Notas iniciais
O surto da vez é que o hiatus de OUAT está no fim e estamos rumo aos 500 comentários. Alguém me seguraaa! AGRADECEMOS MIL VEZES A TODOS QUE COMENTARAM ♥ Vocês são mais lacradores que Santa Cora! haha E o capítulo de hoje, além de grande, está revelando um pouquinho do destino do Robin. E antes de sermos liquidados por SQ amanhã, não esqueçam de comentar, please? PRECISAMOS muito de palpites. E não se esqueçam que MCC é como o hépi endi da Regina, tarda mas não falha hahaha Este capítulo é especialmente para a Skye, que pediu capítulo novo de MCC no aniversário dela ♥ Sorry, dear, we're late. But esperamos que você goste. Enjoy! xoxoxo

A campainha tocava insistentemente, fazendo com que Emma e Henry descessem as escadas apressados e Regina corresse do escritório. O relógio marcava 7h30 e o cheiro de café preenchia o ambiente, fazendo com que o ar frio que vinha com setembro parecesse menos incômodo.

Uma inquietação tomou conta de Regina ao atender o interfone para que o portão fosse aberto, mas ela respirou aliviada, embora a voz do outro lado a tenha surpreendido e a deixado alarmada. Desde que Robin invadira a casa, Emma e Regina haviam trocado as fechaduras e instalado um alarme potente e um portão que dividia a calçada da entrada da casa. Não havia ficado esteticamente bonito, apesar de bem pintado e da armação ser simples, mas servia para o fim que elas precisavam desde a invasão.

— Quem é? — perguntou Emma visivelmente preocupada. Henry olhava de uma para outra com os olhinhos ainda sonolentos. Ele sabia que não era comum a campainha tocar em um dia de escola tão cedo, o que o fez agarrar-se à perna de Emma ao chegarem no hall. Os últimos acontecimentos com o pai haviam deixado sua cabecinha confusa, e ainda que os danos parecessem mínimos, um acompanhamento com o Dr. Hopper foi logo requisitado e estava perceptivelmente ajudando. Suas emoções estavam mais controladas, apesar dele ainda estar hesitante com a tentativa de rejeição ao qual havia sido submetido. Emma e Regina, bem como o resto da família e as pessoas da escola, estavam em alerta máximo e tentando fazer todos os dias ser tão normais quanto era possível.

Para sua felicidade, e conforto, Regina passava mais tempo com ele, assim como Emma, que havia programado um novo horário junto com a noiva para que pudessem estar o maior tempo possível em casa e com Henry. Das 8h às 15h elas trabalhavam incessantemente em seus respectivos escritórios, e quando ele saía da escola elas alternavam entre ficar em casa e levá-lo ao clube, onde estava praticando cada vez mais futebol e natação por insistência das mães.

Tudo estava indo bem, exceto naquele dia. Aquele episódio quebrava a rotina deles, e a manhã de quarta-feira de repente pareceu estar mais preguiçosa e arrastada.

— Marian. E ela está com o Roland.

Os olhos verdes se arregalaram e Regina tentou esconder sua preocupação.

— Roland está aqui, mamãe?

— Sim, querido.

— Queria brincar com ele… Mas vamos nos atrasar para escola.

— Vamos ver primeiro por que eles estão vindo tão cedo nos visitar e depois veremos o que fazer, o que acha?

— Tá legal.

A batida na porta foi uma mera formalidade, pois sem esperar resposta Marian já a abriu deixando o filho entrar, assim como seu nervosismo. A presença das duas mulheres no meio da sala de entrada conseguiu confortá-la por um momento, dando-lhe a certeza de que estava no lugar certo.

— O que houve? — perguntou Regina dando um passo na sua direção, enquanto Emma bagunçava o cabelo de Roland e Henry sorria pra ele.

— Não aguento mais. Preciso ir embora. — a voz soou plana e sem emoção, mas por dentro ela gritava.

— Marian, vamos para cozinha e conversaremos melhor.

Henry olhou atentamente para o irmão, enquanto tentava compreender o que tinha ouvido. Ir embora? Todos eles? Como assim? Será que havia feito algo errado de novo? Sua expressão perturbada alertou a loira, que trocou um rápido e preocupado olhar com Regina.

Quando era mais nova, a mulher que a criara costumava dizer o quanto esse costume que algumas pessoas possuíam de conversar com os olhos a irritava. Emma nunca havia compreendido o que ela queria dizer com isso, mas depois de encontrar Regina soube muito bem do que se tratava. Contudo, isso a deixava satisfeita, ao contrário da velha senhora, porque era um tipo de ligação que nunca se imaginou tendo com ninguém.

A barriguinha de Roland roncou, o que fez Emma conferir o relógio de pulso e fitar novamente Regina. Naquela troca muda de informações, elas decidiram mudar os planos do dia e se dividirem pra cuidar dos visitantes.

— Henry, Roland, vamos fazer panqueca?

— Mas e a escola, mãe?

— Vocês não gostariam de ficar em casa hoje? — perguntou Regina com um sorriso doce, que não revelava em nada o arrepio que sentia na barriga e dentro do peito.

— Sim! — responderam enquanto seguravam a mão estendida de Emma que estava próxima da morena agora.

— Desculpe sobre a cozinha, mas estamos com fome. Melhor irem para o escritório, e quando as panquecas estiverem prontas eu chamo vocês.

— Tente não queimar nada — cochichou Regina com bom humor perto do ouvido dela.

— Você precisa aprender a me dar mais créditos na cozinha. Faz duas semanas que não queimo nada.

— É, você tem melhorado. Agora, tente falar com o Henry, por favor? E os distraia. Vou descobrir o que Marian resolveu fazer com a vida dela…. E com a nossa. Pensando bem, acho melhor ficarmos na sala de jantar. Assim eles não estranharão tanto. O que acha?

— É mesmo uma boa ideia.

Os meninos as olhavam com interesse, mas sem conseguir distinguir os rápidos sussurros e as feições neutras que elas tinham. A barriguinha de Roland roncou de novo, o que fez elas rirem e Emma os levar em definitivo para a cozinha.

Marian permaneceu distraída e calada durante todo o momento, com receio de dizer algo mais e deixar suas emoções tomarem conta de si. Ela odiava ser tão emotiva e se sentir previsível.

— Desculpe Marian, mas Emma ficará com os meninos na cozinha. Vamos conversar na sala de jantar, tudo bem?

Ela apenas assentiu em concordância, o que fez uma mecha dos cabelos presos descuidosamente caírem. Observando-a com atenção ao chegarem ao cômodo já bem iluminado pela luz do sol, Regina pode ver a confusão que havia dentro dela refletida em seu exterior. As roupas, embora de tons alegres e de bom corte, estavam amassadas e o rosto tinha linhas de cansaço e sombras escuras debaixo dos olhos que revelavam a falta de sono. Aquela imagem na sua frente lhe causou uma sensação estranha de déjà vu. Há alguns anos, ela deveria ter aparecido do mesmo jeito na casa dos pais, refletindo a mesma insegurança e preocupação e, o pior de tudo, causada pela mesma pessoa.

Ao acomodar-se na cabeceira da mesa, fez um sinal para a modelo sentar-se ao seu lado direito e fazer o mesmo. Assim que sentou e relaxou as pernas, o lábio inferior dela começou a tremer, o que fez Regina engolir em seco e sentir um certo pânico invadi-la. Como poderia ajudar alguém se não estava em condições de ajudar nem a si mesma?

— Marian, não chore.

Assim que o pedido saiu, ela se arrependeu. Quantas vezes havia escutado de seu pai, e até de sua mãe, que dizer o oposto de uma ação só faz o óbvio acontecer? Ela exalou o ar com força e colocou a mão no ombro dela.

— Vamos, não chore. Ele não vale as suas lágrimas. Você conhece minha história, não? No início eu também fiquei com medo, nervosa e me sentindo perdida. Mas isso passa. Pense no Roland agora, e em como você pode melhorar sua vida e parar de se sentir inútil.

Os olhos dela continham lágrimas silenciosas quando encontraram os de Regina, mas aquela palavra pareceu secá-las rapidamente. A atenção que demonstrou comprovou que ela não era a única a ter se sentindo desprovida de serventia durante muito tempo.

— O que você disse?

O tom baixo e abalado fez com que a morena optasse por não repetir com exatidão o que havia falado, detendo-se apenas em explicar melhor.

— Sei como Robin pode nos fazer esquecer de quem somos e nos fazer sentir como se fossemos desnecessárias.

— Sim. É isso mesmo…. Como você se recuperou, Regina? Como sou capaz de olhar pra você e não ver nenhum rastro do que ele te causou? Não vou mentir, quero alcançar o mesmo que você.

— Há vestígios do que houve Marian, mas não penso neles e prefiro não deixá-los a mostra para que me definam. No começo foi difícil, não nego. Você analisa tudo, procurando o momento em que houve uma fala, um olhar, qualquer coisa que pudesse ter causado as falhas, mas não acha. Não é sua culpa, ou mesmo dele. É só que… tentei ver esse relacionamento como um quebra cabeça. E infelizmente foi um onde as peças não se encaixavam mais, e não poderia insistir e precisei compreender que tinha que trocá-las. Com o tempo você se vê tão saturada que opta em ocupar a mente com algo mais produtivo, e é nessa hora que você se recompõe. Resolvi investir nas únicas coisas que tinha disponível no momento: meu filho e o emprego que meu pai ofereceu no Clube. E foi nessa hora que as coisas mudaram. Sempre haverá fantasmas, Marian. Mas se quer um conselho, faça-os te deixarem mais resistente e não sacrifique as lembranças boas pelas inúmeras ruins.

— Não sei se consigo.

— Não sabemos o quanto somos fortes até que a nossa única opção é ser.

— Talvez você esteja certa. Estava acostumada a estar sozinha e de repente não estou mais, mesmo estando. Entende?

O movimento afirmativo da morena fez Marian torcer os lábios e enxugar o rosto.

— Isso me angustia. Eu… O que devo fazer?

— Você disse que queria partir. Mas não posso tomar as decisões por você, Marian. Posso te ajudar a certificar-se de quais são as melhores opções, mas é você quem tem que resolver.

Ela bufou insatisfeita, porque já sabia disso. E era pior quando ouvia. Nunca foi uma pessoa sociável, que manteve o contato com parentes ou que possuía muitos amigos. Mas de repente percebeu que estava na casa das pessoas que havia detestado por várias vezes e que apreciava a companhia delas, bem como toda a ajuda e atenção.

— O que houve pra você estar neste estado?

— O de sempre. E depois que você apareceu lá tudo piorou.

— Desculpe. Não foi minha intenção tornar as coisas mais difíceis pra você.

— Eu sei, eu sei. Por isso estou aqui. O que aconteceu e aquilo que você fez foi o choque que eu precisava para entender que nada vai mudar ou ser do jeito que quero.

Regina a ouvia atentamente e tentou explicar-se mais uma vez, porém foi impedida pela mão estendida que lhe pedia para que escutar tudo o que ela tinha para falar.

— Depois que você partiu, Robin virou um demônio e com isso, finalmente, me vi livre da influência dele. Descobri que estava cansada demais de tentar salvar uma história que nem bom começo teve.

Sim, ela estava completamente farta daquela história com Robin, do fingimento e tolerância que empregava já há um bom tempo e queria mudar as coisas.

Era hora de parar de se esconder atrás dos confusos e aflitos sentimentos que a tomavam, ser corajosa e tentar resolver tudo o que queria. Não tinha muita certeza se conseguiria, mas a mulher a sua frente era um ótimo indicador de que quem quer algo com afinco, faz acontecer. E o que ela queria muito era retaliação. Talvez não fosse certo ou sensato, mas queria provar que não era apenas uma marionete na mão de quem lhe oferecesse carinhos e elogios.

— Há uma coisa que fiz e na qual venho pensando e estudando desde que Emma esteve na minha casa. — revelou com certo embaraço — Consegui reunir todas as informações que preciso, mas não sei bem o que fazer agora. Quero sua ajuda nisso.

— Do que se trata?

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— Henry, pegue a farinha pra mim, por favor.

— E eu o ovo, tia Emma?

— Não, não, Roland. Preciso da sua opinião sobre a calda. Dê seu dedinho aqui.

Ela deu uma piscadinha para Henry, que sorriu e entendeu o recado. Segurando a tigela em que havia colocado a calda de chocolate, ela ajoelhou-se para ficar da altura dele e passou o pequenino dedo indicador na borda. Roland colocou o dedo na boca, arregalando os olhos de animação quando sentiu o sabor do cacau na boca. A receita levava açúcar, o que deixava a mistura com um leve toque amargo apenas.

— Hmmm! Quero mais!

— Só depois que a massa estiver pronta. — disse com uma risada.

Logo ela estava batendo todos os ingredientes no liquidificador para ir mais rápido, embora estivesse brava por não conseguir ouvir a conversa no cômodo ao lado. O que estaria acontecendo?

Com gestos automáticos, ela aprontou tudo para começar a fritar, enquanto segurava na mão dos meninos para ajudá-los a cortar as bananas e os morangos que colocariam por cima. Ela sabia o quanto eles gostavam de fazer isso, fingindo que haviam picado tudo sozinhos.

— Mãe? Pra onde a gente vai?

Ela acabou de colocar as frutas no recipiente de vidro, enquanto virava-se para o garoto, ignorando o chispar da manteiga que começava a derreter.

— Não vamos a lugar nenhum, Henry.

— Mas eu ouvi…

— Nós não vamos a lugar nenhum, Henry — repetiu ela interrompendo-o e analisando com insistência os olhinhos dele. — Escuta, tem acontecido algumas coisas… coisas de adulto que tem deixado eu, a Regina e a sua mãe — acrescentou envolvendo Roland com o olhar, que também prestava atenção — muito preocupadas e tristes.

— É aquilo que eu fiz?- disse Henry com nada além de um murmúrio.

Antes de segurar as mãozinhas dele, ela desligou o fogo e tomou fôlego pensando no que diria.

— Não, meu amor. Achei que você soubesse que o que houve não altera nada o que nós sentimos por você. Com tudo o que passamos, você já não se sente grande?

— Um pouquinho.

— Não quero que você assuma a culpa por algo que não tem, entendeu?

— Sim.

Emma não entendia muito do assunto, mas podia ver que as emoções do menino não seguiam sua lógica. O Dr. Hopper havia lhes orientado que as crianças às vezes assumem papéis e responsabilidades quando veem o sofrimento dos pais, na tentativa de fazê-los felizes. Como poderia proceder então? O fundo da sua mente gritava pela ajuda de Regina, já que, afinal, duas cabeças pensam melhores do que uma. Mas não aconteceu nada. Regina não apareceu, e tampouco uma boa ideia. Como é possível trabalhar na polícia, lidar com situações de tensão, e não saber o que dizer para uma criança?

— Henry, promete que você vai tentar esquecer isso? Nada do que está acontecendo é culpa de vocês. Temos lidado com esse problema há mais tempo do que vocês suspeitam. E isso tem deixado a gente preocupada e chateada, mas iremos resolver. Agora, são vocês que têm que ficar feliz o tempo todo. Bem, não o tempo todo, mas na maior parte das vezes. Combinado?

Roland não disse nada. Ele parecia distraído, mas observava com atenção o irmão e Emma. Ele ainda era muito pequeno para compreender a dificuldade que os cercava e para lembrar-se daqueles momentos, o que fez Emma agradecer silenciosamente. Henry, contudo, estava lá encarando-a sem perder nenhum detalhe ou expressão, tentando decidir se perguntava ou não. Talvez reconhecendo a mesma insegurança que havia dentro de si, ele resolveu tirar suas dúvidas com a mãe. Piscou diversas vezes procurando as palavras certas, mas sua voz baixinha e desanimada só conseguiu liberar um “é o papai?”.

Ao ouvir a pergunta cheia de lamento, ela o puxou pelos ombros frágeis, abraçando-o apertado, e depois o beijou demoradamente nos cabelos. Deveria mentir ou ser honesta com ele? Mentir era sua melhor opção, porque do que adiantaria ser sincera com um menininho, que mal sabia soletrar palavras grandes? Porém, antes que sua cabeça pudesse processar os prós e contras da situação, o seu lado menos racional se apressou a dizer:

— Sim, meu anjo.

— Por quê, mãe?

— Não sei lhe dizer o porquê. — confessou com um suspiro alto. — Mas Henry, e Roland, — disse aos pega-los e os colocar sentados na bancada para ficarem de sua altura — o pai de vocês os ama e não importa o resto. Okay?

— Tá, tia Emma.

— Eu sei, mãe. Mas ele não vem mais me ver, ele briga com vocês, e o Roland tá aqui e eu não fui na escola. Por quê?

— Porque… — ela limpou a garganta e tomou fôlego — Porque o pai de você está doente Henry. Nós não sabemos o que fazer, e a Marian quer ir embora.

— Por quê? O que ele tem?

— Não posso te contar isso agora, garoto. A única coisa que você precisa saber é que Regina e eu estamos fazendo o que é melhor pra você.

— Mas mãe…

— Você acredita em mim, Henry?

Ele demorou para responder, não porque precisava pensar na resposta, mas porque não entendia o que estava acontecendo ou como as coisas iriam caminhar dali pra frente.

— Acredito.

Ela sorriu com tanto alívio, que Henry não conseguiu manter seu rostinho sério. Roland estava ocupado com o copo de leite que Emma havia lhe dado, e não entendia o porquê daquela conversa tão séria logo cedo. Henry, por outro lado, sabia que algo estava errado, mas estava feliz por ter as mães e o irmão ali. Ele pensou no pai e se lembrou das palavras sinceras e diretas que Regina e Emma sempre lhe diziam, assim como os avós. Sim, ele realmente acreditava nelas e que fariam o melhor pra ele. Mas como ele podia ajudar?

— E o que eu faço mãe? Quero ajudar.

— Você já ajuda, Henry. Você faz suas tarefas, obedece a gente, estuda direitinho, brinca bastante e está saudável. O que mais a gente ia querer? — ela o abraçou mais uma vez, feliz por ele não a ter repelido — Acredito que você queria ajudar, mas é assim que você facilita as coisas pra gente. Sendo um bom menino. Continue assim, filho. É tudo o que queremos e precisamos. Promete?

— Prometo, mãe. Isso é fácil — garantiu com a convicção de que poderia fazer tudo o que havia sido listado.

— Ótimo! Agora vamos terminar essas panquecas, então, porque estou morta de fome. Quem vai querer a primeira?

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O café da manhã transcorreu bem e, após o leite morno e as panquecas com frutas e calda de chocolate, os meninos pareciam mais relaxados. Emma e Marian contaram algumas piadas, o que os fez rir e esquecerem por algum tempo do porquê estavam ali. Depois de uma hora, as crianças mal lembravam que era dia de aula e saíram correndo para brincar com os novos giz de cera que Henry disse que tinha.

Regina gritou para não correrem na escada quando eles passaram por ela, o que fez Marian levantar e os acompanhar até o andar de cima, adicionando um sermão ao aviso que já tinham recebido.

Emma sorriu e trocou algumas palavras com Regina, interrompendo-se ao olhar no relógio e lembrar-se de ligar para o departamento avisando que precisaria tirar o dia de folga. Ela orientou Regina a fazer o mesmo, para que o sr. Mills não ficasse preocupado e pudesse conciliar qualquer imprevisto que surgisse.

— Oh sim, vou ligar para ele. E depois para minha mãe.

— Ligar para a Cora?

— Preciso de um favor. Acredito que ela vai adorar me ajudar quando descobrir para o que é.

— Você quer me colocar a par do que está acontecendo, por favor?

— Claro. — assegurou Marian de volta ao aposento — Enquanto Regina fala com Cora, nós conversamos. E eu te ajudo com a louça.

— O que vocês estão tramando?!

— Nós vamos acabar com o Robin.

Emma a olhou com surpresa, mas depois de um instante sua expressão era de curiosidade e presunção.

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— Você precisa do quê? — gritou Cora do outro lado da linha.

— Por que você está surpresa?

— Bem, esse é um pedido inusitado, não é? No que você se meteu agora, Regina?

— Em nada, mãe. — “Não ainda”, pensou ela — Acontece que Marian está aqui e precisa da minha ajuda. Sei que você conhece os melhores advogados pra isso.

De fato ela conhecia. Não eram muitos, mas eram os de maior sucesso, todos inseridos numa lista de pretendes que fizera uma vez pra filha.

— Você vai me dizer pra quê ou terei que ir até aí?

Se sentindo uma garota de doze anos novamente, Regina apertou as mãos. Ela não queria Cora metida na sua vida, mas seria bom receber algum aviso, caso ela tivesse algum. Ela nunca admitiria em voz alta, mas precisava saber a opinião da mãe sobre aquele procedimento, já que seria permanente.

— Lembra-se quando Robin foi preso? Bem, Marian se reuniu com o advogado da empresa e explicou a situação, me colocando assim, junto com ela, como sócia de Robin na empresa dele. Dessa forma, se alguma situação surgisse, nós poderíamos resolver sem ele.

— Robin sabe?

— Não, e essa não é a melhor parte. Marian tem uma declaração que ele assinou sem saber pedindo o desligamento da empresa e deixando-a nas minhas mãos e nas dela.

O silêncio do outro lado lhe deu garantia que Cora prestava atenção no assunto e estava processando o que havia escutado. Aparentemente, era a única opção que eles tinham para se vingar daquele canalha. E Cora precisava reconhecer que era genial, apesar de óbvia. Como eles não tinham pensado naquilo antes?

— Do que mais você precisa?

— Quer dizer que você concorda? Não vai me alertar e nem dizer nada?

— O que você quer que eu diga? É um plano perfeito e uma oportunidade que vocês merecem aproveitar.

— Oh, não. Os lucros serão para os meninos. Marian e eu decidimos que seria melhor assim. Mais… ético, se é que posso usar essa palavra no contexto. Então, tecnicamente não estamos roubando ele ou nos vingando. Estamos tentando preservar o futuro dos meninos. Principalmente o de Roland.

— Entendo. Muito bem, Regina. Vocês terão minha ajuda. Passarei todos os contatos que possuo e que irão ajudá-las. Só se certifique de falar a palavra mágica.

— Por favor? — perguntou Regina sem entender ao que ela se referia.

— Não, sua tonta. Meu nome.

Ela não conseguiu refrear uma risada e garantiu que não se esqueceria. Contente por ter o apoio da mãe, algo que não teve antes, ela foi procurar por Marion e Emma.

— Não estou acreditando nisso — gritou Emma quando ela se aproximou. A sala de jantar não era pequena, mas naquele momento parecia minúscula perante a presença da loira.

— Diga que você concorda. — pediu Regina num murmúrio quando viu a expressão séria dela. Por um momento temeu ter o consentimento da mãe, mas não o de Emma. Se assim fosse, as coisas poderiam parecer certas? Não que de algum modo fossem erradas agora, mas seria uma ironia cruel ter somente o apoio de Cora. E sem o apoio de Emma ela não faria nada, não porque dependia ou esperava tanto assim da noiva, mas porque elas estavam juntas naquilo desde o começo.

— Se eu concordo? Regina, eu poderia dar uma festa! Marian é brilhante! — afirmou animada enquanto batia de leve sua mão esquerda nas costas da mulher.

— Muito obrigada, Emma. — agradeceu Marian sorrindo. — Temi que Regina fosse me repreender por usar o nome dela sem consentimento, mas como expliquei pra vocês é pelo bem dos meninos.

— Você é uma ótima mãe, Marian. Não duvide disso de novo.

— Você desencadeou tudo isso, Emma. No fim você mudou a vida de todas nós.

Havia um nó na garganta da tenente e ela não soube o que fazer. Ao olhar para Regina, ela constatou o mesmo brilho de apreciação e seu peito pareceu contrair-se.

— Marian está certa. Parece que você é responsável pelas grandes coisas na nossa vida.

Indo até ela, Regina a abraçou. Percebendo o embaraço de Marian, ela a puxou pelo braço e a fez se espremer entre elas.

— É muito bom tem amigas como vocês. — confidenciou em um fio de voz.

— Você não é só uma amiga, Marian. Você é da família. — garantiu Emma.

Regina assentiu e desfez o abraço na mesma velocidade com a qual o iniciou.

— Minha mãe já deve ter mandado a lista por e-mail e Marian precisará estar com a papelada.

— Na verdade, está na minha bolsa. Não me separo daqueles documentos por nada neste mundo.

O olhar de surpresa de Regina não passou despercebido à Emma, que suspeitava ter a mesma expressão, o que a fez comentar com admiração:

— Você deveria cogitar uma carreira diferente. Você tem cérebro demais para ficar só andando numa passarela.

Marian riu e revelou os pensamentos que ela própria já havia tido:

— Eu sei. Mas sempre quis fazer isso e talvez seja útil também. E agora que já consegui um emprego em Nova York e começarei daqui três semanas, não vou mudar de ideia.

— Não me diga que você vai trabalhar na…

— Eu vou!

Em meio aos gritinhos das duas, Emma se viu perdida. Num momento estavam falando do trabalho que tinham pra fazer e no outro estavam falando... do quê exatamente?!

— Alguém pode me explicar?

— Marian vai trabalhar na Fashion Week!

— Isso é maravilhoso! — disse juntando-se aos gritos de comemoração ao se dar conta do que significava — Parabéns!

— Obrigada — respondeu Marian com simplicidade, tentando amenizar sua animação. Naquele momento Henry gritou por Regina, que foi encontra-lo no segundo andar, mas não antes de ligar a cafeteira novamente e pedir para que Emma providenciasse seus computadores, e Marian os documentos.

— Vou me contentar com café, mas depois dos negócios de hoje, iremos sair para brindar com champanhe. — resmungou enquanto ia ver do que o filho precisava, rezando para que não fosse outra daquelas brigas bobas entre ele e Roland.

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Robin estacionou o carro com certo esforço, porque havia um táxi parado em frente a garagem. Ele buzinou antes de sair e bater a porta, pensando em como havia pessoas desorientadas naquela cidade. “Será que não ensinam mais a não parar em frente a casa dos outros?!”.

Com todo o barulho, e reconhecendo a buzina, Marian suspirou fundo e fechou o casaco de Roland. Droga! Ele estava ali. Tinha se preparado para aquele momento durante os últimos três dias, mas notou que não havia sido o suficiente. A papelada estava encaminhada e, dentro de dois meses ou menos, ela e Regina seriam as únicas responsáveis pela agro empresa dele. Olhando pela sala, verificando se não estava esquecendo nada, ela tentou esvair a tensão que tomava sua mente. Precisava ficar tranquila, porque conseguiria sair dali. Finalmente provaria do que era feita.

— Aconteça o que acontecer, não diga nada. Entendeu Roland?

— Sim, mamãe.

— Seu pai não vai vir com a gente, como eu já expliquei, e você não pode chorar agora. Combinado?

O garoto apenas balançou a cabecinha enquanto estendia os braços para ser pego no colo.

— Então, vamos. Seremos muito corajosos hoje, filho. Você e eu começaremos uma vida nova quando passarmos por essa porta.

Marian pendurou a bolsa no ombro e pegou a pequena mala que estava com as roupas de Roland. Ao sair, sentiu o golpe do ar gelado no rosto, mas sabia que seria menos cortante do que as palavras que ainda ouviria de Robin. Mas era a última vez.

O homem que uma vez amara não a notou até que chegasse perto do carro amarelo. Era típico dele fazer com que ela se sentisse invisível. Sem dizer uma palavra para ele, que gritava com o motorista, ela abriu a porta e colocou Roland sentado e preso com o cinto.

— O que você pensa que está fazendo?

— Indo embora.

— O quê?!

Ela o ignorou e andou com passos largos até a casa, onde pegou o restante das malas. Para sua sorte o motorista vinha em seu socorro, imitando seu exemplo e ignorando Robin.

— Marian! — berrou ele cruzando a calça enquanto via a namorada fechar a porta da casa. — Marian!

— Eu poderia dizer que você adora repetir o meu nome, mas sabemos que não é verdade. E talvez você não tenha notado durante todos esses anos, mas não sou surda. Aqui esta a chave da sua casa. Se cuida, Robin.

Num gesto ousado ela havia pego a mão dele e colocado a chave nela, e, assim que o fez, o encarou e saiu. Robin ficou olhando para o objeto na sua mão, mas logo o jogou no chão e a alcançou antes que entrasse no carro.

— O que diabos você pensa que está fazendo? — gritou puxando-a pelo braço.

— Estou indo embora — respondeu no mesmo tom de voz e dando um safanão para que ele a soltasse, o que não ocorreu. Ela poderia apostar que, mesmo com o casaco, haveria uma mancha vermelha ali mais tarde.

— Acho que não, Marian. Você me pertence, lembra?

— Do mesmo modo que Regina? Me conta outra, Robin. — ela cuspia as palavras pra ele, mas seu coração estava preocupado com Roland. Foi nesse momento que soube que estava fazendo a coisa certa em levá-lo com ela. Espiando o interior do táxi, ela notou que o motorista o distraía com uma dobradura que fazia em um pedaço de papel. Não poderia esquecer de lhe dar uma boa gorjeta.

— Não fale o nome dela!

— É, Marian. Não fale o nome dela. — rebateu a voz sarcástica que contornava a casa deles. — Você não vê que isso o deixa desesperado? Não seja má.

— Deveria ter sido realmente má e ter colocado cianeto na sua comida. — gritou para Robin antes de virar-se para a figura elegante parada há uma boa distância deles — Vê como sou estúpida e perco as oportunidades quando fico perto dele?

— Pense que não voltará a acontecer — rebateu Emma como se Robin não estivesse ali. Ele parecia aturdido, olhando de uma para a outra sem entender porque a tenente estava parada no seu quintal.

— O que você está fazendo aqui?

— Assegurando que Marian saia inteira.

— Ela não vai a lugar algum.

Emma abaixou a cabeça e fingiu um suspiro de desânimo.

— Eu disse pra Regina que queria ter a chance de acertá-lo como ela o fez. Mas sabe o que ela falou? Que eu não precisaria me preocupar já que você seria um cavalheiro e não colocaria empecilhos na partida da sua namorada. Deveria ter apostado algum dinheiro com ela, assim seria mais emocionante. Mas vou pedir pra ela me compensar com beijos. O que acha?

— Cala a boca!

Nenhuma delas tinha dúvida que o pouco autocontrole que Robin ainda tinha estava no fim. Mas elas haviam planejado aquilo durante dias. Tirar a empresa dele não era uma forma de vingança, mas de garantia. Quando elas discutiram o que aconteceria quando Marian resolvesse deixá-lo, houve um silêncio que falava por si só o que poderia acontecer. Por um instante, elas imaginaram que conseguiriam sair sem cruzar com ele e fazê-lo se sentir tão aturdido e ferido como tinha acontecido com elas, mas, como sempre, Robin apareceu para complicar tudo. No entanto, para sorte delas e azar dele, aquele encontro havia sido considerado, bem como o que fariam se acontecesse. Emma, contudo, resolveu acrescentar só mais um pouquinho de atitude àquela encenação.

— Eu o avisei que o faria pagar.

— Cale a boca sua sapatão de merda!

— Venha me fazer calar.

Naquele momento Robin se esqueceu de Marian e se encaminhou para onde Emma estava, enquanto ela fazia um gesto com a mão. Do carro estacionado mais a frente desceu uma mulher que, mesmo correndo para o táxi junto com Marian, mantinha o ar majestoso. Robin viu o movimento com o canto dos olhos e não acreditou quando realmente a enxergou ali.

Regina estava entrando no veículo junto com Marian, e nos seus olhos só havia desprezo e repulsa. Ele se lembrou do soco que ela lhe deu, e pareceu reviver a dor física que sentira. Robin poderia ter caído de joelhos e lamentar por ter perdido a mulher que tanto amava, mas não foi o que ele fez. E isso foi o que assegurou à Emma que elas estavam certas o tempo todo: ele nunca mudaria. Nem por ele mesmo e nem por ninguém.

Voltando sua raiva para a loira, ele tentou atingi-la com o punho fechado, mas ela foi mais rápida e desviou, o que o fez cair. Ela olhou com compaixão antes de sair correndo para o carro do qual Regina havia descido. Quando ela deu partida, o táxi saiu e ela viu Robin vindo em sua direção. Saindo em disparada, ela seguiu até a avenida movimenta, sempre olhando no retrovisor.

Robin teve vontade de segui-las, mas seria inútil porque ele poderia acabar preso. Marian havia agido como uma serpente silenciosa e astuta, e agora ela dava o bote indo embora, levando seu filho e acompanhada por Regina. Onde estava sua gratidão por tê-la ajudado, orientado e, mesmo que por um determinado tempo, a amado? E Regina? Como ela poderia ter ajudado aquela mal agradecida? E a forma como o olhou….

Ele passou a mão pelos cabelos e sentou-se no segundo degrau da pequena varanda. Estava enganado quando disse para Marian que ela lhe pertencia. Aquela fora uma palavra dita erroneamente no calor da emoção, porque percebia agora que saber que ela estava distante o aliviava. Roland tinha ido com ela, mas ele ainda tinha Henry. E teria Regina, com quem poderia formar uma família novamente, e ela sim lhe pertencia. Mesmo depois de tudo, estava disposto a perdoá-la e a começar de novo. Não permitiria que ela ficasse com outra pessoa que não fosse ele. Se ele não podia ser feliz, ela também não seria.

Quem o visse imaginaria que estava sofrendo apenas pela desilusão amorosa, mas não compreenderia que ele estava pensando apenas em como iria resgatar Regina da situação patética em que estava e daquela mulher. Ele queria matá-la ou pelo menos a fazer sofrer, mas a pouparia porque queria gastar suas energias somente com Regina. Se ela não queria ficar com ele por vontade própria, tudo bem, mas ele mostraria como podia ser persuasivo e fazê-la mudar de ideia. Ele teria Regina de volta, o que faria aquela mulherzinha nojenta se contorcer. Coçando a barba por fazer, ele se pôs de pé e foi entrando na casa murmurando pra si mesmo, em forma de canção: Eu destruirei a felicidade de vocês. Nem que seja a última coisa que eu faça.

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Marian entrou na sala de embarque agarrada ao filho e totalmente emocionada. Emma e Regina haviam lhe ajudado mais do que poderia imaginar ou querer. E depois daquela singela despedida, ela sabia que o que Emma dissera era verdade. Talvez por causa dos meninos, principalmente, mas apesar de tudo, ela era da família. Se precisasse de ajuda ou só compartilhar seus feitos, sabia que poderia contar com elas.

Roland estava choroso pela despedida do irmão, mas elas haviam garantido para ele, e para Henry que estava ali com o avó, que aquela mudança seria um bom pretexto para que eles viajassem mais. Durante dias elas buscaram sempre explicar e reforçar a situação de Marian, contando sobre o emprego que ela havia conseguido e que, mesmo triste, ele deveria ficar feliz pelo irmão e por ela, que teriam uma nova oportunidade.

— Levaremos você para vê-los a hora que quiser. Desde que Marian possa também. — havia lhe dito Regina antes de colocá-lo na cama na noite anterior. Agora, parado ali ao lado dela, segurando sua mão e a de Emma, ele não se sentia tão desgostoso como quando chegou no aeroporto com o avó. Ele era o irmão mais velho e conseguiu dizer pra Roland que tudo daria certo, como as mães haviam dito que ele precisava fazer. E ele se sentiu bem.

Após comprovar que Marian e Roland haviam saído, ele as chamou para ir embora e depois pediu para ir ao parque que estava na cidade. Elas concordaram e a tarde foi gasta em meio a risadas e algodão doce. O assunto de Marian e Roland não voltou a ser discutido, exceto quando a modelo ligou para avisá-los que estava tudo em ordem e que o apartamento que tinha alugado era realmente encantador.

Henry ficou animado quando elas falaram que logo Marian e Roland estariam de volta para uma visita, e não as importunou mais com perguntas sobre eles ou sobre o porquê de Robin não ter ido ao aeroporto também. Henry era uma criança compreensiva e fácil de lidar, e elas agradeciam por isso todos os dias, o que facilitou a comunicação entre eles naquele dia tumultuoso, já que nenhuma das duas estava disposta a falar muito.

Porém, havia uma repreensão que circulava entre elas durante o dia todo precisando vir à tona. Foi só após Henry estar na cama e elas de banho tomado e preparadas para irem dormir também que a vontade e a oportunidade surgiram.

— Hoje entendi o que costumam dizer com ‘viver perigosamente’. — sussurrou Regina em meio a escuridão — Fiquei com medo por mim, pela Marian e por você. Quase desci para lhe bater eu mesma quando te ouvi provocando ele daquela maneira infantil.

— Não fui infantil! — indignou-se Emma ofendida. — Eu só… só quis revidar um pouquinho. E saí incólume, não sei se você notou.

Ela riu e a prendeu com uma das pernas, trazendo-a pra perto.

— É impossível não te notar, Swan.

— Bom saber que ainda tenho esse poder.

— Você sempre terá esse poder sobre mim.

— Ótimo. — sussurrou ela lentamente, como se fosse mais uma das carícias que fazia no braço de Regina.

— Depois de hoje confesso que estou mais otimista.

— Eu também, estou. Nos saímos bem hoje e nos sairemos ainda melhor. Não vejo a hora dos advogados ligarem avisando que está tudo em ordem.

— Eu te amo, Em. — murmurou ela se agarrando ainda mais. — O que a Marian disse aquela vez é verdade... Sem você eu não teria tido coragem pra fazer nem metade das coisas que já fiz.

— Nem eu, Regina. E além de não ter conseguido nada do que tenho hoje, segundo a Alexa, sem você eu sou uma bagunça e muito rabugenta.

Elas riram baixinho e Emma estava quase dormindo quando Regina murmurou:

— Nunca quis que os demônios que tomavam conta de mim te fizessem de vítima também. Mas agradeço infinitamente por te ter aqui comigo.

— Sempre estarei com você. Com demônios ou sem demônios. Algumas coisas, como a gente, estão destinadas a ser, mesmo que levem um bom tempo.

Regina a beijou no queixo, e depois voltou a se acomodar perto da curva de seu pescoço. Logo Emma estava dormindo, vencida pelo cansaço do dia. A morena, no entanto, ficou pensando no que ela disse sobre destino. Tentando pensar na verdade, porque sua mente exausta se recusava a formular algum raciocínio coerente.

Porém, tudo o que ela conseguiu fazer antes de perder a total consciência foi se ver cantarolando Can't help falling in love. Ela adorava aquela canção e sabia que tanto Elvis como Emma estavam certos sobre algumas coisas estarem destinadas a acontecer. Praguejando, ela virou-se nos braços da noiva em busca de uma posição mais confortável, já prevendo que acordaria no dia seguinte com aquela música na cabeça.

Notas finais
Ooooooi pessoaaaaaaal! Estamos nos encaminhando para o final da história... Do Robin, relaxem :P Ainda tem muuuuuita coisa legal programada, e esperamos que vocês gostem. O que acharam deste capítulo? Estamos orgulhosas da Marian e de todas as decisões ~certas~ que ela tomou. E vocês? Sobre o fim do Robin, não revelaremos nada agora, mas só digo que foi difícil achar um final pra ele sem que saíssemos muito da realidade. E a nossa intenção com MCC é justamente essa: chegar o mais perto do que é real, mesmo sendo uma fanfiction. Então é isso. Qualquer coisa estamos no Twitter, onde vocês podem nos mandar tts ou DM, ou aqui, onde vocês podem mandar mensagem privada ou só comentar :D Beijo grande, HeyBones.