Me Mate, Me Ame
22 Ester
Agora com os ânimos renovados e limpinha após um relaxante banho saio do quarto para fazer um lanche, olho ao redor e não vejo Anthony em lugar nenhum.
— O menino saiu. —Rosa disse aparecendo atrás de mim e me assustando. – E saiu muito triste, tem certeza que vocês não brigaram?
— Não, quer dizer ele gritou comigo e ficou muito bravo por algo que eu nem tinha ideia do que era. E outra ele fica fazendo de tudo para eu gostar dele como se estivesse em uma disputa contra Otávio e que ele o Anthony precisa ganhar apesar de serem a mesma pessoa, é tudo tão confuso eu juro que se não já tivesse estudado tudo isso eu é que estaria louca. – Desabafei.
—Bom, foi você que escolheu se especializar nessa área não foi? — Balancei a cabeça assentindo. Então...
—É eu sei. Mas é confuso ainda assim. — Falei sentando no banquinho do balcão da cozinha e pegando uma maçã para comer. — Você sabe alguma coisa da época que ele viveu no internato?
— Não senhora. Como já disse eu estou com ele apenas a 3 anos eu ia duas vezes na semana limpar o apartamento dele em NY e eu nunca nem o ouvi falar sobre essa época do internato. Eu só sei das crises de personalidades que presenciei e depois o menino Otávio me explicou o que ele tinha, até então eu jurava que era demônio e por alto eu o ouvia conversando com o menino Enzo. Mas nada sobre isso. Por que quer saber disso menina? — perguntou parando de cortar os legumes do jantar.
— É que nos relatórios que recebi o assunto é muito vago e...
— QUE PORRA DE RELTÓRIO MARY? O QUE É VOCÊ? O QUE QUER AQUI? — Fui interrompida pelos gritos de Anthony que estava parado atrás de mim. – Você é médica. – Ele afirmou sério e bufando de ódio.
—Eu...
—Você é. Otávio te contratou, ele quer me destruir, foi ele, não é? Quanto ele vai te pagar para acabar comigo? DIGA! —Exclamou possesso de raiva.
—Anthony eu posso explicar...—Falei baixo, ainda mantendo o meu controle.
— É tudo fingimento, eu sabia, Ester Shalton eu sabia que essa história de esquecimento era mentira!
—C—co—como você sabe o meu nome? — Perguntei assustada e estática onde estava sentada.
—Eu sei de muita coisa sobre você, só não sabia que era psiquiatra. Sabia que era médica, mas a área não sabia ainda. — Falou passando as mãos pelos cabelos e andou para perto de mim.
— Por que? Você sabe coisas sobre mim? — Perguntei assustada
— Porque... Eu só queria está perto de você e para isso eu tinha que saber tudo a seu respeito. — Falou de cabeça baixa. – Mas isso não te dá o direito de me enganar. E você sabe que eu estava te esperando e prometeu que não iria me esquecer e esqueceu. E agora o Otávio acha que pode te manipular e te tirar de mim e me matar para só ele ter você... – Ele começou a falar sem parar.
—Anthony, Anthony, ANTHONY!!— Gritei para chamar sua atenção. — Não é nada disso, quem pediu a minha ajuda foi o Enzo, Otávio nem sabe quem eu sou. Fica calmo ok! — Falei saindo do banco onde estava e indo para perto dele.
—Ok. — Falou sentando—se no sofá e ficou encarando o nada. – Quanto vão te pagar? O que você vai fazer? Eu triplico o valor do seu pagamento se você trabalhar pra mim e não fizer o que mandaram você fazer. Vou fazer outro contrato, isso, faremos um contrato de exclusividade só eu e você e mais ninguém...— Falou empolgado me olhando ainda sentado onde estava.
— Anthony...— Falei dando um suspiro. — Ninguém me mandou fazer nada, eu apenas estou aqui para analisar o comportamento das personas, eu tenho o prazo de dois meses para dar um parecer sobre o seu caso e não, eu não irei matar ninguém, até porque isso está totalmente fora da minha ética profissional. E eu não tenho um contrato com Otavio, tenho com Enzo que apenas quer ajudar a vocês. — Falo calmamente abaixada em sua frente e olhando em seus olhos.
— Você gostou da surpresa? Do barco?
—Sim.
— Posso acreditar em você? — Perguntou sério
— Pode sim. — Falei firme
—Então me prove.
—Como?
—Coloque Otávio para dormir, pra sempre.
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