Maze

1 Stupid Shuuya


Notas iniciais
Certo, temos que começar por um dos meus casais favoritos de todos os tempos. *-------*!
Kkkkk, se bem que se tratando de Kagerou, todos eles são.
Boa leitura o//

Nome: Shuuya Kano

Idade: Dezesseis anos

Função: Ser idiota

- Vou te matar! – berrei para o salão escuro. Forcei meus olhos e tentei procurar naquela vastidão negra onde estava aquele completo idiota. Encolhi os ombros.

Ah, qual o problema dele afinal de contas?

Tão tão tão Kano! Cerrei os pulsos. Se saísse viva daquele lugar, eu acabaria com sua raça.

E pensar que tudo começou de maneira tão simples...

***

- Então é aí que você quer ir, Mary? – perguntou Kosuke. Mary assentiu, animada. As poucas vezes que Kosuke não estava trabalhando, Mary aproveitava para arrastar todos em algum lugar. Justo ela que não gostava de pessoas.

Ela girou o vestido azul e o capuz branco caiu, deixando a amostra seus cabelos longos e claros.

- Seto, pode me carregar lá dentro? – pediu Mary.

- Mary, deixe Seto descansar um pouco. – murmurei. Ela olhou para o chão, cabisbaixa.

- Não tem problema, Kido. – Seto sorriu. O cabelo castanho e bagunçado balançava com o vento áspero. Os olhos de Mary voltaram a brilhar. Dei de ombros.

- Danchou-san está certa – O loiro surgiu ao meu lado. – nós viemos para achar a saída disso aqui. – Ele apontou para a enorme construção ao meu lado.

Congelei. Fui tão ingênua ao aceitar a ideia de Mary. Vindo dela só podia ser algo, hum, um pouco assustador para crianças. O local me lembrava o castelo do medo que fui certa vez. Dei um passo para trás involuntariamente ao ver o panfleto enorme.

Algo atrás de mim me assustou.

- Está com medo, Tsubomi? – Tsuuu-boo-miiii era assim que aquele idiota sussurrava meu nome.

Empurrei-o.

- Não seja estúpido. – Puxei mais o capuz do meu casaco. Kano riu.

- Não fique violenta só por especulações, ou então...

- Então o quê? – Ele conseguia me tirar do sério em segundos.

Com o dedo indicador encima da boca, ele piscou um olho e sorriu.

- Shuuya, pare de provocar Tsubomi. – disse nee-chan, surgindo ao lado de Shintaro. Era tão quente e, mesmo assim, ela ainda usava aquele cachecol, e ele, aquele casaco. Sem querer olhei para Mary e percebi que fazíamos a mesma coisa.

- Ehh, o que eu fiz Tsubomi? – perguntou, fingindo ser inocente. Lancei meu melhor olhar de “cale essa boca ou eu te faço de jantar” torcendo para que ele, no fundo, tivesse um pouco de bom senso, ou ao menos, que não quisesse a morte. – Só porque eu disse que você tem medo?

Sem pensar, meu punho parou em sua barriga com um forte baque.

Kano se jogou para frente e fingiu estar tendo um ataque no chão.

- Danchou-san, por que não está preocupada? – perguntou Kisaragi Momo, seguida por Hiyori e Hibiya.

- Ele é só um idiota. – resmunguei.

- Kido – Mary puxou minha blusa. – e se Kano não ficar bem?

- Bem, vamos aproveitar e jogá-lo fora. – respondi. Momo deu um sorriso amarelo.

Ah, droga. Por que eu tenho que ser tão verdadeira?

- Nós não... nós não podemos fazer isso! – Mary continuava puxando minha blusa.

- Ora Mary, esse traste só a irrita.

- Mas então não poderemos ir todos! – Era incrível Mary conseguir enxergar uma utilidade naquele completo idiota.

Meneei a cabeça.

Que seja.

Todos pararam de prestar atenção em Kano e compraram ingressos.

- Não precisamos esperar Haruka, nem Takane. – falou Shintaro. – Eles já estão lá.

Mary ficou triste rapidamente.

Seto a abraçou.

- Só podemos ir dois de cada vez, no máximo três pessoas. – disse. Mary assentiu e ele a colocou em suas costas. – Já vamos entrar.

- Espere, o quê? Só podemos ir aos poucos? – O desespero queria tomar conta de meu corpo. Recuei.

Os outros assentiram.

- Onii-chan, me deixe ir com vocês. – pedia Momo.

- Claro que pode, Momo-chan. – nee-chan disse.

- Não. Você precisa ficar com Kido. – respondeu Shintaro.

- Momo não precisa ficar comigo, se não quiser. – intervi. – Aparentemente, essa atração é popular à noite. Mas precisa me esperar quando chegar até o fim do labirinto, pois então já terá escurecido.

- Momo-san, poderia ir conosco? – pediu Hiyori. Momo olhou para todos antes de assentir.

- Claro! – E puxando o braço de Hibiya, completou: – Vamos os três!

Eles entraram.

Foi aí que me dei conta. Eu havia ficado pra trás.

Quis gritar. Como era estúpida! Por que não pensei nisso antes? A ideia de entrar em algo assim era tão...

- Sobrou apenas nós. – fechei a cara. Havia esquecido esse loiro.

Dei de ombros.

- Tanto faz. – paguei as entradas. – Só quero sair daqui logo. – acrescentei em voz baixa.

Entramos por uma imensa porta que levava a um local com mais portas ainda. Eram tantas, de diferentes jeitos, que me senti confusa. Qual delas seria a certa?

- Você é muito inocente, Tsubomi. Todas são certas. – riu Kano.

- Como faz isso? – perguntei.

- Você é transparente demais. – Ele deu de ombros e andou pelo local, parando de porta em porta. Finalmente sorriu, ao chegar a uma porta pequena, e demasiada grande para os lados. Parecia ter sido muito usada, pois havia várias marcas e a coloração colorida começara a parar de ganhar destaque. A maçaneta era a única coisa semelhante às demais, uma maçaneta de vidro. – Vamos nessa.

- Por quê? – questionei, erguendo as sobrancelhas. – Ela parece anormal demais.

Kano abriu a porta e me estendeu a mão.

- Igualzinha a você. – Ao invés de pegá-la, desferi um leve chute nele e entrei pela passagem. No mesmo instante quis voltar. Tudo estava incrivelmente escuro. Kano fechou a porta e me senti perdida.

- Bu! – sussurrou em minha orelha. Senti meus braços se arrepiarem.

- Não faça isso. – sussurrei em resposta.

- Por que está falando tão baixo assim? – Kano já estava bem longe quando respondeu.

Tentei tatear o local. Não achava nada palpável.

- Não seja idiota. – murmurei.

- Não consegue me achar, danchou-san? – Ele havia trocado de lugar.

- Nã-não quero te achar. – Eu sabia que ele não conseguia me ver, mas ainda assim senti-me envergonhada por corar. Odiava perder. E Kano estava claramente ganhando.

- Tem certeza que não quer ajuda? – gritou, muito distante. – Lembro que quando era pequena, sempre queria minha ajuda.

- Eu... eu não preciso de você, idiota. – berrei. Por que ele tinha de dizer coisas vergonhosas? – Então... então cale a boca.

Eu não conseguia dar um passo a frente. Como sou idiota.

- Ah – sua voz abaixou. – você deve estar certa.

E então era assim que tudo tinha virado esse terror. Não que eu estivesse assustada, claro.

Fechei os olhos. Eu iria achar Kano e dar umas boas surras nele.

Dei alguns passos cambaleantes, sempre tateando o que vinha a seguir e os arredores. Senti o lugar começar a se estreitar. Suspirei aliviada. Era o primeiro passo para um caminho enorme, ou pelo menos eu achava. Senti meus olhos arderem um pouco e os abri.

Uma luz iluminava o caminho.

Corri até o local com luz.

Era uma armadilha. O local estava infestado com imitações de lobos. Segurei um grito. Cada vez mais os lobos se aproximaram. Tentei raciocinar.

Saída.

Uma saída.

Meus olhos pousaram em uma imitação fajuta de pedra. Desesperada, desviei dos lobos falsos e joguei com tudo a pedra. Joguei-me dentro do buraco que havia.

Era tão pequeno que era preciso engatinhar. Agradeci por ele ter me abandonado apenas naquele instante. Apesar de ser Kano, seria tão vergonhoso passar por ali.

Engatinhei até outra abertura. Espremi-me e me ergui. Escorando meu corpo no chão, levantei. Apenas uma luz roxa iluminava o lugar. Senti novamente aquele desespero. Se tivesse fones de ouvido para escutar uma música em volume bem alto, tudo ficaria bem.

Uma música de terror soou. Quis me jogar no chão e esperar que viessem me buscar. Mekakushi-dan, ou até mesmo funcionários. Com uma força inacreditável, continuei em pé, olhando o caminho reto. Dei dois passos.

Tudo iria ficar bem.

Mais dois.

Sim, ficaria tudo bem.

Outros dois.

É, isso. Eu sairia, me encontraria com todos, e poderia me acertar com Kano.

Algo debaixo de meu pé fez barulho. Pulei para outro lado.

Eu estava pisando em ninguém menos que Kano.

- O que está fazendo aqui? – gritei. Queria perguntar muitas coisas, como “por que é tão idiota?”, ou “como pôde me deixar lá?”, ou “como saiu de lá tão rápido?”.

- Hmm – gemia. Esqueci todo meu pânico e as satisfações que deveria tirar, e me abaixei. Kano parecia muito ruim. Por que ficaria no chão se não estivesse?

A preocupação substituía o medo. Eu sempre tinha que exagerar! Agora acabara com ele de uma vez!

- Kano – murmurei. Pousei minha mão em seu corpo e o balancei. – Kano?

Ele abriu um dos olhos e riu.

- Há há há! Danchou-san, ficou preocupada comigo? – Ele se erguia. Recuei.

- Eu – murmurei. A verdade era que estava tão possessa. – Eu

Kano piscou os olhos de gato. Mais uma vez me estendeu a mão. Bati nela com força e não o olhei mais.

Ergui e corri, voltando ao labirinto. Sentia meus olhos queimarem com as lágrimas.

Era sempre essa mesma droga.

Como eu odiava tudo aquilo.

Tropecei em meu próprio pé no extenso corredor escuro e caí. Abracei meu corpo.

Sempre fico preocupada quando machuco alguém. Ao menos isso ele deveria saber. Eu não era a garota transparente?

Funguei. Que idiota eu era.

Levantei e dei alguns passos, mancando. Pelo visto, não foi no meu pé, e sim em algo que devem ter esquecido.

- Kido! – gritava Kano atrás. – Kido!

Tentei correr. Novamente via uma luz, novamente meu coração batia aceleradamente com o futuro terror que encontraria, mas não queria vê-lo. Não, dessa vez não queria.

- Kido! – continuava.

Meu pé doía com a força que fazia. Ignorei a dor latejante.

- Kido! – gritou, jogando-me no chão com força.

Por pouco não entramos em outra coisa assustadora.

Kano rolou para o meu lado. Apesar de extremamente escuro, conseguia ouvir sua respiração rápida, e a minha também.

Fiquei quieta. Não sabia como agir.

- Kido? – sussurrou. – Kido? – cantarolou. Ele já sabia que era eu.

- Cale a boca. – murmurei.

- Cruel. – consegui escutar sua risada baixa. Ele tateou o chão a minha volta. Provavelmente tentaria se levantar. – Tsubomi – me chamou em voz baixa. – desculpe por antes. Não sabia que levaria tudo a sério. “Seu estúpido, eu sempre levo tudo a sério”, você deve estar pensando.

- Sinto como se Seto usasse seu poder em mim e o transferisse a você. – bufei.

Ele riu.

- Essa rota é ridícula. Como eu deduzi. – Quase podia ver que Kano dava de ombros.

- O que isso significa? – Consegui me sentar com todo o custo.

- Essa porta era a mais anormal. Seria de se esperar que quando as pessoas vem para um lugar como esse, é para sentir medo – fez uma pausa. – exceto claro, algumas exceções. – fez outra pausa, esperando que eu gritasse. Não o fiz. Ele prosseguiu. – Seguindo a lógica da maioria das pessoas, a porta mais bonita seria a que mais dá medo. E eles estão certos. Provavelmente quase ninguém vem por essa rota.

- Isso é bom. – pensei em voz alta.

- Não vai me agradecer, danchou? – Esse insolente... – Então eu vou terminar isso aqui, e sair antes de todos.

Ao chegar perto da luz, vi sua silhueta. Levantei e tentei segurar sua mão. Ele esquivou e sorriu, astuto.

- Quer segurar minha mão, Tsuu-boo-miii? – Seu!

Cruzei os braços.

- Cale a boca, seu idiota. Eu só vim pedir desculpas por antes. – Nunca soube que era tão difícil pedir desculpas.

- Ehhh, então você sente minha falta? – senti meu rosto queimar.

- É claro que não. – desviei o olhar. Kano riu e segurou minha mão. Era impossível eu sentir mais vergonha. E então ele passou meu braço ao seu redor. Certo, o impossível se tornou possível.

- O que está fazendo? – gritei, querendo empurrá-lo, ou socá-lo, ou torturá-lo, o que viesse primeiro.

- Danchou-san não está com medo, está? – perguntou.

- É-é-é claro que não! – respondi.

- Tão transparente... – riu. – Você fica tão fofa dependendo dos outros, Tsubomi.

- Cale a boca. – tentei me esquivar, mas Kano segurou forte minha outra mão.

- Só feche os olhos e abra apenas quando eu disser, ok? – nunca o vira tão sério. – Confie em mim uma vez, Tsubomi. Você não precisa ser forte o tempo todo.

Acabei desistindo da ideia de fugir daquilo tudo. Era vergonha demais, mas eu teria de aguentar.

- Eu sei disso, Shuuya seu idiota. – murmurei, fechando os olhos.

Ouvi-o rindo e, pela primeira vez, não me irritei.

Notas finais
EU ACHEI MUITO MELOSO!
Quis me jogar da escada da minha escola quando fui reler para consertar meus erros. Nossa, é muito meloso.
MUITO MELOSO.
NOSSA.
X-X
Eu nem sei como escrevi isso.