Minha cabeça doía como se uma enorme bigorna houvesse me atingido. Eu sou apenas um reles mortal não tenho poderes especiais e não faço mágica, mas infelizmente o universo conspira contra mim e ele se esforça constantemente para que eu não tenha paz. Não que eu esteja reclamando, não longe disso por que no fim das contas eu acabo me divertindo nessa loucura toda, isso é apenas um pequeno desabafo de um homem que vê o sofrimento do seu amigo/irmão e nada pode fazer. Se eu tivesse superpoderes para curar o Oto eu curaria ou se eu apenas pudesse protege-lo de todos e tudo, eu faria. Mas a triste realidade é que não posso o que eu faço é o que está ao meu pequeno alcance e ainda assim é tão pouco que ele acaba sempre estando vulnerável não digo isso só sobre os acontecimentos externos digo isso porque meu maior desafio é protege-lo dele mesmo.

Ontem após o encontro com a loira esquisita Anthony, Marcos e Caio apareceram os mais perigosos e imprevisíveis eu juro que tremo ao ver Anthony, tenho receio do Marcos, mas eu realmente morro de medo do Caio, pois ele é o único que pode tirar Otávio deste mundo. Depois da saída intempestiva do detetive eu tive que correr atrás dele para tentar convencê-lo de que Otávio era inocente e que não merecia a prisão preventiva, depois de muito apelo, desculpas e a promessa de que Otávio não sairia da cidade o detetive cedeu. Porém quando voltei ao escritório não encontrei nem Oto nem a Ester perguntei a secretária e a mesma disse que os dois tinham saído juntos, pensando que poderia relaxar um pouco fui para meu escritório e comecei a analisar uns documentos que dependiam da assinatura de Otávio. Trabalhei tranquilamente até as quatro da tarde e só parei porque a fome bateu, pedi um fast food qualquer e logo estava me satisfazendo, mais infelizmente digo de novo, o universo não conspira a meu favor, meu celular tocou e era a dona Rosa dizendo que Oto e Ester não tinham aparecido para almoçar. Imediatamente liguei para o hospital falei com Aline e ela não tinha notícias deles e disse também que seu celular estava com Ester. Na minha árdua tarefa de encontra-los liguei para o celular de Aline e ninguém atendeu. Apreensivo decidi esperar um pouco e depois tentar novamente e enquanto esperava comecei a organizar minhas coisas para ir para casa de Otávio.

No caminho tentei ligar novamente para o celular de Alice e de novo não tive respostas. Ao chegar na casa de Otávio encontrei dona Rosa aflita com os dois sumidos. As horas passaram as inúmeras tentativas sem sucesso me irritaram e quando deu dez da noite não pensei duas vezes e logo coloquei todos seguranças em busca dos dois. As horas seguintes foram agonizantes nenhuma notícia chegava e os meus cabelos estavam em pé. Aline assim que terminou seu plantão se juntou a nós assim como o doutor Eliezer o nosso desespero em encontra-los foi tanto que até fazer Aline se fingir de bêbeda para conseguir informações da família de Esther fizemos. Graças aos céus a noite interminável que foi regada com muito café foi encerrada às oito da manhã com o telefonema de Ester, aliviados por termos notícias logo fomos encontra-los. No carro comigo estavam Aline e dois dos nossos seguranças de confiança, já estávamos perto de encontra-los eu já os tinha visto quando do carro que ia a nossa frente alguém atirou contra os dois e depois uma explosão aconteceu.

Eu já disse que nada conspira ao meu favor?!Pois então, Ester protegeu Otávio do tiro, Aline gritou ao meu lado, Otávio explodiu o carro dos atiradores, Otávio gritou e depois apenas desmaiou.

O carro que eu estava quase deu um cavalo de pau devido a intensidade da freada e antes mesmo dele parar eu e Aline já corríamos em direção aos nossos amigos. Os dois estavam vivos o tiro tinha acertado o ombro direito de Ester e Otávio realmente só tinha desmaiado os trouxemos para o hospital e os dois foram deixados em observação. Ester estava bem, tão bem que depois de medicada ficou do lado de Otávio que ainda dormia e só saiu por ordens do seu superior e eu neste momento estava na cafeteria do hospital com uma xicara de café em mãos relembrando tudo o que aconteceu e temendo o que estava por vir.

—Sr. Martney?!— Fui tirado dos meus devaneios pela voz de uma enfermeira.

—A doutora Aline pediu que eu o avisasse que o seu amigo acordou.

Apenas acenei em concordância e agradecimento, respirando fundo me levantei e fui até o quarto em que Oto estava.

Chegando ao quarto dei uma batida na porta e entrei assim que ouvi a permissão. O homem que estava parado, de braços cruzados e expressão fechada olhava a paisagem pela janela e seus pensamentos pareciam estar longe. Pigarreando chamo sua atenção e ele virou—se para mim.

— Anthony?!— Chamei ao ver a sua expressão fechada.

— Otávio, Enzo, Otávio! Onde está a garota que estava em minha casa? — Ele pergunta ainda sem me olhar.

— A—a garota? Você desmaia passa não sei quanto tempo sem aparecer e quando tem tempo se preocupa com a garota?— Enrolo tentando ganhar tempo para pensar em uma resposta coerente.

— Como você pode ver En eu estou ótimo, agora e a garota?

— Está na sua casa!?— Tento

— Você está afirmando ou me perguntando?— Pergunta arqueando uma sobrancelha.

— Eu...— Falo coçando a minha cabeça.

— CHEGA DE MENTIRAS ENZO!!!— Otávio grita me surpreendendo.— Eu já sei de tudo, sei que você e ela me engaram, sei da aproximação dela e das personas, sei do sequestro e do tiro. E o que mais me irrita é saber que você sabia do risco que ela correria ao meu lado e você não se importou.

— Não é do jeito que você está pensando Otávio.— Tento argumentar.

— Não!?— Ele perguntou com sarcasmo .— Então diga, conte tudo agora e depois vamos acabar com essa loucura.— Falou sério.

— Acabar? Mas o tratamento nem começou. Só tem uma semana que A Drª. Shalton está com a gente. — Tento argumentar mais uma vez.

— E você ainda quer mais? Em uma semana ela quase morreu. Será que você não acha que já carrego culpa demais nas minhas costas? — Perguntou virando— se para a janela.

— Otávio...olha em uma semana realmente muita coisa aconteceu. Ouça, quando eu encontrei o Drº Esdras contei a ele toda sua situação ele recusou de cara, porém ele me contou sobre sua aluna estrela, ele disse que ela era ideal para cuidar de você pois além de ser uma médica incrível ela era um ser humano incrível. Ele contou sobre a lealdade e persistência dela em casos que pareciam sem solução e ela mesmo como uma simples interna era de uma eficiência invejável. Então eu conversei com ela mostrei o seu dossiê e dei tempo para que ela pensasse e decidisse se o caso era de seu interesse...

— É e com certeza o valor que você ofereceu a ajudou e muito a decidir não é?— Falou me interrompendo.

— Não cara, aí é que você se engana—Falo suspirando e sento no sofá que tinha no canto do quarto.— Ester disse não querer saber de valores principalmente se não houvesse algum progresso.

— Como é?

— Isso mesmo que você ouviu.— Falo vendo que ele tinha ficado surpreso com a atitude de Ester.

— Ok, mesmo que ela seja nobre e incrível como você diz ainda assim é muito perigoso para ela, você sabe o que aconteceu com a...

— Então sobre isso...Vem aqui e senta pois você irá precisar.— Falo o interrompendo e procurando a forma certa de contar a ele sobre a July ou Julia sei lá...

— Estou bem de pé pode falar.

— É que a Jully...Bem, ela está viva e está aqui nesse hospital.— Digo de uma vez só e o vejo empalidecer.

— O que? Como? —Ele balbucia sentando-se na cama.

— É verdade. Eu também fiquei surpreso com isso eu nem a conheci antes, mas ela tem fotos e memórias de vocês então acho que realmente é ela.

— Mas...Como? Nós fomos ao enterro...

— Velório e enterro com o caixão fechado lembra?

— Mas foi porque o corpo dela tinha sido destruído pelas chamas.

— Não Oto ao que parece aquele caixão sempre esteve vazio, ela disse que foi sequestrada.

— Eu não acredito. — Ele falou e ficou em silêncio por uns minutos.

— Você está bem cara? — Pergunto preocupado com seu olhar distante.

— Hã? Estou, estou bem sim. — Falou encanto mordia seu dedão da mão direita.

— E o que você vai fazer agora?

—Agora quero ver a Drª Shalton.—Falou já de pé.— Vamos?

— O que você vai fazer? Qual é cara não a dispense assim logo de cara dê uma chance.

— Chega Enzo! Só me leve até ela.


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