Maçã com Canela
13 Capítulo 13
Notas iniciais
“Eu entendo, Emma. Você não está só namorando comigo. Esse relacionamento tem bagagens; muitas bagagens. A maioria é minha. Um filho, um ex-noivo preconceituoso, uma mãe egocêntrica... Por favor, Emma, vai embora.”
Cinco horas antes....
"Posso fazer isso", menti para mim mesma ao entrar no apartamento. Desde que me mudei para a casa de Regina, não voltei para cá. Assim que consegui entrar para a polícia, economizei cada centavo para ter um lugar só meu... E pela primeira vez, sinto que esse não é de fato o meu lugar.
Quando Regina pediu para eu ir ficar permanentemente com ela e Henry, umas três semanas após o começo do nosso namoro, fiquei receosa. Muito receosa. Mas eu havia me jogado de cabeça. E é melhor nos jogarmos porque sentimos que estamos indo a algum lugar do que ficar parado e cair. Certo?
No começo foi estranho me ver em uma casa tão grande, mas logo me acostumei com a casa de Regina. Ela insistiu tanto que aquela era minha casa, que por um tempo foi mesmo. Era muito estranho entrar aqui de novo; neste lindo imóvel com uma sala, cozinha e suíte. O local para onde eu viria apenas dormir agora, porque o que fazer e sentir em um lugar que já não era mais meu lar?
8h30, constatei ao olhar no meu relógio de pulso. Henry já deve estar em aula e Regina a caminho do Clube.
Pensar neles me fez querer chorar de novo. Enquanto arrumei minhas coisas e escrevi um bilhete, foi uma choradeira. Todos pressupõem que meu cargo faça de mim uma mulher forte e que sabe lidar de maneira indiferente com a maioria das coisas, no entanto, isso está muito longe da verdade.
Acho que deve ter algo relacionado com minha infância. Nunca fiquei muito tempo em um lugar para transbordar tudo o que eu sinto e sentir reciprocidade. Até encontrar Henry e Regina na floresta... E pensar que não gosto muito de exercícios ao ar livre. Foi um golpe de sorte. Definitivamente, eles eram minha sorte.
E agora eles não estariam mais ali. Parei de relutar e deixei as lágrimas caírem. Após me acalmar, liguei no Departamento e usei um dos meus dias de folga. Eu iria me encolher no sofá e chorar o dia todo.
Nesses últimos dias, observei como Regina estava abalada com toda essa história da guarda do Henry... E se isso não fosse o suficiente, ela ainda namorava uma mulher, o que não é socialmente permitido ou aceito por completo. E tanto ela como o garotinho estavam sofrendo. Se ela não tivesse que se preocupar com isso, ela poderia se concentrar melhor no filho e no caso. Eu havia tomado uma decisão pelas duas. Seria melhor se ela descomplicasse a vida deles.
— Eu vou ficar louca! — gritei irritada.
“Você fez o certo. E foi por eles, Emma” repeti incansavelmente, como um mantra que pudesse levar minha dor para longe. Mas não funcionou. Até que ponto eu havia feito somente por eles? Não havia um pouco de mim mesma nessa decisão? Eu seria capaz de levar isso a diante?
Fechei meus olhos, analisando cada momento, deitada no sofá oliva que me abrigou tantas outras vezes. Uma delas foi quando Regina e eu nos amamos pela primeira vez. É claro que naquele dia eu estava completamente apaixonada, enquanto que agora eu estava querendo sumir.
Durante muito tempo, tentei não me apaixonar, mas tinha algo nela que me atraia, que fazia meu coração bater mais rápido e me sentir segura. Eu seria capaz de sentir isso de novo? Eu conseguiria encontrar um outro alguém que me faria sentir tudo o que Regina fazia? E poderia esquecê-la? A risada involuntária foi amarga. Com certeza, não. Não dá pra esquecer Regina Mills.
E ela? Iria achar outra pessoa e se esquecer de mim? Fiquei me atormentando com essas questões por horas. Eu nem sei quanto tempo passou na verdade. Mas meu humor foi da auto piedade para raiva e desespero quando imaginei Regina sendo tocada por outra pessoa que não fosse eu. Ninguém poderia tocá-la como eu toquei. Ninguém poderia sentir tudo o que eu sinto por ela.
— Eu não suportarei viver longe dela e de Henry... Ficar imaginando o que eles estão fazendo e com quem estão. – afirmei para mim mesma, sentando-me no sofá impaciente e passando as mãos pelo cabelo; uma mania que eu odiava, porque eu fazia sempre que estava nervosa. Como solução, eu o prendi no alto. O meu penteado de sargento.
A conversa com Henry Mills veio na minha cabeça. Eu disse que não fugiria. Eu não posso chegar e virar a vida deles pelo ar e sair assim. Seria imperdoável. Eu garanti pra Regina e pra Henry que ficaríamos juntos. Eu não posso ir embora, eu... “Não seja egoísta, Emma. Você tem que deixa-los ir”. Não, não, não. Eu não vou conseguir.
Levantei num pulo e fui ao banheiro, lavei meu rosto e olhei meu reflexo no espelho.
“Olhe pra você Emma. Isso é medo. Não tenha medo. Lute por eles. Faça o que você nunca fez: lute por um lar.”
Respirei fundo. Eu não poderia deixá-los. E a forma como eu planejei deixá-los.... uma despedida por um bilhete. Meu Deus! Eu odiava despedidas, mas o que eu estava fazendo era insano. Minha auto piedade sumiu por completo nesse ponto. Eu estava muito brava comigo. Sou uma idiota! Uma grande idiota!
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Abri a porta e subi silenciosamente as escadas. Emma deveria ter voltado para a cama depois que nós saímos. Quando cheguei ao quarto, porém, ela não estava lá.
Sentei na cama e fiquei pensando em onde ela poderia estar. Será que já tinha ido trabalhar? Mas ela não me disse nada... Quando olhei no criado mudo, vi um envelope com meu nome. O que seria? O que Emma estaria aprontando? Eu o abri e comecei a ler. A nota dentro não era longa. Era simples, na verdade, e dilacerou meu coração. Minha ideia de algum plano romântico estava arruinada.
Regina,
Analisei a bola de neve que isso se tornou e tomei uma decisão por nós duas.
Eu tenho que ir. É o melhor. Para todos nós....
Você já tem o caso para se preocupar, não posso fazer você e o Henry passar por mais tudo isso. Não podemos continuar. Você e eu.
Não posso deixar o Robin usar a nossa relação para ficar com a guarda do Henry. Não posso e eu não vou.
Tente entender... E não me odeie, por favor.
Eu te amo.
Por um momento, fiquei estática. Aquilo seria obra de algum plano da minha mãe ou de Robin? Seria? E onde estaria a Emma? Imediatamente liguei para o Departamento e chamei por ela. Disseram que ela estava de folga.
Com certeza ela estaria…
A ideia de ter minha mãe envolvida nisso, acendeu uma fagulha de raiva. Imediatamente eu liguei na casa dela. Mas a governanta disse que ela estava acabando os preparativos para a viagem. Bem, aquilo não era o que eu esperava, mas foi bom de ouvir. Pelo visto a conversa de dois dias atrás havia surtido efeito.
Talvez eu devesse reconsiderar o envolvimento de Robin e Cora. Talvez Emma tivesse ido porque queria mesmo. Porque aquela situação havia sido demais pra ela.
Por um momento, pensei no dia, uma semana antes de completarmos um mês, quando dei a chave de casa, convidando-a para morar conosco.
Tive tantas dúvidas, tanto medo. Mas havia cansado de fingir; de fingir que era forte para seguir sozinha, quando na verdade queria alguém para seguir comigo. Quando queria Emma. Havia decidido que não iria mais fingir que não estava apaixonada pela loira.
Talvez, tenha sido engano. Talvez Emma não a amasse de fato.
"Talvez, a gente tenha confundido paixão e luxúria com amor."
Sim, aquilo foi um erro desde o começo.
“Tudo bem Emma. Pode ir. Você sabe o que faz” murmurei mentalmente, enquanto colocava um travesseiro no rosto e gritava. Chorei e gritei. Por todos os beijos. Por todas as carícias. Por todas as juras que não eram verdadeiras.
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Agora...
Ver Regina deitada no meio da cama, agarrada a um travesseiro me deixou triste. Eu esperava voltar, rasgar o bilhete e fingir que nada havia acontecido. Mas quando vi o carro dela, sabia que iria magoá-la à toa. Eu estava rezando para que ela não tivesse visto, mas obviamente, ela tinha.
Delicadamente, sentei na beirada da cama.
— Regina – chamei baixinho. Ela se levantou, passou as mãos no rosto, para limpar as lágrimas que ainda escorriam um pouquinho, e me olhou com todo seu ódio e fúria. Meu peito se retraiu diante ao seu olhar, mas eu também estava me olhando mais ou menos assim alguns minutos antes.
— Por um momento – começou ela – achei que isso seria algum plano da minha mãe ou de Robin para nos separar. Mas eles não teriam muito o que ganhar. E com o processo correndo, Robin e eu estamos sendo vigiados pela promotoria. Sem contar que é uma ideia romântica demais, dessas que a gente só vê em novelas. Por isso, acreditei que tudo que estava escrito no bilhete realmente tinha sido dito por você.
Nós nos encaramos por alguns segundos. Eu era a causa daqueles olhos vermelhos e inchados? Meus lindos olhos castanhos estavam chispando ódio e mágoa por minha causa, e somente minha? Essa constatação me deixou sentindo pior do que eu já estava.... Eu passarei, definitivamente, o resto da vida me desculpando por isso.
Como eu começaria a explicar a grande idiota que sou? O que eu poderia dizer para fazê-la compreender a loucura que se passou na minha cabeça? Eu não pude formular nada, porque ela disse primeiro.
— Esqueceu alguma coisa? – o tom ácido de cada sentença me fez estremecer.
— Sim. – afirmei. E de repente eu estava revelando tudo, sem ter chance de pensar direito – Esqueci quem sou. – ela me deu um olhar questionador – Eu não sou essa pessoa corajosa que você imagina, Regina. Eu tenho capacidades de liderança, sim, mas não sou valente o bastante para perder vocês. Eu disse que não tinha nada a perder. E não tenho nada. Nada além de vocês. E antes que isso acontecesse, eu fugi.
— Nem vem com historinhas, Emma. Eu não quero ouvir. – disse ela se levantando e fazendo menção de sair. Eu a segurei pelo braço, enquanto eu falava, mas o larguei quando ela me deu aquele olhar mortal, que geralmente só era usado em negociações.
— Eu... eu precisei ficar sozinha hoje e viver situações hipotéticas para encarar que eu não poderia ficar sem você Regina. Sem você, sem Henry, sem isso – apontei para o espaço entre nós.
— Calma aí! O que diabos você está dizendo? Que você precisava sair 5 minutos para entender que a gente é uma família e que podemos superar as situações juntos? – Ela levantou-se e abriu ainda mais a porta do quarto – Saí!
Eu permaneci onde estava.
— Eu morri pra você na hora em que você saiu dessa casa, sem a decência de ficar para se despedir de mim e do meu filho. – disse ela, deixando transparecer todo o seu rancor.
— Eu sei. Eu ainda não acredito que fui capaz de fazer isso.... Acho que eu nunca serei capaz de me perdoar. Mas quando eu vi você e o Henry saindo essa manhã, sem mim, eu me senti uma intrusa. Um furacão que estava revirando a vida de vocês.
Regina saiu de perto da porta e cruzou o quarto vindo em minha direção. Não havia nada no seu rosto que pudesse me demonstrar o que estava passando pela cabeça dela.
— Como você ousou tomar decisões no meu nome? Como ousou simplesmente ir embora, sem falar comigo?
Ela levantou a mão, com a intenção de me dar um tapa. Meu reflexo foi automático, claro. Eu segurei sua mão. Meus olhos a analisaram minuciosamente e eu a puxei para mais perto. Ela não se opôs.
— Ontem você disse que me amava. Naquele bilhete você disse que me amava. Mas onde está todo esse amor? Aliás, que amor é esse? – o tom dela era frio, o que fez com que eu me amaldiçoasse mais umas duzentas vezes.
Fiquei parada a encarando. Eu a amava e ponto. O que eu poderia dizer que a faria ouvir e entender a besteira enorme que eu fiz?
— Ridículo, inconveniente e desgastante. – comecei citando Sex and the City, que havíamos terminado de assistir recentemente. Regina e eu criamos uma ligação ainda maior assistindo a série juntas todas as noites pela 'tevezona' no quarto dela. — Amor de verdade...
— ... do tipo 'não podem viver um sem o outro' — completou Regina, finalmente me encarando sem a expressão de gelo. – Você deveria ter vindo falar comigo antes de fazer uma besteira dessas! – disparou Regina quase choramingando – Você tem ideia de como eu estou me sentindo?
— Não tão mal quanto eu, por ter te causado tudo isso.
— Eu entendo, Emma. Seriamente. Você não está só namorando comigo. Esse relacionamento tem bagagens, muitas bagagens. A maioria é minha. Um filho, um ex-noivo preconceituoso, uma mãe egocêntrica. Só problemas, Emma. Eu compreendo o porquê de você querer partir. E eu não vou retê-la mais. Por favor, vai embora.
— Vai embora, Emma. – sussurrou ela.
— Regina! — disse exasperada — Eu não vou fugir mais. Henry não é uma bagagem. Eu o aceitei como filho no dia em que ele pulou no meu colo. E não vamos medir bagagens... O que eu aceitei nesse tempo encarando um mundo onde vocês não faziam parte é que deixá-los seria muito fácil. Todas as circunstâncias gritam para que a gente desista. E eu quase caí na armadilha. Quase. Porque percebi que não posso tornar isso fácil pra mim mesma. Porque é muito fácil partir e deixá-los. Nós não podemos ter medo de nos machucar, Regina. Amor é isso, não é? Se abrir para o sofrimento. E eu temi que isso acontecesse com a gente e agora, de fato, aconteceu. E por minha causa. Eu destrocei o seu coração e estou correndo o risco de você nunca mais olhar pra mim como olhava. De não me perdoar. E eu vou entender se você não conseguir sentir nada por mim sem ser desprezo.
— Hmmm – murmurou ela abaixando o olhar de novo
— Você acha que a gente vale tudo isso, Regina? Toda essa confusão, todos os mal entendidos, a repreensão no olhar das pessoas?
Ela ficou em silêncio. Eu pressionei, mas sem alterar a voz. Queria levar essa discussão o mais calmamente possível.
— Acha ou não acha?
— Bem eu achava... Mas agora.... Por que você quer esclarecer isso? Você está de partida.
— Eu sei o que você quer, Regina – comecei – Você quer se tornar alguém de sucesso, fazer o Clube crescer ainda mais, fazer com que Henry seja a melhor pessoa do mundo. E eu entendo, meu amor. E por isso eu partir. Porque eu não quero te impedir. Porque... eu não quero ser um peso. Vocês são bons demais para mim, Regina. E eu fiquei me perguntando se eu de fato mereço essa família maravilhosa que você me oferece. E o motivo de ter percebido a besteira que eu estava fazendo e ter voltado, — parei um momento parar respirar, mas sem tirar os olhos dela — é porque cheguei à conclusão de que minha vontade de estar aqui quando você alcançar todas essas coisas é maior que qualquer outra. Porque quero encorajar o Henry também. Porque quero ficar com você. E porque eu talvez não mereça, mas eu farei o possível para ser digna de vocês. Você e Henry não vão ficar sem mim. A não ser que queiram, claro. E aí, bem, minha vida será bem miserável, mas quero que vocês sejam felizes. Por isso, e só por isso, achei que seria melhor eu ir.
Meu coração estava acelerando mais a cada minuto em que fiquei aguardando que ela me respondesse. Algumas lágrimas teimaram em cair, mesmo que eu me recusasse a chorar.
— Você, Emma Swan, é de fato um fardo – ela disse séria – Mas é um daqueles fardos que nos permite conquistar coisas. – Ela fez uma pausa — Mas estou tão loucamente brava com você. E comigo. Eu não sei se eu consigo... Talvez você possa retirar essa mágoa, esse medo, essa confusão que o meu coração está guardando. Você pode?
Eu podia? Provavelmente não. Aquilo era o que eu sentia também.
— Por favor, Regina. – implorei sem pensar — Eu já perdi todos os finais felizes que ousei imaginar. E, embora eu não queira, não seria surpresa perder mais um. Mas por favor, por favor, não me deixe.
— Deixar você? Qual de nós estava de fato partindo aqui? Isso vai ser uma tortura, Emma. Sempre que surgir algum desafio pra gente, eu vou ficar imaginando se você vai nos deixar quando não estivermos olhando. Se você vai ficar mudando de opinião sobre ir e vir, como está fazendo agora.
— Não, Regina! – quase gritei – Eu não estou mudando de opinião, estou mudando de escolha!!
Eu respirei fundo. Como queria saber o que de fato estava se passando pela cabeça dela!
— Eu estou escolhendo ser feliz, Regina. Estou escolhendo essa família pra cuidar e amar. Tem ideia do que são cinco horas digerindo o fato que eu não veria vocês no jantar? Que eu não colocaria Henry na cama? Que eu não acordaria ao seu lado? Você já andou em círculos? Bem, eu passei essas cinco horas assim. Minha mente dizia que nós não tínhamos nada em comum, que não éramos almas gêmeas e que era melhor terminar dessa maneira. No entanto, o meu coração dizia que não importava de onde você vinha e de onde eu vim. Nosso amor nos faz iguais. E vocês são o lugar ao qual eu pertenço e que sou o lugar para onde vocês vão correr! Não importava o quão longe eu ia com meus argumentos ou o quanto eu dizia que vocês não precisavam de mim, o caminho sempre terminava em você e Henry. Ao meu lado. Porque minha vida seria vazia sem vocês. Eu seria vazia. E realmente quero acreditar na nossa família, porque pensar que nunca mais te veria me fez perceber que sentiria sua falta desesperadamente todos os dia. Falta da sua inteligência e da sua integridade. Do jeito que você me contradiz. E do jeito que você diz meu nome.
Engolindo o medo, atrevi a pegar a mão dela.
— Sentiria saudade sua até mesmo em outro mundo, Regina.
Ela sorriu, apertando minha mão. Aquilo seria um sinal ou só um reflexo?
— Não estou fazendo isso só por vocês. Desculpe mas não estou. Eu realmente queria ter um coração bom e dizer que estou aqui por vocês, mas, na verdade, estou aqui por mim. Porque sou egoísta e percebi que ficar sem vocês seria o combate mais difícil e perigoso que eu enfrentaria. E eu já fiz isso uma vez, sabe? Tentar não te amar. Tentar não amar Henry. Mas isso só serviu de uma coisa.
— O quê? – murmurou ela
— Só me fez amá-los ainda mais.
Eu a abracei com força após dizer isso. Ela chorou baixinho no meu ombro, enquanto eu soluçava perto do pescoço dela.
— Emma... – começou ela se afastando de mim. — No meu mundo perfeito você vai sempre estar feliz comigo. Mas esse conto de fadas é apenas uma história. A vida é imprevisível. E se o processo não der certo? E se Henry não ficar com a gente? Nós vamos ficar juntas ou vamos acabar nos odiando? Ou vamos ser iguais aos meus pais que só se toleram? Eu não sei... Acho que não devemos arriscar mais nada. Acho que você está certa.
Eu dei uma risada sarcástica.
— Desde quando você concorda com as coisas sem sentido que eu digo? – eu me aproximei dela de novo, sem desviar o olhar — O nosso problema, Regina, é que depois que o “eu te amo” foi dito, a gente não deu garantias de mais nada uma pra outra. Nós garantimos pra quem quisesse ouvir que isso que nós tínhamos era de fato verdadeiro e que poderia aguentar qualquer coisa. Mas eu nunca disse só pra você, disse? E você disse pra mim?
Regina, que estava com uma saia azul, uma blusa de cetim branca e apenas a alguns centímetros de mim, ficou me observando, procurando lembrar se algo havia sido dito entre a gente. Mas não havia. Ela me deu o seu olhar que dizia “Mas e daí? O que você pode fazer?”.
— Bem, eu pensei bastante nessas cinco horas, como já disse. E... – entrelacei meus dedos aos delas – hmmm... acho que não posso te mostrar antes de você me responder uma coisa. Regina Mills, você me faria a mulher mais feliz do mundo e me aceitaria de volta?
Ela riu.
— E as garantias, das quais você falou?
Eu abri um sorriso.
— Nós podemos viver e passar por tudo, porque nós temos amor. E amor é a palavra final dessa discussão.
Ela segurou minha mão com as duas delas, e por um instante achei que ela fosse se virar e dizer que eu estaria fazendo um favor pra ela se eu realmente fosse embora.
— Eu estou com medo, Emma – ela sussurrou apenas.
— Bem, eu me atrevi a ir embora, assumindo que seria o melhor para nós duas. Foi a decisão mais infeliz que eu tomei, obviamente. Então, mesmo que você grite comigo, eu vou tomar uma decisão por nós duas de novo.
Dizendo isso eu retirei uma caixinha da minha jaqueta.
— Mas dessa vez vai ser a certa.
Desajeitadamente, eu abri a caixa. Não queria soltar a mão dela. Eu nunca mais iria soltar a mão dela. Eu retirei um dos anéis e entreguei a caixa para ela, num pedido silencioso para que ela segurasse. Ela me olhava com um meio sorriso e com uma certa desconfiança.
— Regina Mills, estamos dispostas a nos comprometer uma com a outra, mas nunca de fato o fizemos, sem ser oralmente. Certamente palavras têm sua magia, mas se não forem registradas, elas se perdem no tempo. Portanto, esse anel é a lembrança de que eu prometo nunca mais fugir. E que vou estar ao seu lado em cada amanhecer e em cada pôr do sol; em cada luta e em cada repouso. Eu escolho você e o Henry para serem minha família. Eu não quero que você pense que há outro motivo para estarmos juntas, sem ser minha total convicção de que podemos enfrentar qualquer coisa, desde que estejamos unidas. Bem, pensar em sorte e destino está liberado... Eu disse que ficaria com vocês para sempre. E eu vou ficar, porque o único sentido em amar alguém é fazer sua vida melhor. E a minha vida seria uma droga infinita sem vocês nela.
Sem esperar uma resposta, coloquei a aliança prata com bordas douradas no dedo anelar direito dela.
Quando saí de casa, eu realmente tinha decidido não largar a mão dela novamente. Por isso, fui na joalheria mais próxima, escolhi um modelo simples e que não fosse tão largo, para combinar comigo e com ela, e pedi para gravarem a data do dia em que dissemos as três palavrinhas que mudou a nossa vida: 04/08/14. Coloquei a data do lado interno, e por fora escolhi colocar uma coisa que sempre nos lembraria de que aquilo não era um contrato que vinha com “eu te dou isso e você me dá aquilo”:
Eu escolho você
Sussurrei a frase antes de enlaça-la pelo pescoço e beijá-la. Ela correspondeu tão avidamente quanto eu. Quando nos separamos, mais para tomar fôlego do que por opção, ela pegou a aliança e a segurou.
— Antes, eu também preciso me desculpar. Por não termos tido essa conversa antes. E por quase cair na armadilha também.
Então, na medida em que ela colocava o anel no meu dedo, ela foi dizendo:
— Emma... eu duvidei do meu amor por você no começo, duvidei de que iríamos dar certo, duvidei que seria uma boa ideia você morar comigo, duvidei de tudo em que tinha ‘nós’. Eu prometo nunca mais duvidar do que sinto por você e nem deixar que nossas falhas nos impeçam de sermos felizes. Prometo não fazer com que esse dia seja lembrado por outra coisa que não essas promessas. Você é minha amiga, minha companheira e a pessoa em que eu mais confio. Talvez não sejamos almas gêmeas, mas opostos que se completam. — ela sussurrou essa parte, o que me fez sorrir ainda mais — Meu amor será sua coragem e o seu amor minha força. E o que nós temos não vai acabar, porque amor, amor de verdade, não acaba.
Eu a beijei. Não sei se ela iria dizer algo mais, mas se fosse eu não deixei. Foi um beijo ainda mais molhado, porque nós duas estávamos chorando, e cheio de amor, esperança e felicidade.
Sim, eu estava completamente feliz que ela tinha me aceito de volta, apesar de tudo. Por um momento eu realmente tive medo. E ela também. Mas a gente colocou uma pedra no assunto e no sentimento. Medo se alimenta de esperança, e a nossa estava tão grande que não haveria gula que suportasse.
— Isso foi extremamente cansativo – brinquei derrubando ela na cama comigo. E pensando bem, até que tinha um fundo de verdade.
— Mas ainda nem fizemos nada, Swan. – disse ela maliciosamente se colocando em cima de mim.
— E nem vamos, amor. Alguém precisa ir buscar o Henry em 30 minutos. E eu não vou começar algo só por começar. Eu realmente quero fazer amor com você.
Ela riu e, apoiando suas mãos na cama, me beijou profunda e demoradamente.
— Você sempre faz amor comigo, Emma. Você é meu amor.
— E você é o meu lar.
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