Maçã com Canela
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Duas semanas depois…
— Meritíssima, por favor! — exaltou-se Joseph Keenan, advogado de Regina Mills — Ele está desperdiçando o tempo do tribunal!
— Eu decidirei isso. — afirmou a juíza Elise Wells, uma mulher de porte elegante, que analisava tudo sobre seus óculos de armação fina.
Voltando-se para o outro lado, ela advertiu:
— Deixe-me ser clara, advogado. Estamos aqui porque nenhuma das partes aceitou um acordo que atendesse a ambos. E quem diz se a conduta de um dos envolvidos está adequada sou eu.
— Sim, Meritíssima — concordou de mal gosto o advogado de Robin que tentou protestar quanto aos feitos que Keenan expôs sobre a estabilidade da relação de Regina com Henry.
Robin não estava nada satisfeito, era visível. Ele quase foi atrás de Cora cobrar explicações por ela ter deixado de ser sua principal testemunha. Pensando melhor, no entanto, ele resolveu esquecer o assunto. Cora seria inútil de qualquer forma por ser parente de Regina. E ele não queria complicações com ela. Certamente aquela mulher era um grande problema, e um grande perigo, quando contestada e contrariada. Robin teve consciência disso quando ela sugeriu o pedido de guarda. Ela se propôs a ficar contra Regina e ele se sentiu vitorioso. A intenção de Robin era fazer Regina sofrer e se sentir humilhada, e ele não pensou duas vezes naquele plano de Cora, pois seria o caminho perfeito para isso.
No entanto, agora era indiferente, já que as audiências de guarda eram analisadas prioritariamente pelo juiz. Raramente havia convocação de júri para assuntos “domésticos”. Mas, talvez, isso fosse até melhor, já que ele teria uma chance maior de conseguir a guarda do filho permanentemente. Isso seria um grande tapa na cara de Regina. Ter Henry de modo integral a seu lado permitiria que ele crescesse com ideias certas, sem que ele fosse obrigado a conviver com aquela situação nojenta a qual o pobrezinho era submetido.
O clima na sala estava tenso, mas não causou incômodo ao advogado de Regina, que voltou a contra argumentar:
— O argumento do meu colega sobre o relacionamento da minha cliente não é de fato o assunto aqui. Pesquisas mostram que é totalmente incorreto assumir que ter pais homossexuais fará com que o menor siga a mesma orientação sexual. O querelante precisa provar que a relação de minha cliente causa danos reais ao infante.
Como não houve oposição, Keenan continuou:
— Como a análise psicológica garantiu, Henry está mais do que satisfeito e confortável em ter duas mães. Nosso sistema legal não reconhece sentimentos ou egos feridos. O sr. Hood tem passado mais tempo considerando o relacionamento amoroso da minha cliente, do que como este pedido de guarda afeta o menor, Henry. Este caso não é nada mais do que uma tentativa desesperada de aplicar o remédio legal a uma questão do coração. A defesa pede, portanto, o veredicto direto da guarda em favor da progenitora.
Regina não queria estar ali. Porém, sua presença era necessária para que uma medida fosse tomada. Para a proteção e o bem de Henry. Ela não poderia protegê-lo para sempre, mas iria dar a ele a melhor infância que pudesse.
Seu pedido perante ao tribunal era a guarda unilateral de Henry. Robin só teria permissão de ficar com ele de forma alternada ou em datas comemorativas e feriados, e sem direito que Henry passasse a noite em sua casa. E teria de haver fiscalização. Regina não confiava no modelo de bom pai ao qual Robin se prestava no momento. E ainda havia o problema com bebidas.
— Argumento interessante, Senhor Keenan. — reconheceu a juíza.
— Meritíssima, asseguro que meu cliente não tem nenhuma intenção além do bem estar físico e emocional do filho. O sr. Hood preenche todas as exigências necessárias, assim como a Srta. Mills. — garantiu o advogado de Robin, tentando deixar claro que Henry não havia sido negligenciado em nenhuma questão colocada, mas perdendo a linha de argumento a favor de Robin Hood.
Elise Wells havia analisado os documentos minuciosamente. E agora ela avaliava os pais de Henry Mills. Evidente que ambos tentavam mascarar o conflito de emoções, mas ela estava atrás daquela mesa há muito tempo, e ela soube ver algo no sr. Hood. Algo que a vez repassar em sua cabeça os argumentos apresentados duas vezes. Ele tinha o maxilar travado e um brilho ameaçador no olhar. Ela conhecia os tipos como ele. Regina Mills também não parecia inocente, porém sua fisionomia passava uma genuína preocupação. Enfim, ela tomou uma decisão. E esperava estar sendo a certa.
— À luz das circunstâncias, atenho-me às necessidades do infante, pois o seu bem-estar social, psicológico e emocional deve sobrepor a quaisquer outros interesses. Concluo, portanto, que quem apresenta as melhores condições de provê-lo completamente nestes quesitos é a mãe. O veredicto direto está dado.
O som do martelo da juíza encheu o ambiente.
— Caso encerrado!
O rosto de Robin ficou lívido de raiva e ele saiu completamente revoltado. Regina deu um pulo de sua cadeira, aliviada. Ela apertou a mão e agradeceu mais de uma vez ao advogado antes de ligar para Emma, que havia ficado em casa com Henry.
— Regina? — Emma atendeu prontamente — E aí? O que decidiram?
Regina chorava emocionada.
— A guarda é minha Emma. Henry fica com a gente!
— Oh meu Deus, amor!! Que ótima notícia!!! Vem logo para casa para darmos a notícia para ele. Onde você está?
— Eu já estou indo amor, estou saindo do tribunal agora. Como ele está?
— Não demora, por favor! Ele está bem, está assistindo Toy Story 2 na sala. Vou te esperar para falarmos com ele, ok?
— Ok. Em..?
— Oi amor?
— Obrigada por tudo. Eu te amo muito!
— Own amor, eu que agradeço por você trazer alegria e amor para a minha vida. — “MANHÊÊ! VEM LOGO!” Elas ouviram o filho gritar. Riram. — Amor, tenho que ir. O senhor impaciente jr. me aguarda. — Regina rindo rolou os olhos com a menção de sua impaciência ser hereditária. — Eu te amo muito, muito! Estamos te esperando. Beijos.
— Já estou indo.
Emma desligou e voltou para a sala com Henry.
— Você perdeu a parte que o Woody foi reformado pelo senhorzinho! — Ele fala inconformado.
— É só a gente voltar o filme, filho. — Ela pega o controle que logo é tirado de sua mão por Henry.
— NÃO! Agora você só vai ver outro dia, ninguém mandou demorar tanto. Com quem você estava falando, ein? — Questiona enciumado.
— Com a sua mãe, ciumentinho lindo. — Ela lhe aperta as bochechas.
— E ela já tá vindo? Cadê ela? — Ele levanta em um pulo do sofá, o filme sendo completamente esquecido.
— Ela já está vindo sim e com notícias.
— Boas notícias? — Ele pulava, elétrico.
— Isso só vamos saber quando ela chegar. — Ela ria das carinhas que ele fazia.
— Ah, qual é mãe! — Ele se jogou no colo da loira. — Você não pode falar o que é para o seu filho preferido? — Ela esmagava as bochechas da loira, que caia da gargalhada.
— Não sei se você sabe sr. Henry, mas você é meu único filho.
— É mesmo! — Ele riu. — Vocês vão me dar irmãos? Eu já tenho o Roland, mas ele não é seu filho, né mãe?
A pergunta inocente de Henry fez Emma refletir por alguns instantes. Ela e Regina dariam irmãos a Henry?
— Isso nós temos que ver com a sua mãe, garoto. Mas você quer isso?
— Ah, eu não sei. Mas acho que ia ser legal ter um irmão para brincar comigo o tempo todo, e também com o Roland quando o papai trouxer ele. Ele também seria filho do papai? Ele ia poder ir para a casa do papai brincar comigo e com o Roland?
“Cadê Regina que não chega logo para me tirar desse interrogatório?”. As perguntas de Henry, por mais inocentes que fossem, eram complicadíssimas de se responder.
— Acredito que não seria filho do seu pai também garoto, e teríamos que ver com a sua mãe se ele poderia ir brincar com vocês na casa dele.
— Hum… Entendi… — Responde pensativo, embora aparentasse não ter entendido muito. — Mas e se for uma menina?
— O que que tem?
— Ela poderia brincar com a gente também, né?
— É claro que sim! Mas por que todas essas perguntas? Cansou de ser o filho preferido? — Ela bagunçou-lhe os cabelos.
— Não é isso. É que é muito chato quando o Roland não tá aqui. Não tem ninguém para brincar de dinossauros e de esconde-esconde comigo.
— Bom filho, tem eu e a sua mãe para brincar com você.
— Ah, mas não é a mesma coisa. Vocês são grandes e as vezes estão ocupadas. Mãe, se eu ganhar um irmão, vou deixar de ser o seu filho preferido?
“Esse menino não nega ser filho da Regina. De onde ele tira essa perguntas?”
— Claro que não garoto. Se você tiver um irmão ou irmã os dois serão os preferidos. — O barulho do carro estacionando chamou a atenção dos dois. — Acho que é a sua mãe.
Henry pula do colo de Emma e corre em direção a porta.
— MAMÃE! — Ele agarra a perna da morena que quase cai pela surpresa, largando a bolsa na mesinha de canto, pegando Henry no colo e caminhando com ele para a sala. — Meu irmão vai poder brincar na casa do papai comigo e com o Roland?
— Seu irmão? Que história é essa? — Ela lhe dá um beijo no rosto.
— O bebê da senhora e da minha mãe. — Ele responde simplesmente, pulando do colo da mãe assim que eles chegam na sala.
— Meu bebê com a Emma? — Ela olha confusa para a loira, que simplesmente sorri e encolhe os ombros. Depois falaria com ela para ver que história era aquela.
— Mamãe! A minha mãe falou que a senhora tem uma notícia!
— Sim, eu tenho. — Ela senta-se ao lado da loira, que lhe sorri. — Oi amor. — Ela lhe dá um selinho.
— Oi meu amor. Henry não está se aguentando de curiosidade. Não para de me fazer perguntas de todos os tipos. — Emma lhe aperta a mão, fazendo Regina compreender de onde, mais ou menos, veio essa história de irmão.
— Filho, senta aqui. — Henry prontamente senta-se no colo da mãe biológica. — Hoje a mamãe teve uma conversa muito séria com o papai, os advogados e a juíza sobre você. Lembra daquela conversa sobre você ter que escolher um de nós dois? — Ele acena afirmativamente com a cabeça. — Então filho, como Emma prometeu, você não terá que escolher, por que a juíza foi muito legal conosco e fez isso por você.
— E o que ela escolheu?
— Ela decidiu que você vai morar comigo e com a Emma e que poderá continuar a ver seu pai, mas com algumas restrições.
— O que é restri… Restirões?
— Restrições, garoto, são condições. Limites. Entendeu? — perguntou Emma acariciando-lhe a face.
— Uhum. E quais são, mamãe?
— Você não poderá mais dormir na casa do seu pai, querido. E seu pai terá alguns dias programados para ficar com você. Tudo tem que ser combinado. Compreende? — Regina realmente não queria que as coisas fossem assim, e ao ver o olhar triste do filho, seu coração se apertou ainda mais.
— Então eu não vou mais poder dormir no meu papai? Nem o Roland aqui?
— Não Henry, você não poderá dormir lá, e o Roland pode dormir aqui sim, se o seu pai deixar.
— Entendi. — Ele respondeu baixinho, levantando-se. — Posso ir pro meu quarto?
— Claro filho, a mamãe já sobe para conversar com você, tá bom?
— Uhum. — Respondeu cabisbaixo, saindo. Enquanto isso algumas lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Regina.
— Ei amor, não chora. — Emma a abraçou.
— Você viu o rostinho dele, Em? — Ela dizia com a cabeça no ombro de Emma. — Ele está frustrado e triste. — Ela soluçava.
— Eu sei amor, mas é momentâneo. Com o tempo isso passa, você vai ver. — Emma acariciava as costas da namorada e beija-lhe a cabeça.
— Eu vou lá falar com ele, Em. — Ela sai dos braços da loira, dando-lhe um selinho antes de se levantar. Emma levanta-se junto com ela, a abraçando.
— Vai dar tudo certo amor, com calma as coisas vão se ajeitando. — Ela lhe acaricia o rosto. — Agora vem cá. — E a puxa para um beijo, regado de carinho. Em seguida lhe abraça. — Eu te amo muito, muito, muito e sempre estarei ao seu lado, ok? — Regina puxou Emma para um outro beijo. Esse demorou mais e havia um desejo reprimido nele. O beijo termina com Regina chupando o lábio inferior da loira. — Hum… Que saudade disso… — Diz a loira sorrindo, ainda de olhos fechados.
— Eu sei amor, eu também sinto falta de você. Mas agora que o caso foi encerrado, quem sabe não podemos dar um jeito nisso? — Ela pisca para Emma e sai rebolando, em direção ao quarto de Henry.
— Por que você sempre faz isso, Regina Mills? — A loira grita, arrancando uma gargalhada da morena.
Fale com o autor