Me Mate, Me Ame
36 Ester
Minhas pernas começavam a doer, mas eu não conseguia relaxar depois que doutor Esdras tentou me convencer a desistir do caso, eu estava em uma verdadeira luta interna entre a razão e a emoção. Ok eu levei um tiro no lugar de outra pessoa, eu poderia ter morrido por Otávio eu fui louca? Fui, mas faria de novo sem dúvidas pois por outro ser humano sendo meu amigo ou não eu lutaria e morreria. Então por que estão condenando minha atitude? É tão louco assim amar o próximo?!Droga. Eu queria ter ficado ao lado de Otávio e ver quem apareceria e eu queria muito que fosse Caio ou a Nina mais apesar do meu querer pela linha traçada por Otávio anteriormente eu sabia que quem acordaria seria o próprio Otávio pois ele é quem sofre com a culpa. Merda ele com certeza iria colocar todo meu progresso a perder. Aff..meu ombro estava me incomodando que eu estava quase retirando a atadura quando a porta do meu quarto foi aberta repentinamente.
— Ester?!O que você está fazendo? — Aline perguntou.
— Esse curativo está me irritando precisava de tanta coisa assim só por causa de um furinho? — Pergunto fazendo bico.
—Ok senhorita durona vem deixa eu ajeitar isso. Você foi muito louca Ester vocês poderiam ter morrido onde já se viu fazer um molotov e se jogar na frente de um tiro?!— Ela falou enquanto refazia o curativo.
— Um não, dois coquetéis, você sabe filha de cervejeiro criada com um irmão espoleta alguma coisa eu tinha que ter aprendido não é!?E quanto ao tiro eu faria a mesma coisa por você Aline.—Falo fazendo um pouco de graça.
— Aí Ester...você e esse seu coração de ouro gigante. Eu amo você viu só não faz de novo pois você pode não ter a mesma sorte. — Ela disse abraçando—me por trás.
— A bala passou direto não foi? — Pergunto afagando seu braço.
— Sim e graças aos céus não atingiu nenhum nervo. Você foi louca e até um pouco egoísta, afinal não pensou no que poderia acontecer, não pensou em como sua família e seus amigos se sentiriam.
—Eu...me desculpe. Não prometo que não farei de novo, mas prometo pensar antes de agir impulsivamente.
— Hum, sei vamos ver o que dirá o Otávio quando ver você pelo tom que ele usou assim que acordou acho que o bom humor e o sentimento de gratidão passaram bem longe dele.
— Então foi o Otávio mesmo que apareceu?!— Pergunto confirmando meu raciocínio.
— Sim. Prontinho curativo reajustado, você se sente mais confortável?
— Sim obrigada Line. —Falo e me levanto dando um beijo em seu rosto e logo em seguida visto a bata do hospital.
— De nada, agora irei em casa tomar um banho e depois volto com roupas limpas pra você poder se trocar.
— Certo e obrigada de novo.
— De nadinha fui!
Depois que Aline saiu e fechou a porta minha agitação triplicou, eu realmente estava certa Otávio veio tomar pra si a culpa do que aconteceu. Agora eu tinha que ter calma e esperar para ver como ele iria conduzir essa situação eu não posso obriga-lo a me ter ao seu lado e continuar o tratamento, felizmente a semente foi plantada agora só irá depender dele e eu realmente espero que tudo dê certo mesmo eu não sendo mais a médica responsável pelo caso.
Alguns minutos depois eu estava terminando o delicioso lanche que Abby trouxe quando ouvi batidas suaves na porta do quarto.
— Pode entrar!— Eu disse ainda na mesma posição em que estava no sofá. Logo a porta foi aberta e por ela passou um Enzo com um semblante preocupado.
— Drª Shalton como você está?— Perguntou apressado
— Ester Enzo, apenas Ester e eu estou ótima obrigada por se preocupar.
— Que bom então...
— Eu não preciso de porta voz e muito menos apresentação não é Mary quer dizer Drª. Ester Shalton!?— Otávio interrompeu Enzo.— Você pode ir agora Enzo me espere na recepção.
— Mas Oto?
— Sem acordos Enzo.— Otávio estava diferente do Oto que conheci em sua casa, ele estava sério e com uma expressão carregada mais não era de ódio como Anthony ou sarcasmo como o Marcos esse homem a minha frente por mais que tivesse o ar sério seus olhos ainda demonstravam tristeza e algo parecido com medo.
— Pode ir En está tudo bem.— Falei ao ver o grande homem indeciso me olhando.
— Certo então estarei no corredor.— Ele disse e saiu fechando a porta.
Otávio me olhou rapidamente e andou até a janela ele estava tenso suas mãos estavam no bolso de sua calça e agora ele vestia um terno cinza totalmente diferente das roupas que o Marcos tinha escolhido ontem.
— Drª Shalton...Você me enganou direitinho. — Otávio falou sem emoção.
— Eu gostaria de lhe pedir desculpas por isso...— Comecei a tentar me desculpar mais fui rudemente interrompida.
— Te desculpar!?Hum, você tem ideia do que estou sentindo no meio de tudo isso?—Falou sem humor — Não você e nem ninguém sabe .Eu me afastei de todos os meus amigos para protege-los sabe!? Eu guardei segredo deles, da minha família apenas por segurança e então um dia você e o meu melhor amigo o único que não enriqueceu por causa do meu segredo o único que eu confio a minha vida, aprontam essa. Eu quero saber se como médica você acha que a sua morte teria me curado? — Ele perguntou ainda parado na mesma posição.
— Não. Mas eu não morri. — Falo me defendendo
— Foi sorte, você brincou com ela, você flertou com o perigo. Você foi insana ao colocar uma garrafa de coquetel molotov nas mãos de um suicida...
— O que? Como você sabe disso?— Pergunto espantada e me levanto chegando mais perto dele porém o mesmo se afastou rapidamente.
— Você se fez de muda e desmemoriada disse que era sem teto que tinha esbarrado em Nina.
— Eu sei de tudo isso não preciso que fique me lembrando. Agora o que você fará? Eu e Enzo os vilões fizemos isso tudo para te ajudar e você o que fará por você mesmo além de se esconder para "proteger" os outros? — Disparo irritada pelas acusações e por ele não ter respondido o que perguntei.
Otávio não me respondeu apenas me olhou de canto de olho e balançou sua cabeça negando.
— O que? Você não tem resposta? Ou você está surpreso por eu estar te perguntando isso? Olha Otávio eu não sou uma médica muito convencional eu antes de médica sou humana eu sou falha e tenho defeitos, porém eu não me escondo e também não desisto .— Falo determinada
— Pois então nessa situação irei te frustrar pois o nosso tempo termina aqui.
— Eu não sou uma de suas personas sinto te informar.— Falo enquanto o vejo caminhar em direção a porta sem responder nenhuma das minhas perguntas.
Uma coisa que descobri sobre Otávio a persona principal, ele não gosta de ser afrontado, bem nesse caso eu tenho pena dele pois o meu método de trabalho é justamente por esse caminho.
—Ah! E o contrato termina aqui! — Ele chama minha atenção quando já está com a mão na maçaneta da porta. Se Otávio Carson quer seguir por esse caminho então seguiremos, mas uma coisa eu ainda deixarei bem clara para ele, eu não tenho arrependimentos, então eu o espero passar e quando ele já está com o corpo praticamente fora do quarto eu digo:
— Eu nunca assinei um Sr. Carson. — E ele fecha aporta em um pequeno e silencioso clic.
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