Maze
2 Strange Haruka
Notas iniciais
Nome: Kokonose Haruka
Idade: 19 anos
Função: Ser ingênuo
– Francamente, você precisava parar em todos os quiosques para pegar comida? – perguntei estressada. Haruka carregava sacolas e mais sacolas de doces e salgados. Bufei. Ele estava usando seus olhos de maneira inútil.
– Takane, vamos dividir. – Ele sorriu.
– Ahhh! Não era isso que queria dizer! – Depois de tudo, ele continuava tão... Haruka. Sem querer, meus olhos subiram até seu rosto, onde a marca de Konoha permanecera. Não gostava daquilo. Fazia com que lembranças da serpente voltassem, e também Konoha.
Ele era tão diferente de Haruka.
Se bem que eu também sou muito diferente de Lighting Dancer Ene.
Haruka desembrulhou outro doce.
– Dá pra parar de comer? – O tempo todo ele estava comendo.
– Humm – Ele pegou outro pedaço e estendeu para mim. Senti meu rosto queimar. Empurrei sua mão.
– Não! – Pisquei. Quem sabe um pouquinho? Não, definitivamente não. Precisávamos esperar todos. – Onde estão todos eles? Se você não tivesse me feito sair de casa tão cedo para comprar tudo isso, eu poderia fazer com que eles viessem mais rápido.
Senti um leve sorriso brotar em mim.
– Espere aqui. – mandei. Haruka olhou curioso, e depois assentiu. Corri para trás do enorme castelo de mentira que iríamos e abri os olhos.
Meu corpo inteiro foi sugado e enfrentei uma rápida e um pouco enjoativa viagem. Não estava no lugar anterior. Não sentia nenhum cheiro, nem me sentia exausta, como estava quando era Takane, tudo por culpa de Haruka.
O lugar em que estava era o quarto de Kisaragi Shintaro. Mais especificamente, em seu computador.
E não era mais Enomoto Takane, e sim Ene.
Olhei para meu corpo e sorri para mim. A blusa azul grande demais me dava à sensação de nostalgia. Foi um longo tempo.
O quarto parecia do mesmo jeito desde a última vez que ficara ali. A cama um pouco bagunçada, os livros perfeitamente guardados, um Shintaro sentado na cama...
Mas, espera. O que Ayano-chan fazia ali? Ela conversava animadamente com ele e ele...
Ele estava vermelho!
Não consegui segurar a risada.
Shintaro virou sua cabeça para onde eu estava em uma velocidade impressionante.
– Ah, não! – reclamou, colocando as mãos em seu cabelo escuro. – Achei que esse inferno tinha acabado!
Ayano se curvou um pouco, ficando mais perto de Shintaro, para me ver.
– Oi, Takane-san. – Ela deu um tchauzinho.
– É Ene, Ayano-chan. – pisquei com um olho. A morena sorriu. – Ene.
– Certo, Ene-chan. – Ayano voltou à posição normal, e andou até a porta. Acenou. – Até depois.
Shintaro estendeu a mão, como para impedi-la.
– Pfffff! – gargalhei. – Goushujin, você ficou vermelho.
– Não enche. – Ele escorregou da cama para o chão e se encolheu. – Achei que você sumiria para sempre.
– Ora, eu sempre posso te incomodar. – “Sendo Ene ou Takane”, acrescentei mentalmente.
Ele ficou emburrado.
– Por que essa cara? É por que fiz com que Ayano-chan parasse de dar atenção a você? Que egoísta, goushujin! – levei as mãos até minha boca.
Ele abriu a boca e em seguida tornou a fechá-la.
– O que você quer, Ene? – perguntou.
– Por que ainda não vieram? Eu já quero voltar! – reclamei. A única parte boa de tudo aquilo era estar com Haruka.
– Estamos atrasados, só isso. – murmurou.
– Só por isso? – ergui as sobrancelhas. – Será que a Ayano-chan sabe daquelas suas pastas?
Shintaro ficou chocado.
– Você não faria
– É claro que eu faria. – Sorri, interrompendo-o.
Deu-se por vencido.
– Estamos atrasados por culpa de Momo. Mas logo estaremos aí, então, por favor... – pediu.
– Certo, eu me esqueço daquelas pastas por um tempo. – Dei de ombros. E então me lembrei de algo que sentira falta. Mudei do computador para seu celular e cliquei em gravações.
“Kyahh, meu casaco!”
Ri, e enquanto voltava ao meu corpo, conseguia ouvir o “mestre” reclamando.
Senti um pouco de tontura no começo. Após isso, fiquei normal. Corri de volta até Haruka. Ele não havia movido um passo. Olhei mal-humorada para ele. Ele era tão ingênuo!
– Quando disse para não se mover, não quis dizer realmente isso. – Suas mãos estavam vazias. – O que aconteceu com aquela pilha de comida?
– Eu dividi com as pessoas, já que a Takane não queria. – Sorriu, agindo como se tivesse feito uma boa ação.
Apertei sua bochecha.
– Seu! Não pensou que eu talvez estivesse mesmo com fome? – Haruka, pensei, por que é tão sem noção?
– Ai... – reclamou baixinho.
Soltei seu rosto.
– Eles vão demorar, quem sabe seja melhor nós – Um casal passou à nossa frente. O rapaz segurava a mão da garota com seu braço, e ela apertava com força seu casaco. – entrarmos sozinhos.
– Takane, é assim que precisa fazer para entrar? – perguntou ele. Corei com a simples ideia de algo vergonhoso assim.
– N-não! – Minha mão voou para seu rosto de novo. – O que está pensando?
Sua mão segurou a minha e a levou até seu braço.
“O que exatamente está havendo?”
– Temos que fazer isso, Takane. – Ele assentiu, cumprindo alguma ordem imaginária.
– O quê? Não! – tentei tirar minha mão de seu braço, mas ele segurava com força.
Ele deu um passo e me arrastou junto. Comprou os ingressos. Acho que falava comigo, entretanto eu estava preocupada com o som escandaloso que meu coração fazia.
“Dá pra ficar quieto?” queria berrar para ele.
E se Haruka escutasse?
Espere, ele escutaria?
O que ele iria pensar?
Ah!!! Isso é tão vergonhoso!
Várias portas estavam a nossa frente.
– Qual você acha melhor, Takane? – perguntou.
– Não precisa – murmurei.
– Hum? – Haruka pendeu a cabeça.
– Não precisava fazer isso. – Ele procurou uma resposta em meu rosto, e então seguiu onde meus olhos encaravam.
– Nós nunca fizemos isso. – respondeu. – Bem, talvez Takane já tenha feito isso – Ele também via minha mão em seu braço. – já que é tão legal. E a Takane é tão legal!
– Por que não fica quieto? – gritei, tentando esconder meu rosto fortemente vermelho. Fala sério. Qual é o seu problema?, quis berrar também.
– Então tudo bem? – Haruka sorriu.
Vi sua blusa e lembrei-me da garota e o rapaz. Escondi o rosto quente e corado em sua roupa.
Talvez não fosse tão ruim ficar assim.
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