Mexo-me o mais devagar que consigo é triste, mas tenho que admitir que sou um fracassado pois nem para tirar minha vida tenho êxito. Toco em meu corpo sentindo um material macio me aquecer estranho eu não estava sem roupa mais cedo?! Curioso sento-me devagar e olho meu corpo constatando estar realmente vestido, mas que coisa. Vejo que estou em minha casa nada de anormal a não ser pelo fato de estar deitado no sofá da sala de tv. Levanto na intenção de tomar um banho e depois comer um pouco vou em direção a porta da sala e ao passar por ela e ir em direção as escada um pé pendurado para fora do meu sofá preto e de couro que

fica na sala de visitas. O tal pé direito estava devidamente preso a uma perna graças a Deus e essa perna estava presa ao corpo também.

Aproximo-me um pouco mais vejo se tratar de uma garota deitada em meu sofá, dou de ombros e sigo para o meu banho. Ao chegar no quarto exatamente em frente ao espelho vejo-me vestido de coelho. Nina... Não preciso nem perguntar afinal a maquiagem continua em meu rosto. Tomo um banho rápido pois definitivamente estou curioso para saber quem é a mulher em meu sofá. Visto-me com uma calça jeans azul desbotada uma camiseta branca e meu moletom preto por cima e opto por ficar calçado apenas com meias brancas. Definitivamente sair hoje não está em meus planos. Dou uma olhada no espelho e pela primeira vez em muito tempo sinto—me bem Nina dessa vez me surpreendeu. Não acordei nem roxo, sangrando ou descabelado e muito menos na cama de algum estranho de porre ao ponto de nem aguentar me mover. Suspiro e resolvo começar meu dia pra valer, desço as escadas sem fazer barulho dou uma espiada na sala e a garota ainda dorme ela deve estar sentindo frio decido então ser um bom anfitrião e vou pegar um cobertor para ela, voltando a sala espio e relógio e vejo que ainda é cedo me aproximo da estranha e a observo, ela está suja de terra e tem alguns arranhões nos braços e rosto, sua roupa está rasgada em alguns pontos e seu cabelo parece um ninho de pássaro me aproximo mais um pouco para ver se ela está respirando e percebo pequenas pintinha em seu nariz ela tem a pele tão clara que mesmo suja a faz parecer de porcelana, o nariz pequeno e arrebitado me diz que ela é problema. Saio dos meus devaneios quando ela respira fundo e se mexe aí eu percebi que estava invadindo o seu espaço estando quase debruçado sobre ela. A cubro e rapidamente vou para cozinha o relógio do micro-ondas marca 08:30hrs da manhã, eu não acredito que fiquei 15 minutos a encarando, decido fazer chocolate quente e pão na chapa para o desjejum espero que ela goste. Coloco tudo na mesa e decido esperar que ela acorde para tomarmos café juntos enquanto tento arrancar respostas dela. Sento na poltrona do lado da janela e fico a observando, quanto tempo faz que eu não tenho contato humano a não ser Enzo e Rosa? Eu nem lembro mais é um risco que eu não quero expor a ninguém nenhuma mulher iria suporta essa vida inconstante ao meu lado já é difícil para meus funcionários e meu amigo imagina para alguém mais íntimo. Fui desperto dos meus pensamentos com o meu telefone tocando, droga, corri escada acima e fui atender e enquanto ia até o quarto não pude me impedir de rogar.— Não acorde, não acorde, não acorde...

— Fala Enzo, bom dia! — Falei com o tom de voz baixo sentando no primeiro degrau da escada e a olhando do alto.

— Tudo bem com você Otávio? Acordou bem hoje?

— Sim acordei sim.

— Cara você me deu o maior susto, não faça mais ok! — Ele falou acho que se referindo ao episódio dos remédios o qual não quero lembrar e que me envergonho muito.

— Eu não farei de novo, não mais. — Falei sem desgrudar meus olhos da moça. — Ei Enzo você sabe se a Nina aprontou alguma coisa?

— Não que eu saiba, não recebi telefonema nenhum, ela apareceu foi?

— Parece que sim. Ouça, tem uma moça dormindo no meu sofá.

— Você quer que eu a tire daí? — Ele perguntou, eu queria?

— Não, não por agora eu acho que é uma sem teto que Nina trouxe, alguma extravagância você sabe.

— É provavelmente, mas eu tô indo para aí vou busca-la e deixa-la em um lugar seguro, posso dar também um pouco de dinheiro e arranjo algum emprego pra ela, o que acha? É uma boa recompensa por aturar a Nina não!? — Falou rindo um pouco e pela primeira vez senti incomodo ao pensar nela indo embora e ganhando um prêmio de consolação por ter conhecido a Nina.

— Não, por agora não por favor não venha deixe—me conversar um pouco com ela e tentar descobrir o que aconteceu.

— Sério? Mas você não a conhece pode ser perigoso não vai...

— Deixe— a aqui por enquanto En, qualquer coisa te ligo e fique de olho nas câmeras— Falei o cortando e tomando o controle da situação.

— Sim senhor.

—Ok até mais.

— Até.

Depois de desligar o telefone fiquei pensando em todas as pessoas que passaram por minha vida e que foram meus amigos só até descobrirem o TDI e de quebra que sou rico, daí então vieram as chantagens, os contratos de confidencialidade e rios de dinheiro gastos para mantê-los de boca fechada. Idiotas. Acho que minhas personalidades têm mais amigos do que eu. Fui desperto dos meus pensamentos por um baque no chão, desci as escadas e então vejo a garota ajoelhada se levantando e resmungando algo enquanto seu rosto estava vermelho. Ela percebe minha presença e começa a olhar para os meus pés e vai subindo até encontrar meu rosto e meus olhos. E ali encarando aqueles grandes olhos verdes tive a certeza de que muita coisa mudaria.