Maybe we can try again season 1
53 We need to heal
Notas iniciais
Regina tinha levantado da cama. Estava com Ingrid sentada no sofá conversando, fazia uma meia hora que Emma tinha saído para o trabalho.
R: Emma fez bem em ir trabalhar... Já estou me sentindo melhor.
I: Você tem que se alimentar bem! Nessa etapa o bebê requer mais.
R: Sim eu sei. Só não estava com fome, obrigado por preparar o café para mim.
I: Não precisa me agradecer. Apenas estou ajudando a cuidar do meu neto.
R: Você consegue aceitá-lo de uma boa forma? – perguntou
I: Que tipo de pergunta é essa Regina?
R: Eu fiz coisas precipitadas, você agiu de uma forma errada comigo, sei que ter esse vínculo novamente entre nós faz com que tudo fique mais simples.
I: Regina...
R: Não... Tudo bem, eu posso entender. Eu fiz a sua filha sofrer muito e isso não ajuda em fazer com que você me queira por perto. Mas eu preciso que seu sentimento pelo meu filho seja sincero!
I: É claro que é! Eu já quero essa criança! Ele é meu neto! Assim como a Lucy era! Que Lucy tenha sido planejada e deseja não faz nenhuma diferença com Henry. Você me entende?
R: Sim! Obrigada. Eu forcei muito a barra com a Emma. Eu praticamente a “obriguei" ser mãe novamente.
I: Não pense assim! – tocou na mão da morena
R: E sinto um pouco de culpa por isso. Mas agora sei que ela também quer Henry, e que me quer também na sua vida. Isso me conforta.
I: Não se sinta mal por isso. Eu fiquei sabendo que Emma está bebendo bem menos, e mesmo que não deva dizer desse jeito, isso acontece quando ela esta com você. O pai dela bebia muito, é claro que ela não sabe desse detalhe, mas ... ela tem uma genética alcoólica bem grande.
R: Emma não sabe muitas coisas do pai.
I: Sempre preferi preservá-la disso.
R: Isso não fez mais mal a ela?
I: Provavelmente... Tem outra coisa que eu preciso dizer a ela.
R: O que aconteceu?
I: Eu perdi o meu trabalho...
R: O que? Quando?
I: Faz três meses. Eu tinha um dinheiro guardado, e antes de começar a procurar um novo emprego decidi vir ficar um pouco perto dela.
R: Você vai dizer a ela? – encarou os olhos claros.
I: Claro! Vou sim.
Elas conversaram por mais um bom tempo, Ingrid estava sensível por sua nova situação, na sua idade perder o trabalho de anos era um baque importante.
Logo elas prepararam o almoço, Regina comeu pouco pois continuava sem muita fome.
Decidiu tomar um banho e colocar uma roupa confortável. Pediu um táxi, trocou de carteira e saiu. Mandou uma mensagem pra Ingrid que tinha ido na floricultura que ficava a dois quarteirões da casa, avisou que iria ir visitar a irmã, tomaria um táxi e que não precisava ela se preocupar.
O táxi não demorou nada, ela saiu, passando a chave na porta, indo em direção ao veículo, com um vestido longo, rasteirinhas, cabelo solto ondulado, óculos de sol, a morena se dirigiu ao seu destino.
Regina desceu do taxi em frente à casa da sua irmã, pagou e agradeceu o moço saindo do carro, entrando na linda entrada cheia de flores e plantas. Tocou a campainha, ouviu saltos se aproximarem do outro lado, a chave girou, a maçaneta se movimentou e a porta abriu.
Regina levou um susto, ficou chocada, achou estar vendo um fantasma, um fantasma que agora parecia ter retornado a sua vida para assombrá-la.
R: Mom? – gelou parada vendo a mulher mais velha a sua frente.
C: Regina, minha filha, entre! – abraçou a morena sem jeito nenhum, um abraço frio. Regina deu um passo a frente com a porta fechando atrás.
C: Huum você ganhou alguns kilos meu bem – falou sem realmente perceber do que se tratava, mesmo que fosse impossível não notar.
Z: Quem era na porta Mother? – Zelena apareceu dando de cara com a irmã que encaro-a com cara de poucos amigos – Regina!
R: Olá Zelena – falou com desdém – Achei que estávamos indo bem dessa vez! Reconstruindo a nossa relação, eu estava gostando de ter uma irmã de novo.
Z: Regina!
R: E então você faz isso!
Z: Eu ia te avisar!
R: Quando? Hoje? Quando eu cheguei você estava justamente ligando para mim?
Z: Não, olha!
R: Oh meu deus, eu estou me sentindo uma idiota nesse momento!
Z: Não, Regina! – tinha os olhos marejados
C: O que é isso? – falou Cora que até então estava observando – O que diabos é isso? Você não aprendeu nada da ultima vez não? E você apenas faz isso de novo? – arqueou as sobrancelhas.
Z: Mom! – repreendeu.
C: Cale a boca Zelena! O que diabos está acontecendo com você? – olhou para Regina – Não pode ser que é uma decepção atrás da outra com você Regina! Você tinha tanto potencial para triunfar! Uma mulher deslumbrante, inteligente, com uma pose de rainha e não é possível quê você não enxergue onde se meteu, onde está se metendo novamente! – Regina tinha os olhos marejados, tentando engolir o choro – Não posso acreditar Regina!
R: Não, sabe o que eu não posso acreditar Mother? É que você não mudou nada nesses anos todos em que esteve fora. – Deu meia volta saindo da casa de Zelena trás uma batida de porta.
Z: Droga! – pegou o celular – Mãe! Pelos amor de Deus!
C: Não Zelena! Eu esperava isso de você! Esperava que você estancasse a sua vida com um coitado qualquer e que tivesse filhos e que amasse ser mãe em um extremo que destruísse a mulher poderosa que você é! Eu esperava isso de Você! Não dá sua irmã! Regina nasceu para chegar ao topo! Eu me sinto totalmente infeliz vendo que apesar de tudo que eu ensinei a ela, ela não tenha visto nem a quarta parte dessa vida miserável que leva.
Zelena nada disse, apenas se afastou com o celular nas mãos.
C: Pra quem você vai ligar?
A ruiva não respondeu, apenas se afastou. Ligou para Regina, várias vezes, mas era óbvio que a morena não atenderia. Logo procurou o seu plano B, pois sabia que não poderia deixar Regina assim na rua.
Z: Emma?
E: Zel... – ouviu vozes – Estou o meio de um interrogatório, aconteceu alguma coisa?
[...]
Ter Cora como mãe sempre tinha sido uma das tarefas mais difíceis da existência das irmãs Mills.
Na cabeça de Cora ela tinha tido uma filha para fracassar e outra para triunfar. Mas as coisas não tinham saído bem assim, ambas eram mulheres independentes e bem sucedidas, formadas e recebidas, eram tão importantes que ela não tinha ideia.
Regina por ser a menor, por ter nascido em outras circunstâncias tinha sido a filha sonhada de Oro. Regina tinha sido planejada para seguir os seus passos.
Mas sua rigidez e sua falta de carinho e sua grosseria tinham feito com que Regina quisesse se afastar tanto dela como fosse possível. A morena não conseguia ver o jeito como a mãe tratava seu pai, um homem doce e tranquilo, e ficar quieta. Já Zelena, tinha um sentimento caótico pela mãe. Entendia que Cora poderia tê-la abandono ao nascer, dado em adopção, ou qualquer que fosse a sua melhor opção naquele tempo. Talvez ter conhecido Henry, tenha mudado o destino da ruiva. Quando Henry e Cora se conheceram pela primeira vez, ela estava no término da gravidez de Zelena. Henry tinha sido um amigo fiel e companheiro, Cora não mostrava ser uma pessoa ruim, mesmo que fosse gananciosa, pois o homem vinha de uma família rica de fazendeiros, tinha um bom trabalho, e algum dia seria herdeiro de toda a fortuna e terra dos Mills.
Henry depois tinha se afastado de Cora pelo trabalho, e passaram um bom tempo até que a vida os juntou novamente. E dessa vez, sim foi para ficar. O homem adoptou Zelena, deu a ela seu nome e não demorou muito Cora estava grávida de Regina, o casamento foi as pressas, com tudo o que Cora achou merecer. Para Cora estar casada com Henry Mills e ter ficado grávida de uma filha legítima dele era o seu maior troféu. A gravidez foi um sonho, tudo o que a mulher queria ou desejava o homem dava a ela. A amou, até onde ela deixou, mas sempre sentiu que tudo isso era para dar a ele as suas filhas. Que as amava e educava do mesmo jeito. Quando Regina na infância tentava fazer alguma birra relacionada ao seu privilégio, ele parava, sentava ela em uma cadeira e explicava as coisas com carinho. E ela começou a abrir os olhos e a crescer como pessoa, e a vida de Henry ficou mais fácil, com uma aliada e amor sincero.
A morena andava pelas ruas, não esperava por nada no mundo receber esse balde de água fria. Sempre tinha sido tão difícil pra ela ter uma boa relação com Zelena, pois a ruiva a pesar de tudo sempre puxava o tapete para o lado Cora, coisa que Regina não entendia, nem podia fazer algo assim, estava tudo tão claro e não suportar tudo isso só porque Cora era sua mãe, não era uma opção válida.
Recebeu ligações de Zelena, não atendeu. Logo Emma ligou várias vezes, e mandou mensagem dizendo que ela atendesse o telefone. Ela tampouco respondeu. Não sentia o chão e as palavras de Cora ecoava em sua cabeça. Sem dúvida nenhuma a mulher a tinha culpado pela morte da neta, não porque a amasse demais, mas porque ela sempre disse que Regina não tinha capacidade assim como ela de cuidar de um filho, de ter um futuro brilhante sim, mas isso não incluía ser mãe.
Na próxima ligação da Detetive ela atendeu.
R: Oi! – fungou
E: Onde você está?
R: No parque...
E: Ah Regina...! – respirou aliviada – Não saia daí, estou indo!
R: Emma não precisa...
Emma nada respondeu, mas a morena perceber que ela estava dirigindo.
E: Estou indo Gina!
Emma estacionou no parque, desceu do carro, recorrendo a vista para ver se a morena estava perto. Mas sabia onde exatamente ela estaria. Entrando no parque a passos largos, recorreu o outro lado do parque, avistou o corpo da morena de longe, sentada sozinha, atravessou pisando a grama para chegar mais rápido.
E: Amor... – Regina olhou para ela, tinha os olhos inchados – Vamos pra casa?
R: Senta aqui comigo só um pouco – a Detetive sentou.
E: Zelena me ligou...
R: Imaginei – fez um gesto com desdém.
E: Ela ia te avisar! Cora chegou hoje!
R: Não preciso que você venha em defesa da minha irmã, ok?
E: Não estou!
R: Como quer que seja ela poderia ter mandado uma simples mensagem, entende?
E: Sim... Mas porque você veio parar aqui? – olhou para o lago.
R: Aqui muita coisa mudou... – olhou com lágrimas para Emma.
E: Gina...
R: Estou tentando Emma, mas tenho momento em que não sei onde estou parada.
E: Eu te entendo.
R: Seguir não pode se sentir errado, seguir vivendo não pode ter o peso da culpa...
E: Não pode!
R: Mas porque tem?
A loira apenas abraçou a morena, puxando o p seu corpo para mais perto, Regina se aninhou ali dentro daquele abraço, sentindo o perfume da sua amada.
R: Eu te amo, e eu quero ter um futuro com você e com o bebê, é algo que eu realmente quero, e quero que seja sincero, e que a gente se sinta aqui, no momento presente, e que viver o hoje não tenha sabor a ontem.
E: Estamos indo bem, meu amor, temos problemas e traumas, e é difícil porque perdemos tudo de uma vez e agora estamos tentando recompor as peças. Sinto que podemos fazer isso, e que vamos ir superando aos poucos, e temos que nos curar, para poder continuar.
R: Sim... Temos que nos curar. A propósito... sua mãe perdeu o emprego.
E: O que...?
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