May The Crows Find You

4 Sometimes duty is the Death of love


Jon não fizera promessas e, por isso, não podia culpá-lo, mas agora conhecia a sensação dos braços ao seu redor, do cheiro exalando por toda a parte do quarto, do prazer que podia lhe proporcionar, sem entediá-la ou machucá-la, e isso a arruinara para todos os homens que tentaram se aproximar ao longo dos anos, pois inevitavelmente Sansa os comparava a ele.

Revirando os próprios olhos de maneira completamente inapropriada, deus as costas a ele respirando fundo, tentando dar vazão à frustração. Quando parava para pensar na forma como o esperava de maneira ansiosa todos os anos na comemoração de Independência do Norte notava o quão depende se encontrava do toque e da atenção, que sempre lhe concedia e o detestava por não parecer se esforçar, minimamente, para estar com ela por mais tempo.

Tanto quanto naquele dia, há sete anos, Sansa estava cansada de ficar sozinha e a única diferença residia no fato de que, então, se apegara à espera daquele afeto, de Jon em si. Além disso, realmente deveria se colocar um pouco de lado para pensar no futuro do Norte e da Casa Stark, a qual ainda não possuía a garantia de um herdeiro, algo totalmente fora dos padrões, pois uma das grandes preocupações de todos os governantes era dar continuidade à linhagem real a fim de se manter no poder.

— Há uma opção, mas você... – Terminou em um gesto vago de mão, sem sequer precisar externar o que pensava, pois ele saberia.

— Sou um exilado, Sansa. – Jon a retrucou em tom baixo e quase podia vê-lo encarando o lago sob o Represeiro de maneira pensativa, mas se forçou a não se voltar para encará-lo. Sentia-se imediatamente enfraquecida pelo brilho dos olhos escuros e por ele inteiro, sempre que a encarava daquela maneira paciente. Se recordava dele exatamente assim, lidando com seus irmãos, ganhando a devoção de todos eles, sendo um exemplo ao lado de Robb, ainda que sua mãe detestasse tal fato e Sansa a imitasse. – Fui condenado pela Coroa. Não cumprir minha pena deixaria Bran em uma posição difícil...

— Eu não me importo. – Sansa desdenhou, mais arrogante do que gostaria. – Bran não tem nenhum interesse em continuar mantendo-o exilado e você estaria sob o peso da minha Coroa, do meu perdão real.

— Isso seria uma afronta à Patrulha e sabe disso. – Jon continuou a indiferentemente expor os obstáculos. – O Norte sempre teve uma boa relação com os homens da muralha. Acha que uma deserção tão pronunciada não os faria perder o respeito que ganharam com o passar dos anos?

— É um consenso que não deveria ter sido exilado. – Teimou firmemente, voltando-se para ver uma careta desgostosa ao ouvi-lo bufar. Apertou os lábios e as mãos à frente do corpo, resignadamente consciente do motivo para que discordasse tanto. – Jon, você só foi condenado pela pressão dos aliados de Daenerys, não por seu ato. Todos sabem que fez o que era preciso.

— Não tenho qualquer orgulho sobre isso.

— Mas os nortenhos têm e, por isso, ainda hoje o idolatram. Ninguém neste Reino gostaria de dobrar os joelhos para um Targaryen novamente, essa é uma verdade que não gosta de encarar.

Jon matara Daenerys logo após a tomada do Trono de Ferro e, portanto, uma Rainha legítima. Ele se tornara um assassino de reis, tanto quanto Jamie Lannister, a quem condenava pela falta de honra. Além disso, a traíra pessoalmente, pois Daenerys depositara sua confiança nele, como governante e como mulher. Nada fora dito, mas tinha certeza de que ela o queria como Rei ao seu lado.

Não simpatizara com a mulher logo de início, mas não se importava que Jon estivesse envolvido com ela romanticamente, uma vez que ainda era seu meio-irmão. Sua preocupação, quando Daenerys chegara ao Norte com três dragões em uma demonstração tácita de força, estava focada no que seria de sua Casa e do povo que confiara neles, nomeando Jon, um bastardo até então, como Rei. Ele dobrara o joelho em relação a si, ela era sua Rainha, mas ninguém aprovara que houvesse feito por todo o Norte.

Agora, quando pensava nisso, a ideia a incomodava. Tinha a impressão de que Daenerys ainda o habitava por inteiro e que ele aceitara cumprir sua pena de forma tão submissa para tentar se redimir, expiar a culpa que carregava por ter matado a mulher que amava. Assim como Jon a arruinara para os demais homens, era como se Daenerys, sem qualquer intenção e mesmo após sua morte, continuasse eternamente o arruinando para Sansa.

— Eu sei que a amava, talvez ainda ame. – Jon levantou os olhos e abriu a boca para interrompê-la, mas não se permitiu ser. – Mas o receio que acha que existe está apenas em você e não posso esperar que o supere.

— Sansa...

Jon a chamou quando lhe deu as costas para sair do Bosque-Sagrado, mas seus olhos estavam tão marejados que apenas hesitou por um momento antes de realmente dirigir-se ao portão do mesmo, arrastando o vestido pesado pela neve. Adentrando o pátio principal, torceu para que não encontrasse ninguém importante no caminho e olhou ao redor por um momento antes de se decidir por seguir à direita, em direção a Torre da Biblioteca, onde um guarda estacado à beira da entrada a encarou com estranhamento.

— Lyonel, avise a Brienne que não estou me sentindo bem e não estarei disponível até o jantar.

Ultrapassou o corredor de pedra e subiu as escadas tentando manter o passo controlado, assim como a respiração. Seu nariz formigava e sua garganta parecera ter se fechado como quando doente, mas suspeitou que as lágrimas em seus olhos a denunciavam a milhas de distância e, por isso, agradeceu o silêncio e a solidão do antigo cômodo. Soluçou quando a porta pesada fechou atrás de si e apertou as mãos em punho, desesperadamente evitando se desmontar por inteira.

Envolvida pelo aroma familiar, subiu para o terceiro piso, onde trabalhava com mais conforto sempre que não precisava atender ninguém em um pequeno escritório, que mandara construir recentemente. Tratava-se de um ambiente mais feminino em comparação aos demais lugares do castelo, mas apreciava que assim fosse: Sansa não negava sua feminilidade para governar. Ao contrário, provava a cada dia que poderia governar tão bem quanto todos os homens que vieram antes dela – ou melhor.

Da janela, podia ver a movimentação nas adjacências do Grande Salão, o qual já se esvaziava para que todos se preparassem para o jantar e, ao longe, fora dos muros de Winterfell, conseguia distinguir as tendas dos pavilhões de cada Casa vassala da Coroa. Estavam ali para comemorar a Independência que desejaram por tanto tempo, mas também por ela, que a conquistara em nome de todos. Jon estava certo ao afirmar que fizera com que todos a amassem, mas chegara a um momento crucial em que a lealdade deles dependia do que a mulher podia fazer, não somente a Rainha.

Se casar novamente certamente seria seu maior sacrifício, desde que fora coroada pelos Senhores do Norte, e não se sentia nem de longe preparada para isso, mas, como havia dito, lidaria com isso. Não era mais uma garota ingênua, que acreditava em princípios e cavaleiros lindamente narrados em canções, mas a Rainha daquele castelo e, portanto, não deixaria que ninguém a machucasse novamente ou que a tocasse sem seu consentimento.

Notou que suas unhas cravavam com força a palma da mão e a respiração saía pesada ao identificar e fitar o brasão de campo azul-verde com o tritão segurando o tridente negro da Casa Manderly. Havia esses momentos, onde percebia que o que Ramsay e Joffrey fizeram a ela fora marcado a ferro em sua alma, que não era capaz de realmente deixar para trás todo aquele capítulo de sua história, embora desejasse esquecer a garotinha estúpida que um dia fora.

Fechou os olhos em um suspiro e se deixou ficar ali por tempo suficiente para sentir-se no controle novamente. Voltou-se à grande mesa de carvalho-negro na outra extremidade, repleta de papéis e documentos importantes, que diziam respeito à administração do castelo, com uma espaçosa cadeira estofada em negro sob um grande espelho de borda dourada, o qual Arya trouxera de uma de suas viagens, mas imediatamente se arrependeu pela recordação que provocava.

Lia distraidamente a carta de Bran, informando que não participaria das comemorações de Independência naquele ano, mas que Tyrion estava a caminho para representar os Seis Reinos quando ouvira a porta ser aberta e fechada com um clique discreto e sentira o irresistível aroma de tortinhas de limão invadir o cômodo por inteiro.

— Pode deixar a bandeja sobre a cantoneira, Alys. – Mandou encostada à grande janela de vitrais coloridos, de onde podia monitorar com sucesso toda a agitação que tomava o castelo nos dias que antecediam as Festividades de Independência. Todos os anos, Winterfell tinha de ser preparado para receber convidados e hóspedes, por isso quartos e alas completamente inutilizados eram reabertos e arejados, os arbustos ao redor tinham de ser podados, os estábulos deveriam estar limpos e a cozinha precisava estar pronta para a demanda de várias bocas a mais, além das refeições mais sofisticadas servidas nos principais dias de festa. – Tem notícias de como foi a caça de veados? O Sr. Artos disse que não obteve muito sucesso ontem e anteontem.

— Não tenho informações sobre a caça ainda.

Surpresa, Sansa fez menção de se virar, mas as mãos dele em sua cintura a impediram, puxando-a de encontro ao corpo quente.

— Jon! Você não avisou que chegaria! – Exclamou tentando conter a empolgação, além do arrepio que a percorrera ao sentir a barba e os lábios frios diretamente em sua nuca, no espaço deixando pela trança jogada sobre o ombro esquerdo.

— Queria algum de seu tempo antes das comemorações. Achei que podia gostar...

Os lábios seguiram por seu pescoço e ela fechou os olhos, engolindo um ofego, se voltando a ele dentro do abraço, apenas para se deparar com os cabelos mais curtos e a barba escura perfeitamente aparada. As feições dele, com o passar dos anos, ganharam ares mais amenos, sem toda a preocupação quanto ao Rei da Noite e a guerra por tronos que entraram quase que sem notar muito tempo antes.E, quando sorria, ainda que pequeno, a lembrava o garoto que vivia correndo e treinando pelos pátios do castelo com seu irmão.

Mordendo os lábios, levou os dedos à mandíbula bem desenhada e seguiu até encontrar a cicatriz abaixo do olho esquerdo, a qual ganhava uma continuidade logo acima das sobrancelhas. Sempre se preocupava sobre como ele poderia estar, mas depois de terem, finalmente, alcançado a paz Jon não ganhara novas marcas como aquela.

— Senti sua falta.

Correu as mãos pelo peito coberto pelo gibão ao encaixá-las no rosto dele, que se inclinara para selar seus lábios. Não precisava dizer nada de volta, pois o fato de estar ali antes do previsto, após todas aquelas intermináveis voltas de lua, já demonstrava sua afeição. Ele continuava a vestir o negro, mas a cor não soava mais como uma condenação. Ao contrário, era uma parte dele que aprendera a aceitar – um pouco.

Enquanto o beijava de volta, relembrando a textura dos fios negros de seus cabelos e o gosto da língua ávida contra a sua, sentiu o vestido ser afrouxado e levou os dedos para a abertura das vestes dele, mas hesitou por um momento, afastando-se levemente para encarar a porta. Jon, no entanto, continuou a descer beijos distraídos por sua mandíbula e então garganta.

— Alguém pode entrar. – Apertou os ombros dele ao sentir um ponto específico do pescoço ser chupado.

— Acho que não. – Franziu o cenho e Jon a fitou, empurrando-a suavemente enquanto explicava. – Avisei a Brienne que estaria completamente indisponível pelas próximas horas.

— E porque razão? – Sansa sentiu a superfície dura da mesa contra suas nádegas e foi brevemente distraída pelo sorriso dele, antes de içá-la para o móvel.

— Temos muito o que discutir.

Então, ele a beijou novamente, dessa vez descendo as mãos por suas pernas e levantando-as novamente, mas sob o vestido. Sansa agradeceu que o modelo azul, apesar de grosso devido ao inverno brando daquele ano, fosse completamente reto, sem qualquer adereço que colocasse alguma dificuldade no contato. Ao mesmo tempo, abria rapidamente as vestes dele, a fim de chegar ao nó da calça.

Sansa ofegou, claramente se esforçando para não fazer qualquer ruído muito alto, e ajeitou-se direito sobre a mesa para conceder a ele mais acesso, apreciando as reações do próprio corpo acordando junto ao toque entre suas dobras já molhadas. Fazia tanto tempo... Ondulou o quadril contra os dedos dentro de si e concentrou-se no membro semirrígido, passando a acariciá-lo sobre a roupa que desistira de tirar, uma vez que Jon teria de se afastar para tanto e não queria que houvesse qualquer espaço entre eles.

Entretanto, quando estava praticamente a beira do precipício, sua mente focada no ápice de seu prazer e, além, unicamente nos dedos de Jon, o mesmo a abandonou, completamente ofegante, pulsante e necessitada. Rapidamente, ele afastou as mãos que, limitadamente, o tocavam de cima abaixo, e se desfez da parte de cima da roupa com mais facilidade do que julgara a princípio, além de desfazer o nó da calça, finalmente.

Juntando seus lábios em um beijo molhado no momento em que Sansa o tocara, sem toda aquela camada de tecido, deslizando os dedos por toda a extensão, Jon gemeu baixo contra si e se colocou entre suas pernas. O modo como a acariciara primeiramente em seu ponto mais sensível e molhado com a ponta de seu membro era tão lasciva que mal conseguiu ajeitar as pernas bambas contra o quadril dele antes que a penetrasse.

Não foi delicado, dessa vez, e nem gostaria que houvesse sido. Estava à beira de seu prazer, sentindo-o ir e vir no ritmo forte e profundo que ele impunha a cada vez que escorregava com facilidade dentro dela. Apertando os cabelos escuros entre os dedos ao sentir os dentes em seu pescoço, sob a respiração arfante contra si, e não se impedindo de fincar as unhas nas costelas dele, Sansa gemeu alto quando o tremor perpassou todo o seu corpo em uma onda forte de sensações inexplicáveis.

Sentiu suas pernas amolecerem em torno dele, mas no mesmo instante em que pressionou os dedos contra suas coxas para segurá-las, Jon alcançou seu próprio ápice em um gemido quase engasgado, esforçando-se com os lábios nos seus para não deixar escapar qualquer ruído que pudesse denunciá-los. Ele sempre tivera o cuidado de não deixar sua semente nela, mas sabia que, mesmo com todo o cuidado possível, mulheres engravidavam sem intenção.

Assim, Sansa não podia deixar de se perguntar se teria algum problema, fosse pela idade ou pelo que Ramsay fizera a ela. No entanto, não havia como perguntar ao Meistre Liebman sem comprometer a si mesma e gerar comentários indesejáveis, que podiam ultrapassar as barreiras de Winterfell. Por isso, engolindo em seco, apenas acariciou os cabelos macios e levemente suados da nuca de Jon, deixando que ele, confortavelmente, descansasse a cabeça na curva de seu pescoço, arrepiando-a a cada respiração descompassada contra sua pele sensível.

Sentou-se no vão que o parapeito da janela formava, levando uma das mãos ao ventre vazio. Há muito rezava aos Antigos Deuses que não carregasse nenhum problema que a impedisse de gerar uma criança. Ela precisava de um herdeiro, pela Coroa, mas também gostaria de poder desfrutar da sensação de ser mãe. Queria saber como era esse sentimento que todas as mulheres que a rodeavam comentavam e, agora, temia que sua hora já houvesse passado.

Encarando-se no grande espelho da parede da grande escrivaninha, percebeu o rosto mais fino em comparação com anos atrás, assim como a postura mais ereta e feições mais maduras, mais desgastadas. Podia ver a beleza de que todos falavam, mas já não se sentia tão bela quanto no momento em que se tornara Rainha do Norte. Mesmo seus cabelos ruivos, sulistas e incomuns, os quais despertavam tanto fascínio nos homens, já não parecia mais tão brilhantes.

Seus olhos recaíram nos que a olhavam de volta do espelho, profundamente azuis tanto quanto aborrecidos. Sabia que a reação de Jon não seria favorável, considerando todos os últimos anos, mas não achava justo que se mantivesse naquela opinião sobre um pretendente necessário quando não queria estar com ela, como acabara de propor. Fora a primeira vez em que, realmente, colocara as cartas na mesa; a primeira vez em que quisera fazê-lo, na verdade, em nome de seu futuro.

As pessoas, às vezes, diziam que o amor era a morte do dever, pois clamando um sentimento tal podiam deixar de cumprir o que lhes era esperado, mas não para Sansa. Amava Jon profundamente, deixara que ele se estabelecesse em seu coração de forma que não permitira a mais ninguém em todos aqueles anos e era o único com quem sentia ainda poder se expressar de verdade sem se importar com as formalidades de seu Trono.

Contudo, não poderia deixar de cumprir o que lhe cabia quando os Senhores do Norte a coroaram após a Independência. Se sentiria uma completa farsa, caso não conseguisse gerar um herdeiro para sua Casa e sua Coroa. Winterfell precisava de quantos Starks fossem necessários e, nesse momento, recolhia todos os pedaços de seu coração por saber que não teriam os cabelos negros de Jon, nem seu sorriso relutante, mas sempre tão sincero.

Notas finais
Então... Penúltimo capítulo! Aqui, fica claro o quanto a questão de um herdeiro é importante para Sansa, tanto quanto o medo por talvez não conseguir gerar um enquanto ainda é fértil. Como ela mesmo disse no início, já não é mais garota, certo? Também, eu quis colocar essa lembrança pra demonstrar o quanto a relação deles evoluiu com o passar dos anos e o quanto Sansa também se tornou mais confiante na cama justamente porque há essa confiança em Jon. E há o fato de que Daenerys ainda pesa sob certas percepções... E sobre o nome do capítulo, eu amo a dualidade dessa frase - que foi usada em momentos diferentes na série - e o quanto ela pode ser discutida! Espero que estejam gostando e obrigada aos que favoritaram ♥ Até o próximo ♥