Eu juro que eu tentava entender esse mundo, mas eu realmente não conseguia, alguns me acham exagerado e radical outros dizem que sou anormal e prepotente me ridicularizam sem nem ao menos me conhecer. Mas eu não me importo a muito tempo já não me reconheço mais, o garoto que olha pra mim agora tem um aspecto distorcido e horripilante, não deve fazer parte desse mundo. Droga, por que eu apareci agora? Eu não queria esse tempo, não queria estar aqui não quero ser tentado a acabar com tudo de novo e mais uma vez ser impedido de seguir em frente.

— Mais já que não tem jeito não tenho como voltar vou ver o que terei que aturar hoje.— Falo para o meu reflexo no espelho.

Saí do banheiro e percebi estar em um local desconhecido por mim, era um amplo escritório e parada no meio dele perto de um sofá preto tinha uma mulher caucasiana com longos cabelos castanhos e olhos verdes, tinha um corpo esguio, era bonita, com certeza é alguma vadia do Anthony ou do Marcos.

— Quem é você?— Perguntei e ela continuava me encarando enquanto fazia umas caretas estranhas.

Ester Shalton ela disse, olhei ao redor não reconhecendo nada e perguntei onde estávamos ela respondeu que era o escritório de Otávio, andei um pouco olhando a decoração ridícula e fiquei curioso sobre o que aquela mulher fazia ali junto comigo então infelizmente tive que perguntar ela mais uma vez respondeu dizendo ser amiga dos palhaços e que estávamos ali porque Anthony tinha aprontado, dane—se, eu não me importava de ferrar com nenhum deles mais apenas fiquei quieto girando na cadeira quando ela me pediu pra não prejudicar Otávio, bom eu não sabia de nada externei meu pensamento e ela me encarou era fato eu realmente não sabia de nada. Continuei girando na cadeira e encarando a janela pensando se àquela altura seria suficiente para matar alguém...Mais também não conseguia deixar de pensar em Nina minha gêmea idiota, ela é... difícil como eu e se essa tal Ester realmente a conquistou então significa que ela é perigosa. Ester estava falando ela queria me fazer falar se fazer de amiga, coitada, lhe mandei a real e acho que ela não gostou de ouvir pois me perguntou o que me fez ser como sou, bem nem eu mesmo sabia o motivo. Ela me analisava a cada letra que eu soltava com certeza ela era médica provavelmente psicóloga. Idiotas.

Eu iria argumentar um pouco mais pois estava adorando vê—la consternada e irritada, porém fomos interrompidos pelo gorila de Otávio e um velhote esquisito. Enzo queria me fazer jogar o jogo deles, porém o meu é melhor. Fingi que colaboraria e os dois amiguinhos do Otávio saíram me deixando com o velhote esquisito.

— Então Sr. Carson, desculpe o incômodo mais é rotina. Vou lhe fazer algumas perguntas referentes ao dia cinco, algo estranho aconteceu e existe uma testemunha que disse ter lhe visto sair daqui da empresa com o seu tio, isso é verdade?

Não faço ideia.

— Como assim não faz ideia?

Não fazendo.

— Então o senhor quer me convencer de que não tem ideia do que estou falando?

Me diga o senhor?— Falei vendo que ele começava a transpirar acho que era nervoso.

— Sr. Carson eu não estou brincando, conte a verdade que tudo será resolvido facilmente. Onde estão as imagens das câmeras de segurança daquele dia?

Continuo sem saber do que o senhor está falando.

— Oras Carson...Você sequestrou seu tio, admita.

Senhor detetive eu já disse que não faço ideia do que o senhor está falando.

— Onde você esteve dia cinco?

Não sei.

— Como não sabe?

Não sabendo.

— Você bebe ou se droga?

Não.

—Faz uso de medicamentos controlados?

Não.

— Tem alguém que possa ser seu álibi?

Não.

— O senhor está de brincadeira comigo?

Não.

— Não tem medo de ir para cadeia?

Não.— Nossa que velho chato, ele consegue ser pior que a tal Ester, falando nela onde será que ela foi com o gorila...

— Ouça senhor Carson eu vou perguntar pela última vez.. Onde está o senhor Josh Vasques?

E eu vou lhe responder pela última vez e realmente espero que a mixaria das propinas que você recebe sirvam pelo menos para comprar cotonetes para limpar seus ouvidos imundos. Eu não sei onde Josh está, eu não o vi e nem saí daqui com ele.

— Ora seu... me respeite ou eu lhe prenderei por desacato a autoridade. Seu moleque, saiba que você foi visto e eu irei provar. — Ele falou bravo já ficando de pé.

Prove. — Falei tranquilo.

E então ele saiu da sala gritando como um louco.

Eu dei uma pequena risada quando a porta bateu e me levantei olhando a janela, novamente sendo tentado pela perigosa altura. Ouvi o barulho da porta abrindo e virei vendo Ester que parecia um tanto agitada. Logo ela me perguntou o que eu falei com o detetive, como se eu estivesse com paciência para repetir tudo. Depois de resumir o que falei pedi novamente para irmos embora e ainda bem que ela topou. A segui até o estacionamento e esperei ela ir em direção algum carro, porém fui surpreendido ao ver que ela parou em frente a uma moto enorme. Eu nunca tinha andado em uma perguntei quem iria pilotar e ela disse que seria eu — hum, como se eu soubesse pilotar uma — acho que minha feição de desagrado me salvou pois ela decidiu pilotar.

Ester pilotava bem, era habilidosa e segura em certo momento senti suas costas tencionarem e em seguida ela fez algumas manobras arriscadas em alta velocidade, parecia fugir de alguém eu olhei rapidamente para trás mais não vi nada, depois que saímos da rodovia ela desacelerou um pouco porém nosso caminho foi bloqueado por uma van preta atravessada na rua e então para não batermos Ester manobrou a moto e nos livrou da batida porém derrapamos e acabamos indo ao chão. Não me machuquei muito apenas ralei minhas mãos e Ester também não parecia ter se machucado gravemente mais antes de termos a chance de falar algo alguns homens se aproximaram e colocaram panos pretos em nossos rostos e a última coisa que vi foi o olhar de Ester. Será que agora eu enfim conquistaria a minha vontade e esse mundo maldito eu deixaria?


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