Me Mate, Me Ame
58 Ester
Deixei Jered na recepção junto com Aline pois eu estava extremamente chateada sei que talvez nem tenha razão para isso afinal eu falei mais do que devia, porém no meu ponto de vista como médica e pessoa vejo que Julia está em uma situação que se ela não tomar uma decisão correta do que fazer daqui para a frente as coisas ficarão muito difíceis para ela e por tabela para Otávio que se sente guardião dela. Só a hipótese de ela cair nas mãos dos Daniels Vasques de novo me dá calafrios, se eles a pegarem para chantagear Otávio eu não faço ideia do que pode acontecer. Ah!!!Sinto minha cabeça doer...Eu tinha que comer alguma coisa ou acabaria desmaiando de novo...sigo pelos corredores do hospital tomando cuidado para não ser percebida pelo Daniels pois não estava com nenhum pouco de vontade de atuar na realidade eu estava era quase jogando toda merda no ventilador...como eles tiveram a coragem de matar quatro pessoas, prender um homem por quinze anos, e fazer outro se esconder por catorze!? Monstros é isso que eles são, quando tudo isso acabar eu irei me afastar desse hospital por um bom tempo, talvez saia em um ano sabático para poder voltar ao normal pois eu sinto que estou enlouquecendo aos poucos...droga eu era apenas uma simples neurocirurgiã tinha um lindo caminho pela frente, mas não fui me encantar pela psiquiatria, conheci Otávio e para me ferrar me apaixonei...eu sou a piada da medicina, é... por que o meu alvo platônico está tão ferrado que nem sei se ele vai realmente ter salvação, descobrir que o pai e o avô estão vivos pode ser demais para o estado dele...não, não para Ester! Tenha foco e fé, vai dar tudo certo, mesmo você não ficando com ele tudo dará certo. Suspiro finalmente podendo relaxar ao sentir o cheiro da comida. Caminho rapidamente até o balcão e compro um almoço caprichado, procuro uma mesa no grande refeitório e sento—me tranquilamente e desfruto da minha deliciosa refeição observando os outros médicos e enfermeiros comendo, conversando e rindo a quanto tempo eu não faço isso? A quanto tempo não tenho um dia normal? Suspirando termino de comer e bebo meu suco tranquilamente quando sinto meu celular vibrar.
—Oi dona Rosa, Otávio acordou? — Pergunto tendo a razão de eu não ter mais uma vida pacata.
—Menina ele já acordou e saiu que eu nem vi, vim no quarto agora olhar ele e o quarto está vazio...Dios mio onde será que ele foi? — Ela pergunta
—Ninguém viu ele saindo?
—Ver, viu mais ninguém conseguiu pará—lo pois ele saiu a toda velocidade e quase passou por cima do portão segundo os rapazes.
—Entendo e qual foi o carro que ele saiu dirigindo? —Pergunto torcendo para ela responder que foi moto.
—Eu acho que foi um vermelho, mas está faltando dois carros aqui na garagem, vou perguntar aos meninos...
—Não, não precisa dona Rosa vamos esperar se ele aparecer por aqui eu lhe aviso. — Digo me levantando e indo para meu consultório.
—Certo, menina.
Desligo meu celular e pego o elevador eu não sabia o motivo mais algo me dizia para sair do hospital e era isso que eu iria fazer, fui rapidamente a minha sala e peguei minhas coisas, passei rapidamente para bater meu cartão encerrando meu turno e desci para o saguão. Peguei meu celular e avisei a Aline que não iria trabalhar mais hoje e iria para casa, estava andando apressada quando fui surpreendida por Jered.
—Ester...eu queria falar com você? — Ele diz sem graça passando a mão em seu cabelo.
—Pode falar. — Digo séria olhando para fora do hospital.
—Eu queria te dizer que você está certa sobre Julia ela realmente não está legal e eu já ajeitei a questão do internamento, Aline disse que ela vai precisar ficar aqui por um ou dois meses.
—Isso é bom, mas eu tenho um palpite sobre isso. — Digo séria
—O que?
—Tire ela desse hospital, vocês são Hiltons se os Daniels descobrirem vocês aqu,i será perigoso, lembre—se que Marcus ainda está à frente da sua empresa.
—É verdade, você está certa eu irei transferi—la para um lugar mais seguro. Ah! E sobre a minha viagem... eu consegui localizar e trazer a ovelha perdida. — Ele diz e eu o encaro sem entender então ele me abraça e fala baixinho no meu ouvido.
—Oscar Daniels Vasques. — Ele sussurra, mas eu não tive muito tempo de responder ou ter qualquer reação pois logo estava sendo puxada e arrastada por um Otávio bem irritado.
—Ester! — Ouvi Jered nos seguir me chamando.
—Tudo bem Jed! Vou conversar rapidinho com Otávio e volto já! —Falo mais alto para ele me ouvir e então paro abruptamente esbarrando nas costas do homem que segura meu pulso firmemente e olhando suas costas tensas eu soube que não era Otávio quem estava ali.
—An—Anthony! — Gaguejo
—Olá Ester! – Ele diz friamente me olhando por cima de ombro e me arrastou me fazendo entrar em seu carro, ele deu a volta e saiu dirigindo em alta velocidade.
—Anthony diminui a velocidade por favor! — Peço vendo que um semáforo se aproximava
—Está com medo? —Pergunta me olhando rapidamente.
—Bom eu não quero morrer! — Digo me segurando firmemente
—Eu também não nós dois temos muito o que conversar. — Ele diz de forma fria.
—Por que você apareceu?
—Por que Otávio é fraco, você sabe!
— Otávio acha que Julia morreu!?— Pergunto surpresa
—Sei lá, foi a loira psicopata que estava aprontando foi? — Ele pergunta sério me olhando rapidamente.
—Foi, para onde estamos indo? — Pergunto olhando as ruas.
—Para a marina, preciso ficar sozinho com você. — Ele diz friamente e um frio desce por minha espinha. Fiquei em silêncio o restante do caminho eu tinha que me manter calma e confiar que Anthony não faria nada ruim comigo e se ele fizesse bem eu teria que dar um jeito de me defender.
Chegamos a marina e logo Anthony me puxou para o píer onde seu barco estava ancorado.
—Tudo pronto Célios? — Ele perguntou ao homem que estava dentro do seu barco.
—Tudo como o senhor pediu seu Anthony. — O homem responde me ajudando a entrar e descendo em seguida. — Vou desamarrar as cordas e o senhor já pode sair.
—Ótimo. — Anthony responde passando por mim e puxando meu braço para ir junto com ele para o convés. — Você pode ficar sentada aqui por enquanto.
—Pra onde vamos Anthony? — Pergunto ao cair sentada em uma confortável poltrona.
—Vamos para longe Ester, para bem longe.— Ele responde colocando uma mão no bolso de sua calça de sarja preta, e pela primeira vez naquele dia parei para observá—lo, ele estava lindo como sempre e muito bem vestido porém seu cabelo estava sem o habitual topete.— Daqui a pouco eu volto para conversarmos se você tiver fome ou quiser tomar um banho tem tudo lá em baixo ok.— Ele diz e me dá as costas.
—Anthony! — Eu chamo e ele para. — Você está me sequestrando? — Pergunto um pouco assustada.
—Estou, você está com medo? — Ele pergunta sério.
—Estou. — Respondo sincera.
— Isso é bom. — Ele diz e saí sem olhar para trás novamente.
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