Anthony realmente nos levou para longe nós navegamos por um bom tempo e eu já estava ficando com sono, como estava assustada para dormir resolvi descer e dar uma volta pelo iate. Estávamos no estelar e sua beleza ainda me fascinava assim como da primeira vez, tudo estava devidamente arrumado e com arranjos de flores em cima de cada móvel. Fui até a geladeira e ela estava completamente abastecida e isso me assustou pois não conseguia nem imaginar por quanto tempo Anthony planejava me manter com ele. Com fome descido pegar uma maçã e um iogurte comi rapidamente olhando tudo ao redor e então senti o barco parar.

—Ué por que paramos? — Me pergunto olhando pela janela não vendo nada de terra por perto apenas o mar.— Aí meu Deus é agora que ele vai me matar e jogar meu corpo em alto mar...—Resmungo atordoada.

—Eu não vou te matar Ester! — Ele diz atrás de mim e eu não posso conter meu grito de susto.

—AAH!!!— Tento controlar minha respiração e o tremor do meu corpo enquanto ele passa por mim e vai até a geladeira e pega uma banana para comer. — Por—po...humm...por que paramos? — Pergunto tentando achar minha voz.

—Eu disse que precisamos conversar. — Ele diz sério.

—Sobre o que?

— Sobre o tratamento escondido de Otávio, sobre o que você tem descoberto e escondido de Otávio e sobre você ter beijado o Marcos. – Ele diz sério e com um olhar gelado.

—Como você sabe que eu tenho descoberto coisas? — Pergunto sem entender.

— Otávio é lerdo, eu e os outros não. — Ele diz me olhando dentro dos olhos.

—Nina e meu celular...— Sussurro ligando os pontos.

—Bingo.

—O que foi que Nina viu?— Pergunto começando a ficar nervosa.

— A foto do meu pai. — Ele joga sério sem demonstrar nenhum sentimento.

—Vo—vo—você sabe.

—Sei, ele está vivo, na realidade eu sempre soube. — Ele diz me dando as costas

—Como? — Pergunto sem entender e ele respira fundo antes de me encarar.

—Você é curiosa e está se colocando em risco por causa do mané do Otávio, você não faz ideia do tipo de gente que você está mexendo por isso te trouxe pra cá, para te proteger já que nem pra isso você confia em Otávio.— Ele diz com um sorriso estranho no rosto.

—Eu confio em Otávio eu iria contar tudo para ele hoje depois que ele acordasse. — Digo séria.

—Será que ia mesmo? Eu tenho minhas dúvidas, mas isso não vem ao caso agora, já que você está tão curiosa com relação ao nosso passado e quer tanto fazer justiça senta que eu vou te contar uma história.— Ele fala me apontando o sofá, hesitante me sento e o observo pegar uma garrafinha de água e puxar uma cadeira sentando—se a minha frente.— A exatamente vinte quatro anos atrás quando o velho Carson foi morto junto com a mãe do Otávio a vida dele se transformou em um grande inferno, eu não vou dizer que lembro exatamente tudo desde os quatro anos dele por que realmente não lembro de tudo apenas alguns flashs de empurrões da vó que não queria dar colo quando ele chorava ou se machucava, lembro de algumas empregadas que foram boas com ele outras nem tanto e lembro do pai dele fingindo que ele não existia, mas então os anos passaram ele foi crescendo e entendendo que não era tão querido assim pela vó nem pelo pai, eles não faziam questão da presença dele durante nenhuma refeição na realidade ele semprecomia sozinho no quarto, ele aprendeu a ser independente já que vivia praticamente sozinho na mansão ele só se sentia um ser humano de verdade quando ia pra casa dos avós maternos ele amava muito o vovô Mason e a vó Elis também mais ela estava doente e logo faleceu deixando o velho sozinho e muito triste também e pensando que com ele teria o mesmo tratamento que tinha na mansão evitava ir vê—lo. Mais alguns meses depois o pai dele foi voltando ao normal, falava, brincava, levava ele na escola e tudo a dona Elizabeth também tentou se aproximar algumas vezes, mas ele não dava muita bola para ela. Então o pai começou a levar ele para os encontros que ele sempre ia com os amigos foi onde ele conheceu Enzo e o filho do Théo eles eram melhores amigos brincavam muito sabe...Então um dia os meninos foram dormir lá na casa os dois chegaram juntos e os pais foram para o escritório do pai dele conversar ele queria muito andar de bicicleta mais o filho do Théo estava muito gripado e tinha medo de pedir ao pai Otávio se ofereceu para pedir e foi para o escritório mais antes de bater na porta ouviu que os três homens lá dentro discutiam muito feio, eles brigavam com Théo que tinha recebido umas cartas com ameaças de morte, o pai de Otávio queria que Théo Hilton deixasse o país mais o homem disse que não iria a lugar algum pois ele não tinha medo dos irmãos, Otávio não pôde ouvir muito mais pois os meninos apareceram correndo no corredor, aquela noite ele sonhou com a família do amigo morta, ele viu claramente o amigo , a irmã e os pais dentro de caixões ele chorou muito aquela noite mais não contou a ninguém o que tinha ouvido. Dois meses depois o melhor amigo de Otávio tinha desaparecido no mar junto com sua irmã e os pais dele estavam mortos. O pai de Otávio ficou muito triste de novo e dizia que a culpa era dele e do maldito dinheiro dos Carson, as coisas voltaram à estaca zero e ele voltou a ser um fantasma solitário de novo pois Carlos pegou sua família e saiu de Chicago ele achava que a vida dele não podia piorar...— Ele contava tudo com o olhar frio fixo no meu. – Bem ele não sabia o que o aguardava então...Alguns meses depois eles começaram a receber a visita constante dos outros amigos do pai dele, ele não gostava desses sempre os achou estranhos...eles o olhavam como se ele fosse um inseto não entendia o porquê, o aniversário do pai dele chegou e a vó decidiu fazer uma grande festa para comemorar a presidência da companhia que ela iria entregar ao Carson pai como presente, a festa estava lotada de pessoas um monte de gente estranha e ele foi a única criança do evento, não querendo ficar entre os adultos ficou na cozinha comendo doces e perturbando os garçons...o pai veio procurar ele para saírem em uma foto e ele não queria ir, mas foi pousaram para foto e ele correu para dentro de casa de novo passou pelo escritório e viu o pai lá dentro com outro homem que estava de costas esse homem tinha uma arma apontada para cabeça do pai dele assustado correu para fora de novo em busca da avó no caminho ouviu os três amigos do pai conversando sobre explodir uma casa, intrigado mais compressa para ajudar o pai se escondeu e ouviu o que eles falavam.

A festa está no fim, o momento é agora Oscar.

—É Oscar vá lá e faça ká—bum!!!— Falou Esdras rindo.

—Certo eu vou, abrirei o registro geral de gás e depois jogo uma bombinha lá dentro...—Ele disse rindo e saiu andando Otávio não acreditou achou que era brincadeira, mas mesmo assim o seguiu, ele desceu para o porão, ele correu para falar com o pai, o homem com a arma ainda estava lá e o pai dele ficou desesperado quando o viu entrar no escritório...— Anthony ri friamente e dá uma pausa respirando fundo, seus olhos estavam vermelhos como brasa e ódio vivo irradiava de sua íris.— Ele estava com tanto medo, estava tão assustado com tudo que ouviu e viu que suas calças estavam molhadas de urina quando parou na porta do escritório do pai, ele falou papai corre! E ele respondeu saia daqui Oto, ele repetiu de novo, papai foge! E ele o ignorou de novo o homem com a arma puxou Otávio pelo braço e colocou a arma dentro da boca dele, o pai ficou parado olhando e ele novamente molhou as calças...o homem puxou o gatilho mais não teve tempo de matar Otávio pois a primeira explosão aconteceu e ele para se proteger se abaixou o soltando, ele correu e chamou o pai de novo...

Papai os seus amigos aqueles que eu não gosto querem te matar, corre!— O pai o olhou nos olhos e disse: Eu sei filho, mas tenho que te proteger primeiro, eu juro que não entendi nada afinal a alguns minutos atrás tinha uma arma na boca de Otávio e ele nada tinha feito, então ele assistiu o pai pegar uma arma em sua gaveta e atirar no homem que estava na nossa frente, Otávio gritou assustado mais entendeu que era pra os proteger, porém o homem não morreu apenas caiu soltando sua arma que caiu justamente aos pés de Otávio , o homem se levantou com uma faca em mãos e foi para cima do garoto, mas o pai de Otávio foi mais rápido e entrou em uma luta corporal com o homem da faca, no meio da luta Anthony o pai de Otavio foi ferido e caiu no chão o bandido tentou ir para cima do garoto de novo mais o garoto pegou a arma que estava no chão e atirou no homem que estava a sua frente gritando desesperado ao ver o corpo do homem ir ao chão, outra explosão aconteceu e o pai o pegou no colo para saírem, mas no corredor foi atingido por uma paulada na cabeça caíram no chão Otávio gritou e olhou bem nos olhos do homem que bateu no pai...Era Josh ele bateu em Otávio também a paulada na cabeça o fez ficar inconsciente por alguns minutos e então eu nasci, quando a tontura passou e eu consegui me levantar o fogo já estava quase nos alcançando tinha pedaços de madeira com fogo bloqueando meu caminho mais mesmo assim eu peguei os pés do meu pai e arrastei pelo corredor com fogo eu só não sabia que estava indo em direção a mais fogo ainda...outra explosão e eu cai um pouco distante do meu pai, desorientado olhei ao redor eu já estava sem conseguir respirar direito por conta da fumaça, minha visão estava embaçada mais eu vi, meu pai levantou me pegou em seu colo e me levou para onde as chamas estavam mais brandas depois disso eu desmaiei e acordei no hospital.— Anthony terminou de narrar com as mãos fechadas em punho e lágrimas silenciosas descendo por seu rosto.

— Eu sinto muito Anthony por tudo que você sofreu e suportou eu sinto muito. — Falo levantando e parando em sua frente abraçando seu corpo de modo que sua cabeça fico na altura do meu estomago e meu corpo entre suas pernas. Ele me abraçou forte e apertou seu rosto em minha barriga enquanto chorava sem parar, eu também não pude evitar as minhas lagrimas e chorei junto com ele me perguntando o quanto um ser humano que capaz de suportar tanta dor e frustração sem enlouquecer, eu sabia que aquela história era apenas a metade de tudo que Otávio Carson suportou em seus vinte oito anos de vida e eu queria tirar toda aquela dor dele mais sabia que eu não tinha super poderes e mesmo com o pai vivo a dor do sofrimento vivido iria persistir por muito tempo ainda.

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