Me Mate, Me Ame
23 Ester
Eu sentia as minhas pernas dormentes e sabia que tinha que me levantar daquela posição desconfortável, porém a minha mente estava totalmente congelada, eu estava embasbacada com o pedido de Anthony. Como assim colocar Otávio pra dormir?
— Vamos Ester, responda que sim eu te pagarei o dobro, bastar você aceitar. —Falou persuasivo ainda me encarando. Pisquei rapidamente desviando meu olhar do dele, levantei—me e passei as mãos por meus cabelos pedindo a Deus que me desse paciência e sabedoria para poder lidar com Anthony.
—Eu não posso. – Falei parando a sua frente.
—É claro que pode! — Ele falou levantando—se e colocando a mão no meu queixo.
—Não posso. — Teimei batendo de frente com ele, e claro que por ser mais alto eu tinha que levantara cabeça para encará-lo.
— Basta você aceitar o meu acordo. Vamos Ester não é difícil. — Falou suavemente
— Eu já disse e repeti, vou falar de novo pela última vez. Eu não posso, não irei escolher entre vocês quem irá dormir e isso não faz parte da minha ética profissional. Então apenas pare Anthony. — Falei firme o encarando nos olhos.
— Tudo bem, você não quer por bem vamos ver então se por mal você aceitará. —E falando assim ele saiu e me deixou sozinha na sala e na casa pois eu ouvi claramente o som dos pneus de seu carro arrastando no asfalto devido a velocidade em que ele saiu.
As horas voaram depois da saída intempestiva de Anthony e preocupada resolvi ligar para Enzo contando tudo o que aconteceu. Enzo disse que Anthony não faria nada comigo e isso me tranquilizou momentaneamente, mas eu ainda estava receosa com as ideias absurdas que ele poderia ter. Cansada mentalmente me recolhi quando o relógio marcou uma da manhã e eu e a Rosa não aguentamos mais a espera. Dizer que consegui cochilar é uma enorme mentira pois com poucos minutos deitada ouvi a porta da sala ser batida com extrema violência. Assustada abri só um pouquinho a porta do quarto que estava e por entre a fresta eu vi Otávio arrastando-se para sua sala, ele estava segurando-se nas paredes e ria sozinho, compadecida de sua atual condição resolvi e ajuda-lo. Andei devagar até seu corpo que estava esparramado no sofá e parei a sua frente, o cabelo que outrora estava impecavelmente arrumado com gel agora estava uma bagunça com os fios apontados em todas as direções, e o seu rosto assustou-me um bocado pois estava machucado ao que parecia ser no supercilio e sujava todo o lado esquerdo de sangue a lateral direita da boca também estava bastante machucado.Com certeza se meteu em confusão.
— Otávio! —Chamei insegura e em resposta recebi um arquear de sobrancelha e um olhar meio desfocado. Corrigindo—me e chamei: Anthony? – E então a resposta veio em forma de gargalhada fazendo todos os meus pelos se arrepiarem pois eu estava tendo o prazer de conhecer em primeira mão o Marcos. ¡Que Dios mi ayude!
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— Bom, eu não sei o que ele falou, mas juro que não fiz nada! — Falei erguendo as mãos, e agradecendo silenciosamente as aulas tediosas de espanhol na faculdade.—Eu acho que fez sim. Aí minha cabeça...— Reclamou encostando o dedo na ferida da sobrancelha.—Você é o Marcos, não é?!— Perguntei para puxar assunto já que ele tinha fechado os olhos de novo.— Eso es lo que soy yo.—Você está ferido e sujo eu posso cuidar de você? – Perguntei querendo ajuda—lo.—Hum... vai cuidar de mim é?!— Falou fazendo uma cara safada.—Dos ferimentos. – Corrigi imediatamente o fazendo rir. Maldito homem bonito é até difícil escolher em qual estilo ele fica mais gostoso. Eu nem tinha reparado que agora no lugar do casaco anterior ele usava uma jaqueta preta de couro e tinha um ar de bad boy e cabelo que antes estava em um penteado perfeito agora apontava para todas as direções ele era um perigo de pernas junto com a voz quente, Marcos tinha a voz com o timbre mais baixo e rouco que Anthony e Otávio. Rapidamente saí da minha avaliação a sua figura e fui até a cozinha pegar a caixa de primeiros socorros logo estava novamente junto dele.— Aqui, vire um pouco o rosto para que eu veja o seu machucado. — Falei sentando—me perto dele no sofá. E ele obedientemente fez o que pedi, comecei limpando suas feridas sobre o olhar atento dele que não desviava seus olhos de mim nem por um segundo. Desconcertada resolvo puxar assunto e tentar descobri onde ele tinha se metido a noite inteira.
—Humm, então senhor Marcos o que aconteceu com você? — Perguntei calmamente e ele deu um pequeno sorriso torto e respondeu em espanhol.
—Chica bonita y curiosa, entiendo la fascinación de los chicos… Se eu falar onde estive o que ganharei como recompensa? — Perguntou fazendo charme.—Recompensa?— Bueno nade es de grátis, não é?—Eu não sei o que te oferecer. —Falei sem jeito e recolhendo o material usado para jogar no lixo.— Que tal uma dança? — Ele perguntou se levantado junto comigo.—Dança? — Perguntei achando graça do inusitado pedido.—É, eu gosto de dançar, você não? — Perguntou encostado no balcão com os braços cruzados.— Eu não sei dançar. – Falei a verdade— Então eu te ensino, vem vou colocar uma música. — Falou enquanto me arrastava para a sala novamente. Ele deixou—me parada no meio da sala e foi até o som onde colocou uma música suave para tocar.—Bom não é o estilo que curto mais serve. — Falou parando em minha frente e tomando minha mão na sua, Marcos colocou sua mão direita ao redor de minha cintura e ergueu—me até que meus pés estivessem sobre os seus.—Mas o que...— Voy a conducirla cara dama. — E então ele começou a nos girar suavemente pela sala e enquanto dançávamos ele olhava meus olhos com uma estranha concentração. – Você se lembrou de tudo Ester?— O que? — Perguntei sem entender.—Você, lembrou—se não foi? Da sua infância, do garoto. Você assustou o Anthony, agora diga—me você vai ajuda—lo contra o Otávio?—Eu...Como você sabe do que lembrei? — Respondi com outra pergunta— A forma que você me olha agora é como se houvesse reconhecimento no seu olhar reconhecimento de almas.— A—al—almas? — Perguntei.—É, destino, almas tanto faz, agora diga a quem você irá ajudar? Ele não quer dividir seu tempo com mais ninguém, nem Otávio, Sam, Caio, Nina ou eu, Anthony quer ficar com você, apenas ele. E você é médica então...— Ouça. – O interrompi parando a dança. – É justamente por ser médica que não posso escolher alguém, eu não posso colocar ninguém para dormir para sempre.—Antony irá fazer. — Me interrompeu—Não irá. Ouça com atenção Marcos. Eu não colocarei ninguém para dormir, ninguém entendeu?—Você promete? — Perguntou encarando—me aflito—Eu prometo a você. — Falei segurando em sua mão. —Agora diga onde você foi? Quer dizer Anthony.—Anthony foi ao hospital saber sobre você só que ele descobriu outra coisa muito estranha que o deixou muito triste e com raiva ao ponto de eu aparecer, mas aí ele já tinha arrumado a maior confusão com o pessoal do hospital e eu tive que me virar. — Falou andando em direção ao bar e servindo—se de uma dose de bebida.Imediatamente peguei o telefone e liguei para Aline.—Aline? O que aconteceu aí? — Perguntei preocupada—Ester graças a Deus! Aqui está uma zona Anthony veio aqui e fez um monte de perguntas sobre você depois ele viu alguma coisa na sala de exames dois e isso o enfureceu e ele saiu destruindo tudo os seguranças apareceram e o levaram lá para fora aí não sei o que aconteceu depois só ouvi uma explosão, mais graças a Deus não tivemos feridos. — Disparou em um só folego.— Certo. E...Marcos aconteceu Aline. – Falei suspirando. — Ele já está aqui se cuida e resolva o que você puder ok!—Ok. Cuidado Ester.—Terei Aline. — falei encerrando a ligação em seguida e encarando o Marcos que estava confortavelmente sentado no sofá tomando sua bebida. — Você, o que foi que Antony viu? – Perguntei calmamente— Uma mulher loira eu acho. Mas eu não gosto de loiras, prefiro as morenas. — Falou malicioso.—Hahaha. Vamos Marcos ajude—me a descobrir que bagunça é essa que Anthony fez.— Eu não sei ok! Só que quem tem essas memórias trancadas são o Anthony, ele esconde tudo da gente. Eu juro. — Falou olhando fixamente o copo em suas mãos.— Certo. Você não acha que já bebeu demais?—Eu? Não, estou bem. O que faremos agora? – Perguntou tirando os sapatos e a jaqueta.— Não sei, você não quer ir tomar um banho? Perguntei sentando do seu lado— Você vai comigo? — Perguntou virando o corpo em minha direção— Não!— Mais aí não tem graça hermosa! — Falou rindo um pouco. — Já sei vamos jogar vídeo game. — Falou levantando—se e me arrastando para sala de tv. Sem alternativa fui com ele. Algum tempo depois e muitas partidas perdidas por mim claro, resolvi perguntar—Marcos...Porque você explodiu o carro no hospital? — Perguntei falando baixo, o homem bonito ao meu lado pausou o jogo e me encarou.— Bom, Anthony já tinha levado uma boa surra quando apareci, eu estava no chão e iria receber um belo chute no rosto quando rapidamente rolei para baixo de um carro, depois consegui correr, porém eu estava no fundo do estacionamento e o carro do Anthony estava do outro lado perto do segurança então como distração peguei o isqueiro de Anthony...— Anthony fuma— Perguntei o interrompendo.— Quando está chateado.— Uaaal... as personas se chateiam...— Falei e o notei me encarar com uma cara estranha. – Desculpe.— Como ia dizendo peguei o isqueiro e procurei um carro que tivesse com algum vazamento e por sorte encontrei um velho e feioso aí foi fácil joguei o isqueiro aceso e corri de lá, aí logo fez Ká—bummm e aqui estou eu. – Falou piscando e volto ao jogo—O que você fez foi perigoso Marcos. —Falei chateada por ele ter posto várias pessoas em risco—Mais o carro estava lá bem longe dos outros...— Só não faça de novo ok?!— Falei passando as mãos em minha cabeça.—Está bem eu não farei de novo, mais é só porque você me pediu.—Obrigada. Estou com fome.— Eu também, vem vamos comer.Nos levantamos e fomos para a cozinha, preparei dois sanduiches e ele fez um suco de laranja comemos entre risos e piadas que ele insistia em contar olhei o relógio e já ia dar quatro da manhã Marcos seguiu meu olhar e depois deu-me um sorriso triste.— Você já está com sono doutora?— Um pouco. E você?— Não quero dormir. — Respondeu baixo e encarando meus olhos.— O que quer fazer? – Perguntei entendendo que ele queria um pouco mais de tempo. – Já sei vem! — Falei alegre o puxando para lateral da casa onde tinha um jardim lindo.— O que vamos fazer aqui doutora? — Perguntou curioso—ISSO!!!—Falei rindo no momento que o empurrava para dentro da piscina, alguns segundos depois ele emergiu rindo e saiu da piscina correndo atrás de mim nossa brincadeira durou por alguns minutos até que cansada deixei ele me pegar e pular na água comigo em seu colo, porém já na água ele não me soltou como deveria apenas virou meu corpo em sua direção e me encarou nos olhos.— O que acontece se mais de uma personalidade se apaixonar pela mesma pessoa doutora? — Perguntou rouco.— Não faço ideia Marcos. Mas não quero descobri. – Falei afastando-me de seus braços e indo correndo para dentro de casa. Droga Shalton. Como você vai trabalhar em caso com uma pessoa tão carente de afeto quanto você? Você tentou Ester agora é hora de parar.*************************************
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