Me Mate, Me Ame
57 Ester
Nós assistimos com espanto o corpo de Julia cair da sacada e como se já não fosse desesperador o que ela fez Otávio completou o quadro desmaiando nos braços de Rosa.
— Droga!— Digo indo até o corpo de Otávio junto com Aline.
— Desce Ester veja a Julia que cuido do Otávio.— Aline diz já começando a examinar o homem no chão então correndo saí de dentro da casa encontrando vários seguranças ao redor do corpo de Julia, empurrando alguns consegui chegar até a loira.
— Ela morreu doutora?— Perguntou o jardineiro enquanto eu me abaixava e verificava os sinais vitais da mulher.
— É claro que não, ela caiu em cima do Alvares nem chegou a bater a cabeça.— Respondeu um dos seguranças chamando minha atenção.
— Como assim?— Pergunto ainda examinando o corpo de Julia.
— Bom doutora é que nós ouvimos os gritos e quando ouvimos ela falando em se jogar ficamos aqui em baixo para tentar fazer alguma coisa, daí ela pulou e caiu por cima do Alvares que estava aqui em baixo da sacada e correu no momento certo para ampará—la.
— E cadê ele?—Pergunto aos homens.
— Estou aqui senhora!— Respondeu um dos seguranças enormes de Otávio Alvares era uma afrodescendente muito bonito e de sorriso gentil mas no momento seu sorriso estava manchado com sangue e eu não consegui me conter e acabei me levantando e o abraçando por ter salvo a vida de Julia.
— Nossa Alvares muito obrigada, você salvou a vida dela, muito obrigada mesmo.— Falo emocionada e realmente agradecida.
— Que é isso doutora, eu só fiz o meu trabalho. Ela vai ficar bem? — Ele pergunta quando o solto.
— Vai sim, ela quebrou uma perna e um braço no mais acho que tudo está bem. Ela só ficará um tempinho internada. A ambulância já está chegando vou pedir para te examinarem ok!?
— Sim senhora.
— E aí Ester? — Aline chega ao meu lado perguntando.
— Ela está bem, ganhou uma terceira chance —Digo apontando para o homem com o rosto machucado.
— Sério!?
—Sério, só uma perna e um braço quebrados e Otávio?
— Está bem também, ainda apagado, mas bem.— Ela respondeu e então a ambulância chegou Mick desceu e veio até nós para saber o que aconteceu e contamos resumidamente eles socorreram Julia e o segurança e logo seguíamos para o hospital, no caminho aproveitei para ligar para Jered e felizmente no segundo toque ele atendeu.
— Fala Ester!
— Onde você está Jed?
— No seu apartamento— Ele diz me surpreendendo
—No meu apartamento? Fazendo?
— Trouxe um hóspede, mas por que você está ligando mesmo?
—Preciso que você venha para o hospital agora.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa com a mamãe ou o papai?
— Não, só vem ok? Quando você chegar aqui conversamos.
—Ok.
Já no hospital Julia foi atendida pela equipe de plantão e eu aproveitei para ligar para Rosa para saber sobre Otávio e soube que ele continuava apagado então pedi que ela me ligasse assim que ele acordasse. Enquanto esperava Jed aproveitei para ver o paciente que me agrediu mais cedo e no quarto em que ele estava encontrei meus internos.
— Olá pessoal como vai o nosso paciente?— Pergunto me aproximando
— Bem ainda dopado mais bem.
— E sobre o histórico psiquiátrico dele alguma novidade?
— A esposa disse que ele andava muito nervoso por causa do trabalho e hoje ele acordou muito alegre pois iria ser promovido, então chegamos a conclusão de que ele não conseguiu a promoção por isso tentou se matar.
— É pode ser que por isso, mas investiguem mais perguntem a esposa se ele teve algum outro comportamento estranho além de hoje. E sobre a medicação reduzam um pouco, vamos ver como ele vai se comportar sem estar dopado.
— Sim senhora.
Sinto meu celular vibrar e vejo que é Jed avisando que estava na recepção, respirando fundo me encaminho pra lá eu tinha certeza que ele iria pirar comigo por ter falado com Julia, mas eu já estou farta de guardar segredos eu só quero que tudo isso acabe. Cheguei a recepção e o encontrei parado, ele estava sério e parecia bem preocupado.
— Ei Jed!— Chamo sua atenção.
— Ei, Ester! Que saudade maninha!
— Também, você está bem?
— Estou e trago boas notícias de NY, mas primeiro qual é o problema aqui?— Ele pergunta e eu suspiro já prevendo a bronca.
—Vem, vamos para minha sala.
Pegamos o elevador e logo estávamos confortáveis em meu sofá.
—Você quer água, café, suco, está com fome?— Pergunto afobada
— Não, eu estou bem...agora cuspa!— Ele diz quando percebe que estou enrolando.
— Você vai me matar, mas eu tive que fazer o que fiz para trazê—la de volta a razão.— Disparo em um único folego.
— O que? Quem? Fala devagar!
— Tudo bem, desculpa...olha Julia ontem discutiu com Otávio e surtou depois saiu do escritório com Aleff Vasques. — Conto e vejo Jed empalidecer ao ouvir que sua irmã saiu com o filho do assassino dos seus pais. — Então saímos atrás dela e a encontramos bêbada e completamente drogada. Hoje ela tentou atacar Otávio e como resultado uma das personas apareceu e foi uma confusão danada eu tive que ir lá tentar controlar os dois e o resultado foi positivo até a hora que eu abri minha boca e contei a história da nossa família e a de vocês...
— Ester???
— É eu sei que fui precipitada, mas eu queria que ela acordasse para vida e visse que ela não está só...eu queria que ela soubesse que tem você.— Falo e o vejo levantar do sofá e andar de um lado pro outro.
— Você não tinha esse direito Ester!— Ele diz sério
— Eu sei me desculpa eu não fiz por mau.
—Sei que não, mas esse não era o momento.— Ele diz e suspira passando a mão em seu rosto.— Cadê ela agora?
— Bem...então a Julia ela não está bem mentalmente sabe!?Quando eu contei eu achei que ela gritaria e me bateria me chamando de mentirosa e tals...mas ela tentou se matar Jed ela não está bem, ela sempre procura uma forma de se machucar por acreditar que foi jogada fora por que não era digna de amor.
— Para, você está dizendo que minha irmã tentou se matar?
— Sim
—Como?—Ele pergunta com as mãos na cintura
— Ela pulou da sacada da casa de Otávio, mas ela está bem só quebrou uma perna e um braço, um dos seguranças amorteceu a queda.
— E agora?
— Agora ela está em observação, mas Jed esse negócio de drogas e bebidas exageradamente já é um pedido de socorro e hoje foi o limite...
— Você está querendo dizer o que?
— Estou dizendo que ela precisa de ajuda assim como você teve, ninguém cuidou do lado psicológico dela quando ela era criança Jed, ela sofreu um bocado.
— E o melhor seria interná—la é isso?
— Como médica eu te digo que sim, mas você pode tirar suas próprias conclusões ao ver ela. –Digo me levantando e caminhando em direção a porta.
— Ester!—Paro na metade do caminho ao ouvir a voz séria de Jered.—Não pense que irei te agradecer por isso e muito menos por você ter contado algo que não era da sua conta.— Ele diz e eu viro para encará—lo.
— Tudo bem Jered eu sei que não deveria ter contado de forma tão abrupta afinal eu não faço parte da família de vocês, mas eu também não irei me desculpar de novo e nem por nada mais pois ela precisava saber, ela necessitava ouvir a verdade para poder tomar um rumo definitivo na vida dela e você não teria a coragem de contar que eu sei, você iria querer se aproximar devagar e sondar o terreno...hum...no mínimo dentro de um ano você teria a coragem de contar...só que nós estamos falando de uma dependente química e até a sua coragem aparecer muita coisa poderia acontecer.— Digo o olhando nos olhos.
— Será que no meu tempo ela iria tentar se matar também?— Ele diz sarcástico
— Talvez, Julia tem fortes sinais de borderline e pessoas assim se odeiam, elas tem limites muito rígidos contra elas mesmas, do nada estão felizes demais e em segundos estão se automutilando ou tentando suicídio por acharem que não merecem essa felicidade.— Digo suspirando.— Olha...quem está acompanhando o quadro dela é a Aline você pode conversar com ela e saber mais sobre a situação da sua irmã.— Digo chateada por ele me tratar de forma tão fria.
— E por que você não é médica dela?—Ele pergunta
— Eu acho que já me intrometi demais e...ela me odeia.— Digo dando um pequeno sorriso.— Vem vou te mostrar o quarto dela.— Falo saindo apressadamente do consultório.
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