Me Mate, Me Ame
61 Ester
Depois de um rápido banho saí do banheiro não vendo Anthony em parte alguma, a mesa estava posta e o forno estava ligado assando carne e batatas. Em cima da cama tinha um vestido leve de verão era branco com pequenas flores e combinava perfeitamente com o cair da tarde, me vesti e fui até onde Anthony estava, ele estava sentado em uma poltrona observando o pôr do sol no horizonte e eu não pude deixar de contemplar aquela bela visão um lindo homem e uma paisagem de tirar o fôlego essa seria uma memória que levaria por toda minha vida.
—Você encara todas as personalidades de Otávio assim como está fazendo comigo agora? — Anthony pergunta me surpreendendo
—Eu não tenho culpa se a imagem é bonita. E não eu não encaro a todos. — Respondo sinceramente.
—Bom...Ester...quem é que está vivo que Oscar não conseguiu matar? — Ele pergunta de novo mudando completamente sua postura, o iceberg estava ali de novo. — Acho bom você me falar se quiser que Otávio apareça de novo.
—Pra que você quer saber Anthony? Para ter mais uma arma contra Otávio? Mais uma lembrança para você controlar e dizer que é mais forte? —Pergunto irritada
— Talvez. Saiba que isso que você esconde não fará diferença, eu tenho uma lembrança que pode destruir o que Otávio chama de integridade e quando eu o fizer lembrar será o fim dele, você quer pagar pra ver o final do seu queridinho idiota? — Ele ameaça.
—O que? As memórias do internato? O estrupo que você sofreu? — Pergunto o pegando de surpresa e ele levanta e me pega pelos braços me sacudindo.
—COMO VOCÊ SABE DISSO? — Ele pergunta feroz.— EU NÃO FUI ABUSADO,OTÁVIO FOI!
—VOCÊS SÃO UM SÓ! ACORDA ANTHONY! O QUE ELE SOFREU VOCÊ SOFREU, O QUE ELE SOFRER VOCÊ SOFRERÁ!!!— Grito revoltada...droga a minha boca hoje está totalmente sem freio.
—E—e—eu não eu não...ele. — Balbucia ainda me segurando. —Eu não...como você sabe? FALA!
—Meu irmão viu umas duas vezes. — Falo mais baixo
—O que ele viu? — Ele pergunta apertando meu braço.
—Você está me machucando Anthony. — Eu aviso e ele afrouxa o aperto mais não me solta. — Eu não vou repetir, não farei você reviver o momento. — Falo tentando me soltar e o observo me olhar fixamente eu não fazia ideia do que ele estava pensando mais seu olhar era agoniado.
—V—vo—cê.. está com nojo de mim? Está com medo? — Ele pergunta rouco e eu paro de tentar me soltar
—Não, não é medo ou nojo eu só quero que você me solte agora. — Eu falo e ele me ouve e me solta.
—Eu...
—Você não tem que falar nada Anthony, você não teve culpa, era só uma criança e foi muito guerreiro em aguentar tudo isso sozinho.— Digo me aproximando e passando minha mão em seu rosto molhado de lágrimas.— O que aquele homem fez com você, o que ele fez ao seu corpo não mudou ou manchou o que você é. Você está me entendendo?
—Eu sou sujo Ester, sou podre, manchado indigno eu e o Otávio somos podres...— Ele fala chorando.
—NÃO É!!!—Eu grito para ele prestar atenção em mim.— Para Anthony para!— eu peço segurando seu rosto.— Chega de aguentar tudo sozinho, está na hora de você e Otávio entenderem que vocês são fortes juntos e não separados, afinal tudo o que vocês sofreram foram juntos, um só corpo uma só carne.— Eu digo o olhando nos olhos.
—Me mate Ester! — Ele me pede sussurrando e eu nego balançando minha cabeça energeticamente. — Por favor, eu não quero reviver toda dor do passado de novo, não quero que Otávio me faça lembrar, me mate.
—Eu não posso, não posso, tudo o que eu posso e quero fazer é amar vocês.
Digo firme e o beijo de forma dura e apaixonada mostrando ale que não tinha nojo ou receio algum de ter ele para mim. Anthony correspondeu meu beijo com desespero e sofreguidão tomando meu corpo em seus braços com vontade. O que eu faria a partir de agora não era certo nem eticamente falando e muito menos moralmente mais eu lutaria para curar Otávio esse homem tão bonito e tão quebrado merecia ser amado, merecia conhecer o amor de uma família, de amigos de uma mulher.— Eu amo você por completo Anthony, todos os que existem dentro de você eu amo, pois todos são pedaços de você todos eles fazem você ser quem é. E eu vou te ajudar a enxergar o quão bom você é. Você confia em mim? — Pergunto o abraçando forte.
—Confio...—Ele diz depois de um tempo em silencio. O forno apitou indicando que a carne estava pronta.
—Bom bem na hora vamos jantar pois depois iremos jogar.—Eu digo o puxando para dentro e ele vem com um pequeno sorriso em seu rosto abatido.— Vai tomar um banho eu já sirvo o jantar.— Falo e ele solta minha mão um pouco relutante indo para o banheiro, depois que ele entra e fecha a porta do banheiro eu me sento tremula no sofá e passo minhas mãos por minha cabeça.
—Porra Ester que droga de psiquiatra é você? — Ralho comigo mesma, pela segunda vez hoje meu temperamento explosivo levou o melhor de mim e eu joguei toda merda no ventilador, sem calma nenhuma agi de forma impulsiva e imprudente colocando em risco a vida de pessoas...Droga! Eu definitivamente deveria desistir da psiquiatria de uma vez por todas.
—Você está bem Ester? — Fui desperta dos meus pensamentos pela voz de Anthony que estava parado apenas usando uma calça de moletom preta e seu cabelo estava bem molhado caindo em sua testa.
—Estou sim, me dê uma toalha e vem aqui. —Falo o chamando para sentar no chão entre as minhas pernas, ele obedientemente veio e sentou—se eu peguei a toalha e comecei a secar seu cabelo com carinho.
—Você falou sério quando disse que tudo que poderia fazer por mim era me amar? —Ele pergunta baixo depois de um tempo em silencio.
—Sim, vocês precisam ser amados, todos vocês e eu gostaria muito de poder fazer isso mesmo não sendo o certo. — Falo e ele imediatamente se afasta e me encara sério.
— Como assim?
—Julia ama vocês de verdade eu não posso disputar o coração de vocês com ela, não seria justo. — Eu falo e ele balança a cabeça negando.
—Aquela mulher quase matou Otávio, eu tive que forjar um acidente para ela sumir da vida de Otávio, se ele decidir ficar com ela eu nunca vou deixar ele se curar nunca.— Ele diz raivoso e eu não posso evitar de rir.— O que ?É sério, ela cozinha mau, se droga, é alcoólatra e é completamente louca, sabia que ela quase colocou fogo na casa com Otávio dormindo? Ela disse que estava cheio de baratas no chão e queria mata—las.
—Sério?
—Sim. Então fique tranquila que a batalha pelo meu coração você já ganhou e o do Marcos também. — Ele diz fazendo uma careta e eu o beijo de leve.
—Vocês são um só seu bobo! E eu amo você! — Falo lhe dando um selinho e me levanto indo para cozinha.
Depois que jantamos sentamos no tapete da sala do barco e começamos o nosso jogo tomando o restante do vinho que tinha na garrafa. Era minha vez de girar a garrafa eu já tinha escolhido consequência duas vezes e o resultado era que mais uma vez estava de lingerie na frente de Otávio.
—Verdade ou consequência Anthony?— Pergunto o encarado
— Verdade.
—Certo, é verdade que você irá devolver as memórias a Otávio?— Pergunto jogando verde.
—Verdade.— Ele responde sério me surpreendendo.— Verdade ou consequência Ester?
—Verdade.
—É verdade que se eu devolver as memórias a Otávio e ele ficar curado você irá nos amar para sempre? — Ele pergunta me encarando e eu não tive nem que pensar para responder pois nada no mundo mudaria o que já sinto.
—Eu já amo para sempre, independente da cura. — Falo séria e pela primeira vez vejo um sorriso estonteante no rosto de Anthony.
—Isso é bom. — Ele diz.
— Verdade ou consequência?
—Verdade.
—É verdade que você também me ama Anthony? —Pergunto hesitante.
—A muito tempo na verdade. — Ele diz sério.— Verdade ou consequência?
—Verdade. — Falo encantada com sua resposta.
—Você está escondendo quem você descobriu que está vivo por medo que eu desapareça?
—Sim— Respondo sem pestanejar. — Verdade ou consequência?
—Verdade.
—Por que você quer tanto saber?
—Sinto que é importante. — Ele diz dando de ombros e eu desisto da brincadeira me aproximando dele.
—Deixa eu te amar primeiro Anthony me deixa te mostrar como você e Otávio podem ser apenas um e depois eu conto. — Falo e o beijo delicadamente.
Eu tinha ido para aquele barco morrendo de medo do meu destino agora eu estava com medo de sair dele e ser julgada por todas as decisões que tomei até ali. Eu iria ser julgada como médica por estar me envolvendo com um paciente sem tratamento algum, iria ser julgada como mulher por estar me aproveitando do estado dele e iria ser julgada como uma traidora por estar roubando o suposto noivo da outra, mas ali na cama daquele barco com as mãos de Anthony passando pelo meu corpo eu não conseguia me importar menos.
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