Maçã com Canela
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Eles comiam sossegadamente, rindo, brincando e com Henry espalhando leite de sua tigela vez ou outra sobre a mesa. O celular de Regina começou a tocar ao longe, fazendo com ela levantasse apressadamente.
— Alô?
— Regina, sou eu.
— Ah, oi Robin. — respondeu com desânimo.
— PAPAI! — Henry grita da mesa.
— Eu queria passar o dia com Henry. Posso buscá-lo daqui a pouco?
— Espera um minuto. — Regina tampou o bocal do telefone e virou-se para Henry. — Querido, seu pai quer saber se ele pode te buscar daqui a pouco. Tudo bem para você?
— Mas e o nosso dia especial com desenho na tevezona e comigo junto das minhas mamães?
— Henry, Emma e eu ainda estaremos aqui quando você voltar. Ai podemos jantar onde e o que você quiser, e quem sabe, você pode dormir conosco. Se se comportar. — Regina advertiu. Emma sorriu para os dois, enquanto comia seu cereal.
— SIIIIMMM!!! Quero jantar sorvete!! Pode falar pro papai que vou com ele.
— Robin? Que horas você chega?
— Em 1 hora, no máximo.
— Ok. Até daqui a pouco. — Ela ia desligar mas ouviu Robin chamando-a.
— ...gina, espera. Vou levar Henry ao parque, com Roland. Tem como preparar uma mochila com uma muda de roupa? Só para o caso dele se sujar. – Regina revirou os olhos, ele não precisava lhe pedir uma coisa que ela sempre fazia.
— Você sabe que eu sempre faço isso, Robin. Agora preciso ir, tchau.
Ele riu nervosamente e despediu-se também.
— Onde o rapazinho vai hoje? — Perguntou Emma para Regina.
— Ao parque.
— Meu irmão também vai? — Perguntou Henry esperançoso.
— Hum… Sim! — Regina riu e beijou a cabeça do menino. — Agora termine seu cereal para ir se arrumar.
— Uhum! — Murmurou Henry pondo uma colher bem cheia de cereal na boca.
Regina voltou a sentar-se ao lado de Emma, enquanto comia sua bolacha salgada.
Roland era filho de Robin, logo, meio-irmão de Henry. Era um ano mais novo que ele, e filho de Marian, a “namorada do papai”, como dizia o garoto. Contudo, Roland e Henry se davam muitíssimo bem, tanto que muitas vezes ele ia para a mansão Mills brincar com o irmão mais velho.
Regina não se importava, afinal, gostava do garoto, apenas do garoto. Marian era uma doida de pedra que achava que só porque Regina e Robin se tratavam bem significava que Regina tinha intenção de tê-lo de volta. Nunca! Foi Regina quem o deixara, e não se arrependia nem um pouco, a não ser por Henry, que sentia a falta do pai. Apesar de tudo, Robin era um bom pai, pena que não fora bom marido também. Quer dizer, eles nem chegaram a se casar.
Robin era um tanto possessivo e quando bebia, ficava agressivo também. Quando Henry tinha apenas alguns meses de idade, Robin chegou em casa levemente alterado e vira Regina abraçada com um homem moreno e alto na sala. Na mesma hora ele puxou o homem para longe de Regina, que assustou-se, proferiu um soco na face do moreno, que cambaleou para trás, batendo a cabeça na estante, desmaiando.
Então, foi em direção a Regina, agarrou seu braço e, chamando-a de todos os adjetivos pejorativos possíveis, lhe deu um tapa na cara. Regina na mesma hora pegou Henry e foi para casa de seu pai, prometendo a si mesma que não voltaria com Robin nunca mais e que a única coisa que teriam em comum a partir daquele dia, seria Henry.
— Regina, meu amor, me perdoa! Eu perdi a cabeça! — dizia Robin desesperado ao telefone, tentando remediar a situação do acontecido.
— Não interessa, Robin. Não é a primeira vez que você me trata desta forma e eu sei que não seria a última. Não sou um objeto, uma posse sua. Sou sua noiva! Quer dizer, era!
— Tente entender meu lado, por favor, eu…
— Entender o que, Robin? Que você bateu no meu primo porque bebeu demais e achou que eu estava te traindo? Isso é um absurdo! Não sei se você notou, mas naquela noite Henry estava no bebê conforto ao meu lado. Você acha mesmo que eu iria te trair?? Ainda mais com o meu filho ao lado?? Faça-me o favor!!
— Seu filho?? Ele também é meu filho, Regina!! Não vou permitir que você o tire de mim, entendeu??
— Foi modo de falar. — Ela bufou, revirando os olhos — Mas estou fazendo isso por ele, e não por você, que fique claro isso. — Um choro de bebê começou a soar no ambiente. — Tenho que ir, tchau. — e desligou.
Por sorte, Regina agora tinha Emma, que era seu porto seguro, sua proteção, seu lar, sua vida. Sim, elas estavam completando apenas um mês de namoro, mas já tinham algo há muito mais tempo que isso. Anteriormente a esse mês, elas tinham uma amizade forte, intensa, profunda, que já durava há 2 anos.
Tudo começou em um domingo de sol, em que Regina foi passear com Henry no parque. Corria tudo bem, Henry brincava em todos os brinquedos sozinho ou junto das outras crianças, indo vez ou outra até Regina para descansar, beber água ou um lhe dar um florzinha que tinha apanhado dos canteiros bem cuidados. Até Robin aparecer visivelmente embriagado.
— Papai! — Henry saiu correndo do escorregador indo até ele. Regina olhou para trás e viu Robin vir cambaleando na direção deles. Na mesma hora interceptou Henry, o pegando no colo. — Mamãe, me larga! Quero ir com o papai!
— Henry não! — Regina não queria que Henry visse Robin bêbado. Não era uma cena bonita e muito menos apresentável a uma criança de 3 anos. — Volte a brincar.
— Mas mamãe… Por favor! — Ele tinha lágrimas nos olhos. Regina não queria ter que impedi-lo de abraçar o pai, de ter contato com ele, isso doía nela também. Contudo, não queria deixar Henry na presença de um homem altamente embriagado, mesmo que este fosse seu pai.
— Henry, por favor, faça o que a mamãe está pedindo. Eu preciso conversar com o seu pai antes que você fale com ele. Por favor, querido. — Regina tinha o semblante triste.
— Tudo bem. — Vendo o semblante sério, ele desceu do colo da mãe e foi correndo até a casinha em forma de castelo no alto do escorregador. De lá, ficou observando a interação dos pais.
— Oi, minha rainha. — Robin veio agarrando Regina, que o empurrou. O cheiro de bebida era forte. Sua barba estava por fazer, ele estava com olheiras e tinha a roupa desalinhada e suja. Provavelmente Marian o enxotou de casa, constatou. Isso acontecia com frequência. Depois que Regina o deixou, a bebida se fez cada vez mais presente na vida de Robin.
— Você está louco?? — Regina estava numa pilha de nervos. — Senta nesse banco agora se quiser falar algo ou então vai embora. — Robin sentou desajeitadamente. — O que você tá fazendo aqui?
— Vim ver você, gostosa — Ele deu um sorriso malicioso. — E o meu garoto também.
— Primeiro, me respeite. Segundo, Henry nunca vai se aproximar com você nesse estado. Eu nunca permitirei isso. — Ela estava em pé de frente para ele, enquanto Henry atrás dela, observando tudo do “castelinho” que não ficava muito longe. Qualquer tom de voz mais alto que eles proferissem seria facilmente escutado.
— Como é? — Robin gritou, levantando-se o mais rápido que seu estado lhe permitia e agarrando os braços de Regina, sacudindo-a — Você vai me afastar do meu filho, sua vagabunda? — Ele continuou gritando, dessa vez mais alto.
Henry viu e ouviu tudo horrorizado. Aquele não era seu papai, não podia ser. Então ele viu sua mamãe dando-lhe um tapa no rosto e gritando com ele também. O que estava acontecendo? Ele estava com medo, embora sua tenra idade não soubesse pontuar precisamente o sentimento. Por que estavam gritando e se batendo? Ele precisava fugir deles. Com isso, ele desceu o escorregador tão rápido que acabou caindo no final, ralando as mãozinhas no chão. Passou-as rapidamente na calça, sem soltar nenhum grito de dor, apesar da ferida estar queimando e começou a correr para as árvores, sem saber ao certo para onde ia, só sabia que tinha que sair dali.
Regina recuperava-se do apertão de Robin, que se esfregava o rosto, marcado pela força do tapa dela. Ela olhou para o castelinho onde Henry deveria estar. Nem sinal do garoto.
— Henry! — falou para si, olhando para os lados a procura do menino, apenas para constatar que o mesmo tinha sumido. — VIU O QUE VOCÊ FEZ SEU BÊBADO NOJENTO??? — Ela gritou com Robin, embora de forma moderada, tentando não chamar ainda mais a atenção das crianças e dos pais que estavam no parquinho. — MEU FILHO SUMIU POR SUA CULPA, SEU BABACA! — Ela saiu atrás do garoto desesperada, sendo seguida por um Robin, um pouco menos cambaleante, ambos gritando o nome do garoto.
Entre as árvores ao lado do parque tinha uma pista de caminhada, onde a policial Emma Swan estava praticando seu exercício matinal. Aos poucos ela passou a ouvir um choro baixo, um choro de criança. Aguçou seus ouvidos e foi indo direção ao choro. Em pouco instantes viu um menino pequeno, de cabelos escuros, encostado em uma árvore com a cabeça entre os joelhos. Ao se aproximar mais, viu que o menino tinha as mãos raladas, com a ferida suja e o sangue já seco. Ela desceu ao nível do garoto e pôs a mão levemente em suas costas.
— Oi? — Disse docemente. O garoto a olhou assustado, preparando-se para levantar. — Calma, eu não vou te machucar. Só quero te ajudar. — O garoto continuava com a mesma carinha amedrontada, parecendo não confiar muito nas palavras daquela estranha. “Bem educado” pensou Emma. — Eu estou falando sério, quer ver? — Ela mexeu na pequena bolsinha que carregava presa ao braço e de lá tirou seu distintivo. — Sou policial, garoto.
Ele pareceu relaxar, e seu semblante suavizou-se um pouco.
— O que você está fazendo aqui sozinho, senhor….?
— Henry. — a vozinha chorosa respondeu, fungando. — Meu nome é Henry Mills. — ele limpou o nariz na manga da camisa.
— Prazer em te conhecer, senhor Henry Mills — disse estendendo a mão ao garoto — Emma Swan, ao seu dispor. — O garoto lhe estendeu a mão também, mas ao lembrar-se do machucado, recolheu-a. — Ei, não vai apertar minha mão? — perguntou Emma, brincando.
— Eu… Eu não posso. — Ele mostrou-lhe as mãozinhas machucadas. Emma as pegou suavemente.
— Temos que limpar isso. Cadê seus pais? — Ela sentou-se ao lado do garoto.
— Eles… Estão lá no parquinho… Eles… — Lágrimas escorriam novamente do seu pequeno rostinho. — Eu não quero ir com eles, Emma… Não quero… Por favor. — Ele começou a chorar copiosamente. Emma o aninhou em seu colo, e Henry instantaneamente abraçou ela.
Ali, criou-se um grande laço entre eles; que duraria anos.
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