Maçã com Canela
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Regina deu duas batidinhas na porta, abriu-a e colocou a cabeça dentro do quarto.
— Filho? — Entrou totalmente no quarto. O pequeno corpinho de Henry repousava sobre a cama, de bruços. Regina aproximou-se e sentou-se na cama, acariciando as costinhas do menino. Ele respirava fundo, no final de um choro com soluços. — Filho…
— Vai embora. — Respondeu ainda de bruços. — Eu não quero falar com você. Nem com a Emma. Nem com o meu pai. Eu quero ficar sozinho. — O choro recomeçava.
— Filho, não faz assim. Olha para mamãe. — O garoto nem se mexeu. — Por favor, querido. — Ele apenas virou o rosto. — Vem aqui. — Ela pôs a mão na perna indicando o lugar. Henry apenas intensificou o bico.
— Vai se fazer de difícil é? Então eu vou até você. — Ela deitou-se ao lado do menino, que instantaneamente agarrou-se a mãe e pôs-se a chorar. Regina acariciava a cabeça dele, segurando-se, em vão, para não cair aos prantos como o filho. — Shhhhhh, ta tudo bem agora meu amor, já passou. Não chora, meu pequeno. — Ela lhe deu um beijo.
— Mamãe. — Ela limpava o rostinho, prestando atenção a sua fala. — Quer dizer que eu vou me afastar do meu papai?
— Claro que não, meu amor. Você não entendeu nadinha do que falamos, não é? — Ela lhe sorriu e brincou com o narizinho dele. Ele riu também. — As coisas vão mudar, mas é só um pouquinho. O que mudou realmente é que você não pode mais passar a noite na casa do seu pai, e ele tem que combinar comigo antes de vir buscar você. Mas você não vai precisar se afastar dele, meu príncipe, a não ser que você queria.
— Eu não quero mamãe. Quero ficar pertinho dele e de vocês duas... Tudo isso é por causa da minha mãe?
— Não, Henry, e não fale isso perto dela, tá bom? Ela pode ficar triste.
— Mas, então, por quê?
Regina respirou fundo. Como fazer uma criança entender que seu pai era um homofóbico com o orgulho ferido sem fazer com que ele perca o encanto pelo cara? “Realmente, ninguém nunca disse que era fácil ser mãe”.
— Então, filho, seu pai não gostou muito da ideia de você ter duas mamães e…
— Mas por quê? — Uma pergunta simples, porém complicadíssima. De novo.
— Bem querido, — Regina aproximou-se do ouvido de Henry, segredando com ele. — eu acho que ele ainda gosta de mim, e ficou com ciúmes da Emma. — O menino abriu a boca e os olhos, em sinal de surpresa. — O que foi?
— Eu achava que ele gostasse da namorada dele!!
— Pode ser também. Mas que outro motivo ele teria para fazer isso? — Regina mordeu a língua. É claro que não queria mentir para ele, mas por hora, isso bastava.
— Mas… Você ainda gosta dele mamãe? — O menino já tinha esquecido o choro, e estava deitado em cima da barriga de Regina, encarando-a.
— Não filho, eu amo a Emma. Ela e você são tudo para mim. Gosto do seu pai apenas por um motivo.
— Qual?
— Por ele ter me dado você. — Ela lhe abraçou, lhe esmagou e lhe encheu de beijos.
— Mamãe, para! A senhora vai me matar de tanto amor. — Ele ria, juntamente com Regina. — Posso dormir com vocês hoje? — E lá estava aquela carinha irresistível. Regina rolou os olhos, sorrindo.
— Isso é golpe baixo, mocinho! O senhor sabe que eu não resisto a essa sua cara.
— Por favor, mamãe linda! — Ele deu alguns beijos molhados no rosto de Regina, que sorria.
— Com quem você aprendeu a fazer chantagem, hein?
— Com a minha mãe! — Ele sorria genuinamente.
— Terei de ter uma conversa séria com a senhorita Swan. — Henry gargalhava da falsa brabeza da mãe. — Já escovou os dentes, querido? — Disse levantado-se com ele.
— Ainda não.
— Então vai lá rapidinho. Estaremos te esperando no quarto. — E lhe deu um beijo nos cabelos.
— EBAAAAAAAAA! — Ele foi correndo para o banheiro.
Regina entrou no quarto, deixando a porta aberta, pois Henry viria em alguns minutos. Emma já estava deitada e Regina não perdeu tempo em deitar-se junto da loira. Ao sentir a namorada na cama, Emma subitamente rolou e deitou-se sobre ela, beijando-lhe os lábios. As mãos, inquietas, passeavam pelo corpo deliciosamente delineado da morena. Após alguns segundos, Regina quebra o beijo sorrindo.
— Acho melhor você parar por aqui amor. — Emma a olhou confusa.
— Por qu…
— CHEGUEEEEEEEEEIII! — Henry entra correndo no quarto e se joga na cama, pegando as mulheres de surpresa. — Por que a senhora está em cima da mamãe? — Ele pergunta rindo. — Vai esmagar ela. — Regina gargalhou e Emma fez uma cara de surpresa.
— Você ta me chamando de gorda??? — Henry ria cada vez mais, colocando a mão na barriguinha. Regina e Emma se olharam sorrindo. Era tão bom ver o pequeno rindo. — Do que você está rindo, hein? — Ela virou-se horizontalmente sobre Regina e começou a fazer cócegas no pequeno, que ria ainda mais.
— Emma, para. Ele vai ficar sem ar. — Repreendeu Regina, sorrindo. Emma parou e voltou a ficar em cima da namorada. — Vai ficar aqui mesmo Swan, me esmagando? — Regina gargalhou.
— Vai dizer que você não gosta? — Ela provocou, dizendo baixinho no ouvido dela para Henry não ouvir.
— Emma, seu filho está aqui, não sei se notou. — Ela sussurrou de volta. Emma riu e se afastou novamente.
— Então você vai dormir aqui conosco? — Emma perguntou, saindo de cima de Regina e deitando do outro lado de Henry, deixando-o entre elas.
— Sim!
— E eu deixei?
— Ah, mãe, vai negar isso pro seu filho preferido? Tenho que aproveitar enquanto não ganho irmãos.
— Falando nisso, que história é essa de irmãos, senhor Henry? — Perguntou Regina.
— Eu só perguntei pra mãe se vocês vão me dar irmãos e ela disse que tinha que conversar com a senhora antes. E ai? — Ele sorriu, inocentemente.
— E ai o quê? — Perguntou Regina.
— Vocês vão ou não? — Ele olhava de uma para outra, que trocavam olhares entre si.
— Como eu disse antes Henry, nós duas vamos conversar sozinhas primeiro, tudo bem? — Foi Emma quem respondeu.
— Tá, só quero que fique bem claro, que não vou dividir meus dinossauros. — Ele cruzou os braços, emburrado, arrancando sorrisos das mulheres. Logo após, bocejou.
— Amor, você não acha que está na hora do nosso filho predileto dormir, não? — Emma cutucou Regina com os pés. Regina sorriu e entendeu a brincadeira de Emma.
— Eu concordo, Em.
— Mas eu… — outro bocejo — Nem tô com sono.
— Mas nós sim. — Regina lhe beijou a bochecha gorducha. — Vem bebê, vamos dormir. — Henry prontamente se aninhou na mãe biológica, enquanto Emma o abraçava por trás e consequentemente abraçando Regina junto. Henry não tardara a dormir.
— Boa noite, meu amor. — Emma acariciou o rosto de Regina. Que repetiu o gesto em Emma.
— Boa noite, minha vida.
Fale com o autor