Me Mate, Me Ame
28 Ester
Eu sou uma médica formada e renomada, tenho experiência, serenidade, responsabilidade e tranquilidade para poder lidar com qualquer caso, paciente e situação. Posso assumir o controle de tudo e resolver qualquer problema, isso era o que eu pensava de mim a alguns minutos atrás enquanto olhava a face bonita da loira a minha frente, porém eu jamais poderia imaginar o que sairia da boca dela e muito menos poderia esperar que Otávio fosse entrar no quarto de forma tão intempestiva, quer dizer Otávio não Anthony e quando vem a minha mente a frase fracasso médico eu só consigo imaginar os nossos nomes estampando as principais manchetes dos jornais e revistas do mundo, afinal eu estava presenciando um quase assassinato ,não você não leu errado, pois nesse exato momento eu e Aline estávamos tentando fazer com que Anthony largasse o pescoço de Julia sua...noiva.
— ANTHONY PELO AMOR DE DEUS LARGA ELA!!!— Essa frase eu e Aline estávamos gritando a algum tempo porém ele parecia não ouvir.
—O QUE VOCÊ VEIO FAZER AQUI SUA TRAIDORA!?VOLTE PRO INFERNO EM QUE VOCÊ ESTAVA!!!— Anthony gritava para Julia a sacudindo pelos braços.
— Otávio s—o—l—t—a!!!— A loira tentava falar desesperada.
— Te soltar ? Eu vou é te matar de vez!!!— Ele falou extremamente frio colocando suas mãos em volta do pescoço dela de novo. Anthony parecia estar possuído pois tentamos de tudo para fazê-lo soltar a loira e nada funcionava.
— Arrgg..Agora vou usar minhas aulas de karatê.— Falou Aline pulando nas costas dele porém tudo o que conseguiu foi cair no chão com o safanão que recebeu.
— ALINE!— Gritei ao vê-la cair.
— Ai...Eu tô bem Ester. Temos que fazer alguma coisa ele vai matar ela. — Line falou apontando para os dois que se atacavam na cama, Julia puxava os cabelos de Anthony com força enquanto ele tentava pegar no pescoço dela de novo. Eu desesperada com a cena corri no corredor onde os seguranças já se aproximavam por causa dos gritos e fui direto para um vaso de flores que tinha em uma mesinha ali, peguei o vaso joguei as flores no chão e corri de volta pro quarto indo direto na direção de Anthony e acertando o vaso em sua cabeça conseguindo assim pará-lo.
— Você matou ele Ester?— Aline sussurrou assustada.
— Acho que não.— Falo respirando fundo tentando acalmar o tremor do meu corpo. Aline rapidamente foi até Anthony que estava caído por cima de Julia e o examinou.
— Não, tudo bem ele só desmaiou.
— A cabeça feriu? — Perguntei me aproximando para ajudar atirar Julia de debaixo dele.
— Não. Está tudo bem com você senhorita Hilton? — Perguntou a uma loira completamente descabelada e vermelha.
—E—estou eu acho. O que foi que aconteceu com o Otávio? Porque ele agiu assim? — Perguntou tentando se recompor.
— A quanto tempo vocês não se viam? — Pergunto enquanto ajeito o corpo do homem na cama.
— Faz uns quatro anos acho. — Falou sentada na cadeira enquanto Aline ajeitava a bandagem em sua cabeça. Entretanto fomos interrompidas com o pigarro do segurança que estava parado na porta do quarto.
— Doutoras eu posso saber o que aconteceu aqui? — Perguntou olhando a bagunça no quarto.
— Ah... Você sabe como é, meus pacientes são especiais e dão um pouco de trabalho mais já está tudo resolvido. — Falei séria enquanto ele me encarava.
— Só isso mesmo?
— Sim, temos tudo sobre controle pode ficar tranquilo. — Aline afirma também seria. Ele hesita um pouco ainda, por fim sai relutante. Eu, Aline e Julia respiramos aliviadas e nos encaramos, eu estava sem saber por onde começar a explicar e também tinha uma grande dúvida se deveria confiar nessa moça principalmente depois da reação exagerada de Anthony. Tudo bem que ele é violento por natureza, mas nos relatórios não constavam nenhuma agressão a mulheres por isso estava agora realmente com um pé atrás com relação a esse tal noivado. Decidida resolvo que antes de falar qualquer coisa ligaria para Enzo e tiraria essa história a limpo.
— Aline você disse que o senhor Martney ficou de vir aqui hoje ele já veio?— Pergunto já falando o sobrenome dele de forma proposital para testar se Julia o conhecia.
— Não ele ainda não apareceu.— Ela falou me encarando.
— Certo. Me empresta seu celular por favor? — Peço. E por favor fique de olho no Otávio que irei ligar rapidinho pra o Martney ok!?— Pergunto me afastando do quarto.
Já no corredor fui até o jardim de inverno e liguei para ele.
— Ei doutora Brandon, bom dia!
— Bom dia Enzo!
— Ester? Aconteceu alguma coisa? — Perguntou aflito.
— Acontecer...aconteceu, você já está vindo para o hospital? — Pergunto encostando minha testa no vidro frio.
— Já estou no estacionamento. — Falou e eu pude ouvir o som da porta do carro sendo batida com força.
— Ótimo. Estamos no terceiro andar quarto 114.
— Tô subindo. — Ele respondeu e desligou em seguida.
Enquanto esperava Enzo repassava em minha mente tudo o que eu sabia sobre a vida de Otavio até agora e percebi tristemente que não sabia praticamente de nada. Existem muitas lacunas para serem preenchidas e nenhuma das personas colaboravam em nada apenas Nina soltou uma coisa ou outra Marcos e Anthony eram muito enigmáticos. Droga, eu preciso saber mais sobre ele para tentar desvendar esses traumas que o aprisionam.
— Ester! — Fui despertada dos meus pensamentos pela voz calma do doutor Esdras.— Fiquei sabendo que minha pupila estava aqui e não foi me ver.
— Oi doutor! Como vai? — Falo o cumprimentando.
— Vou muito bem e você e o seu paciente particular? Tudo bem, algum avanço no quadro? — Pregunta me analisando. Merda, como falar pro meu chefe que eu joguei um vaso na cabeça do patrão dele?
— Está bem na medida do possível.— Falo dando um fraco sorriso.— Difícil mais estamos tentando.
— Que bom.— Ele falou com um pequeno sorriso no rosto enquanto me analisava.—Eu por um momento pensei que talvez esse caso fosse pesado demais pra você mais aí então eu lembrei que era da doutora Shalton que eu estava duvidando, a minha estrela.— Falou me deixando sem graça.
— Que é isso doutor.— Falo sem graça.— Eu não sou perfeita.
— Eu sei que não por isso confiei esse caso a você pois eu sei que se as coisas ficarem difíceis você irá pedir ajuda. E eu queria te dizer que se você não estiver bem com esse caso eu estarei aqui e
o assumirei tranquilo.— Ele falou e eu o olhei realmente tentada a abrir mão do caso Carson porém alguma coisa dentro de mim me impedia de tomar essa decisão, mas antes de poder responder fomos interrompidos por um Enzo esbaforido e pálido chegando ao meu lado.
— Você vai abandonar o caso doutora Shalton?— Perguntou sério para mim.
— Olá senhor Martney!— O saudou o doutor.
— Olá doutor bom dia! Desculpe chegar assim, mas eu não pude deixar de ouvir um pouco da conversa de vocês. E então doutora Shalton, você vai entregar o caso? — Perguntou me encarando e me fazendo engolir em seco ao sentir a oportunidade de fugir dessa loucura na ponta dos meus dedos.
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