Graças a Deus tenho um bom reflexo, pois o sapato passou voando ao lado da minha cabeça por pouco ele não me acerta. Focalizando minha visão novamente vejo uma figura vindo minha direção definitivamente o corpo ali era de Otávio, mas com certeza não era ele quem estava na minha frente pois ele não tem esse olhar doce e as bochechas rosadas totalmente afeminadas. Então meu cérebro decidiu voltar a funcionar e rapidamente começa a procurar informações sobre Nina e a única coisa que lembro claramente sobre ela é que ela é vingativa, instintivamente dou um passo atrás quando ela chega perto me analisando de cima a baixo.

Oh meu Deus! Por favor desculpe—me pelo sapato, minha intenção era acertar outra pessoa. — falou olhando com olhos suplicantes.

— Está tudo bem o que importa é que você não me acertou. — vou recompondo—me do susto.

Então... se está tudo bem, então tá né! — falou com um sorriso brilhante no rosto.

— Sim tudo está bem, agora mocinha já para cama preciso te examinar de novo. — prontamente ela me obedece e se senta na cama o que deixa me surpresa afinal o relatório não fala maravilhas dela. — Diga Nina, como você se sente?

Estou ótima, e você sabe disso doutora.

— Saber eu sei, mas o meu trabalho é te perguntar, inclusive eu quero saber o que te levou fazer o que você fez.

E porque eu deveria te contar nem te conheço. — falou arqueando a sobrancelha para mim e olhando me sarcasticamente.

— Bom Nina, essa questão do conhecer ou não podemos resolver rapidamente, você topa? — Falei depois de terminar de examiná-la e indo sentar na cadeira ao lado da cama.

Ok fechado assim, pode começar.

—Tudo bem vou começar pelo básico. Tenho 31 anos me chamo Ester Shalton sou filha adotiva de um mestre cervejeiro e chefe de cozinha ele é um homem maravilhoso e sua fiel escudeira a sua esposa que também é uma cozinheira de mão cheia, minha mãe, tenho um irmão chamado Jered que é detetive e divido apartamento com uma amiga na Rua Sheldon inclusive o número do meu apartamento 438 e sou solteira. E como você já percebeu sou médica, agora você.

Então como você já percebeu eu tô no corpo errado, mas eu existo tá meu nome é Nina eu tenho 17 anos sou extrovertida, gosto de fazer compras adoro carros esportivos homens bonitos também...— Falou dando uma piscadinha e eu segurei um sorriso. — Tenho um irmão gêmeo chamado Caio e é isso. E você com certeza é alguém que o En confia, afinal só chega perto do Oto que o En deixa. Eu fiquei até espantada por não ter segurança no corredor.

— Não tem porque eu não te registrei com seu nome, olha Nina eu vou ser direta com você, sim foi o Enzo que me contatou, eu analisei e estudei muito o caso de vocês e estarei disponível pra ajudar. Você pode contar comigo pois não irei julgar vocês e nem sair correndo como tantos outros médicos já fizeram. Agora preciso que você me conte o que você aprontou e por que?

Assim espero, pois, se você der para trás eu te acho até no inferno. — Falou completamente séria sentada na cama em minha frente. — E isso sim é uma ameaça, não brinque comigo Shalton.

—Sabe Nina eu gostei de você! Agora cuspa, cuspa tudo. — Falei séria também pra mostrar que não tenho medo dela.

Tá, é o seguinte já tinha um bom tempo que eu não saia, só os rapazes estavam aparecendo então a última vez que sai aprontei uma armadilha para o Caio, você sabe ele é o suicida... o bebê chorão do Oto. Então eu peguei o frasco de remédios que ele toma tirei os calmantes e substitui tudo por outros comprimidos na realidade joguei os remédios dele fora e no lugar coloquei um boa noite cinderela no meio das vitaminas, eu só queria sair um pouco sabe!?E o Oto está sempre tão irritado e melancólico que minha vez nunca chegava. Então eu fiz e deu certo. — Falou com um sorriso brilhante. Respirei fundo, contei até 10 e falei.

— Nina o que você fez foi muito errado. Você colocou todos vocês em perigo.

Mas foi só um comprido. — Falou com um bico na cara.

— Foi, só um que foi ingerido com whisky a sorte é que vocês estavam em casa e a empregada também e claro... Otávio ser fraco para bebidas, olha você não pode nem imaginar o tanto de coisas ruins poderia ter acontecido. — Falei suavemente.

Espera!? Você disse Otávio? Foi o Oto que tomou? — Perguntou com o sangue fugindo de seu rosto. – Eita... merda se o Oto fez isso então quer dizer que a briga entre ele e o Anthony está pior.

— O que você quer dizer com isso Nina? — Perguntei aproximando—me da cama. — Quer dizer que o Anthony quer sair de vez e ficar com todo tempo só para ele e se ele conseguir... — Não completou a frase e fechou os olhos com força abaixando a cabeça.

—Se o Anthony conseguir todos vocês irão sumir, não é? — Perguntei só para confirmar, e ela balançou a cabeça assentindo.

— Bom, vamos fazer o seguinte vamos ficar de olho neles e qualquer coisa entraremos em ação. —Falei sorrindo cúmplice. — Agora eu vou pegar uma cadeira de rodas pra te levar lá pra cima para um quarto mais confortável onde você poderá ficar mais à vontade.

Mas eu estou bem você não pode me liberar?

— Nop! Você ficará em observação e amanhã pela manhã te liberto que tal? — Falei teatralmente. Ela sorriu mais pude ver desapontamento em seu olhar e então lembrei que Nina não tinha garantia nenhuma de amanhã ela seria ela. Então tive uma ideia e resolvi concertar minha oferta. —Vamos fazer melhor vamos passar o dia no quarto fazendo coisas de meninas.

Jura? —Perguntou com a expressão alegre.

— Sim com direito a filme meloso e brigadeiro.

Vou adorar, vai ser a primeira vez. — Ela falou realmente animada.

— Então vamos caprichar! — Chamei a enfermeira de minha confiança e pedi a cadeira para locomoção de Nina e enquanto eles seguiam a frente eu liguei para Aline.

— Aloouu!

— Isso é jeito de atender telefone? Eu hein! — Pergunto

— Oi pra você também Ester! — Ela cantarolou do outro lado.

— Tá que seja, Aline preciso que você compre umas coisinhas para mim ok?! vou te mandar tudo que precisaremos por sms.

— Por?

— Por que quem veio nos visitar foi a Nina e se não quiseres confusão temos que distraí—la.

— Eita... porra a vadia vingativa...

— Bem ela, mas não esqueça de que ela é apenas uma adolescente confusa.

— Bom, tá ok comprarei tudo que você mandou.

— Estaremos no quarto 302 tá, se você encontrar o Enzo peça para ele subir.

— Ok.


Enviei rapidamente a mensagem para Aline e enquanto caminhava observava Otávio quer dizer Nina interagindo com algumas crianças que por ali corriam e não pude deixar de me perguntar como foi a infância desse homem, com qual idade realmente ele foi tão machucado ao ponto de ter se dividido tanto? Em meio aos meus pensamentos lembrei de um antigo professor que sempre dizia... "o maior e verdadeiro buraco negro é a mente do ser humano, nunca queira cair nele, pois pode não ter volta" eu nunca ouvi uma frase tão correta em toda minha vida.

E foi pensado nesse professor que decidi ligar para Enzo.

—Alô! Enzo é a Ester!

—Ester?

—Drª. Shalton! — Falei rolando os olhos enquanto esperávamos o elevador afastei—me um pouco para poder falar. — Olha eu pedi para Aline te procurar, mas eu tive uma ideia melhor.

—O que aconteceu Otávio acordou? Ele está bem? Pergunta afoito.

— Sim e sim inclusive quem está aqui é a Nina. — Vadia doinferno, o ouvi sussurrar do outro lado. — Ouça eu quero saber se Otávio tem as coisas dela, roupa acessórios?

—Tem sim!

— Ótimo traga aqui para o hospital por favor! Até daqui a pouco.

—Até! — Ele diz e logo desliga.

É bom saber que Otávio soube cuidar de cada uma de suas personas meio trabalho andado. Voltando a realidade notei o elevador chegar seguimos em direção ao quarto com Nina tagarelando por todo caminho. Já no quarto ela olhou todos os detalhes e acho que aprovou pois soltou um suspiro e jogou—se na cama sorrindo. Após um tempo Aline chegou e ficou olhando espantada aquele homem enorme pulando na cama.

— Ei Ali que bom que chegou! — Falei sorrindo em sua direção procurando aliviar um pouco a expressão de espanto de seu rosto.,— Deixa eu apresentar vocês... Nina essa aqui é a doutora Aline Brandon ela estará conosco durante esse tempo tá!— Nina pulou da cama e veio até Aline a encarando de perto tão perto que os narizes quase se tocaram Aline sorriu de nervoso e Nina segurou em seu queixo e falou séria.

— Ei não me mostre os dentes vadia! Olha Ester ela está rosnando pra mim. — Falou apontando Aline que nesse ponto esta roxa de vergonha e de raiva eu acho. E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela gritou.

— Rosnando o escambau sua vadia! — Bom nesse ponto eu já me tremia inteira por que uma coisa é separar duas mulheres brigando outra bem diferente é um homem e uma mulher.

Hum, gostei de você vadia! — Disse Nina puxando as sacolas das mãos trêmulas de Aline e pulando na cama em seguida. Ao meu lado Ali respirou aliviada e eu segui seu exemplo. Depois de alguns minutos mexendo nas coisas Nina decidiu tomar banho. Antes de entrar no banheiro olhou—me intensamente e eu atende seu pedido mudo de não sair dali. Logo depois ouvi a porta ser fechada uns segundos depois o chuveiro ser aberto e a pessoa em baixo dele começar a cantar em alto e bom tom.

— Ester do céu que figura é essa? Que homem lindo!

—Pois é cara colega é o nosso querido Oto e suas personalidades loucas. — Falei sentada no sofá sentindo a tensão me abandonar um pouco.

— Ele é realmente lindo! Alice falou suspirando. E então silenciamos apenas o ouvindo cantar. E foda-me o cara estava cantando em coreano.