Notas iniciais
We're back! Dedicamos este capítulo para todos que comentaram aquelas palavras maravilhosas no outro capítulo. Vocês são uns amores! E esse capítulo é, em especial, pra Beatriz, que nos deixou uma recomendação lacradora recentemente. Linda, você nos emocionou com suas palavras, e elas vieram no momento certo, pois estávamos na bad aqueles dias. Muito obrigada! ♥ Com o intuito de inovar, este capítulo tem música brasileira que é muito SQ, na nossa opinião, e que condiz bem com MCC. Esperamos que vocês gostem.

Como combinado, pontualmente às 20h, Emma estacionou o carro do casal no estacionamento do Brando's Speakeasy, uma casa de karaokê, após deixarem Henry na casa de um amiguinho.

Há algum tempo elas estavam incentivando a vida social do garoto, de modo que ele se abrisse mais e tivesse um contato maior com outras crianças. A primeira vez em que ele dormiu fora de casa, Regina não descansou nada, mas agora, tanto ela como Emma, já tinham aprendido a relaxar com o fato e como tudo funcionava. E, como conheciam os pais do outro garoto, as coisas sairiam como planejado naquela noite.

Apesar das amigas já saberem sobre o casamento, elas precisavam comemorar e, por isso, decidiram fazer uma noite apenas delas, regada a risadas, álcool e música. Afinal, mereciam um descanso das provações que estavam tendo nos últimos meses com o trabalho e com a vida em geral.

Chicago é uma cidade onde o karaokê é mais do que um passatempo, é um estilo de vida, assim elas optaram por passar a noite em um dos melhores bares da cidade que ofereciam este serviço. Elas pensaram em visitar Chinatown e ficarem por lá, mas o Brando’s acabou ganhando, por ser afastado do centro, ter uma clientela boa e um ambiente totalmente aconchegante.

O casal vestiu-se de acordo, já que era a primeira vez em meses que saíram só as duas, então enaltecer suas belezas não seria sinônimo de futilidade, e sim uma massagem no ego e na vaidade. Dessa forma, Emma escolheu uma calça vermelha de couro, com uma botinha estilo coturno e uma blusa aberta nas costas, ambas em preto. Seu cabelo estava solto e jogado para a esquerda, com grampos que o prendia na parte direita da cabeça. Regina preferiu deixar os cabelos naturalmente soltos, pois combinavam mais com o macacão soltinho preto, e o cinto largo na cor branca. Nos pés, como de costume, calçava um sapato de salto alto e bege.

Ao entrarem no bar, procuraram as amigas com os olhos, mas após uma varredura completa e sem sucesso pelo salão, resolveram sentar-se em uma mesa no canto e aguardá-las. O balcão de bebidas era imenso e o palco ficava do lado direito delas. O cheiro de lanches, batatas fritas e pizza preenchiam a atmosfera, e a conversa e a cor dos diferentes drinques suavizavam os sentidos e deixava tudo ainda mais acolhedor.

Enquanto esperavam pelas outras mulheres, Regina e Emma pediram margueritas, determinadas a aproveitarem a oportunidade e variar as bebidas. Tirando vantagem do atraso, elas trocaram beijos e carícias suaves, ao mesmo tempo em que conversavam sobre banalidades do dia a dia e olhavam o “cardápio de músicas”, apontando e comentando sobre as que lhes chamavam a atenção.

Os outros clientes sofriam do mesmo ar hipnótico que o lugar parecia possuir, e nem mesmo as vozes desafinadas de quem subia para cantar parecia tornar a brincadeira menos atraente.

Após alguns minutos, sem revelar uma para outra o título escolhido, chamaram um garçom para anotar as músicas que cantariam. A fim de fazerem uma surpresa, ambas escolheram músicas do gênero romântico, com o propósito de promoverem seus sentimentos, já que a correria de suas rotinas vinha impedindo-as de exaltarem o que sentiam. Não que os pequenos detalhes e gestos com os quais estavam acostumadas, como colocar Henry na cama ou fazer o café, não fossem suficientes ou não dissessem o bastante, mas a questão é que elas queria ousar a fazer algo diferente e marcante.

— Mas onde elas estão? Caramba, que demora! – reclamou Regina após olhar no relógio e beber mais um gole de sua segunda marguerita, constatando que Ariel, Ruby e Alexa estavam há mais de trinta minutos atrasadas.

— Calma Gina, elas não têm essa sua obsessão por pontualidade – debochou rindo, ganhando um tapa no braço como resposta ao uso do apelido – Ai amorzinho, isso dói sabia? – protestou esfregando a área que ardia – Você adora me bater, né?! – o resmungo em tom infantil e o biquinho formaram-se mais por hábito do que por vontade.

— Você não faz ideia do quanto. – comentou maliciosa, apertando as bochechas da loira com uma mão e selando o biquinho que se formou com o ato.

— Nossa! Finalmente! – exclamou olhando por cima do ombro da loira, ao ver Ariel e Alexa entrarem no bar.

Emma levantou o braço para as amigas as localizarem.

— O que aconteceu? Vocês se perderam? Cadê a Ruby? – disparou Regina após os costumeiros cumprimentos.

— Wow, calma Regina! – pediu Alexa, sorrindo, enquanto puxava uma cadeira para si perto dela – Ruby teve que fazer uma viagem de última hora, a pedido do chefe, então, antes de buscar Ariel, tive que levá-la ao aeroporto. Me atrasei por conta disso. Desculpem.

— Certo. Mas está tudo bem entre vocês? — indagou Emma, enquanto chamava o garçom. — Essa é a segunda vez que marcamos e ela não vem. Estou começando a achar que algo aconteceu e você não quer dizer.

— Não, não há nada. Estamos melhores do que nunca. Só esses imprevistos que estão atrapalhando um pouco, mas nada que não possamos dar um jeito. — afirmou Alexa.

— Continue dizendo isso, e talvez seja verdade. — disse Ariel com uma careta.

— Não começa! — comentou Regina contente. Não era novidade que todas estivessem se enturmado, já que a ruiva sempre fora de se entender bem com qualquer pessoa. Inclusive com Emma, que já se sentia tão amiga dela quanto Regina e Alexa.

— E então, o que vão beber? – questionou Emma, quando o garçom chegou.

— O que vocês pediram?

Regina e Emma se entreolharam, dizendo ao mesmo tempo e fazendo-as rir: “Margueritas”.

Com a chegada dos novos drinques, a noite transcorreu de forma leve e descontraída. Elas cantavam a plenos pulmões as músicas que passavam nas TVs de LCD espalhadas pelo espaço, divertindo-se com os erros ocasionais de quem cantava. Até que Regina viu seu número e o de Emma na fila de próximas músicas e a zombaria desapareceu. Ainda havia três músicas antes da sua e duas entre a sua e a de Emma, mas o nervosismo já batia forte, o que a fez solidarizar-se com quem errava o tom continuamente.

Aproveitaria a chance para declarar seu amor pela loira cantando na frente de todas aquelas pessoas, mas não queria se expor ao ridículo. Não que tivesse vergonha do amor que sentiam, o problema não era esse, nunca. Porém, cantar não era seu ponto forte, e embora fosse determinada às vezes, a timidez gritava dentro de si e parecia muito custoso subir lá e esquecer que ririam dela. Bem, seu consolo era saber que Emma não riria. Ou pelo menos não riria muito.

— Qual música vocês escolheram? — perguntou Ariel curiosa.

— Você vai ver! — desconversou Emma sem revelar nada. Ela sabia que Regina tinha a mesma intenção que ela, por isso não saber o que cantariam seria tão importante. Olhando para a noiva, ela notou seu nervosismo, mesmo que estivesse escondido enquanto conversava com Alexa e Ariel. Também estava uma pilha de nervos e, se Regina era tímida às vezes, Emma era na maior parte do tempo. Cantar? Só de pensar sentia um frio na barriga. Bem, ela cantava sim, mas só o fazia quando sua plateia eram os shampoos e condicionadores. Mas estava decidida a se divertir e a cantar para a amada, porque isso seria como um prova de amor. Não que ela precisasse provar algo, jamais, mas parecia muito atrativa a ideia de “musicalizar” seu amor por Regina.

— É minha vez! – exclamou Regina subitamente, pegando todas de surpresa por estar realmente prestando atenção nas chamadas. Virando-se para Emma, lhe deu um beijo rápido e sussurrou antes de sair:

— Essa é pra você, amor.

A empolgação dos presentes só aumentou ao verem a morena se encaminhar para o palco. Nas últimas rodadas os participantes deixaram a desejar e, agora, todos colocavam altas expectativas na mulher bem vestida que se encaminhava até a área iluminada. Regina respirou fundo ao subir no tablado. Para sua sorte a mesa que escolheram ficava a curta distância do palco e isso evitou que vários pares de olhos lhe seguissem enquanto chegava até lá, produzindo uma calmaria bem maior do que se tivesse que ser analisada antes. Pegando o microfone, aguardou pelo início da música, enquanto seu nervosismo aumentava e os primeiros acordes da melodia soavam.

Quantos labirintos têm meu coração?

Pra eu me perder, e te encontrar

Seus olhos buscaram a figura de Emma e, como mágica, só conseguiu enxergar ela. Concentrando-se na letra e na intensidade com que cantava, sua voz soou clara e carregada de emoção.

Quantas avenidas têm o seu olhar?

Pra te seguir, e me guiar

Meu coração me leva

Perto demais do seu

Meu coração nem sabe por que

O meu amor é bem maior que eu

Emma estava tão encantada que não consiga agir nem raciocinar logicamente. Nunca havia ouvido Regina cantar, exceto quando Henry era menor e ela o ninava quando tinha pesadelos. Mas fora isso, nunca. A voz dela lhe acariciava os ouvidos e produzia faíscas por todo o corpo. Estava comovida por ser o motivo de Regina estar cantando em voz alta e uma música tão linda e cheia de significado pra elas. Apertando suas mãos para controlar a felicidade que sentia, tentou concentra-se nos versos que se seguiam, enquanto sorria como boba.

Quem de nós um dia iria imaginar

Que o amor pudesse acontecer

Seu coração é livre

Tanto que prende o meu

Seu coração nem sabe por que

O meu amor é tão igual ao seu

Lágrimas encheram os olhos da loira, e ela fez de tudo para não as derramar, mas não era a única. Piscando repetidamente para afastar a umidade em seus cílios, viu que Ariel e Alexa também estavam emocionadas, não apenas porque Emma e Regina eram suas amigas e elas queriam vê-las felizes, mas porque também queriam ter aquele tipo de relação. Quando o auge da música chegou, Regina abriu os olhos e continuou cantando enquanto encarava Emma, o que contribuiu para que as lágrimas furtivas e teimosas caíssem.

Após repetir o último trecho e encerrar a música, agradeceu os aplausos que recebia com pequenas mesuras. Emma, sem esperar um segundo a mais, levantou e foi ao encontro da morena, levantando-a no colo enquanto a abraçava. Elas não sabiam se as palmas ainda eram pela música bem cantada ou pela demonstração de amor, mas pouco importava, porque elas já não prestavam atenção, e estavam totalmente absortas pela bolha, mundo e o momento delas.

Colocando a noiva no chão e lhe beijando mais uma vez, sentiu o abraço forte e o sorriso que Regina lhe deu enquanto sussurrava inúmeros “eu te amo”.

— Você gostou mesmo? – questionou enquanto desviavam das mesas ao redor, de mãos dadas — Achei que desafinei um pouco.

— Para de se criticar, foi incrível. Nunca tinha te escutando cantar… E fazer isso pela primeira vez com uma música pra mim, me deixou super emocionada. Além de fazer com que eu me sinta a mulher mais amada do mundo.

Sem conseguir se conter, a loira roçou novamente seus lábios nos de Regina, desta vez de modo mais lento e já em frente à mesa em que se sentavam.

— Eu também amo você! — sussurrou em meio aos gritos das amigas.

Quando a vez da loira chegou, Regina estava mais nervosa do que quando foi cantar. Seus sentimentos eram, na verdade, uma mistura de entusiasmo e antecipação, banhados à tequila e paixão. A medida que o tom fino produzido pelo piano preencheu o bar, Emma movimentou-se de acordo com o som, e a boca da morena pareceu secar, enquanto seu rosto brilhava de devoção.

A voz suave entoou os primeiros versos, que falavam sobre o encontro de olhares e a sensação que causavam. Regina sentiu-se derreter por dentro, pois há algumas semanas comentara sobre isso com Ariel. Sobre a capacidade que tinha de se comunicar com Emma, ainda que de forma precária, sem precisar de palavras. Aquilo era o que mais valorizava em seu relacionamento e a habilidade de conversar com o olhar lhe fascinava mais vezes do que poderia contar.

A plateia presente começou a bater palmas seguindo o ritmo e logo alguém gritou para ‘a namorada’ subir, o que fez um coro iniciar-se e sobrepor o ‘la ra ri ra ra ra’ entoado por Emma. Foi só naquele momento que percebeu que a música escolhida por ela era um dueto e que na segunda parte seriam necessárias duas vozes.

Sendo puxada pelos braços por Ariel e Alexa, ela correu até o microfone enquanto sorria sem parar para Emma, que parecia tão animada quanto ela. Definitivamente aquela era uma das noites mais divertidas de sua vida.

Alexa observava a cena e a amiga com total espanto. Desde que se mudara para o Departamento de Polícia de Chicago e conhecera Emma sabia que seriedade possuía um novo significado. Claro que sua superior possuía várias virtudes, mas sua primeira impressão fora essa. E só depois de encontrar Regina que conseguiu compreender melhor quem a loira era por de trás daquela faxada de responsabilidade e compromisso com o trabalho. O tempo as aproximou e logo a amizade foi inevitável, o que Alexa agradecia constantemente, porque não ter amigos que compreendesse seu trabalho era chato. E ter somente amigos dos trabalho era mais tedioso e complicado ainda. Para sua sorte, ali estava uma mistura dos dois. Se seus companheiros pudessem ver a Tenente Swan naquele momento, nem acreditariam que era ela de fato. O sorriso lento e malicioso expressado durante toda a cantoria era um contraste gritante com a postura diária que dissimulava o toque jovial e descontraído que possuía.

Regina ficou com o destaque maior dessa vez, tendo Emma como segunda voz, já que sua animação deixou seu tom um pouquinho mais estridente do que antes. A medida que as frases “me sinto incendiar” e “já não posso esperar” repercutiam pelo ambiente, Emma e Regina aproximavam seus corpos, sem romper o contato visual. A encenação conquistou a atenção de todos dentro do estabelecimento, fazendo com que o ar parecesse mais abafado e todas as imagens e formas, sons e cheiros daquela noite ficassem gravados com determinação em suas memórias.

Bebendo um gole bem longo de sua margarita, Ariel não pode deixar de invejar a amiga. Estava muito feliz por Regina e com o relacionamento que tinha, mas havia aquela conexão profunda entre as duas era desconhecida por ela. Aquelo elo que possuíam fazia seus lábios se erguerem em um sorriso sempre que o presenciava, e torcer para que algo físico o tornasse tangível.

Balançando a cabeça e fazendo sinal para o garçom, pediu mais uma rodada de bebidas para todas. Esperava com grande otimismo viver o mesmo em breve. Sua boca cantarolou a canção junto com Emma até a marguerita chegar, quando fez uma pausa para matar a sede e deixar de pensar.

Todos os “precisa se casar” que finalizavam a canção eram ditos através de sorrisos e caretas de determinação e concordância, já que a história do casamento delas pulsava silenciosa por de trás de cada nota musical entoada.

Ao encerrar o número, Emma bateu palmas para Regina, que lhe devolveu o cumprimento, e depois elas se curvaram agradecendo os calorosos aplausos que recebiam. As amigas lhes sorriam como se tivessem ouvido um show raro, concedido pelo fantasma de Elvis, e não uma mera apresentação de bar. Contudo, ninguém ali poderia negar que fora a apresentação mais eletrizante de toda a noite.

As risadas misturavam-se aos outros barulhos do ambiente, e o tempo pareceu parar, ao mesmo tempo em que avançava rápido. Ariel e Alexa também cantaram, músicas do estilo indie e pop/rock, respectivamente, o que revelou vozes roucas e poderosas, e fez o Brando's estremecer novamente.

A conversa fluía despretensiosamente, enquanto alternavam entre compartilhar histórias engraçadas de suas vidas, parar esporadicamente para aplaudirem os que se aventuravam no palco e pedir bebidas e pizza ao garçom. Emma já demonstrava-se levemente embriagada, o que fez Regina amenizar suas doses para levá-las em segurança para casa.

Enquanto comiam um pedaço de pizza ou algumas fritas, Alexa contava algumas histórias sobre suas paixonites no colégio, fazendo-as rir com as caretas que fazia a cada nome ou situação mencionadas. Quem não a conhecesse juraria que era todo o álcool falando, mas a ruiva era animada e falante mesmo não estando entregue à embriaguez.

Ariel exibia um sorriso de orelha a orelha, e já sentia sua barriga e bochechas doerem. Das quatro era a mais propensa à risadas rápidas e fáceis. Seguindo o tópico de colégio e amores estudantis instituído pela ruiva, Emma voltou-se para Ariel e questionou enquanto apontava dela para Regina:

— Como vocês duas se conheceram? Sempre quis saber, mas nunca me lembrava de perguntar quando nos encontrávamos.

A expressão dela e a entonação não expressavam nada além de simples e sincera curiosidade. Há muito tempo passara da fase de insegurança ao estar perto dela, e já não sentia mais ciúmes ou sentimentos negativos em relação à amiga de Regina. Que agora era sua também.

— Fomos colegas de quarto na faculdade — começou Regina — e foi a partir daí que estabelecemos uma amizade. No começo a Ariel, sempre dava em cima de mim...

— Epa! Não era sempre! — contestou Ariel apontando a batata frita que segurava e interrompendo a morena. A atenção de Alexa e Emma estava completamente nelas. — Era quase sempre, Gina — disse com ênfase, usando o apelido que a amiga não gostava. — Conta direito!

As três caíram na risada diante a fisionomia de desdém que Regina tinha. Ela não riu, mas logo sua expressão relaxou e tornou-se novamente amável e simpática.

— Que seja. Ela quase sempre — argumentou veemente corrigindo-se como Ariel queria — dava em cima de mim, mesmo eu negando. E foi assim que viramos amigas.

— Verdade. Ela nunca me deu nem um beijinho de amiga. E ainda dizia — começou aprumando-se no lugar e pigarreando antes de imitar a voz da amiga — Ariel, querida, eu sou hétero, portanto sempre seremos só amigas.

Ela soltou uma gargalhada curta, sendo seguida por Emma e Alexa, enquanto Regina revirou os olhos perante a tentativa falha de imitação de sua voz.

— Ridícula. — murmurou com um riso discreto.

— Agora é a minha vez e a pergunta é pra Emma. — seu semblante era grave, mas o tom divertido em sua voz roubava-lhe a seriedade. — O que foi que você fez? Porque eu juro que tentei, e não foram poucas vezes.

Com seu olhar mais convencido e despreocupado, Emma respondeu:

— Simplesmente nasci como o amor da vida dela.

Ela virou-se para a noiva, pousando os lábios de leve no alto da cabeça dela, e ficou contente quando ela se encostou um pouquinho em seu ombro.

— Isso está ficando meloso demais para o meu gosto. — caçoou Alexa entornando seu drinque.

— Que descarada! — o tom zombeteiro de Ariel arrancou novas risadas, inclusive de Regina, que concordava sem esforço algum com a ruiva.

— Mas é verdade, não é? — insistiu a loira, olhando para Regina em um pedido mudo de ajuda.

Regina acenou com a cabeça. Ela sabia. Uma parte dela sabia desde aquele dia em que se encontraram no parque.

— Sua resposta não me convenceu, Emma — a loira abriu a boca, indignada e pronta para retorquir, mas Ariel não permitiu e a ignorou, continuando sua história como se não houvesse tido nenhuma interrupção. — E é por isso que Regina tem o apelido de Evil Queen. Por muito tempo achei que ela tivesse pego meu coração e esmagado. — revelou dramática — E não foi só o meu não, ela fazia isso com vários outros meninos da faculdade. Lembra-se do David?

— Ah não! — murmurou Regina ao perceber o rumo que seguiam — Nem me lembre!

— O quê? O que ele fez? O que ela fez? — questionou Emma, que de tão empolgada inclinou-se para frente.

— Conte logo — pediu Alexa fazendo um movimento de indiferença com a mão. Contudo, ela estava tão ansiosa para saber quanto Emma.

— A Gina e ele estavam ficando há umas duas semanas. Certo dia ele apareceu no meio da aula com um buquê de rosas vermelhas, todo animadinho para pedi-la em namoro, trazendo até chocolates e um ursinho. Muito fofo. Mas a Gina, com toda a sua sutileza simplesmente levantou de seu lugar, saiu para o corredor e o que ela disse pra ele foi ouvido por todos da sala. Não! Não! Por todo o prédio! — gargalhou enquanto Regina se encolhia na mesa de vergonha. — Ela deu a maior bronca no coitado, falando que ali não era hora nem lugar, e que deveria ter esperado que eles se encontrarem de novo. Mas agora eles não se encontrariam nunca mais, porque ela estava morrendo de vergonha de ter que encarar a turma e a professora novamente.

— Regina! — repreendeu Emma, enquanto tentava evitar as típicas risadas da ebriedade — Tadinho do garoto!

— Tadinha de mim, isso sim. Vocês não têm ideia do vexame que foi. Pra mim e pra ele. Claro que eu poderia ter conduzido as coisas de forma diferente, mas na época pareceu ser o certo a se fazer.

— Wow! Isso sim é ser Evil Queen! — comentou Alexa em tom divertido, enquanto beliscava algumas batatas do prato, recostando-se em sua cadeira em seguida.

— Emma, querida, se eu fosse você não sentiria pena dele.

— E porquê não? O coitado deve ter se sentido horrível por dias, você foi muito má com ele.

— Ele deveria ter pensado melhor antes de me colocar naquela posição. Se quer saber, tenho certeza que fiz um favor pra ele. E pra você, porque caso eu tivesse aceitado o pedido de namoro, era bem possível de não estar disponível hoje. — comentou Regina, em tom vitorioso e escarnecedor, enquanto segurava o rosto surpreso da loira.

A possibilidade de Regina estar com o tal David não havia lhe passado pela cabeça antes. Mas isso devia-se, provavelmente, ao fato de ter bebido excessivamente e estar relaxada demais para pensar em tão remota probabilidade.

Emma abriu e fechou a boca algumas vezes antes de responder.

— Claro, porque você era completa e irrevogavelmente apaixonada por ele. — debochou Ariel, deixando Regina com a cara fechada.

— Eu poderia. — retrucou a morena, com toda sua altivez.

— Isso não seria possível. — respondeu Emma finalmente, com um dar de ombros despreocupado e divertido.

— E por que não, Swan? — questionou levantando a sobrancelha esquerda.

— Porque, como eu já disse, eu nasci como o amor da sua vida. Ficaríamos juntas de qualquer forma, tenho certeza absoluta. — respondeu, com um tom jovial e ares de esperteza, tão característico dos ébrios.

Regina deu uma risada anasalada e balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Você não tem jeito mesmo. — comentou em meio aos risos. Emma sempre a pegava desprevenida com sua visão do que lhe parecia extremamente óbvio na vida.

— A questão é — intrometeu-se Alexa — que você está muito bem com Emma, considerando que todos os homens são uma droga.

— Ótimo ponto, Alexa. Mas não generalizemos, por favor. O último caso que tive foi simplesmente fantástico! — comentou ela pausadamente, arrancando novas risadas ruidosas. — E eu não posso enquadrá-lo nessa sua sentença.

— Ok! Ok! Você ganhou, Ariel. Reconheço a dualidade. Ou eles te deixam mal, ou te deixam bem demais.

— Um brinde ao ‘bem demais’! — convidou Ariel, fazendo-as levantarem suas taças e mesclarem seus risos ao tilintar do vidro.

A bebida havia deixado todas, até mesmo Regina que bebia com controle, descontraídas e espontâneas, tornando o restante da noite divertido, leve e memorável.

Elas foram embora um pouco antes do estabelecimento fechar, às 2h, e só voltaram para casa às 4h, já que ficaram andando pelas ruas, aproveitando o vento fresco que começava a aparecer. Há muito elas não se sentiam assim, tranquilas e confortáveis, ou faziam planos como aqueles. As quatro encontravam-se agindo de outro jeito além do habitual, e isso por si só era o que fazia aqueles instantes agitados e agradáveis.

As conversas maliciosas e as piadas trocadas arrancavam gargalhadas excessivas e suspiros de pura alegria. Ao deitar-se, Regina percebeu que não houve um segundo em que não houvesse um esboço de sorriso em seu rosto e seu deleite foi ainda maior.

Abraçando a loira ao seu lado, que assim que deitara dormira, e que provavelmente estaria com uma ressaca nada invejável mais tarde, regozijou-se com a decisão tomada.

Fechando os olhos, finalmente, torceu para que outros dias fossem exatamente como aquele.

Notas finais
Oi galeraaaaaaaaaaa Então gente, lembram quando vcs comentavam falando que não aguentavam mais o Robin e tal? Pois é, nem nós o aguentamos mais. MAS CALMA, ainda não é fim. Estamos entrando no começo do fim. Os próximos 5 capítulos (? ~help sis, é isso mesmo~) - contando com esse - estarão cheios de treta, suspense e finalmente o tão aguardado final do Robin. Depois de tudo isso teremos... NÃO VOU FALAR MUAHAHAHAHAHHA. Sorry (not sorry), mas não vou dar spoiler mesmo. Só digo que vcs vão amar de verdade, pq é mt amor envolvido. (ai, um spoiler :X não me bate Cath) Outra coisa, uma curiosidade para os fãs de MCC: No e-mail "zero" da fic, o qual eu proponho a fic pra Cath, eu sugiro dois nomes para ela me ajudar a escolher: Maçã com Canela & Café com Chocolate. Hoje em dia eu não consigo imaginar essa fic com outro nome que não seja Maçã com Canela. Mas me digam a opinião de vocês! Vcs acham qual dos dois mais legal. Isso não é uma enquete para mudança de nome, é só uma curiosidade, que fique claro! Mais duas coisas, pq isso já ta gigante: 1ª. O atrasou se deu por conta do final de semestre. E eu sei que não somos as únicas fics a atrasar nessa época, pq eu acompanho muitas (muitas mesmo!) fics e noto que quando chega em finais de semestres o nº de atualizações caem muito! 2ª. Me mandem fic? Sério, eu já acompanho mais de 100, mas eu amo ler, então me mandem sugestões por comentário, MP aqui ou pelo TT (@ingridsurkamp) [puxando o gancho do tt, me dêem um oizinho lá, pq eu saber quem são vcs e seguir de volta e a trocar ideias marotas] Agora chega, que isso já tá maior que o capítulo! haha Beijo grande, HeyBones! —----------------- O que acharam deste capítulo?! Acho que foi uma 'pausa' interessante no rumo que estamos seguindo. Gostaram da escolha de músicas?! HeyBones e eu estamos querendo usar Entre o Céu e o Mar (Elba Ramalho) desde Janeiro, mas só agora deu certo de encaixar. Queremos palpites, por favor! Ah, caso não tenha ficado tão evidente como queríamos, a música da Emma é Pela Luz dos Olhos Teus (Miúcha e Tom Jobim). Espero que você tenha ouvido/visto o vídeo que editei, tentando facilitar as coisas ao colocar as duas músicas em um vídeo só muahaha Se preparem, porque de agora em diante vamos entrar numa parte 'dark' da fic. E sim, nossa previsão é de 5 capítulos :D hahaha ~A mania de soltar spoilers que essa família tem uahuahah~ Obs.: Só notei neste capítulo que tanto eu quanto a HeyBones escolhemos uma amiga ruiva paras as amadas. Espero que não tenha ficado confuso hahaha Alguém já tinha percebido isso? Obrigada por te lido! Bom fim de semana e #Oremos, porque Domingo promete ser promissor para os SQ. #SantaCoraDáUmaForçaProMeuShip xoxoxoxo, Cath