Me Mate, Me Ame
29 Ester
As minhas mãos estavam suadas e o celular de Aline era como uma tabua de salvação que me mantinha ligada a realidade. Os dois homens ainda me encaravam esperando a minha resposta.
— E—e—eu...
— Ester! Ele acordou.— Fui interrompida por Aline que saiu apressada do quarto.
— Quem é agora?— Pergunto já caminhando para junto dela.
— Eu não sei, ele apenas abriu os olhos e ficou lá deitado olhando pro teto.
— Droga, que seja o Oto, que seja o Oto.— Pedi baixinho já entrando no quarto.— Onde está a Julia? — Pregunto ao não ver a loira no quarto.
— Trancada no banheiro. — Aline sussurrou
Entrei devagar no quarto e observei o homem deitado na cama me aproximei e o olhei de perto.
— Oi, você está bem? — Pregunto para tentar descobrir quem era. Ele me encarou virando seu rosto em minha direção e sorrio.
—i Yo estoy muy bien, gracias por preguntar doctora!— Marcos... ufa pelo menos não é o Anthony. — A sua visita já acabou? O que eu estou fazendo aqui nesse quarto? Ah, já sei, au!— Falou massageando a cabeça no lugar em que acertei o vaso.— Anthony aconteceu.— Falou suspirando.— Vamos embora?— Fala já levantando da cama.
— Eerr, vamos sim, quer dizer daqui a poquito sí!?Eu só irei resolver uma coisa e já iremos, enquanto isso porque você não vai mostrar a sua moto ao doutor Esdras?!Ele ama motos sabia?— Falo aproveitando que o médico estava ali no quarto e olhava admirado a situação.
— É senhor..
— Marcos, yo soy Marcos!— Ele falou aceitando o cumprimento do médico.
— Bom saber sr. Marcos eu sou o Esdras. Vamos ver as nossas belezuras? — Perguntou ao homem que já estava de pé ajeitando sua roupa.
— Vamos. Não demora doctora! — Falou passando por mim. Ao chegar na porta parou de frente para Enzo e lhe deu um olhar frio e logo seguiu o médico saindo do quarto.
— Uau, o Marcos não vai com a sua cara hein!?— Aline falou enquanto ia em direção ao banheiro e batia na porta.— Tudo limpo moça!— Avisou a loira.
— E então Ester?— Enzo me perguntou, respirando fundo passei a mão em meu rosto e respondi.
— Por enquanto não Enzo.— Falei e vi seus ombros relaxarem imediatamente.
— Bom.— Ele murmurou.
Logo Julia abriu a porta do banheiro e nos encarou um pouco desconfiada.
—Olha ela aí! Enzo essa é a Julia Hilton e esse Jully é o Enzo Martney melhor amigo do Otávio e Enzo essa moça é a noiva do seu amigo. — Falei vendo a mulher sorrir pra ele enquanto ele a olhava espantado.
— Noiva?— Enzo perguntou.
— Sim.— Julia respondeu. E então ela repetiu toda sua história de novo. Enzo a ouvia enquanto balançava sua cabeça em negação.
— Como foi que vocês se separaram? — Perguntei
— Bom, um dia eu acordei e ele não estava mais lá, eu fiquei desesperada em busca dele mais ninguém sabia de nada, fui em delegacias e hospitais e nada. Aí quando eu já não tinha mais onde procurar voltei para o nosso apartamento, mas nem cheguei a entrar pois me sequestraram na época achei que queriam dinheiro afinal era noiva de um homem rico mais aí o tempo passou e nunca pediram resgate ou falaram o nome do Otávio
— E quando foi isso?— Otávio perguntou
— A quatro anos atrás, aqui eu tenho várias fotos pra provar.— Ela falou pegando um envelope antigo onde tinham várias fotos dela e de um Otávio com sorrisos estonteantes.
— Espera, você, você é a Jully?— Enzo perguntou
— Isso mesmo.— Afirmou Julia
— Mais você foi dada como morta. Otávio foi no seu enterro e depois disso ele se isolou em NY.
— Eu fui sequestrada. — Ela afirmou
— Onde você estava nessa época Enzo? — Perguntei curiosa.
— Estudando em Boston. Ei Julia como você conseguiu fugir? – Ele perguntou intrigado.
— Ah, eles vacilaram reduziram a segurança, então em uma madrugada fugi mata a dentro, eu estava em uma fazenda na Austrália.
— Tem quanto tempo que você fugiu? — Aline que até então estava quieta perguntou.
— Tem um cinco meses, eu estava escondida tentando localizar o Otávio.
— E sua família?
— Não tenho família, eu só tinha o Otávio.
Ela falou e eu esfreguei minhas têmporas pois minha cabeça perecia crescer a cada nova informação.
— Ester vamos.— Marcos falou entrando de repente no quarto, Julia imediatamente se levantou e foi em direção ao Marcos porém ele passou por ela sem lhe dar nenhum olhar e veio até mim pegou meu braço e saiu me puxando. Apenas dentro do elevador tive coragem de perguntar.
— Você está bem?
— Ótimo. Iremos para a empresa agora?
— Sim. — Respondi fingindo estar tudo bem mesmo sabendo que não.
No caminho não falamos muito, Marcos estava sério e tenso eu não estava diferente pois ainda tentava digerir tudo o que ouvi naquele quarto de hospital, caramba Otávio tinha uma noiva ou tem, mas alguma coisa ainda não se encaixava. Quem era Julia Hilton? Droga, mesmo não querendo acho que terei que pedir ajuda ao Jed. Percebia Marcos reduzir a velocidade e quando olhei ao redor percebi que já estávamos na empresa afinal nem era tão longe do hospital. Após estacionarmos seguimos para a entrada, alguns funcionários paravam para cumprimentar um Marcos extremamente quieto que se limitava em apenas balançar a cabeça como resposta.
— E entonces o que faremos ahora? — Ele me perguntou ainda no saguão da empresa. Aquele lugar era enorme e muito bonito, a decoração era arrojada e requintada tudo muito moderno claro e elegante, as paredes eram de vidro, e todos os acabamentos eram em inox. As pessoas se vestiam muito bem e eu me senti um pouco deslocada alí. Apesar de ser rica eu nunca ostentei nada para mim o pouco era maravilhoso.
— Você não tem uma sala?
— Sei lá.— Diz dando de ombros
— Você já entrou aqui antes?
— Esse corpo já eu não.— Respondeu emburrado.
— Certo, você deve ter um assistente pergunte por ele na recepção.— Falei
e ele foi até o grande balcão branco onde tinham várias mulheres trabalhando, alguns minutos depois ele voltou um pouco mais emburrado.
— O que foi?
— Meu assistente é o tal Enzo e nós sabemos onde ele está.— Falou zangado.
— É mesmo. Espera o celular de Aline ainda está comigo. — Falei já o pegando e mandando uma mensagem para Enzo poucos minutos depois ele respondeu.
— Prontinho, ele já está vindo e a sua sala é no oitavo andar vamos. — Falei o puxando para o elevador. Algumas pessoas entraram junto com a gente e ficaram nos encarando. Marcos os ignorava completamente e eu tentava controlar minha vergonha. Quando chegamos no oitavo andar eu suspirei aliviada já Marcos só pareceu mais chateado, definitivamente ele parece não gostar de trabalhar, coitado do Otávio tendo que sustentar um gastador como Anthony e um preguiçoso como o Marcos. Logo chegamos a sala que pertence a Otávio e pude ver o quanto era bonita, Marcos caminhou até o sofá no canto da sala e se jogou nele.
— Você está bem? — Pergunto ao ver sua face abatida.
— Dolor de cabeza.
— Você quer um remédio? Eu trouxe.— Falo pegando minha bolsa.
— Não, é só que está uma confusão danada aqui.— Falou apontando sua cabeça.
— Você quer falar sobre isso?— Pergunto sentando na mesinha a sua frente.
— Aquela mulher...— Ele falou após se sentar e jogar sua cabeça para trás e apoia—la no encosto do sofá.— Ela é estranha eu não a conheço porém não gosto dela.
— Como assim? — Pergunto
—Não sei explicar.
— Quando Otávio ficou com ela você e as outras personas não chegaram a aparecer ?
— Não que eu me lembre.
— Então quer dizer que por algum espaço de tempo o TDI atenuou—se...
—É...talvez. Eu vou no banheiro. — Ele fala suspirando e se levantando.
— Ok
—Onde é? — Ele perguntou e nós olhamos ao redor. — Aqui, achei. — Falou indo em direção a uma porta no canto do escritório. Enquanto ele usava o banheiro fiquei remoendo tudo o que já tinha acontecido hoje, caramba e ainda nem era dez horas, Julia...quem realmente é você? Anthony e Marcos não a suportam, mas aquelas fotos... algum tempo depois fui tirada dos meus pensamentos pelo som de um pigarro.
— E aí você está melhor? —Pergunto ao homem que continuava parado segurando a maçaneta da porta do banheiro. — Marcos? Tudo bem? — Pergunto de novo e o olho com atenção notando algumas diferenças nele, a jaqueta que ele usava estava em sua mão, a camisa preta estava presa na frente da calça, as mangas estavam dobradas até o cotovelo e o cabelo antes rebelde estava penteado para o lado. No primeiro momento pensei em Otávio porém esse pensamento se desfez ao ouvir sua voz...
— Quem é você?— Ele perguntou fazendo meu coração gelar. Droga, não era nem dez horas e Caio estava em minha frente.
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