POV. Personas


Caio


— Fiquem quietos, calem as bocas! É impossível pensar com todos falando ao mesmo tempo. —Reclamei enquanto me sentava e passava as mãos em meu rosto, ainda não conseguia acreditar que Ester se pôs em risco por mim ou por nós em todo caso.

— É isso que eu estou falando desde antes, mais alguém me ouve? Não. Então por que você acha que será escutado moleque? — Marcos falou irritado.

— Cala boca Marcos! Você também não passa de um fraco que correu assim que viu a loira dos infernos. Pelo menos o garoto pegou os caras que machucaram a Ester. — Anthony falou com seu inconfundível ar de superioridade.

— Aaatá olha quem fala o primeiro que soltou a batata quente. — Provocou Nina.

— Sua garota insuportável não diga o que você não sabe. Eu fui parado a força se dependesse de mim eu tinha matado aquela praga. Tudo seria mais fácil se fosse do meu jeito.

— Assim como você resolveu o problema com Josh? —Falou Otávio altivo pela primeira vez. — Por sua culpa a garota que não tem nada a ver com nossos problemas está ferida. Ou você acha que o sequestro foi algo aleatório?!

— Cala a boca seu imprestável é sua culpa, você a contratou para nos matar! — Anthony falou frio pegando Otávio pelo colarinho de sua camisa.

— Eu? Eu nem sabia que ela era médica fiquei sabendo por que o Marcos soltou. — Otávio falou se defendendo e tirando as mãos de Anthony dele.

— Vocês são dois idiotas! — Marcos falou ainda jogado em sua cadeira. — Quem a contratou foi o seu amiguinho Otávio. Você sabe, te enganar e manipular é fácil afinal de todos nós você é o mais fraco. Foi o seu gorila que a colocou em nossas vidas. — Marcos continuou com ar de sabedoria.

— Olha só não adianta ficar jogando a culpa um pro outro até porque não irá resolver nada a Ester está ferida, ela nos salvou e ponto final. Caio pelo menos conseguiu explodir o carro dos caras, ótimo, mas agora eu quero saber o que faremos? —Perguntou Nina com a mão na cintura e de pé ao lado do Anthony e do Otávio. Ela estava pronta para sair assim como todos os outros, ela estava com seus trajes favoritos, Nina vestia uma saia preta xadrez com meia três quartos os sapatos estilo boneca e usava uma camisa social branca com gravata rosa, em seu cabelo tinha um laço da mesma cor da gravata. Ao seu lado estava Anthony com seu sobretudo preto feito com a pele de algum animal inocente, calça social preta os sapatos de bico fino e no cabelo seu impecável topete. Otávio estava de calça, terno e gravata tudo preto assim como seus sapatos e o cabelo desalinhado. Na minha frente Marcos continuava jogado em sua cadeira ele usava jeans preto rasgado nos joelhos, camiseta preta e jaqueta de couro na mesma cor da camisa, em seus pés coturnos militares e os cabelos totalmente bagunçados. Sam estava de pijama e não parecia afim de entrar na confusão pois continuava sentado abraçado a seu urso de pelúcia. E eu que estava com uma calça social xadrez igual a de Nina camisa social branca e um colete preto por cima. Todos nós estávamos prontos para sair o problema é que todos queriam ir ao mesmo tempo. Eu queria muito ir pois tinha uma dívida de gratidão com Ester e gostaria muito de agradecer o que ela fez por mim, porém a confusão estava terrível Anthony, Otávio e Marcos se empurravam agora, cada um querendo mostrar sua razão e Nina estava no meio tentando apartá-los, vendo essa cena agora eu percebo que essa é realmente a primeira vez que todos nós nos reunimos para discutir algo, mas acho que ninguém percebeu isso. Se Ester souber que isso ocorreu por causa dela o que será que ela dirá? Ela conseguiu colocar todo mundo frente a frente e eu me pergunto o que pode sair de toda essa confusão.

Nina

Nossa eu já estou sem unhas de tanto roê-las, esses caras são uma verdadeira comédia. Eles não deveriam estar brigando pois quem vai ir ver se a vadia está bem sou eu, onde já se viu ela é uma garota e ainda está machucada nada mais justo do que uma outra garota cuidar dela afinal ela é minha amiga e eu não quero deixar que só a Aline fique com ela. O que meu irmãozinho fez foi muito legal eu adoraria ter tido a chance de jogar um coquetel molotov como os que ele jogou mais infelizmente é um pouco irritante ficar ouvindo o Marcos se gabar que a garota é das dele que gosta de explodir coisas, hum...Como se isso fosse uma coisa de outro mundo, até eu faria algo assim se estivesse em perigo. Cansada de tentar separar aqueles brutamontes resolvo me sentar olho para Caio e o vejo parado com uma cara estranha ele parecia estar imaginando algo engraçado, porém eu não estava com nenhum pouco de paciência para lidar com a melancolia de Caio agora então me aproximo de onde sam estava sentado esse pelo menos não falaria nada. Sento—me ao lado do garoto e o vejo balançar suas pernas e balbuciar algo baixinho, Sam cantava docemente.

Father finger father finger where are you

Here I am here I am how do you do?

Mother finger father finger where are you

Here I am here I am how do you do?...

A voz baixa e doce de Sam me fez relaxar um pouco então voltei a prestar atenção na discursão dos três patetas a minha frente e resolvi ver no que ia dar.

Marcos

Esses moleques são verdadeiras crianças pois não enxergam um palmo além do próprio umbigo deles, do que adianta discutir quem contratou quem? E daí que Ester é uma médica? O importante agora é que ela está ferida.

— ¿Las duchas mozambiqueñas ya terminaron de futricar? – Pergunto quando canso de tentar fazê—los enxergar meu ponto de vista.

Não obtendo resposta dos dois sabichões encosto-me a parede cruzando meus braços e ponho—me a observar os outros telespectadores. Caio que normalmente tinha uma expressão de tédio e tristeza grudada em seu rosto agora parecia pensar em algo engraçado a louca da Nina olhava a sam que parecia falar alguma coisa e este é um fato que me deixou bastante curioso pois só o fato de Sam abrir sua boca já era uma grande novidade, porém antes de poder chegar perto e ouvir o que ele falava os gritos de Anthony e Otávio ficaram escandalosamente altos.

Anthony

Esse desgraçado está achando que vai controlar todo o nosso tempo mais está muito enganado eu não irei permitir. Não agora que reencontrei Ester, eu a farei se lembrar de mim e iremos recuperar o nosso tempo perdido. Esse otário que não pense que irá me afastar dela pois não vai ou eu não me chamo Anthony.

——EU IREI POR UM FIM NESSA LOUCURA, IREI DISPENSAR OS SERVIÇOS DA DOUTORA ESTER E ARCAREI COM TODOS OS PREJUÍZOS QUE AS AÇÕES DE VOCÊS TROXERAM, AFINAL EU SEMPE LIMPEI TODA A MERDA DE VOCÊS!!!—Gritou Otávio indignado, mas eu não deixaria barato não mesmo.

—Você só limpa as nossas merdas por que você é um fraco e tem medo de viver, tem medo de se envolver, se apegar e machucar as pessoas. Você é o errado aqui e não nós, você nos prende e nos limita a viver pequenas frações de vida. Você nos criou e nos aprisionou. Você não tem do que reclamar pois somos nós que suportamos tudo no seu lugar. — Falo calmamente frio.

—Isso não é verdade. – Fala Otávio consternado pelas acusações

—É claro que é. E você não irá afastar a Ester de nós. — Falo firme.

—Não irá mesmo. — Marcos confirma.

—Nem por cima da minha cadáver cor de rosa. – Nina emenda.

—Não há razão para essa medida tão radical Otávio. — Argumenta Caio pondo—se de pé.

Nós nos aproximamos de Otávio falando que ele não poderia afastar Ester do nosso convívio e simplesmente do nada ele desapareceu, o desgraçado conseguiu ter o seu maldito tempo e o único som ouvido na sala depois do súbito sumiço de Otávio o covarde foi a voz doce e agora estridentemente alta de Sam.

—... Father finger father finger where are you

Here I am here I am how do you do?

Mother finger father finger where are you

Here I am here I am how do you do?...


Otávio


Eu tinha certeza que alguém me chamava era uma voz doce porém parecia estar bem séria as personas falavam comigo mais a voz que dizia o meu nome, que chamava o meu nome parecia tão convidativa que quando menos esperei estava de volta.

Eu estava deitado em um lugar macio, mas isso não diminuía o desconforto que eu sentia em minha cabeça. Era tanta dor que o ato de respirar estava se tornando difícil. Droga, eu tinha que conseguir ser forte o suficiente para proteger a Mary...Hum, que Mary o que ela é a Doutora Ester Shalton.Com certeza é a tal medica incrível que Enzo falou quando eu estava em NY. Realmente ela parecia ser boa no que fazia afinal de contas todas as personas queriam sair para cuidar dela, até Caio que é totalmente indiferente a todos mostrava-se bastante interessado. Ela usou uma estratégia muito inteligente porem ridiculamente perigosa tanto que agora está ferida. Mas eu iria dar um ponto final nessa loucura eu não posso deixar que ela corra mais riscos por estar ao meu lado e eu faria ela se afastar nem que eu tivesse que sumir no mundo.

Decidido do que fazer abro meus olhos devagar e vejo que estou em um quarto que parecia ser de um hospital, eu estava sozinho e apesar de não ter nenhuma máquina me monitorando o lugar tinha cheiro de hospital e as minhas suspeitas foram confirmadas quando as duas mulheres de branco entraram, uma era uma senhora gordinha e com cabelos brancos ela se apresentou como Berenice a enfermeira e a outra se chamava Drª Aline Brandon, elas perguntaram se eu estava bem e eu apenas acenei que sim, nenhuma delas tinha a voz parecida com a que me despertou porém eu não estava com coragem de perguntar quem era e onde estava quem me chamava.

— Então o senhor pode me dizer o seu nome?— Fui tirado dos meus pensamentos pela voz da Drª Brandon

— E—eu sou...— A hesitação que senti a ter a liberdade de falar o meu nome de novo fez com que um frio subisse a minha espinha afinal eu não fazia a menor ideia de quanto tempo fiquei fora e o que realmente tinha acontecido. Mas infelizmente eu apenas eu era o culpado, o monstro asqueroso e covarde então eu teria que arcar com as consequências. Respiro fundo tomando coragem e digo: — Sou Otávio Carson e quero falar com Enzo Martney imediatamente consiga um telefone por favor.



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