposta alguma. Então exasperada e completamente chocada pego o maldito papel e o abro sentido o ar faltar em meus pulmões aos ler as palavras escritas alí.
Doutora Ester Shalton
Por favor me perdoe pelo mal que lhe causei, não sei quem foi que se aproveitou da senhorita, mas isso não irá se repetir.
Por favor me esqueça, desde já agradeço por tudo.
Otávio Carson
—Mas que filho da mãe! Covarde de uma figa!!!— Reclamo para o vento, indignada ligo meu telefone e instantaneamente sou bombardeada com mensagens e ligações perdidas. Rapidamente chamo um taxi e vou direto para meu apartamento.
Já em casa de banho tomado e alimentada eu me arrumava enquanto tinha meu celular preso entre meu ombro e cabeça, eu estava ouvindo o terceiro sermão do dia.
—Eu sei mãe, eu disse que não vai acontecer de novo.
—Acho muito bom viu dona Ester. Eu sei que você já é uma mulher e tem que sair para curtir umas noitadas agora quando for passar a noite fora pelo menos avise!— Ela falava severamente do outro lado da linha.
—Entendi senhora Shalton eu não farei de novo. Agora eu tenho que para o hospital ok?!Beijos te amo!
—Também te amo menina juízo viu!
—Sim senhora!
Assim que encerrei a chamada com minha mãe liguei para Jered, pois ao chegar em casa não encontrei o tal hospede e estava muito curiosa com relação a isso.
—Ester! — Ele atendeu no segundo toque.— Onde você está? Todo mundo está preocupado com você.
—Estou em casa Jed.
—Em casa, que casa?— Ele pergunta alarmado.
—No meu apartamento.
—Você não deveria estar aí Ester, pode ser perigoso. — Ele reclama.
—Bom quem resolveu esconder um assassino na minha casa não foi eu, mas pode ficar tranquilo pois ele não está aqui. — Falo pegando minhas chaves e bolsa já saindo do apartamento.
—Não? Que droga! Será que ele fugiu? Ou se arrependeu e voltou atrás na decisão de entregar os irmãos? — Ele resmunga.
—Eu não sei, mas não podemos descartar essa hipótese. — Falo já de dentro do elevador.
— Droga eu vou chamar uns caras e vou fazer uma busca. Beijos Ester se cuida!
—Certo você também.
Depois de conversar com Jed mexi um pouco em meu celular e encontrei uma mensagem sem ser lida, era do número de Aline então curiosa com o que poderia ser a abri encontrando apenas um endereço e uma frase que dizia:
Para quando precisar...Compre um envelope pardo com caveiras, diga ao vendedor que é para a vida e ele entenderá o que você quer.
Intrigada olhei a data e lembrei de ter sido o dia em que levei o tiro, curiosa com o que seria que Caio queria me mostrar fui até a loja e o vendedor me perguntou o que eu queria, perdida sem saber o que realmente era falei o que Caio mandava na mensagem e então o balconista rio e me entregou um pesado envelope lacrado de tamanho médio e uma mochila disse que era do cara que pagava bem e que eu não precisava pagar nada. Curiosíssima com o conteúdo segui meu caminho.
Dirigi tranquilamente até o hospital e logo já estava nele, iniciei meu turno tranquilamente e graças a Deus não tive problemas com meu sumiço repentino pois Enzo e Aline logo inventaram uma desculpa para o Daniels. Foi por volta das cinco da tarde que eu recebi uma visita um tanto quanto inusitada e esperada ao mesmo tempo eu estava assustada, hipnotizada e meu coração batia descompassado, na minha frente Otávio Carson estava parado com toda sua elegância, porém tinha alguma coisa muito estranha com ele e eu não conseguia entender o que era.
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