Me Dê Uma Chance

7 Me Dê Uma Chance - Parte I


Notas iniciais
Ooi povo, mais um capítulo liberado ♡ O próximo vai pegar fogo! - literalmente kkkkkkkkk Boa leitura u3u

Michael, Ray, Katherine e Joe Jackson estavam sentados à mesa para o café da manhã daquele dia. Alguns dos irmãos Jacksons estavam pela casa, mas não compareceram àquele momento. Uma pena, talvez se outros dos meninos estivessem por lá, Joe prestaria menos atenção em Michael, que estava a pouco de entrar em pânico.

Ray usou todos os seus modos para se servir, e o rapaz a ajudou com algumas coisas. A mesa estava farta e repleta de alimentos saudáveis, como leite, frutas, cereais e afins. Ela estava realmente com fome, então desfrutou bastante, embora mantendo a postura. Já Michael, nem havia tocado na comida, já tinha se alimentado antes e estava satisfeito, porém faltava apenas aquele detalhe acontecer para que perdesse completamente o apetite.

Uma folha de guardanapo sobrevoou a vista do rapaz. Assim que a segurou, viu Morten, em sketch, agarrado a ela como se fosse uma asa delta.

— Ei… psiu!

Michael o olhou com espanto, mas buscou manter a calma.

— O-o que você tá fazendo…?!

Ele tentou disfarçar o máximo que deu, mas o seu pai já estava olhando desconfiado.

— Eu tô com fome, cara… que cheiro bom, tem como me dar um pedaço disso aí?

— Michael, o que é isso?

Indagou o homem, o que fez Ray finalmente reparar no papel. Morten congelou e fingiu-se de inanimado. Ela sorriu.

— Ah, que bonitinho, Mike… você desenhou até no guardanapo.

— A mesa não é lugar pra fazer essas coisas.

Disse o homem rabugento, se levantando de seu lugar. Katherine bem tentou impedi-lo discretamente, mas não tocou em seu braço a tempo e o homem seguiu na direção de Michael, que parecia se encolher mais em seu canto à medida que ele se aproximava.

— E-eu jogo fora…

— Não, me dê isso.

Tomou de sua mão, fez uma bolinha de papel e tacou na lixeira mais próxima. Michael mordeu os lábios, esperava que aquele ato não tivesse machucado muito o rapaz.

— É melhor largar mais essas coisas de desenho e focar na sua carreira. Te fiz um showman, não um artista de praia.

Disse, rispidamente. Ray engoliu seco e tentou fingir que não havia ouvido aquela, logo o ambiente perdeu o seu clima agradável.

Michael começou a discretamente cutucar a comida com um garfo, sem a menor vontade de comer, pensando nas palavras duras do homem, pensando no que ele havia feito ao Morten, pensando na vergonha que acabara de passar diante da sua menina, quando de repente o seu olhar recaiu sobre a lixeira.

Morten estava lá e precisava dele.

Suspirou. Levantou-se e foi em direção ao objeto.

— Pra onde vai?

Indagou o homem. Michael o ignorou e, com delicadeza, retirou o guardanapo da lixeira.

— Eu vou jogar em uma lixeira reciclável, pai. Papel não deve ficar com lixo orgânico.

Joe ia reclamar, contudo era mesmo do feitio de Michael se importar com aquelas coisas.

Já o rapaz, quando desdobrou o papel, percebeu que Morten não estava mais lá. Ele arqueou a sobrancelha, mas suas perguntas logo foram respondidas quando ouviu aquela voz familiar ecoar atrás de si, na passagem de entrada e saída da sala de refeições.

— Er… com licença…

Murmurou em tom baixinho, mal parecia o Morten debochado e crianção que Michael conhecia. Seus ombros estavam tensos, ele parecia acanhado.

— Michael…

— Seu coreógrafo ainda está aqui?

Ray arqueou a sobrancelha.

— Coreógrafo?

— E-eu…

— Michael, posso comer um pãozinho?

— Quem é esse rapaz?

Indagou Katherine, a única que não o conhecia. Michael suspirou, em um segundo se tornou o centro das atenções novamente, Morten conseguia agitar a sua vida ao extremo quando queria, e às vezes sem intenção nenhuma.

— Ele disse pra mim que era só seu amigo… que história é essa de coreógrafo?

Disse Ray. Joe indagou em seguida.

— Ele é ou não é o seu coreógrafo? Diga logo, estou perdendo a paciência…

— Você contratou ele, Michael? Tá contratando as pessoas e… nem me chamou?

— Michael, vou comer um pãozinho, beleza?

— Michael…

O rapaz já estava começando a enlouquecer com o tanto de gente chamando pelo seu nome. Mesmo ouvir os seus fãs histéricos era mais gostoso do que aquilo. De repente, o café da manhã virou uma zona, uma típica cena do seriado “Chaves”. As pessoas o inundavam de perguntas enquanto Morten entrava de fininho e saía catando tudo que fosse comestível, ele realmente estava com muita fome e não ia esperar Michael voltar para sua sanidade para lhe dar uma resposta.

— Chega! Chega, gente, parem! Ele é meu amigo, ele… ele está me ajudando no álbum, okay? É isso. Me deixem em paz, por favor…

Michael, já no ápice de seu estresse, tentou manter sua voz no tom mais aceitável possível, jamais gritaria com os pais, sobretudo porque temia o que o patriarca poderia fazer. Foi em direção à mesa, levou o seu prato consigo e puxou Morten pelo pulso, que apenas resmungou algumas palavras por ter tido sua refeição interrompida.

— Pra onde a gente vai…?

Murmurou, ainda com dificuldade. Michael suspirou e subiu as escadas, entrou no próprio quarto com o rapaz e se trancou ali, em seguida colocou seu prato na mesa ao lado da cama.

— Come aí e descansa.

Morten não questionou, sentou-se na cama do rapaz e se alimentou. Enquanto isso, o moreno puxou uma cadeira e se acomodou, precisava descansar depois do que houve. Levou as mãos ao rosto e esfregou os olhos, fatigado. Por fim, lentamente desviou o olhar para o amigo, vê-lo tão faminto só lhe mostrava como ele estava precisando daquela refeição, e como ajudá-lo foi, de certa forma, uma coisa boa no meio daquele inferno.

Discretamente sorriu.

— Tava bom…?

— Hurum!

Murmurou, ainda comendo. Michael riu baixinho e arrastou sua cadeira para perto dele, em seguida passou um dos polegares no canto de sua boca, limpando alguns dos resquícios de farelo.

— Você tá se sujando todo, bobão… quem é o baby boy agora?

Brincou, o que fez o rapaz rir em resposta. Depois daquela interação, o silêncio tomou conta do ambiente. Michael ficou ali, parado, olhando para os olhos azuis do amigo enquanto ele engolia a última parte de seu alimento. Seus pensamentos eram um mistério e, pela primeira vez, Morten não conseguiu acessá-los, pouco a pouco perdia aquele dom.

— Você não pode ficar aparecendo o tempo todo pra as pessoas, Morten…

— O que eu posso fazer? Eu precisava de você…

Michael suspirou.

— Você está mais dependente de mim, precisamos dar um jeito nisso.

Duas batidas à porta. Novamente, os dois rapazes levaram um susto.

— Nunca vou me acostumar com isso…

Brincou Morten, rindo em seguida. Michael sorriu, mas curiosamente não estava muito animado. Silenciosamente levantou e foi atender.

Era Ray.

— Michael… tá tudo bem?

O moreno assentiu, um pouco mais aliviado por ver que não era o seu pai. Se aproximou, segurou o queixo da menina e beijou o canto de sua boca.

Ficaram naquele carinho por um tempo, e a demora do cantor em retornar confirmou para Morten de que era Ray ali. Ele se levantou em seguida.

— Eu fiquei preocupada com você. E como tá o seu amigo?

Michael suspirou.

— Eu vou te explicar tudo, está bem? Entra…

Deu espaço para a garota passar, porém, quando ela entrou, deparou-se apenas com o quarto vazio. Michael arqueou a sobrancelha e olhou em volta.

Morten havia sumido… novamente. Havia se enfiado em algum canto daquela casa e não sairia do seu casulo pelos próximos dias.

Notas finais
Próximo capítulo: Por fim, o moreno lentamente abaixou a cabeça, pensando no que havia concluído sobre aquilo, mas um movimento repentino de Morten lhe causou estranheza. Seu coração bateu forte, afastou-se da janela, mas paralisou quando sentiu a mão dele tocar a sua. Seu nariz quase tocava o dele, sua respiração quente invadia a dele, perguntava-se por que estava sentindo aquelas coisas, ele nunca havia sentido aquilo antes… — Me dê uma chance... Sussurrou. Michael não conseguiu respondê-lo, porém não conseguiu negá-lo, e aquilo foi suficiente para que Morten seguisse em frente com suas intenções [...]