Me Mate, Me Ame
32 Ester
Acordei sentindo minha cabeça doer relutante abro meus olhos, estou deitada de lado e a primeira coisa que vejo é o rosto de Otavio, ele está desacordado, mas parece bem. Minhas mãos estão presas atrás das minhas costas e meus músculos reclamam de dor.
— Otávio!?— Falo baixo tentando acordá-lo. — Otávio? Anthony? Marcos? Pelo amor do pai acorda!!! Vamos lá qualquer um, alguém??? – Praticamente imploro mais nenhuma resposta recebo. – Droga! Inconformada por ninguém dar sinal de vida me remexo de um lado a outro e por fim consigo me sentar, olho ao redor e vejo que estamos em uma cabana que parece bastante velha nós estamos em cima de um colchão que está no chão no canto do que pareceu um dia ser uma cozinha. Na nossa frente tinha um fogão velho e no canto um armário caindo aos pedaços. O teto tinha algumas telhas quebradas permitindo assim que a luz do sol iluminasse o cômodo. Além das janelas de vidro que estavam completamente sujas, olhando bem o local em que estávamos parecia que esse sequestro não tinha sido tão bem planejado assim pois o cativeiro deixava e muito a desejar, balanço a minha cabeça para espantar os pensamentos inúteis da minha mente, hum, onde já se viu analisar qualidade de cativeiro aff... Definitivamente depois desse caso irei tirar férias. Tento mais uma vez acordar Otávio balançando desajeitadamente sua perna mais a criatura nem se mexeu para não enlouquecer tentei pensar em um jeito de nos tirar dali, porém nenhuma ideia vinha em minha cabeça, não sei exatamente quanto tempo passou, mas eu comecei a sentir sono, fome e sede e a criatura ao meu lado pouco se movia.
Quando meu corpo estava começando a ceder pelo cansaço
Otávio se mexeu e acordou desorientado.
— Otávio ainda bem que você acordou! —Falo aliviada.
— Ai minha cabeça! Onde estamos? — Perguntou tentando mexer seus braços. — Droga! Pensei que dessa vez conseguiria morrer. — Exclamou indignado e eu me desesperei um pouco mais afinal Caio não tem o perfil de quem quer ter uma vida longa e feliz. — Que foi ficou triste por ser eu e não um dos seus favoritos? —Perguntou enquanto arrastava seu corpo tentando sentar.
—Eu não tenho um preferido. É só que seu histórico não é muito animador. —Falo a verdade.
Caio ficou um pouco em silêncio olhando o fogão velho que tinha a nossa frente e imediatamente lembrei do Marcos, ele com certeza iria ter alguma ideia perigosa envolvendo fogo. Passados alguns minutos percebi pelo canto dos meus olhos que Caio agora me olhava.
— Você está com medo por estarmos aqui? — Perguntou me analisando.
— Sim, eu estou com medo sim e você? —Perguntei de volta
— Medo...Não eu não tenho medo de morrer.
— Bom eu tenho. Eu sonho em realizar muitas coisas em minha vida..
—Já sei, você quer casar ter filhos uma casa grande com cerca branca e um cachorro.— Me interrompeu e falou com sarcasmo.
— Não é exatamente isso, primeiro quero me tornar uma excelente médica depois encontrar alguém que me valorize e claro que me ame, depois quero viajar e conhecer o mundo e talvez um dia tentar encontrar algum parente meu.
— Como assim? Você não tem família?
— Eu sou adotada meus pais biológicos faleceram quando eu era muito pequena. Mais eu amo as pessoas que me adotaram sabe!?Eles são incríveis, meu pai é cervejeiro e tem um restaurante junto com a minha mãe e o meu irmão que também foi adotado é um detetive ele sempre foi o meu melhor amigo.— Falo com emoção ao lembrar da minha amada família.
— Deve ser muito bom pertencer a algum lugar ou a alguém não é?!— Caio falou baixo.
— Sim isso é verdade, mas existe outra coisa que é mais importante, se pertencer se conhecer, se amar querer sempre ser alguém melhor pois só assim podemos realmente honrar aqueles que nos fazem felizes.— Falo o que sempre ouvi do meu pai e vejo a feição desinteressada de Caio vacilar.
— Como assim?
— Bom pense comigo, do que adianta todos me amarem me darem atenção, presentes e tals e eu simplesmente me desvalorizar me achar uma derrotada, fraca e insignificante? Você consegue perceber o erro?
— Não claramente.
— É simples, antes de qualquer pessoa me notar e valorizar eu devo me amar, ser querida por mim mesma. E cuidar e investir no meu bem estar tanto físico quanto emocional, pois se eu não estiver bem automaticamente farei sofrer aqueles que se preocupam comigo.
— Eu ainda não entendi claramente mas também acho que é por que não consigo nem me imaginar cuidando de mim mesmo afinal eu nunca tive tempo suficiente para nada.— Falou sem emoção alguma.
— Você não aparece muito não é!?— Pergunto enquanto forço um pouco mais os meus braços na tentativa inútil de me soltar .
— O que você acha!?— Falou com deboche enquanto também tentava se soltar.
— Mais isso é bom — quer dizer, não o caso de você não sair tanto eu quero dizer que por mais confuso e difícil que tudo seja Otávio não quer morrer, o que consequentemente mataria a todos vocês.— Explico enquanto ele me encara com a expressão fechada.
—Pode ser, mas ele não querer morrer não significa que eu não quero.
— E por que você quer tanto morrer?
—Eu...só tenho dezessete anos e todas as emoções negativas como tristeza, medo, frustração, ansiedade, solidão vem para mim e isso cansa. Eu não tenho uma vida, nunca tive família ou amigos.
— E o Enzo?
— Ele é amigo do Otávio.
— Sei e sobre a noiva de Otávio você a conheceu?
— A Jully? Conheci ela era uma garota legal enquanto estávamos na clínica, mas depois as coisas mudaram e eu não tive mais tempo. – Falou e realmente parecia muito mais melancólico.
— Que coisas?
— Eu não lembro...Anthony...
— Anthony bloqueou essas memórias também.
— Sim, ele e o seu grande ódio suprime tudo de todos.
— Então ele cuida de vocês de certa forma...O que você está tentando fazer?—Pergunto ao vê-lo se contorcer como uma minhoca e passar seus braços por baixo do seu quadril e logo depois por suas pernas fazendo seus braços agora ficarem amarrados para frente e não mais nas costas. Ele não me respondeu apena colocou—se de quatro e depois de joelhos ficando magicamente de pé logo em seguida.
— Não é só os seus queridinhos que sabem se virar.— Falou enquanto pulava em direção ao fogão.
—Eu ainda não tenho queridinhos mais...se você nos tirar daqui talvez você possa ser o primeiro da lista.— Falo com um sorriso no rosto ao ver ele achando um copo de vidro e jogá—lo no chão.— Shii!!! Não faz barulho se não os homens aparecerão.
—Se não fizesse barulho não teria como quebrar o copo.— Falou sussurrando enquanto pulava de volta para onde estava antes e se jogar no chão.— Aqui vem vire de costas vou te soltar e depois você me solta.
Imediatamente virei e ele começou a cortar o lacre com um pedaço do vidro.
Enquanto ele trabalhava ficamos em silêncio tentando localizar onde os homens estavam, mas não conseguíamos ouvir muita coisa.
— Pronto suas mãos estão livres agora libere seus pés e eu.— Ele falou e rapidinho peguei o pedaço do vidro e comecei a passar no lacre não era difícil porém também não era tão fácil alguns minutos depois eu terminei de me soltar e fui ajuda-lo. Depois de terminar de cortar os lacres nos levantamos e começamos a andar pela cabana em que estávamos era um lugar pequeno e aparentemente abandonado as paredes eram de tijolos e o chão de tábuas. Tinha três janelas e para nossa sorte não tinham grades no canto o fogão velho e ao seu lado um armário com copos e garrafas de bebidas os outros dois cômodos que eram uma sala e um quarto estavam vazios.
—Ei aqui não tem um banheiro. – Caio falou indignando.
— E se tivesse o que você iria fazer? — Pergunto estranhando sua indignação.
—Nada só estou falando. Onde sua família vive? – Perguntou enquanto me observava.
—Em Beach Park numa casa nos fundos do restaurante deles por que? — Perguntei enquanto uma ideia a lá Marcos surgia em minha cabeça
— Como é morar com uma família? — Ele respondeu com outra pergunta colocando suas mãos em seus bolsos e me encarava.
— Agora você mudou de ideia e quer conversar? — Pergunto surpresa ao me lembrar de suas palavras no escritório.
— Já que estamos presos aqui o que é que tem?
— Então quer dizer que se sairmos daqui não conversaremos mais?
— Vamos ficar nessa brincadeira?
—Que brincadeira?
— Responder sempre uma pergunta com outra?
—É divertido você não acha? – Falo segurando um sorriso enquanto tirava minha jaqueta e me preparava para rasgar minha camiseta.
— Não é divertido, ei por que você está tirando sua roupa? — Pergunta ficando de costas para mim.
—Você não quer sair daqui?
— E pra sair teremos que seduzir os sequestradores?
— Não, mas que tal servimos para eles um coquetel molotov? —
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