May The Crows Find You
3 We have each other
— Preciso de você também. Eu, não Winterfell.
Engoliu o bolo dolorido de sua garganta, pela primeira vez evitando encará-lo realmente. Podia identificar a instabilidade se instalando de forma sorrateira em seus ossos a cada vez que se via apenas com aliados à sua volta ou jantando sozinha em seu quarto, pois detestava a pompa e a solidão do Grande Salão quando não possuía ninguém para compartilhá-lo; e, por mais que sua relação com os criados do castelo fosse próxima à ponto de poder garantir sua lealdade, eles não era seus amigos. Nenhum deles.
— Sansa.
Jon a abraçou com cuidado e ela rodeou seus ombros com os braços, apertando-o contra si de olhos fechados, concentrada apenas no calor de um contato que não fosse repleto de formalidade. No entanto, sentira-o relaxar contra si e apoiar o queixo em seu ombro, em um suspiro cansado e vencido, apenas instantes depois.
— Estou cansada de ficar sozinha.
E que os Deuses a perdoassem por soar tão indefesa e infantil, quase como se implorasse para que Jon ficasse, pois só tinha a ele. Podia até ouvir uma breve e debochada risada divina pela fina ironia, pois o Stark de quem se via mais próxima agora era aquele a quem desprezava na infância e nem mesmo era seu irmão. Então, ele se afastou levemente, quase forçando-a a fitar o olhar acolhedor.
— Sei que governar pode ser uma tarefa solitária e posso não estar sempre aqui, mas... Você sempre tem a mim. – Ele encaixou seu rosto na palma da mão, os dedos no contorno da mandíbula e em sua nuca. – A qualquer momento, envie-me um corvo e eu virei, o mais rápido que puder.
Sansa concordou, embora seu interior gritasse não ser suficiente. Contudo, não o tiraria de seus deveres para lidar com suas banalidades cotidianas. Dessa forma, Jon depositou um beijo em sua testa e fez menção de se afastar, como lhe era de costume, mas viu-se impedindo-o, apertando os dedos contra a frente de suas vestes escuras, apoiando seu rosto no dele com um suspiro tão inapropriado quanto estarem sozinhos àquela hora da madrugada.
Se deixou envolver pelo cheiro que emanava dos cabelos escuros e rebeldes e dos fios da barba aparada, provavelmente, para aquele dia em especial, assim como a textura da pele onde escovava seu nariz com tanta cautela. Manteve os olhos fechados, assim como ele se fizera completamente paralisado sob seus dedos e sua respiração compassada enquanto Sansa colava os lábios hesitantes no ponto mais alto de sua bochecha, subindo em direção à têmpora e então sua sobrancelha.
Continuou a exploração silenciosa, o passo em falso que poderia arruinar tanto em pouquíssimo tempo, mas que, de alguma forma, tornara-os tão próximos que seus narizes e suas respirações agora se misturavam hesitantemente antes de lentamente se fecharem em um beijo. Sansa desfrutou o macio dos lábios contra os seus apenas por um momento antes que ele aprofundasse a língua contra a sua e, lentamente, a acariciasse levando-a a um ofego rendido.
As mãos de Jon circundaram sua cintura juntando-a completamente ao seu corpo quente e macio, como já conhecia – exceto que era muito mais, pois as sensações estavam em todos os lugares, instalando-se em um arrepio que percorria de coluna à nuca, nas respirações ofegantes de ambos, nos lábios dele deixando os seus somente para iniciar um rastro quente por sua garganta nua.
Seus dedos deixaram as roupas dele, na altura do peito, subindo em direção ao pescoço, entrelaçando-os aos fios negros, tão macios quanto aparentavam. A textura da barba dele contra a pele macia de seu próprio pescoço fazia com que quisesse se encolher, ao mesmo tempo em que fechava os olhos e esperava por mais em um leve gemido, completamente colada ao corpo rígido.
Contudo, no momento em que o sentiu se dirigir à curva de seu decote discreto e arredondado, que deixava todo o seu colo e ombros à mostra, apesar das mangas grossas do vestido, Jon estacou em meio a uma mordida superficial e suspirou, mantendo a boca molhada em contato com sua pele.
Podia senti-lo tão ofegante quanto si mesma, provavelmente tão excitado ou mais, mas era capaz de entender a dúvida, que residia nela também. Respirando fundo, Jon se afastou somente o suficiente para encará-la, tão perto que, se houvesse mais luzes, podia ver matizes nos olhos tão negros. Havia um brilho diferente do que conhecia ali e os lábios estavam vermelhos e inchados, provavelmente como os dela.
— Isso muda tudo, Sansa.
Detestava admitir, mas experimentou as pernas completamente bambas no momento em que Jon sussurrara dessa maneira, tão cauteloso, mas tão perto que podia apreciar o desejo no tom rouco. Sorriu levemente e rodeou os ombros dele, apreciando seus corpos completamente juntos e as mãos dele pressionando sua cintura, como se quisesse pará-la, embora não fizesse qualquer movimento para quebrar o contato.
— Eu sei.
Murmurou contra os lábios quase colados, antes de voltar a beijá-lo, sendo imediatamente retribuída. Gostava de como ele a beijava lentamente, quase que experimentando, mas ainda assim de forma profunda, explorativa, arrepiando seus poros e fazendo com que seu ventre se retorcesse. Confiante, o sentiu levar as mãos ao cordão que segurava seu vestido perfeitamente ajustado ao corpo e afrouxá-lo, de maneira que os dois lados logo estivessem completamente abertos.
No entanto, o tecido fora substituído pelas mãos quentes diretamente sobre sua pele, passeando lentamente por toda sua coluna até adentrar os cabelos em sua nuca, mantendo-a no lugar enquanto beijava seu pescoço, e calmamente abaixar uma das mangas do vestido, a palma inteira tentadoramente descendo por seu braço. Sentiu-se imediatamente exposta demais, mas Jon não deixou que se envergonhasse ao retomar a atenção para sua boca, distraindo-a enquanto os dirigia cegamente até a cama alta, onde se sentara, deixando-a entre suas pernas.
Mordendo os lábios, sustentou o olhar no dele enquanto a manga esquerda de seu vestido também era abaixada, deixando-a nua da cintura para cima. Jon imediatamente levou os lábios a barriga lisa, logo acima do umbigo, estremecendo-a com a carícia da barba contra a pele macia e o toque da língua que subia em direção aos seus seios já turgidos, pelo frio e pelo contato, somente à espera de mais. Então, quando a boca cobriu seu seio e as mãos dele a cercaram pelo quadril para deixá-la tão próxima que não havia como qualquer ar circular ali, Sansa gemeu apertando os cabelos dele.
Isso pareceu tê-lo incentivado, pois voltou a circundar seu mamilo com a língua mais fortemente enquanto atormentava o seio direito com dedos vagarosos, levando-a a amolecer apenas por isso. Ofegante, o viu sorrir passando os dentes pelo espaço entre os seios antes de erguer os olhos brilhantes para olhá-la. Não pode evitar um sorriso pequeno de volta, por baixo de toda a excitação de sua respiração descompassada, e Jon levou uma das mãos aos fios compridos dos cabelos ruivos que caíam entre eles, ajeitando-os em seus ombros.
— Você é tão linda.
Ele levantou o olhar e somente quando tocou a coroa de ferro com os dois lobos entrelaçados à frente, notou que ainda a usava. Estava tão acostumada ao peso e ao encaixe perfeito em sua cabeça, que, às vezes, sequer a percebia.
— Quer que fique com ela?
Murmurou em reposta, passeando os dedos pela barba escura. Jon voltou a encará-la e sorriu brevemente antes de segurar uma de suas mãos para depositar um beijo simples ali.
— Não. – Ele se levantou, rente ao seu corpo, tão calmo enquanto delineava sua mandíbula. – Eu quero a mulher, não a Rainha.
Mordeu os lábios, tentando impedir um sorriso muito grande, mas logo ele a beijou novamente, agora ávido, incentivando-a a acompanhar o movimento forte da língua contra a sua. Sansa deixou o rosto barbeado para trás, descendo as mãos pelo corpo dele, mas faltava o contato de pele devido ao tecido grosso do gibão. Por isso, cegamente, foi desfazendo todas as amarradas, até que Jon pudesse tirá-lo pela cabeça, descartando displicentemente no chão antes de juntar seus lábios novamente.
Seu primeiro movimento foi fincar as unhas contra o peito dele ao sentir-se puxada de encontro ao corpo lindamente rígido. Jon ofegou quando Sansa continuou a explorar seu abdômen e ombros, os dedos se encaixando no vestido preso em seu quadril para puxá-lo para baixo, tornando-a inteiramente nua. Mordiscando seus lábios, ele os deixou por um breve movimento para olhar para baixo enquanto percorria a extensão de suas coxas lentamente em uma exploração decidida com as mãos completamente abertas, arrepiando-a, até chegar as nádegas, por onde a segurou para trocarem de posição.
Agora, Sansa era levemente empurrada contra a cama para que se deitasse. O encarou por um momento, sem realmente entender o que faria a seguir, mas logo Jon se inclinou, beijando-a rapidamente antes de seguir em direção ao seu pescoço. Ele deixava um rastro quente que envolvia lábios, dentes e língua, e ao chegar ao seu ventre, logo abaixo do umbigo, a faz tremer pelo contato inesperado, mas bem-vindo. No entanto, ele foi mais abaixo, cuidadosamente abrindo suas pernas, deixando completamente aberta antes de passar a língua lentamente por toda a extensão de sua parte mais íntima.
Dessa vez, não pode evitar gemer alto e oferecer-se ainda mais, levantando os quadris contra a boca dele, que pressionava sua intimidade cada vez mais, abrindo-a, lambendo-a sem reservas e sem pressa, como se estivesse em sua tarefa mais apreciada. Ofegante, notou que um de seus pés já se encontrava sobre a cama enquanto Jon acariciava a curva de seu quadril oposto, mantendo-a no lugar para que não se revirasse tanto sob tormento gostoso da língua dele.
— Jon.
Seu gemido, ao levar uma das mãos aos cabelos dele, foi quase implorador. Já se sentia suada contra os lençóis e seu baixo-ventre praticamente tremia, ainda que Jon não estivesse tocando ali, mas Sansa se via completamente comandada por aquele centro de prazer, que vez em quando era pressionado pela língua ávida. Então, ele colocou sua outra perna sobre o colchão, deixando-a livre de uma forma que se sentiria vulnerável e ultrajada, se não estivesse tão excitada, tão necessitada do toque molhado exatamente ali.
E quando o alívio veio foi tão inesperado, forte e diferente de todas as sensações que já sentira até então, que sequer estava preparada. Jon a manteve no lugar e Sansa ofegou em meio a um gemido alto, apertando os lençóis embaixo de si e os cabelos dele em seus dedos. Ela fechou os olhos por algum tempo, incapaz de lidar com tudo que sentia da cabeça aos pés, notando-o a beijar suas pernas e depois os quadris.
— Isso é sempre assim?
Com uma das mãos praticamente dormentes, tão mole se encontrava, desencaixou a Coroa que ainda se encontrava sobre seus cabelos e passava a incomodá-la como um peso a mais. Não se importou em deixá-la sob a cama bagunçada enquanto Jon se colocava acima de seu corpo, apoiado na cama, sem tocá-la realmente. Seus lábios se encontravam um tanto úmidos, provavelmente por ela, mas tão vermelhos que eram tentadores e, além disso, ele parecia muito satisfeito ao examinar todo o seu rosto naquele momento.
— Quando a intenção é conceder prazer... Sim. – Ele se inclinou para beijar seu pescoço, acomodando-se contra seu ouvido, a barba a roçando enquanto murmurava. – Deve ser sempre assim.
Sansa se afastou minimamente para encará-lo, seus rostos há centímetros e os dedos dela nos lábios úmidos e bem feitos dele, curiosa e delicada.
— Eu quero sentir como é. – Entremeou seus dedos nos cabelos escuros, na altura da nuca, apertando como fizera quando se sentira derreter na língua dele. – Meu gosto e também todo o resto... Da maneira como deve ser.
Os olhos de Jon ganharam um novo brilho, repleto de lascívia, assim como a carícia simples do dedo em seu pescoço úmido, percorrendo uma linha invisível. Com um sorriso muito discreto, ele juntara seus lábios em uma carícia forte de sua língua e descansara o corpo imediatamente sobre o seu, de modo a sentir o membro duro, coberto pelo tecido da calça negra, contra sua intimidade completamente nua.
Sansa instintivamente arqueou-se contra ele, levando as mãos ao cordão, que segurava a última peça de roupa a separá-los e elevando os joelhos para junto dos quadris estreitos. Jon, por sua vez, percorria todo seu corpo com as mãos, dos seios às pernas até a intimidade molhada que o recebia, como se estivesse pronta para conhecer cada toque, que experimentara por todo o resto da noite que comemorava a Independência do Reino – a última coisa que pensara naqueles instantes.
Na manhã seguinte, Jon se despediu dela ali mesmo logo ao amanhecer, sem esperar o café da manhã, como disse que faria. Estava acordada desde que o dia clareara, como era de seu costume e, por isso, sentiu quando a respiração de Jon, logo atrás de si, se tornara mais agitada, antes de se aproximar com cautela, depositando um beijo calmo em seu ombro enquanto a mão percorria a curva de sua cintura sob a pele grossa que os cobria.
— Você está bem?
Se voltou para encará-lo sob a luz da janela logo atrás da cama, rendendo-se a um suspiro antes de passar a acariciar a barba e os cabelos revoltos por seus dedos inquietos por tudo que fizeram e pela manhã, considerando como era injusto não poder vê-lo todos os dias daquela forma, com aquele olhar de sono, lábios inchados, sem camisa e completamente à vontade. Não tinham mais momentos desconfortáveis, mas aquele de cumplicidade em específico era único até então.
— Não desapareça. – Pediu em tom baixo, percebendo sua voz rouca como a ele.
— Deixarei que os corvos me encontrem.
Então, após ver seu menear de cabeça em concordância, Jon se inclinou para beijá-la antes de se levantar com um suspiro, jogando os cobertores para o lado e juntando suas roupas enquanto Sansa voltava a se acomodar e fechar os olhos na cama que, inevitavelmente, teria o cheiro dele pelo resto do dia.
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