Me Mate, Me Ame
14 Ester
Eu não estou acreditando no que passei no dia de hoje com a Nina sério que figura é essa? Tenho que me lembrar de quando ela estiver por perto sempre usar meu cabelo preso. Agora, enquanto o corpo de Otávio está deitado confortavelmente em meu tapete eu corro contra o tempo para resolver toda para amanhã. Ligo para Enzo e Aline avisando que Otávio já dormia e que alguém tinha que vir nos buscar. Enquanto estava com o celular no ouvido acertando os últimos detalhes catava minhas roupas que levaria que seriam apenas duas peças. Deixei meus documentos todos no cofre e guardei a chave do meu carro peguei a mochila mais velha que encontrei e ainda a rasguei mais um pouco. Com uma gilete fiz alguns cortes superficiais em minhas pernas e braços. Sujei meu rosto com barro das minhas plantinhas e baguncei bastante meu cabelo também lembrei de sujar minhas roupas e rasga—las. Depois liguei para minha mãe e avisei que iria viajar a trabalho e não tinha data para voltar. Não liguei para Jered, pois comigo ele é como um detector de mentiras iria me descobrir em dois tempos. Depois de tudo pronto fiquei esperando Enzo chegar e enquanto esperava fiquei pensando em tudo o que Nina me contou deve ser muito ruim não ter tempo você e apenas coexistir dentro de alguém. Olhando Otávio dormir ninguém diz que ele já sofreu tanto na vida, mas eu irei mostrá-lo que ele não está mais só, eu estarei com ele e o ajudarei a ter a coragem de juntar o melhor de todos eles em um só e vencer de uma vez por todas as lembranças que o aprisionam.
Fui desperta dos meus pensamentos com dois toques na porta.
—Ei Enzo! Boa noite! — Falei abrindo a porta e sorrindo para ele e mais dois seguranças que o acompanhavam.
— Boa noite Ester, vejo que você já está pronta para ação! —Falou com um sorriso cúmplice nos lábios.
— Prontíssima. Você tem certeza que ele não acordará agora quando vocês o pegarem?
—Bom Aline ficou com essa dúvida também e por precaução mandou uma pequena dose de Diazepam. — Falou mostrando uma fina seringa em suas mãos.
—Boa, Aline é de mais né!? — Falei indo para cozinha preparar o pequeno vaso de soro. Com tudo pronto voltei a sala e coloquei o intravenoso na mão de Otávio que por incrível que pareça apenas moveu seu corpo suavemente ao sentir o meu toque, dei o soro para Enzo segurar já que ele estava de pé ao meu lado e fiquei observando Otávio.
— E essa roupa doida de coelho, onde ele conseguiu isso?
— É um presente meu para a Nina.— Falo sorrindo um pouco.
— Ele vai pirar quando acordar amanhã e se ver vestido nisso.— Ele fala rindo.
— Se vai!— Falei rindo um pouco e esperando o soro fazer seu caminho.— Enzo os seguranças já estão cientes do que vai acontecer?— Pergunto hesitante.
— Já sim, todos estão sabendo como agir a partir de amanhã.
— Ótimo.
— Sabe eu acho que dessa vez vai dar certo e ele vai se ajustar e se concertar novamente.— O homem ao meu lado diz esperançoso.
— Ou... vamos terminar de bagunçar tudo de vez. O risco é enorme para os dois caminhos.— Falo ciente dos riscos.
—Que ele vá para o bom então.
—Vamos torcer. O problema do TDI é que a pessoa fica terrivelmente refém de seus próprios medos e fantasmas as vezes tudo que eles precisam é de um pouco de coragem para enfrentar os gatilhos que os levaram a esse estágio tão debilitado. Mas a pessoa antes de tudo tem que se encontrar se entender e respeitar seus limites, medos, incertezas e as suas personas. — Falei olhando o rosto de Otávio e vendo ali um homem tão tranquilo e ao mesmo tempo tão perturbado.
— É isso aí pessoal acabou, vamos nessa!? — Falei algum tempo mais tarde. Então os seguranças e Enzo entraram em ação o removendo do meu apartamento. Exatamente às 01:30hrs da manhã estávamos saindo da minha casa em direção ao futuro incerto que me aguardava.
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